Reflexão de um Pastor.

 

“Que os homens nos considerem como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus. Além disso requer-se dos despenseiros que cada um se ache fiel” – 1 Coríntios cap. 4 vers. 1 e 2.

Hoje decidí escrever este artigo pensando na minha vocação! E, logo de início, peço desculpas, pois, não estou naqueles dias inspirados para escrever! Diante disso, acho melhor ser direto e objetivo. Nesse momento não me sinto cem por cento vocacionado. Os mais experientes dizem que todos os homens passam por este tipo de crise, são os momentos em que estamos sozinhos e pensamos que não somos úteis nem a nós e muito menos para aqueles que nos cercam.

Depois de tanto tempo, descobri que o ministério é um lugar solitário! E sempre será assim. Descobri que casar não melhora, pois, sempre haverá alguma coisa que será impossível de compartilhar com a esposa, e aí você fica completamente sozinho. Os seus dilemas, os seus sucessos e fracassos são exclusivamente seus. Não se pode envolver a família neles, pois iremos sofrer as terríveis consequências.

Tenho me sentido fora do “ministério”, mas quem realmente está dentro dele? Aquele que prega todo domingo? Que visita as ovelhas? Quem oferece constantes plantões de aconselhamento no gabinete pastoral? Quem vai realizar um ato fúnebre? Quem preside um ministério ou uma igreja? Bem, tudo isso eu já fiz! Mas ainda não sinto um pastor segundo o coração de Deus.

Tenho descoberto a cada dia que vocação é um chamado particular de Deus. Por meio da igreja Deus confirma este chamado, e o que me anima ainda é algumas pessoas vêem em mim tal vocação. Mas, infelizmente, a mesma igreja que hoje te apoia e incentiva, às vezes amanhã nos jogará para fora, simplesmente porque você deseja ter compromisso com a verdade, ou porque foi pego em alguma falta, então, você descobrirá que a igreja não está amadurecida para perdoar , afinal, viver além do perdão não é um tema valorizado na igreja atual.

Ao logo da minha vida, descobri que ser ministro do evangelho não é ser artista do púlpito. AO contrário, é ser achado fiel como despenseiro da graça de Deus aos homens (1 Coríntios cap. 4 vers. 2).  Aliás, falando em fidelidade, fica aqui a pergunta; temos sido realmente fiéis à Palavra de Deus? Temos pregado realmente a verdade das escrituras sobre temas como: predestinação, eleição, expiação, justificação, santidade, céu, inferno, inspiração verbal da Bíblia, suficiência das Escrituras e a suficiência da obra de Cristo? Quando vejo algum pastor fugindo dessa responsabilidade, logo me coloco a pensar: Por que será que ele não deixa o ministério e vai fazer outra coisa? Afinal, nossa missão é falar e ensinar a graça de Deus aos homens de forma clara e prática.

Costumo dizer para os meus alunos no Seminário que Deus não é um brinquedo que você pode manipular. Além do mais, ter dúvidas sobre a realidade da vocação ministerial pode ser uma indicativo de que, muito provavelmente a pessoa não seja realmente vocacionada. Por outro lado, distorcer os ensinos da Bíblia só para manter a imagem de um bom pastor também significa que você não foi vocacionado, pois a verdade das escrituras não pode ser adulterada por um pastor que deveria ser fiel.

Quando almejamos o ministério precisamos levar isso em consideração, pois, ser infiel no altar, significa ser falso no viver, e ser um hipócrita é a pior coisa que pode acontecer na vida de alguém que se apresenta diante das pessoas como pastor. 

Com o tempo descobri ainda que os livros e as teologias são boas para o intelecto, mas precisam ser regadas por uma vida incessante de oração. Além do mais, descobri também que o alvo do ministério precisa ser a glória de Deus e não a glória do homem como temos visto por aí. Precisamos trocar o alvo do nosso verdadeiro interesse; ao invés de focalizar o ouro, precisamos focalizar a santidade! Os grandes pregadores do passado procuravam viver uma vida tão consagrada ao ponto em que os homens se envergonhavam de ser pecadores e por isso, as pessoas sentiam vontade de buscar ter uma vida reta diante de Deus.  Infelizmente, nos dias atuais, ao invés de pastores, temos encontrado animadores de auditório e líderes que mais parecem “artistas” que sentem necessidade de serem admirados, buscando a glória para si mesmos e não para Deus.

Um de meus alunos seminaristas me perguntou: Pastor, como posso fazer para ter uma vida santa diante de Deus? Iniciei por responder que ser santo significa ser “separado”, lembrando ainda que para sermos santos, primeiramente, precisamos odiar o pecado que habita em nós e clamar como o Apóstolo Paulo “miserável homem que sou”. Temos de lutar constantemente contra o pecado lembrando que, conforme nos diz a Palavra de Deus “sem santificação ninguém verá ao Senhor”. Naquele estudo pude lembrar também que precisamos amar a Lei de Deus pois, ela tem sido a bússola dos grandes pregadores e pastores que enfrentaram os maiores vendavais da vida.

Em uma das minhas aulas sobre Aconselhamento Pastoral pude lembrar aos meus alunos sobre a importância de falarmos a verdade sempre além de procurar falar sempre o que é puro e santo, pois o nosso testemunho vale mais do que mil sermões!

Descobri que nunca  devemos aceitar a fofoca, principalmente se ela for sobre um colega de ministério, pois assim, mesmo de forma involuntária, poderemos destruir o ministério do colega por causa de um boato do inferno que não cabe a nós avaliar pois não somos chamados para ser juízes, mas sim pastores escolhidos por Deus.

Na área do aconselhamento pastoral, ao longo da minha vida, descobri que um pastor realmente vocacionado não deve brincar com mulheres casadas e compromissadas, pois, dessa forma, todo o ministério pode desmoronar em pouco tempo sem que se tenha tempo ou oportunidade de uma verdadeira defesa, mesmo que tudo não passe da mais completa injustiça.

Depois de muito tempo, pude entender melhor o “sexto sentido feminino de minha esposa que, por conhecer realmente nossos pontos fracos, tem melhores condições de “enxergar”  para nós e nos ajudar com seus conselhos importantes. Precisamos entender que a igreja passa e a esposa fica. E por isso mesmo temos de trata-la com amor e carinho, nunca colocando a igreja acima da nossa família.

Com o tempo, descobri que o importante é valorizar as coisas e amar as pessoas e não o contrário como muitos pastores tem feito atualmente.  Deus quer que amemos as pessoas pelo que elas são e não pelo que elas têm; pois, agindo de forma contrária ficará evidente que o nosso real interesse não são as pessoas, mas sim o que elas têm.

Aprendi ao longo da vida que quando errar precisamos saber e ter a coragem de pedir perdão sempre. Além disso, a vida me ensinou que quando alguém nos pede perdão de forma sincera, temos de perdoar, sem usar isso como moeda de troca em nenhum momento. Somente quem foi perdoado na prática consegue entender o real significado da palavra Perdão.

Precisamos lembrar sempre que Deus nos deu o ministério da reconciliação e por isso, a realidade do perdão precisa ser constante e verdadeira na nossa vida e no nosso ministério de reconciliar pecadores e leva-los a Deus.

Finalmente, se você almeja o ministério pastoral e conseguiu entender e ponderar sobre tudo o que escrevi aqui, posso enfim te dar as boas vindas ao verdadeiro ministério pastoral, te aconselhando a lembra que este lugar é terra santa e por isso, você também deve trocar o orgulho espiritual por uma vida de profunda humildade.

Pastor Adilson Batista Amelio

Email: advogadoevangelico@gmail.com