A REVOLUÇÃO VERDE NA AGRICULTURA
 
A REVOLUÇÃO VERDE NA AGRICULTURA
 


A REVOLUÇÃO VERDE NA AGRICULTURA

Autor: Helio Teixeira Leite (Engenheiro Agrônomo).

RESUMO

Na maioria das civilizações antigas, o sistema de produção de alimentos está associado ao cultivo de árvores e arbustos nativos, na forma de agroflorestal. Havia problemas de armazenamento, transporte, distribuição que tinham como consequência a escolha por alimentos que durassem mais tempo pós-colheita. Então os grãos eram os preferidos pelos povos antigos.

A partir dos meados do século XVIII, surge um novo período na história da humanidade em relação à produção de alimentos; começa o processo de modernização da produção agrícola - é a Primeira Revolução Moderna da Agricultura.

No século XIX, tem início a Segunda Revolução que é marcada pelo processo de mecanização das práticas agrícolas, do uso de fertilizantes, pesticidas e dos inseticidas. No Brasil, a monocultura passa a requerer vastas extensões de terra que leva a expulsão do homem do campo, exploração de áreas de matas, de territórios indígenas e de populações afrodescendentes.

O momento é marcado pelo abandono da rotação de cultivos, pelo controle biológico, cultivares resistentes; o solo é visto, apenas, como suporte das plantas, sem a preocupação da preservação do ambiente, da flora e fauna; a produção agrícola se torna altamente exigente em capital, maquinaria e tecnologia; No controle de pragas e doenças, surgem os pesticidas, chamados de "Defensivos Modernos”.

A Revolução é sustentada pelo Pacote Tecnológico que organizou a produção agrícola num conjunto de práticas, técnicas e procedimentos agronômicos que interagiam entre si; objetivando maior produção e produtividade por hactare.

Junto com algumas vantagens, a Revolução Verde trouxe, também, problemas como: efeitos nocivos sobre as populações, provocando altos custos social, econômico e ambiental, contaminação e envenenamento do solo, ar e água, desequilíbrio dos ecossistemas naturais e produtivos; maior dependência de fatores externos na produção, maiores custos de produção; perda da fertilidade dos solos, compactação dos solos e muitos outros.

A Revolução Verde provocou impactos no processo de produção agrícola, nas relações de consumo, na qualidade de vida de populações, na expectativa de vida das pessoas, uma vez que, bem alimentado o homem resiste melhor às doenças, prolongando o tempo de vida.

 Palavras e Conceitos Chave: Produção Agrícola na Antiguidade, atividades agrícolas modernas, Revolução Verde, Pacote Tecnológico, poluição do ambiente.

 Key words and concepts: agricultural production in antiquity, modern agricultural activities, Green Revolution, Technology Package, environmental pollution.

 SUMMARY

 

 In most ancient civilizations, the food production system is associated to the cultivation of native trees and shrubs, in the form of agroforestry. There were problems of storage, transport, distribution, which had as a consequence the choice for food that lasts longer post-harvest. So the beans were preferred by ancient peoples.

From the mid-18th century, a new period in the history of mankind in relation to food production, begins the process of modernizing agricultural production-is the first Modern Revolution of agriculture.

In the 19th century, begins the second revolution that is marked by the process of mechanization of agricultural practices, the use of fertilizers, pesticides, insecticides. Monoculture will require vast stretches of land that leads to expulsion from the field man, exploitation of forest areas, indigenous and Afrodescendant populations territories. This second point is marked by Abandonment of the rotation of crops, biological control, resistant cultivars; the use of soil as plant support, without the concern of preserving the environment, flora and fauna; Highly demanding agricultural production into capital, machinery and technology; In the control of pests and diseases, pesticides, called "Modern Defensive".

The Technological Package that organized agricultural production on a set of agronomic practices, techniques and procedures that interacted with each other; with greater production and productivity per hactare.

Along with some advantages, the green revolution brought problems: adverse effects on the populations, causing high social, economic and environmental costs, contamination and poisoning of the soil, air and water, natural ecosystems and productive imbalances; greater reliance on external factors in production, higher costs of production; loss of soil fertility, soil compaction and many others.

The green revolution brought about impacts on agricultural production process in consumer relations, on the quality of life of populations in the expectation of life, since, well fed man resists the disease, prolonged the lifetime.

Palabras clave y conceptos: verde de producción agrícola en la antigüedad, las actividades agrícolas modernas, contaminación ambiental de la revolución, paquete de la tecnología

 RESUMEN

En las civilizaciones más antiguas, el sistema de producción de alimentos está asociado al cultivo de árboles nativos y arbustos, en forma de agroforestería. Hubo problemas de almacenamiento, transporte, distribución, que tuvo como consecuencia la elección de alimentos que dura más tiempo después de la cosecha. Tan los granos fueron preferidos por los pueblos antiguos.

Desde el siglo XVIII, un nuevo período en la historia de la humanidad en relación con la producción de alimentos, comienza el proceso de modernización de la producción agrícola-es la primera revolución moderna de la agricultura.

En el siglo XIX, comienza la segunda revolución que está marcada por el proceso de mecanización de las prácticas agrícolas, el uso de fertilizantes, pesticidas, insecticidas. Monocultivo requerirá grandes tramos de tierra que conduce a la expulsión del hombre de campo, la explotación de las áreas forestales, indígenas y territorios de las poblaciones afro descendientes. Este segundo punto está marcada por el abandono de la rotación de cultivos, control biológico, cultivares resistentes; el uso del suelo como soporte de la planta, sin la preocupación de preservar el medio ambiente, flora y fauna; Altamente exigente producción agrícola en la capital, la maquinaria y la tecnología; En el control de plagas y enfermedades, pesticidas, llamadas "Defensivo moderno".

El paquete tecnológico que organiza la producción agrícola en un conjunto de prácticas agronómicas, técnicas y procedimientos que interactúan entre sí; con una mayor producción y productividad por hactare.

Junto con algunas ventajas, la revolución verde trajo problemas: efectos adversos en la poblaciones, causando alta socioeconómicos y los costos ambientales, contaminación y envenenamiento del suelo, aire y agua, los ecosistemas naturales y los desequilibrios productivos; una mayor dependencia de factores externos en la producción, mayores costos de producción; pérdida de la fertilidad del suelo, la compactación del suelo y muchos otros.

La revolución verde traída efectos sobre el proceso de producción agrícola en relaciones con el consumidor, en la calidad de vida de las poblaciones en la expectativa de vida, desde entonces, bien alimentado hombre resiste la enfermedad, prologando la vida.

  1. 1.   A AGRICULTURA NA ANTIGUIDADE

O conhecimento que se tem da produção de alimentos na antiguidade, deve-se, sobretudo, ao que chegou até aos tempos modernos sobre a relação existente entre os egípcios e o rio Nilo.

O Egito é uma estreita faixa de terra localizada entre o deserto- Saara e o Rio que nasce na África e deságua no Mar Mediterrâneo. No período das cheias que vai de junho a novembro, o rio transborda das margens e cobre uma longa faixa de terra, deixando grande quantidade de húmus vindo das montanhas e locais por onde o rio percorre. Quando as águas retornam ao leito, os egípcios aproveitam para plantar nos locais fertilizados pelas enchentes. Os implementos agrícolas utilizados para arar a terra e os tratos culturais - na antiguidade - eram rústicos e agrediam pouco os ecossistemas.

Na maioria das civilizações antigas, o sistema de produção de alimentos está associado ao cultivo de árvores e arbustos nativos, na forma de agroflorestal. O manejo do solo era, basicamente, a rotação de culturas, a biodiversidade de cultivos e a aplicação de matéria orgânica. Isso até os meados do século XVIII. A escolha da espécie e variedade plantada recaia sobre aquelas plantas que fossem resistentes a pragas e doenças, que estivessem adaptadas as condições locais, é que, como se fosse uma herança que passava de pai para filhos. Os alimentos eram produzidos dependendo da necessidade da localidade.

Na antiguidade, a produção dos alimentos não satisfazia a demanda, uma vez que, a fome era algo presente, sobretudo, nas classes sociais vulneráveis. Havia problemas de armazenamento, transporte e distribuição que tinham como consequência a escolha por alimentos que durassem mais tempo pós-colheita. Então os grãos eram os preferidos pelos povos antigos.

  1. 2.   A AGRICULTURA MODERNA

 A partir dos meados do século XVIII, surge um novo período na história da humanidade em relação à produção de alimentos. O homem afastar-se das margens fertilizadas dos rios e busca novos espaços para plantar. A produtividade, ampliação na lista de produtos primários, novas tratos culturais estabelecem uma nova relação do homem com a sua produção de alimentos, consequentemente, também, novas relações com a natureza. Dá-se, a Primeira Resolução Agrícola. A Agricultura entra na Era Moderna.

A adubação verde, a diversificação de cultivos, a criação de animais associados à agricultura, a rotação de plantas forrageiras com os campos cultivados, a biodiversidade de cultivos, a seleção de cultivares relacionada à resistência a pragas e doenças e as características dos produtos que atendam um mercado consumido cada vez mais exigente são as marcas predominantes daquela Era.

No Brasil, a Primeira Era Moderna da Agricultura teve com principais características: alta demanda de mão-de-obra, técnicas adequadas para o manejo da matéria-prima, produção extensiva de alimentos para atender o mercado interno e externo, baixa utilização de capital. Os extratos de plantas e emulsões de querosene, o emprego da Calda Bordalesa e o Verde de Paris são intensamente utilizados no combate a pragas e doenças.

 3.   A REVOLUÇÃO VERDE

 3.1- Pontos de partida

 No século XIX, tem início a Segunda Revolução Moderna da Agricultura que é marcada pelo processo de mecanização das práticas agrícolas, do uso de fertilizantes, pesticidas e inseticidas. A monocultura passa a requerer vastas extensões de terra que leva a expulsão do homem do campo, exploração de áreas: de matas, de territórios indígenas e de populações afrodescendentes.

A irrigação das lavouras exige um consumo maior de água na agricultura, também, observa-se o inicio da preocupação do controle de pragas e doenças utilizando produtos inócuos ao homem (uso dos piretro e dérris), assim como, uso de insumos externos. Entretanto, em relação à preservação da natureza não se tem, por parte dos agricultores e dos Governos, a atenção devida. A preocupação era produzir mais e mais (Agricultura de Produto). Esse processo de modernização ficou conhecido como Revolução Verde.

As características dessa Revolução são:

 “Abandono da rotação de cultivos, controle biológico, cultivares resistentes”.

  • Emprego do solo apenas como suporte das plantas, sem a preocupação da preservação do ambiente, flora e fauna.
  • Produção agrícola altamente exigente em capital, maquinaria e tecnologia.
  • No controle de pragas e doenças, surgiram os pesticidas, chamados de Defensivos Modernos” (Penteado, 2007:9).

 A Revolução Verde acentuou a dependência da agricultura em relação ao Capital. A produção passa a ser submetida à Lei da Tesoura (ZAMBERLAM, 2007), que, resumidamente, seria: do lado superior da lâmina temos os preços dos produtos industrializados (PPI) que são fixados acima dos preços de produção e do lado inferior temos os preços dos produtos agrícolas e matérias-primas (PPA) que são sempre abaixo dos custos de produção.

Essa dependência ficou acentuada à medida que houve o avanço da industrialização química e mecânica do século XX. A Agricultura passa a ser administrada sob a lógica do capitalismo, que significa produzir para o mercado com maior produtividade e menores custos. O fenômeno é conhecido como mercantilização. A Revolução Verde é a penetração capitalista no campo. A natureza é vista como suporte para a produção agrícola, não há preocupação com as consequências da utilização intensiva da mecanização das práticas agrícolas, do uso de fertilizantes, pesticidas, inseticidas. O objetivo era a maximização dos lucros.

Surgem os pacotes tecnológicos padrões que objetivavam aumentar a produção e produtividade agrícola; considerando os experimentos genéticos para produção de sementes adequadas às condições de diferentes solos. Essa Revolução teve dois períodos: 1943 a 1965 (pioneiro) e de 1965 em diante (expansão).

No período pioneiro, aconteceram os projetos pilotos no Brasil, Estados Unidos, México e nas Filipinas. No segundo período, começa a haver um controle dos pacotes tecnológicos, há certa intervenção no uso de insumos básicos da produção, a exemplo das sementes, defensivos modernos, equipamentos, adubação química, assim como, em relação à orientação técnica aos agricultores. O credito rural passa a ser direcionado.

 3.2- Pacote Tecnológico

 O capital oligopolizado do pós-guerra mundial deu origem ao pacote tecnológico agrícola. Os grandes empresários mundiais que eram possuidores de sobras da campanha de guerra resolveram investir na produção de alimentos como uma fonte de geração de mais lucros. O Grupo Consultivo de Pesquisa Internacional (GCPAI) formado pela Ford, Banco Mundial e Rochfeller e outros foram os responsáveis pela formatação de um novo modelo produtivo.

O Pacote Tecnológico organizou a produção agrícola que consistia num conjunto de práticas, técnicas e procedimentos agronômicos que interagiam entre si; objetivando maior produção e produtividade por hactare. É o campo visto como piso de fábrica, ou seja, como se o mesmo fosse uma linha de montagem industrial. Consequentemente, aumentou a dependência em relação a fatores externos que não eram controlados pelo campesino. As máquinas, equipamentos específicos advindo das indústrias, sementes melhoradas geneticamente nos laboratórios, aplicação de calagem, adubos nitrogenados são algumas das ferramentas, desse Pacote.

A mecanização agrícola se intensificou levando a redução no uso de mão-de-obra e ao êxodo rural. Os fertilizantes sintéticos ganham mercado, assim como, os herbicidas, inseticidas e fungicidas; acontece a extinção de variedades de plantas cultiváveis tradicionais e a monocultura avança.

 3.3 – A Revolução Verde chega ao Brasil

 Segundo Zamberlam (2007), o Brasil tinha na década de 60 duas alternativas para aumentar a produção e produtividade agrícola. A primeira seria uma Reforma Agrária que doaria terras aos agricultores, evitaria o êxodo rural e quebraria o monopólio dos latifundiários no sentido da concentração de terras, renda e produção. A segunda forma poderia ser adotar os pacotes tecnológicos sem mexer na estrutura fundiária. O poder dos donos da terra foi exercido e tanto os Governos Estaduais como o Federal assumiram a modernização da agricultura, via essa segunda alternativa.

Foram tomadas algumas medidas que objetivavam implantar e consolidar o modelo escolhido, a exemplo de:

a) Incentivos fiscais e logísticos para empresas transnacionais se instalarem no país para que as mesmas produzissem máquinas, equipamentos, insumos químicos e outras matérias primas. Sendo assim, instalam-se a Basf, Union, Hoechst, ICI, Shell, Ciba-Geigy, Pfizer, UNILEVER, Ford, Rhodia, Monsanto, Dow Quimica, Union Carbide e muitas outras que proporcionaram a abertura de vagas no mercado para vários segmentos de mão-de-obra.

b) Incentivo ao associativismo e cooperativismo objetivando preparar os agricultores para as invocações do mercado agrícola.

c) O Branco do Brasil passa a ser uma agência bancária financiadora do novo modelo produtivo.

d) As Universidades encaminham professores, alunos e pesquisadores para o exterior para serem treinados nas novas práticas e formarem um grupo de facilitares que repassariam o conhecimento para outros segmentos envoltos no processo de produção, bem como, para que os mesmos fossem os propagadores das vantagens do modelo adotado.

e) Criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMBRATER), Empresas de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATERs). Esses centros e órgãos de pesquisa foram responsáveis em adequarem os produtos à realidade de solo e clima brasileiro, otimizando as vantagens do pacote tecnológico.

f) Facilidade para órgãos internacionais se instalarem no Brasil

g) Ampla divulgação do pacote e dos investimentos.

A rede mundial da GCPAI recebeu denominações especificadas dependendo da região de atuação: Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA), na Nigéria. Centro Internacional de Pesquisa Agrícola em Áreas Secas (ICARDIA), na Síria. Rede Internacional para o Melhoramento de Banana e Tanchagem (INIBAP), na França. Associação de Desenvolvimento do Arroz (WARDA), na Costa Rica. Instituto Internacional de Pesquisa sobre Política Alimentar (IFPRI), nos Estados Unidos. Centro Internacional de Batata (CIP), no Peru. Centro Internacional de Pecuária para a África (ILCA), na Etiópia. Serviço Internacional de Pesquisa Agrícola Nacional (ISMAR), nos Países Baixos. Junta Internacional para Recursos Genéticos (IBPGR), na Itália. Conselho Internacional de Pesquisa em Agrossilvicultura (ICRAF) e Laboratório Internacional de Pesquisa sobre Doenças de Animais (IRLAD), na Quênia. Instituto Internacional de Pesquisa sobre cultivos nos trópicos (ICRISAT), na Índia. Instituto Internacional de Pesquisa de Arroz (IRRI), nas Filipinas. Instituto Internacional de Gerenciamento da Irrigação (IIMI), No Sri Lanka. Centro Internacional de melhoramento de Milho (CIMMYT), no México, Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT), na Colômbia.

3.4- A REVOLUÇÃO SEM SUSTENTABILIDADE

Segundo alguns estudiosos, quando o homem da antiguidade iniciou as atividades agrícolas o mesmo tinha 2.000 espécies de culturas para produzir, atualmente, houve uma redução em função da Revolução Verde.

“a luta do homem continua a mesma,produzir para a sobrevivência, embora mercantilizando o consumo, o número de espécies nativas cultivadas reduziu-se drasticamente, fazendo com que sete culturas sejam responsáveis por 75% da produção de alimentos da humanidade.” (apud CEPAGRI, 1991, p. 11)

Pode-se considerar que tem havido uma destruição de espécies nativas. Tem-se o exemplo do plantio de arroz nas terras do Sudeste Asiático que estão sendo ocupadas pela espécie de arroz IR-36 que foi criada em laboratório.

“Presenciamos um holocausto botânico. A espécie IR-36 estende-se, agora, sobre mais de 60% das terras arrozeiras do Sudeste Asiático, onde, há poucos anos, eram comuns milhares de variedade tradicionais“. (apud HOBBLINK, 1990, p.20)

Há que se reconhecer que a Revolução trouxe um aumento significativo na produção de alimentos, afastando o fantasma da teoria Malthusiana, pelo menos na maioria dos países.

Porem, é evidente – também – os problemas que ela trouxe como: efeitos nocivos sobre as populações, provocando altos custos social, econômico e ambiental, contaminação e envenenamento do solo, ar e água, desequilíbrio dos ecossistemas naturais e produtivos; maior dependência de fatores externos na produção, maiores custos de produção; perda da fertilidade dos solos, compactação dos solos, perda da biodiversidade e aumento da resistência das pragas e doenças em relação aos defensivos modernos utilizados no combate das mesmas; absorção desequilibradas de nutrientes por parte das plantas que gera alimentos desnaturados, com pouco valor nutritivo, sem sabor e durabilidade; intoxicação crônica e aguda nos produtores rurais, aparecimentos de novas pragas e doenças, aumento – ainda mais – da concentração de renda nos grandes grupos capitalistas, desmatamento, processo permanente de quebra financeira de milhões de pequenos produtores rurais em virtude dos altos custos de produção em razão do aumento dos insumos básicos como fertilizantes, defensivos e maquinas; êxodo rural provocando problemas nos Centros Urbanos como a crescente violência e marginalidade.

A poluição ambiental – os problemas ambientais advindos do modelo da Revolução Verde atinge tanto o campo com as áreas urbanas. A poluição ocorre de várias formas no ar, na água, nos solos, na cadeia alimentar, nas matas, fauna e flora.

No ar, o desequilíbrio do efeito estufa e a destruição da camada de ozônio têm provocado o aquecimento global.

O efeito estufa é um fenômeno natural que acontece a milhões de anos. É um dos responsáveis pela vida no planeta porque regula a troca de energia entre a atmosfera terrestre e o espaço sideral. Dentro da atmosfera existem gases que absorvem as radiações infravermelhas, transformando-as em calor, entretanto, quando essa absorção fica acima dos padrões normais ocorre um aumenta do calor na terra que provoca o derretimento das geleiras, secas e desequilíbrios meteorológicos e ecológicos em várias regiões do planeta.

Há que destacar que as atividades agrícolas modernas não são as principais causadoras do desequilíbrio do efeito estufa, uma vez que, a queima de combustíveis fósseis tem sido a cardeal causa que libera para a atmosfera gases nocivos.

O monóxido de carbono liberado pela queima de combustíveis fosseis, quando em contato com o homem e animais, em níveis inadequados, pode causa danos à saúde dos mesmos, já que o gás carbônico tem alta afinidade com as hemoglobinas das hemácias do sangue, podendo levar a formação da carboxiemoglobina que pode levar à morte por asfixia.

O dióxido de enxofre que é liberado pela queima de diesel e carvão mineral, em certas situações, forma na atmosfera o ácido sulfúrico que precipita em forma de chuva ácida que provoca corrosão em mármore, latarias, metal e quando em contato com os vegetais causa fitotoxidade nas folhagens e frutos, sendo – também- prejudicial ao solo.

O dióxido de carbono, a exemplo do monóxido de carbono, torna-se poluente responsável pelo desequilíbrio do efeito estufa.

O desmatamento descontrolado para ampliação das fronteiras agrícolas, principalmente em função da monocultura e as queimadas de florestas e matas têm contribuído para intensificar o fenômeno do desequilíbrio.

“...desmatamentos e queimadas são fatores agravantes do efeito estufa. Estima-se que os desmatamentos sejam responsáveis por 35% das emissões anuais de dióxido de carbono na atmosfera. Através da fotossíntese, as plantas absorvem a energia solar e o CO2, produzindo glicose e expelindo oxigênio. Com os desflorestamentos, o número de plantas que absorve este CO2 diminui e a concentração deste gás na superfície amplifica o aquecimento global. As queimadas liberam direta e rapidamente uma grande quantidade de dióxido de carbono na atmosfera, resultante da combustão da madeira, animais, fungos e bactérias, colaborando para o aumento do efeito estufa. (<http://tosabendomais.com.br/portal/assuntos-quentes.php?secao=&idAssunto=89&idArea=3&acao=VerCompleto,> acesso em 22.01.2013)

Por outro lado, à medida que se intensifica a produção industrial de herbicidas, fertilizantes sintéticos, inseticidas, mecanização dos tratos culturais e outras atividades relacionadas com a produção agrícola, mais se consumem combustíveis fosseis e, consequentemente, contribui-se, ainda mais, para o efeito estufa e a destruição da camada de ozônio.

As queimadas que são comuns em várias regiões do mundo. Segundo www.greenpeace.org, concentram-se nas Savanas da África Central (causas naturais como raios e atividades agrícolas), interior da Austrália, algumas regiões da Ásia, principalmente na China, na América Latina, alguns pontos no México e Estados Unidos. No Brasil são registrados 30.000 focos anuais de queimadas.

A www.ecoinforme.com.br estima que 50 milhões de hectares de florestas sejam queimadas anualmente. Em 1998, o fenômeno El Nino ajudou a propagar o fogo que devastou as florestas em Bornéu, estima-se a emissão de 2,5 bilhões de toneladas de carbono que foram liberados para a atmosfera. Essas liberações de grande quantidade de gases para a atmosfera, a exemplo do dióxido de carbono, levam ao desequilíbrio do efeito estufa, chuva ácida e outros efeitos nocivos aos homens, animais e vegetais.

Ao reduzir a camada de ozônio que é resultado da liberação do gás clorofluorcarbono para a atmosfera, o planeta fica sem proteção contra os raios ultravioletas. A consequência é câncer de pele, queimaduras em animais, vegetais e no homem, assim como, mutações genéticas nos seres vivos. As principais fontes desse gás são as atividades residenciais, agrícolas e industriais que utilizam a refrigeração, como aparelhos de ar condicionados, geladeiras, freezers e também o uso de embalagens de sprays.

A eutrofização, os metais pesados, substâncias químicas e o petróleo tendo sido os principais poluentes das águas. A primeira é o aumento excessivo da fertilidade das águas. As águas das chuvas deslocam para os rios e lagos nitratos e fosfatos que são originários dos adubos solúveis aplicados na agricultura. As algas microscopias crescem e proliferam tornando a água densa e verde. No processo de decomposição desta matéria viva há exalação de gases com mau cheiro.

Os metais pesados podem ser carreados para o ambiente, afetando diretamente e indiretamente a flora, fauna e fontes de água. Os processos químicos de produção de fungicidas, de pesticidas e de papel utilizam mercúrio e outros metais pesados; os calcários, cal virgem, rochas moídas utilizados na correção e adubação também possuem esses metais, assim como, os resíduos industriais. Esses metais provocam alterações no sistema nervoso, cegueira, deformação em fetos, ulcerações nas gengivas, perda do tato e apresentam efeito cumulativo na cadeia alimentar.

3.5 – A Revolução Verde e os avanços para a humanidade

É difícil imaginar a humanidade atual com uma produção de alimentos de 50 anos atrás. O desenvolvimento social e econômico dos povos, deve-se, sobretudo, a segurança alimentar que vem se solidificando com o passar dos anos. É certo que a Revolução Verde foi o fator preponderante nesse desenvolvimento.  Em <www.ogm.org> exemplifica o caso da produção de trigo na França com variedades melhoradas em pesquisas. Em 1920 eram colhidas 15 quintais/ha, em 1950 eram 20 quintais/ha, atualmente são de 10-70q/ha. Os defensores da Revolução afirmam que a mesma foi o motor propulsor do desenvolvimento da humanidade, levando-a ao patamar atual. Que a mecanização da agricultura reduziu os custos de produção, proporcionou o aumento dos rendimentos por hectares. Segundo a OGM: "As mudanças nas práticas agrícolas e da política agrícola inaugurou uma nova era na Europa: o da agricultura capaz de alimentar mais e mais homens". Essa Revolução tem aumentado à produção e melhorar a qualidade dos alimentos e, assim, vem ajudando a reduzir o custos dos alimentos comuns que se tornam acessíveis para as populações. Algumas pesquisas, na França, identificaram que está havendo uma redução relevante no orçamento familiar em relação ao item "alimentação". 25,9% (1970) era o percentual do orçamento dos franceses gasto com alimentos; e, 1992 passou a ser 18,6%. Há relatos que a produção de cereais na Ásia aumentou em um terço durante os anos 70. Em 1980, o número de pessoas afetadas pela fome no Sul da Ásia e Leste caiu em mais de 100 milhões, mas ainda respondia por cerca de 650 milhões de pessoas.

A Revolução Verde provocou impactos no processo de produção agrícola, nas relações de consumo, na qualidade de vida de populações, na expectativa de vida das pessoas, uma vez que, bem alimentado o homem resiste melhor às doenças, prolongando o tempo de vida.  

Os impactos da Revolução Verde são sentidos além das fronteiras do campo. A mesma se constitui num dos elementos responsáveis pelo aumento da renda rural, uma vez que, gera demanda por bens de consumo e, assim, promove o desenvolvimento de toda a economia na maioria dos países.

De fato, houve um aumento considerável na produção de alimentos, a revolução proporcionou tecnologias que atingem maior eficiência na produção agrícola. Houve o desenvolvimento de variedades do trigo, arroz e milho que multiplicaram a quantidade de grãos que antigamente se podia obter apenas por hectare; Ao longo das décadas de 60 e 70 alguns países que até então eram deficitários na produção passaram a ser exportadores; Agricultores Americanos e Europeus começaram a bater marcas mundiais de produção e cultivo. Sendo que com a agricultura moderna houve um incremento da produção em quase 300%, o que contribuiu para uma alimentação abundante, variada, de qualidade e baixo custo para os países desenvolvidos* (disponível em < http://clikaki.com.br/revolucao-verde-e-a-modernizacao-agricola-no-brasil/>, em 22.01.2013).

 CONSIDERAÇÕES FINAIS.

A Revolução Verde foi e tem sido um aspecto importante na historia da humanidade no que diz respeito à produção de alimento e segurança alimentar. O fantasma da fome, os problemas de pós-guerra quando os mercados consumidores sofreram uma retração em virtude da recessão mundial e a pouca mobilidade do capital levaram os grandes detentores do dinheiro a buscarem mecanismos para recuperar os seus patrimônios e continuarem angariando lucros. O Capitalismo precisava soergue-se e continuar dominando o mundo - surge a Revolução Verde que foi sustentada pelo Pacote Tecnológico, é a possibilidade de gerar consumo, ter lucros. A humanidade precisava se alimentar (é uma necessidade básica dos seres vivos).

É relevante a contribuição da Revolução Verde para a sustentabilidade alimentar dos povos, para o crescimento populacional, para a qualidade de vida, para a longevidade do homem - disso ninguém tem duvida. Entretanto, também, é relevante a contribuição que essa mesma Revolução tem dado para ameaça a civilização atual e as futuras, à medida que, provoca desequilíbrios sérios no ambiente terrestre.

Atualmente, mesmo com todo aparato tecnológico disponível para a produção agrícola surge bolsões de fome e a segurança alimentar fica seriamente comprometida. Em 2011, países da África tiveram sérios problemas relacionados com a fome de suas populações. Segundo a ONU Brasil Rio+20: "O Sul da Ásia tem o maior número de pessoas que sofrem de fome – 36% de todos os subnutridos do mundo em desenvolvimento. Até 2050, 20% das pessoas poderão estar em risco de fome por causa das perdas de produtividade relacionadas ao clima, à maioria na África Subsaariana. Aumentos dos preços dos alimentos e volatilidade em todo o mundo significam muito mais pessoas oscilando à beira da fome". Já é observado o declínio da produtividade agrícola em muitos locais do globo, levando as pessoas a invadirem florestas, pastagens e áreas úmidas, criando um espiral de degradação ambiental e aumento da pobreza.

Há necessidade de ser encontrado um coeficiente da equação: aumento da produtividade agrícola versus desenvolvimento sustentável, considerando as variáveis: crescimento populacional, reduz da pobreza e do estresse no ambiente. O certo é que não existirá uma fórmula mágica, a construção dos novos caminhos é coletiva, passa pela consciência individual, pelo compromisso dos governos internos e ultra nacionais em buscar soluções sustentáveis, pelo desenvolvimento das ciências, pelo avanço das tecnológicas, pelo respeito e preservação dos valores culturais locais, nacionais e transnacionais em relação à vida e ao ambiente, garantido um mundo melhor, hoje e para as gerações futuras.

BIBLIOGRAFIA

Penteado, Silvio Roberto. Manual pratico de agricultura orgânica –fundamentos e técnicas – Campinas.SP. Edição do Autor, outubro/2007 – atualizado em janeiro/2009 – p.216.

Zamberlam, Jurandir. Agricultura ecológica do pequeno agricultor e do meio ambiente/Jurandir Zamberlan & Alceu Froncheti, 3 ed. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2007.

 
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Poeta, Bacharel em Direito, Engenheiro Agrônomo, Professor, Coordenador da Unidade de Atendimento Integrado do Viva Cidadão do João Paulo (Ma), Auditor Interno da Qualidade, Artista Plástico (técnica pintura em tela). Especialista em Administração Pública. Especialista em Gestão Estratégica de Servi...
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