O FILHO QUE FICOU!

Na Parábola do filho pródigo narrada por Jesus em Lucas cap. 15 vers. 25 a 30, a grande maioria dos pregadores prefere destacar o filho mais moço do texto não dando quase ou nenhum destaque para o filho mais velho, isto é, aquele que ficou em casa com o pai. E é justamente sobre este que gostaria de falar nesta hora, pois acredito que existem algumas verdades que podem ser preciosas para as nossas vidas.

Antes de mais nada precisamos entender o significado da palavra “Pródigo”. Segundo o dicionário, pródigo significa: Dissipador, esbanjador, desperdiçador entre outros significados.

No caso desta parábola do filho pródigo, o jovem foi acusado de dissipar os valores da sua herança, abandonar a casa do pai e viver de forma dissoluta. Mas, seu irmão mais velho, que ficou em casa, não esbanjou seus bens e nem abandonou a casa do seu pai. Mas, passado mais algum tempo, podemos facilmente observar a sua surpreendente atitude tanto em relação ao seu pai como também para com o seu irmão, que havia voltado tão arrependido, ao ponto de renunciar até o seu direito de filho. Diante de tal atitude, não há dúvida de que o Filho que ficou era tão pródigo quanto o filho que saiu.

Não é difícil perceber que, enquanto o filho mais novo era pródigo por gastar toda a sua herança, o filho mais velho também era pródigo, mas sim, por desperdiçar a oportunidade de demonstrar o seu amor, a misericórdia e o perdão que seu próprio pai estava oferecendo ao filho mais novo diante de seu arrependimento.

Quando analisamos este texto, podemos facilmente fazer uma relação direta entre o filho pródigo que saiu de casa com os inúmeros pródigos que saem da Igreja (Casa do Pai) hoje em dia. O problema é que no momento em que muitos deles voltam arrependidos, encontram o Perdão do Pai (Deus), mas também encontram os sinais negativos dos filhos que ficaram.

No caso do filho mais velho, podemos observar que, apesar de estar em casa com seu pai com todos os seus direitos preservados, infelizmente ele assumiu uma posição inflexível e impiedosa diante do irmão que havia voltado arrependido. Este filho era diferente e não conseguiu entender o coração de seu pai que soube esperar, entender, receber e ainda abençoar o filho que voltou arrependido. A situação era tão séria que nem a festa lhe trouxe alegria, mas, muito pelo contrário, ele ficou tremendamente incomodado com aquela situação.

Numa atitude de completo egoísmo, o filho pródigo que ficou em casa, quando ouviu a música e ver a comida que seu pai havia preparado para comemorar a volta de seu irmão, imediatamente perguntou aos servos: “Que barulho é este?” Os servos responderam: “Veio teu irmão, e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo” (vers. 17). Neste momento ele foi falar com seu pai, e durante a conversa usou o termo ”este teu filho” (vers. 30). Na verdade, ele considerou a música e o banquete desnecessário e totalmente extravagante. Ora, o momento era de alegria, de perdão, de regozijo. Já pensou que tipo de música bonita não seria aquela que o pai mandou tocar para seu filho que voltava? Porém, o filho mais velho não queria ouvir.

Existem muitas pessoas hoje em dia que reagem assim também. Acham um verdadeiro exagero a festa que Deus faz com os pródigos que voltam arrependidos.

                Esses dois tipos de “filhos pródigos” servem para nos fazer pensar sobre dois tipos de crentes que existem hoje em nossas igrejas. Enquanto uns se esforçam para acertar, reconhecer seus erros e confessar seus pecados, outros preferem se justificar e até cobrar pelos “serviços prestados” à igreja co palavras iguais aquelas: “Tenho servido a tantos anos... nunca me deram um cabrito para comer com meus amigos” (vers. 29). Reclamam dos seus líderes, reclamam de tudo na igreja onde congregam, vivem o tempo todo arrumando algum motivo para se queixarem de alguém ou de alguma coisa.

Podemos aprender com o filho pródigo que ficou em casa que este é caso típico de alguns crentes que vivem dentro da igreja confiando em seus próprios méritos, e sempre com aquele mesmo discurso pré-fabricado: “Sirvo aqui durante tantos anos... e nunca me deram um cabrito”, isto é: um cargo, uma posição, etc”. Chegam ao ponto de protestar quando a igreja recebe um filho pródigo. Infelizmente, este quadro é triste, mas completamente verdadeiro nos dias de hoje.

A atitude maior do filho que ficou era basicamente “não perdoar, não receber, não fazer nenhum tipo de festa e muito menos ouvir música. Sua idéia primordial era: O que é meu é meu, e eu não divido com ninguém!

Deus como nosso pai supremo deseja que eu e você não venhamos a cometer atitudes como essas do filho que ficou. Ao contrário, Deus espera que tenhamos a capacidade de aprender com o filho pródigo que foi capaz de procurar pelo pai, confessar seus pecados, sem exigir nada e buscar a ajuda do pai para uma mudança completa de vida.

E você, pode ser comparado ao filho que saiu ou ao péssimo exemplo do filho que ficou? Deus espera sua resposta urgente e sincera ainda hoje. Deus te abençoe!

Pastor Adilson Batista Amelio

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