1 - Os Quatro Elementos da Música
 
1 - Os Quatro Elementos da Música
 


1 - Os Quatro Elementos da Música

COELHO DE MORAES

[email protected]

( baseado na obra de Aaron Copland )

Ritmo, Melodia, Harmonia e Timbre: são elementos essenciais, matéria prima do compositor. O ouvinte leigo não tem consciência deles em separado. O que sobra para o ouvinte leigo é o tecido sonoro que se apresenta, que chamamos música. O somatório desses elementos.

RITMO:Se a música teve um começo, em algum tempo na história ou fora dela,  há concordância de que foi através da batida, ou do grito, ou da imitação do animal e do som da natureza. Perceber o movimento dos corpos e os ritmos básicos. O ritmo de danças e canções.  O ritmo foi anotado pela primeira vez em 1150 d.c., em notações medidas e marcadas  compassos?  introduzindo o elemento para os povos ocidentais. Até essa época  para os povos ocidentais - o que havia era música vocal, em sua maioria, para acompanhar poesia ou prosa. Coisa vinda dos gregos. Dos ædos (poetas). O ritmo acompanhou as entonações da prosa ou da poesia. A tônica  o acento, o peso da sílaba -  da palavra falada seria a tônica da palavra cantada. O ritmo anotado liberou a música da palavra falada. A notação liberou o compositor para desenvolver o contraponto (um ponto contra outro ponto. Um som contra outro som, que acabou por sugerir que mais instrumentos pudessem tocar melodias em separado)  dotada de mais de uma voz que flui simultaneamente. Veio a noção da unidade métrica quantificada  o compasso. A repetição dessa unidade métrica quantificada nos dá um padrão rítmico. Um sistema de repetição. Uma sensação de ordem.Exemplos, em termos gerais:

a) Pode ser de dois tempos UMdois, UMdois (sendo o primeiro tempo eleito como o mais forte). Podemos lembrar, nesse caso, do tempo de MARCHA. 

B) Pode ser de três tempos UMdoistrês, UMdoistrês (e podemos lembrar de um tempo de VALSA, a título de ilustração, apenas). Podemos fazer música em quatro, cinco, sete tempos e por aí vai. Não há limite.Sobre as células rítmicas sobrepõem-se o conjunto sonoro, a harmonia (vários sons aos mesmo tempo), as várias melodias e aí perceberemos  o grande exemplo são os madrigais, peças cantadas da renascença, lá pelos anos 1450-1550  que a concepção de primeiro tempo como o mais forte não é uma regra imutável. Fora dos madrigais temos Debussy (séculos 19-20) para mostrar que o pulso constante se perde e se dilui na trama harmônica. Teremos painéis e conjuntos sonoros. Há quem prefira as melodias. Há quem prefira os acordes. Há quem prefira o ribombar dos ritmos.Por isso vale a pena falar sobre METRO e RITMO. Pegue uma poesia de Camões ou Shakespeare. Ao lê-los você obterá o sentido silábico, com acentuações nas tônicas das palavras. Há um ritmo inserido.Quando lemos de acordo com o sentido das palavras e do fraseado completo, teremos um certo ritmo.

Ao juntarmos os dois  texto e música  o cuidado deve recair em obedecer a regra de acentuação que não destruam nem texto nem música. Chamamos isso de Prosódia. Há que buscar a prosódia. Dessa forma, quando batemos o primeiro tempo forte e os outros de acordo com o que os professores ensinaram teremos apenas a métrica da música, mas não a música. Cuidado!

Saber o Bona, por exemplo, de trás para frente e salteado não significa ser músico, mas significa ser um bom repetidor de fórmulas. Sugiro a teoria e a prática de Paul Hindemith, mais de acordo com o que há de novo e moderno. Ao lermos as frases completas da construção, teremos uma leitura rítmica, portanto caminhando na direção da interpretação musical. Depende que se estude a história das interpretações e das fases de cada época. Barroco, Clássico, Moderno.Tchaikovsky  de expressão romântica - , toma emprestado elementos do folclore russo, como na Patética com métrica de cinco tempos UMdois+UMdoistrês; inovação que permitiu a que outros experimentassem mais ainda. E ainda foi chamado de valsa.Em suma, o tempo, o pulso, as divisões, as métricas, terão valor relativo no processo de interpretação musical. O gênio criador dará a organização.Há a possibilidade de junção de ritmos diferentes, em vozes ou naipes diferentes. Lembrar sempre que, necessariamente, não se marca esses ritmos com qualquer instrumento de percussão. Você pode construir unidades rítmicas misturando pausas e sons. Daí lembrar da polirritmia do jazz e da rumba cubana, por exemplo, de amplo respaldo em música das raízes folclóricas. Dicas ouvir: Gershwin (Rapsódia in Blue), Stravinsky (A Sagração da Primavera), Darius Milhaud (Um boi sobre o telhado, politonalismo com motivos brasileiros), e estará bem servido. Mas também ouça Palestrina e Gesualdo. Grandes mestres.

É isso.

Boa semana. Boas audições. Ouça um álbum por semana, sem se repetir.

 
Avalie este artigo:
4 voto(s)
 
Revisado por Editor do Webartigos.com


Talvez você goste destes artigos também