''Coração de Tinta - O Livro Mágico''
 
''Coração de Tinta - O Livro Mágico''
 


Análise, Síntese e Comentário do Filme

" Coração de Tinta  O Livro Mágico "

Por Maria Theresa Santos De Luna

Abril/2010

"É preciso que quem sabe, saiba sobre tudo que ninguém sabe tudo e que ninguém tudo ignora" (FREIRE, A Importância do Ato de Ler: em três artigos que se completam.22 ed.São Paulo: Cortez, 1988. p.32).

A maravilha da leitura e o poder da palavra são os principais pontos de reflexão do filme Coração de Tinta, O Livro Mágico (Inkheart, 2008). Baseado na fantasia infanto-juvenil Coração de Tinta, escrita pela alemã Cornelia Funke, é uma obra que fomenta a importância da leitura, e o poder da palavra na vida de cada um de nós. A busca em demonstrar este fascínio que a leitura trás desde o início da história da humanidade, é uma presente ao longo de todo o filme.

O filme conta a estória de Mo Folchart e sua filha Meggie, de 12 anos com quem mora depois do desaparecimento de sua esposa, ambos são apaixonados por livros.

Desde pequena Meggie teve o hábito de leitura estimulado pelo pai, que trabalha como encadernador de livros. Ele, secretamente passou os últimos doze anos, de sebo em sebo, livraria antiga em livraria antiga, buscando encontrar uma nova edição do livro Coração de Tinta. Foi através da leitura em voz alta, que o protagonista descobriu que tinha o poder de dar vida a objetos e a personagens da ficção. Ao ler do livro para sua filha, vilões do livro ganharam vida e, em troca, sua esposa foi parar dentro da ficção. Desde então ele tentar recuperar sua mulher.

Até que um dia, ao entrar em mais uma antiga livraria, Mo ouve vozes de "Coração de Tinta", e ao encontrar a obra tem suas esperanças renovadas. Ao encontrar a obra, Mo reencontra também alguns personagens que haviam ganhado vida com a sua leitura há anos atrás, Dedo Empoeirado e sua doninha Gwem, que o seguia por todos aqueles anos na esperança de que Mo lê-se novamente o livro para que pudesse voltar para sua família.

Coração de Tinta, um livro de aventuras medievais, com castelos, magia, vilões, cavaleiros e mocinhas. Uma obra empolgante que agora ganhava vida, pois Capricórnio, havia encontrado um novo contador de estórias, Dário, que infelizmente tinha problemas de dicção o que fazia com que os personagens viessem a vida com defeitos visíveis, e incompletos, o que obrigava Capricórnio a limitar seus desejos.

Fugindo de Dedo empoeirado, para que ele não lhe tomasse o livro, que era a única chance de trazer sua esposa Tereza de volta, Mo refugia-se na casa de sua Tia Elinor, local onde havia lido o livro pela primeira vez, e onde os personagens ganharam vida. Elinor curadora de livros, e os cuidava com grande zelo e apreço. Em sua casa haviam centenas de grandes obras.

Desesperado com a fuga de Mo, Dedo empoeirado busca a ajuda de Capricórnio para convencer Mo a ler o livro e devolvê-lo para a sua casa. Os bandidos de Capricórnio invadem a casa de Elinor e aprisionam a todos, levando-os para o castelo e fazendo-os entrar em um misterioso mundo de personagens de ficção, que haviam ganhado vida e agora estavam encarcerados na masmorra.

Obrigado por Capricórnio, Mo lê a obra Ali Babá e os 40 ladrões, e dá vida a mais um personagem da ficção, Faridhe. E são todos encarcerados. Com a ajuda do misterioso Dedo Empoeirado eles conseguem fugir das masmorras lendo um trecho da obra O Mágico de Oz, que fala da tempestade. Faridhe, foge com eles, e passa a auxiliá-los na tentativa de impedir o maligno Capricórnio de dar continuidade aos seus planos.

Deixando o castelo, eles vão em busca do autor do livro, Cornélius, na tentativa de encontrar mais uma edição do livro. Cornélius, ao conhecer seus personagens, fica totalmente ficcionado com o que vê. Elinor decide voltar para casa.

Dedo Empoeirado revela a Mo, chamado por todos os personagens da ficção de Língua Encantada, que sua esposa já havia sido retirada do livro, e que estava sem voz. Mo deixa sua filha com Cornélius e volta para o castelo para salvar Tereza. Os bandidos de Capricórnio vão em busca do autor e ao chegarem lá descobrem que a menina também possuía o dom do pai, então, seqüestram Meggie e Cornélius, levando-os novamente ao castelo.

Ao chegar no castelo, os bandidos informam a Capricórnio que a menina possuía o dom do pai, e esse a obriga, mostrando-lhe a mãe aprisionada a ler o trecho de coração de Tinta, que dá a vida ao sombra. O sombra era um espírito maligno e poderoso que reduzia a pó suas vítimas, tornando-se ainda mais forte e indestrutível.

A menina combina com Cornélius a reescrever o final do livro, garantindo assim a liberdade de todos. Contudo, os planos não seguem da forma como eles planejaram. O novo texto é tomado da menina e, seu pai a pede que redija um novo texto. A menina o redige em seu braço e mão esquerda, destruindo seus inimigos e devolvendo os personagens para suas obras, e recuperando a voz de sua mãe. O autor pede que ela o envie ao livro, e assim ela o faz. Infelizmente Dedo Empoeirado e Faridhe, não estavam presentes na sala onde ocorre toda esta movimentação por essa razão não puderam aos seus mundos.

Ao saírem, Faridhe, dá para Dedo Empoeirado o exemplar do livro que estava com Capricórnio, e diz que não quer retornar ao seu mundo. Língua Encantada, lê o trecho do livro e leva Dedo Empoeirado, de volta para casa.

O filme traz como referência personagens de ficção de grandes obras da leitura infanto juvenil, como: O Mágico de Oz, do Totó aos macacos voadores, a Ali Babá e os 40 Ladrões, Rapunzel., o Minotauro, o crocodilo de Peter Pan.; o que o torna ainda mais interessante. Para Fanny Abramovich (1983), são os livros lidos e dos filmes selecionados pelos pais e educadores, que mostram a informação do mundo que se pretende dar à criança, daí a importância do conhecimento à obra literária que será apresentada aos jovens educandos.

A leitura deleite, bem como os filmes, quando inseridos de forma coerente ao nível do discente, auxilia no desenvolvimento não só da construção do pensamento quanto na produção e interpretação textual. Paulo Freire, trata da importância da leitura, desde as séries iniciais dizendo: "Primeiro, a "leitura" do mundo do pequeno mundo em que se movia; depois, a leitura da palavra que nem sempre, ao longo da sua escolarização, foi a leitura da "palavra mundo". (Freire, Paulo.A Importância do Ato de Ler: em três artigos que se completam.22 ed.São Paulo: Cortez, 1988. p. 80). Entretanto, vivemos em um país onde o hábito regular da leitura, não está no cotidiano das famílias. Dificilmente nos deparamos com pais que incentivam a cultura e a leitura em seus filhos, e este limitam-se apenas a conhecer obras inseridas, obrigatoriamente, em seu conteúdo escolar, o que torna o descobrimento da cultura desinteressante e desprazeroso. Pedro Bandeira diz: "... em primeiro lugar, temos que lutar por uma população capaz de ler muito bem, o pensamento da humanidade que está registrado nos livros. Em seguida, é preciso que todos os brasileiros sejam capazes de colocar no papel o seu próprio pensamento"(Bandeira, Pedro; Crônicas ao Educador; São Paulo; p.34). Para que isso possa ocorrer, é necessário que sejam revistos costumes e que a leitura e a cultura, não só dos filmes como do teatro, venham a ser uma rotina, são só em sala de aula, como também na vida das famílias.

A cultura de uma forma geral, enriquece não só o conhecimento, como também fortalece princípios éticos e morais, basta apenas que a obra seja escolhida de forma sensata, levando-se, sempre, em consideração o leitor que irá absolvê-la. Pois quando somos expostos a uma peça teatral, filme, obra literária e até mesmo programa de TV, absolvemos todos os fascínios que estão ali retratados, e navegamos pelas linhas e imagens, ali traçadas na expectativa de cada nova página, de cada nova aventura, de cada nova cena.

E, mesmo com todos esse veículos culturais a nossa disposição não podemos nunca deixar de lado a leitura, pois é através dela que navegamos por mares nunca antes navegados, flutuamos sobre colinas e montanhas, dividimos emoções e segredos dos protagonistas e conhecemos novos vocabulários e expressões. O educador, não é apenas aquele que está em sala de aula, o educador é aquele que educa, seja em casa, seja na sala de aula. A educação é que desenvolve e solidifica o País, pois a construção do pensamento auxilia no desenvolvimento de novas idéias e ideais, estabelecendo práticas que facilitam o processo de ensino e aprendizagem.

REFERÊNCIAS

·FREIRE, Paulo; A Importância do Ato de Ler: em três artigos que se completam.22ª ed.São Paulo: Cortez, 1988.

·Crônicas ao Educador; São Paulo; Ed. Paulus, 2001.

·Abramovich, Fanny; O estranho mundo que se mostra às crianças; 6ª ed.; São Paulo : Summus editorial, 1983

 
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Sobre este autor(a)
Maria Theresa Santos Leite, nasceu em Recife-PE, em 26.08.1972. Sempre apaixonada pela educação, paixão herdada pela sua mãe, paraplégica e professora de escola pública por mais de 20 anos. Sempre buscou meios de ajudar na evolução do aprendizado e por esta razão ingressou no curso de Pedagogia. A ...
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