IMPORTÂNCIA DOS VALORES HUMANOS NA EDUCAÇÃO
 
IMPORTÂNCIA DOS VALORES HUMANOS NA EDUCAÇÃO
 


Este artigo tem por objetivo, apontar a necessidade de educar em valores, em todas as fases da vida do aluno, afim de que, os alunos aprendam ainda pequenos a conhecer, conviver, entender e respeitar ao próximo. Pois somente dessa forma, conseguir-se-á formar adultos com referenciais de cidadania e de respeito.

1  INTRODUÇÃO

Segundo Houaiss, o valor humano se define da seguinte forma: qualidade humana de natureza física, intelectual ou moral que desperta admiração de todos.

Atualmente, a maior preocupação dos pais, da escola e da sociedade como um todo, tem sido de oferecer às crianças e adolescentes conhecimentos, profissionalização para galgar espaço no mercado de trabalho, objetivando ascensão social e profissional, e ainda enfatizando a individualidade e a competitividade. Fica-se, portanto, esquecido, a base de valores humanos, tão primordiais para a vida, que possibilitam uma realização e felicidade verdadeira. Esta negação de valores na formação dos indivíduos tem ocasionado profissionais infelizes e frustrados. A vivência dos valores alicerça o caráter e reflete na conduta do ser humano.

Não basta que só os educandos sejam educados em valores, é preciso que esta educação seja estendida aos pais, professores, comunidade escolar e sociedade. É, pois, um trabalho de orientação, conscientização e comprometimento. Porém, os valores não podem ser impostos, sufocando a personalidade da criança, mas percebidos por elas nas atitudes de todos que educam.

É importante refletirmos com o escritor Augusto Cury, quando afirma em seu livro, Pais brilhantes, Professores Fascinantes, que, "estamos informando os jovens, e não formando sua personalidade." (2003, p.15). Esta afirmação nos leva a uma reflexão crítica de como estamos agindo e o que esperamos desses jovens no futuro.

Neste trabalho se abordará questões relevantes para o ensino em valores, assim como se pretende estudar os problemas e soluções mostrando caminhos para mudanças, bem como o papel de cada meio social na transformação de um mundo mais promissor ao bem estar social, preocupados com a formação de cidadãos capazes de agir como seres humanos que são racionais e conscientes.

2  DESENVOLIVIMENTO

Ao ensinar através da orientação aos alunos, os valores humanos, se está evidenciando a grandeza destes no decorrer da vida. Ao se mostrar o benefício que os mesmos trazem no desenvolvimento social, percebe-se que os valores deixam de ser algo que se possa escolher em ter ou não ter, para tornar-se essencial à vida; como o alimento de todos os dias. São os valores que permitem a convivência humana; e portanto, não podem ser considerados como opção. O ser humano pode até fiar sem determinado conhecimento que o impedirá de ocupar um cargo, porém não lhe é possível viver sem relacionamento, sem o convívio entre pessoas. O valor está impregnado no processo de crescimento e desenvolvimento humano.

O viver em sociedade exige valores que proporcionam ao homem participar do processo social natural, como, por exemplo, trabalhar para seu sustento. Tudo que faz do homem um ser humano, depende de valores.

Os educandos são o alvo quando se luta por um ensino de qualidade, que visa à formação de estudantes pensantes, críticos e capazes de batalhar por um espaço no mundo profissional. Pensando assim, deve-se estar atento sobre como são influenciados a aprender. Como pode se observar na citação de Dorothy Law Nolte e Rachel Harris,(2003 p.15), quando diz "As crianças são como esponjas. Absorvem tudo o que fazem, tudo o que dizemos. Aprendem conosco o tempo todo, mesmo quando não nos damos conta do que estamos ensinando".

3- OS VALORES HUMANOS NA EDUCAÇÃO

Antônio Lopes de Sá, em seu livro Ética e valores humanos, 2001, p. 39, nos diz que "muito se tem discutido sobre as dificuldades que envolvem o ato educacional, tem-se buscado incessantemente soluções para tais dificuldades, porém muito pouco se tem encontrado. Vive-se em um período de transição de valores, que influencia diretamente a educação, no que tange o aprendizado e desenvolvimento dos alunos."

"A urgência de compreender melhor o inter-relacionamento dos seres humanos, assim como suas expectativas e níveis de interesse, tem levado nestes últimos anos a um aprofundamento radical nos estudos éticos e morais, ressaltando deste modo uma nova e promissora perspectiva para o crescimento e educação das futuras gerações". ( Sá, 2001, p.47)


Entende-se que a educação transcende os muros da escola, sendo influenciado por todos os espaços que os alunos convivem, percebe-se que os valores éticos, morais , sociais e culturais, precisam ser considerados e integrados no processo ensino-aprendizagem, á partir de uma Educação básica de qualidade . Esta educação de qualidade, é aquela capaz de oferecer a todos os cidadãos, crianças, jovens e adultos, aquelas condições que Toro, chama de "Códigos da Modernidade",( 1997, p. 95) que configuram os requisitos mínimos para se trabalhar e viver em uma sociedade moderna.

As novas gerações possuem uma nova visão de mundo, os interesses são outros e a forma de aprendizagem e crescimento também é outra. Sofreu alterações e com isso a educação deve ser atenta em acompanhar essa evolução, sem, portanto, deixar de mostrar a importância e a necessidade de se conservar "valores base", que a qualquer época, independente da evolução do mundo, precisa-se ter para haver convívio e relacionamento entre as pessoas.

Vivemos em um mundo capitalista, onde a sociedade prega a competição, a individualidade e o egoísmo, é preciso que educadores e educandos saibam que apesar de toda dificuldade em conseguir alcançar os objetivos, por causa da competitividade, há como conseguir, sendo honesto, generoso, justo, solidário e agindo com ética. É preciso mostrar ainda, que mesmo enfrentando enormes dificuldades no mercado de trabalho e no social, a melhor forma de conseguir espaço é batalhando para conquistá-lo.

Levando em consideração que os alunos são seres humanos dotados de sentimentos, problemas, valores, e são únicos nas suas individualidades, nota-se que o ato de educar não ocorre separadamente, e que os sentimentos estão presentes no ensino, no desenvolvimento e crescimento destes alunos.

3.1 - OS DIVERSOS OLHARES SOBRE OS VALORES HUMANOS

Refletindo o tema valores humanos percebe-se a necessidade urgente de se ampliar essa visão dentro de nossas escolas. Educar para a cidadania é uma tarefa árdua e requer empenho e muita luta a fim de se alcançar os objetivos almejados e propostos pelos pensadores de uma educação para a democracia, que implica na luta constante pela divulgação e pelo respeito aos direitos humanos e da inserção dos valores éticos e morais nos currículos escolares.

"...um currículo escolar sobre ética pede uma reflexão sobre a sociedade contemporânea na qual está inserida a escola; no caso, o Brasil do século XX. Tal reflexão poderia ser feita de maneira antropológica e sociológica: conhecer a diversidade de valores presentes na sociedade brasileira. No entanto, por se tratar de uma referência curricular nacional que objetiva o exercício da cidadania, é imperativa a remissão a referência nacional brasileira á Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 1988. Nela, encontram-se elementos que identificam questões morais". (PCN, vol 8, 2001, p.70)


Os valores funcionam em nossas vidas, não nos momentos em que falamos ou escrevemos sobre eles, mas nos momentos em que decidimos e agimos tomando-os por fundamento, por base de nossas ações. O objetivo de educar em valores é levar o aluno a refletir sobre sua conduta e a dos outros.

Ao tratar o tema: ética, os PCN, p.49 propõe uma pergunta: "Como devo agir perante os outros? E essa é a pergunta que deve nortear a conduta dos educadores e educandos ao tratar de valores.

Os valores pesam na balança de nossas tomadas de decisão, eles valem quando fazem inclinar nossas atitudes ou nossa conduta numa direção, e não em outra. Os valores, ao fazerem nossas decisões e ações tomarem determinado rumo, estão funcionando como a fonte do sentido de nossas opções, de escolhas, de nossas decisões, de nossos atos, de nossas atitudes, de nossas ações.

"Os valores não são conhecimentos apenas cognitivos", ( Associação Filosófica Scientiae Studia 2008). Eles transcendem a cognição. Uma pessoa pode falar o tempo todo de justiça e mesmo assim ser injusta nos seus atos cotidianos. Os valores devem ser vividos e experimentados. A vivência dos valores no nosso dia-a-dia deve ser tão convicta que contagie os jovens que ao nos ver vivendo tais valores tenham o mesmo desejo de vivê-los e de experimentá-los.

Como educar para os valores dentro da escola? Não basta apenas uma boa aula expositiva sobre o assunto. É preciso criar oportunidades educativas para que a criança e o adolescente possam vivenciar as situações que os façam tomar decisões, ter atitudes.

"... se os valores morais que subjazem aos ideais de constituição brasileira não forem intimamente legitimados pelos indivíduos que compõem este País, o próprio exercício de cidadania será seriamente prejudicado, para não dizer, impossível. É tarefa de toda sociedade fazer com que esses valores vivam e se desenvolvam. E, decorrente, é também tarefa da escola." (PCN, vol 8, 2001, p.73)


Os direitos humanos não são aprendidos de cor, mas praticados, caso contrário desaparecem da consciência da humanidade. A tarefa de humanizar deve brotar de nossas iniciativas educativas.

Como dizia Paulo Freire "ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo." (2001, p. 68), todos temos algo a receber. No campo de direitos humanos não existem experts e nem ignorantes somos todos aprendizes.

Nossas instituições escolares estão carentes dos valores morais e éticos e isso é algo que causa preocupação, pois a violência entra pra dentro das salas de aulas de nossas escolas, exigindo de nós educadores uma postura com relação à educação que estamos oferecendo às nossas crianças, adolescentes e jovens.

Em reposta a essa realidade precisamos oferecer uma educação que conduza para a paz, para a formação de valores, e essa educação não pode acontecer apenas de maneira teórica, mas prática, vivenciada tanto por educandos quanto por educadores.

...A educação é, em resumo, um processo de socialização que, diferentemente da escolarização, dura toda a vida, intervindo numerosos agentes. Desta definição, podemos deduzir que o processo educativo contribui para interiorizar nas pessoas uma série de valores imersos na sociedade em que vivemos. Alguns desses valores, como individualismo ou o etno-centrismo, só pra colocar dois pequenos exemplos, são completamente contrários aos necessários para criar condições de máxima justiça e mínima violência. Dito de outra forma, alguns dos valores sociais que se transmitem por meio da educação tradicional, entram em contradição com o modelo de cultura da paz que nós propomos... ( Velázquez, 2004, p.32)

. 32)

Caixa de texto:

3.2- O PORQUÊ DA PERDA DE VALORES HUMANOS

As mudanças ocorridas no mundo atual têm contribuído sobre maneira para o esquecimento de valores humanos, (Torres, 2008, p 6), ou seja, para a desvalorização dos valores que muito contribuem para a formação de cidadãos autônomos, críticos, que cumprem com seus deveres, e respeita os direitos dos outros, assim, como sabendo agir com dignidade, honestidade, lealdade, e tantos outros valores que um ser humano de bem precisa possuir.

"Vivemos em uma época em que proliferam veículos de má qualidade e, sob o pretexto de liberdade, é praticada uma corrosão moral educacional, tudo com a complacência de muitos pais, professores e especialmente do PoderPúblico." (Sá, 2001, p.50)

O que se vê atualmente é o grande número de meios de comunicação, como internet, jogos, revistas, pregando o egoísmo, a competitividade, e outros pontos que degradam o caráter do ser humano bom. Percebe-se que os valores ensinados pela família e pela escola estão perdendo o valor no meio social, prevalecendo os conceitos firmados pela mídia. As famílias têm perdido seus filhos para a televisão, internet, jogos virtuais, vídeo games e tantos outros atrativos que despertam o interesse e a curiosidade da nova geração (Sá, 2001, p 85). Com isso, não há espaço para o diálogo, algo imprescindível para o convívio familiar, relacionamento entre pessoas e ensino de valores. Os filhos já não se espelham mais nos pais, mas nos artistas, que a mídia insiste em colocar como perfeitos e exemplos de vida; os pais agora são chamados de obsoletos, ultrapassados. hoje, o ensino que mais prevalece é o fornecido pelos meios de comunicação, como se sabe, não é o de valores humanos.

É imprescindível que a família volte a ocupar o lugar que lhes é de direito e obrigação de educar os filhos. Mesmo com tanta evolução e distorção de condutas corretas; os pais precisam encontrar espaço neste mundo da tecnologia, pra ensinar valores indispensáveis para a formação do ser humano, como amor, respeito, companheirismo, dignidade, paz, honestidade e etc.

"A família, a escola, a Universidade e a sociedade em geral não podem prescidir de seu compromisso social de colaborar na implantação do bem estar social e assim coibir o espaço de avalanche contra os valores, muitas vezes amparados pela influencia inconteste dos meios de comunicação sócia". ( Enricone, 1992).


Partindo do princípio que todos os órgãos sociais, incluindo a família, educa com suas palavras e principalmente com suas ações, faz-se mister atentar-se para os valores que estão sendo ensinados; pois um dos maiores obstáculos pra a difusão da educação em valores humanos é o abismo existente entre as palavras e as atitudes.

Educadores que pretendem educar baseados em valores humanos devem sempre começar por praticá-los. Todos, pais, educadores e a sociedade, precisam responsabilizar-se pelo ensino, uma vez que o aluno aprende em todos os meios sociais onde está inserido; deixando de pensar que é apenas função da escola ensinar, o que vem ocorrendo freqüentemente. Não basta, portanto, que cada órgão ou entidade faça a sua parte, é indispensável que se interfira no ensinamento do outro, quando este não condizer com o bem estar social. Assim, nota-se que a formação da personalidade das crianças/adolescentes está comprometida pelo desequilíbrio social, onde não se valoriza o amor pelo próximo, o respeito mútuo; enfim, onde se dá mais valor ao ter do que ao ser.

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A formação do eu, onde se aninham os princípios que devem

nortear a vida moral, tem sofrido, infelizmente, oataque de difusões que

Influem no pensamento, criando imagens distorcidas de uma realidade

necessária ao equilíbrio e respeito social.( Sá, 2001)

É útil salientar que valores como virtude, respeito, compreensão, amor e outros com relevante importância, não são obsoletos e nem dispensáveis, pelo contrário, são extremamente necessários para o convívio social; sem estes não há bons relacionamentos, não há diálogo e entendimento. A perda de valores humanos ocorre muitas vezes através dos maus exemplos, da ação errônea do outro. As pessoas acreditam e fazem o que a maioria acredita e faz, não quer, mesmo estando certo, pertencer a uma minoria, que por agir com generosidade, honestidade, respeito ao próximo são discriminadas. Não há reflexão, opinião própria, sofre influência facilmente e entendem como necessário, ser, pensar e fazer igual à maioria, para ser aceito no meio onde vive.

Partindo do princípio que os exemplos educam e ensinam muito mais que as palavras, percebem-se alunos justificando seus erros, seus modos de agir e falar, devido a existência de um outro que também erra, agi e fala como ele. Quando o educando vivencia o erro torna-se para ele natural; ou melhor, deixa de ser aos olhos dele. Ou ocorre que, mesmo conscientes de que é errado, acham-se no direito de errar, justificando-se no erro do outro.

3.3 - AS CONSEQUÊNCIAS DA PERDA DE VALORES

"Vivemos uma época de grandes transformações e de exigências que nos impede muitas vezes o compartilhar, o dialogar, o encontro. Mas a família continua sendo o referencial insubstituível". (TUVILLA RAYO, 2004, p.105)

O modo como os pais encaram a vida tem influência decisiva na formação dos filhos. A educação lastreada em padrões autoritários, na rigidez da intolerância, no desprezo pela inclinação transcendental, na ausência de compromisso, na ética dicotômica do indivíduo versus a sociedade irá gerar, forçosamente, cidadãos deslocados do eixo social, descrentes, sem chance de realização.

Nossa tarefa como educador passa a ser a de despertar o que há de melhor nos outros e em nós mesmos. Nossa atuação compreendida numa perspectiva local e global: a família, a escola, a comunidade, o país, o planeta, etc. A repercussão da nossa ação é um fenômeno inerente a qualquer um dos nossos complexos. Qualquer idéia, qualquer sentimento e qualquer atuação humana geram repercussão.

Tomar consciência disso aumenta a nossa responsabilidade e nos faz perceber a importância de clarearmos o enraizamento interior das nossas ações. O mundo em que vivemos é o mundo que construímos. Realidade externa e realidade interior são absolutamente integradas e interdependentes, interagindo permanentemente. Dessa forma, estaremos atuando em três eixos direcionadores: a criação do conhecimento, o desenvolvimento do potencial humano, a vivência de valores humanos.

3.4- MUDANÇAS DE PARADIGMAS DAS INSTITUIÇÕES ESCOLARES

Se abrirmos espaço para uma análise da educação hoje, vamos perceber novos paradigmas neste início de século XXI, tais como, engajamento cego (em projetos politicos igualitários) e iniciativas individuais egocêntricas (como a auto promoção), ou simplesmente entre a apatia e o ativismo assistencialista.

As instituições escolares se abrem para a mudança, conscientes de seu papel formador e de seu papel de transformar a sociedade pela educação, abre-se assim seu leque para introduzir nos seus currículos temas como cidadania, democracia, direitos humanos, ética, moral, enfim se compromete com uma educação em valores que forma a personalidade do indivíduo, que o distingue pela sua coragem de ser justo mesmo em meio a injustiças, de ser honesto mesmo diante da desonestidade em que estamos imersos, de ser tolerante mesmo em meio aos conflitos sociais e políticos em nosso país.

"Poderíamos falar, enfim, de ensinar e tomar decisões, escolher entre múltiplas opções. Essas habilidades constituem, atualmente, uma tarefa importante na educação. Estamos diante de um grande desafio social. O desenvolvimento dessas capacidades exige praticar pequenas opções, o que demanda uma pedagogia participativa.Aprender fazendo, nos levaria,a aprender a participar por meio do trabalho de equipe, dos jogos da cooperação e solidariedade, a fomentar acapacidade de relação e de escuta do outro. Em suma, a nos exercitamos na tomada de decisões com os outros, não contra eles. Desse modo, pode-se aprender a conviver, a ouvir, a estar e, sobretudo, a participar solidariamente." (Pérez, 2002, p.10).


Percebemos hoje uma educação comprometida com o indivíduo, com a sua atuação no meio social e como a sua capacidade de ser agente transformador através de suas atitudes e ações.

Formar indivíduos capazes de lutar pelos seus direitos e pelos direitos dos outros é sem dúvida uma tarefa da escola e, portanto ela deve empenhar-se em transmitir aos seus educandos uma educação que os leve a agir de acordo com os princípios éticos e morais e que os faça agir de maneira participativa e democrática.

A educação diante do processo de globalização passa por diversas transformações, e diante da velocidade com que as informações chegam até nós, nossas instituições escolares não podem ficar alheias à maneira com que os recursos tecnológicos entram na vida de nossos educandos e portanto devem estar munidas de métodos e técnicas que possibilitem crianças, adolescentes, jovens e adultos a terem acesso, mas ao mesmo tempo, se tornarem críticos das novas tecnologias, caso contrário corremos o risco de vê-los limitados e escravizados pelos sofisticados recursos tecnológicos. É preciso deixar o fascínio de lado e aumentar nossa criticidade quanto ao uso exagerado e incorreto dessas novas tecnologias.

"...A tendência à globalização, conseqüência do aumento do comercio, das correntes de capital e dos avanços tecnológicos, apesar de abrir novas oportunidades para o crescimento econômico sustentado e o desenvolvimento da economia mundial, ao mesmo tempo exigiu um rápido processo de mudança e ajuste, que se viu acompanhado de um aumento da pobreza, do desemprego e da desintegração social, globalizando, por outro lado, certas ameaças ao bem estar humano, como os riscos ambientais. Segundo o Informe de Desenvolvimento Humano de 1997, a menos que se gestione cuidadosamente a globalização da economia, os países pobres e as pessoas pobres ficarão cada vez mais marginalizadas..." ( Rayo, 2004, p. 19)


A mudança de paradigmas requer análise, reflexão, consciência daquilo que se pretende alcançar, daquilo que se pretende formar, por isso a necessidade de que nossas escolas percebam que diante da globalização a que estamos inseridos, há que se tomar cuidados no que diz respeito à formação social, cultural e pessoal de nossos jovens e adolescentes.

Não se pode esquecer que estamos formando seres humanos que precisam estar munidos de valores desde muito cedo, pois são os valores como diálogo, justiça, respeito mútuo, solidariedade, tolerância que os fará agir em prol do outro, em prol do bem comum.

3.5 -OS NOVOS VALORES DO MUNDO GLOBALIZADO

As mudanças sociais trouxeram grandes avanços; mas também retrocessos, principalmente no que tange os valores humanos. Prejudicando desta forma, o inter-relacionamento, o convívio social, o espaço do próximo e a paz e união de uma forma geral.

"Nos primórdios da humanidade, se valorizavam os valores básicos nas sociedades, no entanto, Valores como sinceridade, amizade, confiança e companheirismo, perderam seus lugares para o individualismo, desonestidade, falsidade, inveja e etc".(THOMAS, 1988, p.15). Os novos tempos trouxeram novos valores, que disseminam o caráter do ser humano, tornando-o insensível às realidades sociais. O individual sobrepôs ao coletivo, ao grupo, à união; as pessoas não buscam mais conquistar seu espaço, mas tomar o lugar do outro. E a globalização invadiu de tal forma que o dito como "errado", tornou-se certo, natural, o mais viável e preciso. Os meios de comunicação impõem estes novos valores de maneira tão inocente e espontânea que as pessoas assimilam com facilidade e sem desenvolver o lado crítico. A função da mídia, portanto, é alterar o caráter do indivíduo, impondo nele os valores que a interessa, que irá ajudá-la a atingir seus objetivos, como por exemplo, a formação de seres subservientes. Como se percebe na citação de Sá, 2001, que, por meio de programas de violência e perfídias, deformam o caráter dos tele e áudio-expectadores; em difusões desqualificadas.

Sabe-se que com as mudanças surgem sempre novos valores porque estes valores que surgem são inerentes às novas culturas, à nova constituição familiar, às novas tecnologias e etc. Com isso, ao invés de transformar apenas os valores referentes aos pontos citados, mudam-se também os valores essenciais, como solidariedade, respeito, diálogo, honestidade, paz, amor, justiça e etc, são absolutamente necessários para a vida do homem em sociedade. E com a perda destes valores essenciais para a vida em sociedade, o próprio homem em sua condição de ser humano e deforma sua formação natural, agindo mais como animal, irracional.

Os valores positivos que surgem com a existência do mundo globalizado, devem ser acrescidos aos valores essências; quanto aos negativos, deveriam ser descartados, o que infelizmente, não vem acontecendo.

3.6 - PLANTANDO IDÉIAS E VALORES

A sociedade contemporânea passa por diversas transformações e isso acontece de maneira muito veloz em decorrência do crescente avanço dos meios eletrônicos de comunicação e informação. Neste contexto a educação de crianças e jovens deve estar voltada para a cidadania, embora poucas instituições de ensino tenham efetivamente uma política pedagógica clara e explícita para tanto. Há várias razões entre as quais carecemos de tais políticas, entre elas destaca-se a falta de vontade de inúmeros adultos para preocupar-se com os destinos do mundo. Outro motivo que merece atenção é a ignorância a respeito dos valores dos jovens. Sabe-se pouco sobre o que os estudantes, principalmente os adolescentes, pensam sobre o mundo atual. Os valores estão se degradando ou se modificando pela emergência de novos valores. Essa instabilidade ou mesmo perda de referencial pode se definir como uma "crise de valores", onde se observa uma descrença e, conseqüentemente, um abandono dos valores humanos considerados até então como os mais nobres do ponto de vista social. Em meio a tal crise de valores é fundamental ter clareza de quais são aqueles que priorizamos e queremos transmitir para as novas gerações.

3.7. COMO TRABALHAR OS VALORES HUMANOS NA ATUAL SOCIEDADE

Estamos inseridos numa sociedade capitalista que valoriza o TER mais que o SER, e isso influencia de forma direta a educação, pois percebemos nossos educandos escravizados pela filosofia do TER, do possuir e por isso valores como respeito, solidariedade, diálogo foram deixados de lado. Quando enfatizamos a formação da cultura de respeito à dignidade humana, estamos tratando de uma mudança radical e urgente de atitudes, pois estamos diante de uma sociedade marcada por preconceitos, por discriminação, pela não aceitação do direito de todos, pela não aceitação da diferença.

A educação para a Paz é uma forma particular de Educação em Valores que persegue o desenvolvimento de atitudes iguais em todos os jovens do mundo, para que, diante de valores antitéticos à cultura da paz como a obediência cega, o conformismo e o consumismo, a indiferença e a falta de solidariedade, a intolerância ou a discriminação, sejam questionadas suas conseqüências e ações guiada pela justiça, tolerância e solidariedade. (Rayo, 2004, p. 170)


Para se trabalhar os valores humanos na atual sociedade, nós educadores precisamos ter, bem definido nosso papel de educar. Não basta detectar os problemas, fixar neles nossos olhares é preciso intervir e agir com coerência diante da situação, a mudança acontece através de um processo educativo, é preciso incutir, primeiro em nós, depois em nossos educandos que queremos outra sociedade, que não estamos satisfeitos com os valores que embasam esta sociedade.

A dignidade do ser humano precisa ser respeitada. No processo educativo procura-se atingir a razão mas também a emoção, pois o homem não é apenas um ser que apenas pensa e raciocina, mas que chora e ri, que é capaz de sentir indignação e enternecimento. O homem é um ser essencialmente moral, ou sejam sem comportamento racional estará sempre sujeito a juízos sobre o bem e o mal. Portanto, o ser humano tem a sua dignidade explicitada através de características que são únicas e exclusivas é dotado de autonomia. Só o ser humano tem sociabilidade e se expressa com sentimentos como o amor, o diálogo, a solidariedade.

Quando falamos em educação em direitos humanos falamos também em educação para a cidadania. É comum a idéia de educação para a cidadania ser entendida como se fosse meramente uma educação moral e cívica. Ou seja, como se fosse necessário e suficiente pregar o culto à pátria, seus símbolos, heróis e datas históricas. É preciso ter a percepção de que a nação não é um todo homogêneo, mas um todo heterogêneo, com conflitos, classes sociais, grupos e interesses diferenciados.

Os conteúdos dos quais se ocupa a educação são temas que exigem uma tomada de consciência, um posicionamento e uma ação sobre a problemática da realidade social. Por outro lado, seus componentes compartilham o mesmo conjunto de valores que julgam criticamente esses problemas, que reclamam da cidadania, comportamentos baseados em uma ética humanista e ecológica. O tratamento de qualquer tema, certamente, deve ser abordado á partir da educação em valores como instrumento que afiança a aproximação da problemática mundial a partir dos questionamentos de valor que se suscita. Mas a educação para a Paz, os Direitos Humanos e a Democracia não atuam apenas para que os indivíduos entendam esses problemas, mas que sejam críticos diante deles e adotem comportamentos adequados, às desigualdades sociais...( Rayo, 2004, p. 177-178)


Torna-se necessário entender a educação para a cidadania como formação do cidadão participativo e solidário, consciente de seus deveres e direitos e, então associá-la à educação em direitos humanos. Só assim teremos uma base para uma visão mais global do que seja uma educação democrática, entendendo democracia como o regime de soberania popular com pleno respeito aos direitos humanos.

Esse processo educativo deve visar a formação do cidadão participante, crítico, responsável e comprometido com a mudança daquelas práticas e condições da sociedade que violam ou negam os direitos humanos. Mais ainda, deve visar à formação de personalidades autônomas intelectual e afetivamente, sujeito de deveres e direitos, capazes de julgar, escolher tomar decisões, serem responsáveis e prontos para exigir que não apenas seus direitos mas também os direitos dos outros sejam respeitados e cumpridos.

4.0 - METODOLOGIA

SUJEITOS DA PESQUISA

A pesquisa foi feita com professores, alunos e pais de duas escolas tradicionais da asa sul, uma confessional, fundada em 1° de março de 1961, no ano seguinte à inauguração da Capital Federal. Sob a responsabilidade dos frades franciscanos da Ordem dos Frades Menores, é mantida pela Província do Santíssimo Nome de Jesus do Brasil, sediada em Anápolis  Goiás. A missão da Instituição é acolher e educar, proporcionando uma formação integral, pautada nas virtudes humanas, cristãs e franciscanas. Alicerçada no compromisso de divulgar a Paz e o Bem, a Escola tem como lema: "Gente que acolhe, educa e humaniza". Com proposta pedagógica inovadora, prepara crianças e adolescentes para ampliarem suas capacidades, encontrarem sua identidade, atingirem a plenitude humana e, ao mesmo tempo, se apropriarem dos instrumentos que lhe possibilitem uma participação social e crítica efetiva.

A outra escola, não confessional, fundado em 1983 e seu primeiro ano de funcionamento foi 1984. Professores de diferentes instituições de ensino, somando seus conhecimentos e experiências adquiridas ao longo de anos de trabalho, reuniram-se para formar a instituição. A proposta pedagógica da escola não confessional é uma síntese das experiências vivenciadas ao longo de vinte anos de atividades educativas que culminam no objetivo de proporcionar à criança, ao pré-adolescente e ao adolescente uma formação integral para que, na vida adulta, possam exercer sua ação transformadora por meio do trabalho. O conceito de trabalho deve ser entendido no colégio Sigma, como todo ato humano. Assim, o trabalho torna o Homem agente do processo histórico na medida em que cria novas realidades e supera os determinismos naturais. O trabalho, dessa forma, projeta o homem como ser solidário. O papel do Sigma consiste na preparação do educando para exercer suas funções, por meio de sua atividade profissional, nas várias ramificações da comunidade: família, escola, bairro, cidade, Estado, país e mundo.

PROCEDIMENTOS

A pesquisa contou com amostra de 30 jovens, entre 11 e 14 anos, do Ensino fundamental II de uma escola confessional e não confessional, de ambos os sexos. Foi aplicado um questionário sobre que tipo de valores a escola que o aluno estuda, o transmite, e que valor o aluno se identifica individualmente. Da mesma forma, um questionário com amostra de 30 pais sobre que aspectos influenciaram a decisão dos pais de matricular seus filhos nas respectivas Instituições de ensino. Foi feita ainda, uma pesquisa com amostra de 30 professores, de ambas as escolas, com questionários sobre a importância de se educar em valores.

ANÁLISE DOS RESULTADOS

Conforme resultado apresentado nos gráficos, a escola confessional, tende a uma educação fincada nos valores básicos de respeito, dignidade e cidadania, tanto os pais, alunos e professores, descreveram a escola como um lugar que transmite estes valores, tendo-os, como diferencial de educação para seus filhos e alunos.

Na escola não confessional, também os pais, alunos e professores, vêem os valores como parte do crescimento do aluno, porém, não os tem como carisma da escola, o que não descarta o desejo de trabalhá-los em sala de aula, no entanto, as preocupações maiores, se resumem no sucesso profissional, competitividade e estatus do aluno.

É importante observar, á partir das entrevistas, que há também uma posição relativista, em que se pode permitir, um vale-tudo na educação, em que valores e contra valores podem existir e coexistir e sempre serem fruto de reflexão ou de sua clara adoção. Podem numa mesma escola, serem encontrados professores que incentivam a competição entre alunos ancorando-se no fato de que na sociedade atual, predominam o "cada um por si', ou o "vence o mais forte", outros defendendo a cooperação e a solidariedade para a construção de uma sociedade melhor, e outros ainda, completamente indiferentes a essas questões e que consideram a moral como um assunto particular.

É lícito afirmar que os valores são assunto e prática do nosso cotidiano. Valorizamos e reconhecemos valor somente no que não nos é indiferente, ou seja, valorizamos aquilo que experimentamos. Unir a educação e os valores é propor uma educação que aponta para o desenvolvimento da capacidade de autoconhecimento, de realização e de escolhas de seus valores mais íntimos.

CONCLUSÃO

Estudar sobre os valores humanos, me levou a uma realidade em que pude repensar meus atos e ações á sombra de uma formação diferenciada, pois estes valores têm seu princípio na geração humana, que está entranhado em nosso dia-a-dia, nas nossas atitudes e comportamentos. Esta educação em valores é uma questão fundamental da sociedade atual, imersa numa rede complexas de situações que exige, a cada dia, intervenções sistemáticas e planejadas do profissional da educação.

No âmbito nacional, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação também reflete esse propósito ao dispor sobre os princípios e fins da educação nacional, afirmando no Art. 2º que:

"A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade e pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho".

Assim, entende-se a educação como caminho necessário para uma inserção de prática do respeito aos direitos humanos e construção da cidadania na via diária de cada indivíduo, possibilitando sua transformação. É preciso, pois, apropriar-se do processo educativo como meio de formação de uma cultura de respeito à dignidade da vida humana.

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PCN's de 1ª a 4ª série  volume 8

PÉREZ SERRANO, Gloria. Educação em Valores: Como Educar para a Democracia. / Gloria Pérez Serrano; trad. Fátima Murad.  2.ed.  Porto Alegre: Artmed Editora S.A., 2002.

PROJETO EDUCACIONAL FRANCISCANO: Escola Paroquial Santo Antônio  Brasília-DF, 2008

PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO: Sigma  Brasília-DF, 2009

Revista de Ciências Sociais, Londrina, v. 10, n.1, p. 9-24, jan.-jun. 2005

THOMAS, Keith O homem e o mundo natural. São Paulo: Companhia das Letras, 1988

TORO, José Bernardo, Códigos da Modernidade Capacidades e competências mínimas para participação produtiva no século XXI. (Tradução e adaptação: Prof. Antonio Carlos Gomes da Costa )  Colômbia , 1997.

TUVILLA RAYO, José. Educação em direitos humanos: rumo a uma perspectiva global / José Tuvilla Rayo; trad. Jussara Haubert Rodrigues.  Porto Alegre: Artmed, 2004.

VELÁZQUEZ CALLADO, Carlos. Educação para a Paz: promovendo valores humanos na escola através da Educação Física e dos jogos cooperativos. (Tradução Maria Racio Bustios de Veiga). Santos, SP: Projeto Cooperação, 2004.

 
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