Mamim A. B. Baldé

RESUMO

Este breve ensaio objetiva despertarinteresse do debate concernente a história da África sofrida com ludibriada imagem vendida por colonizadores exploradores de forma precoce, porém, atrelado a seus próprios interesses, projetando pelo mundo todo um discurso estereotipado e preconceituoso. Nos Livros em volumes que compõem a História geral da África vimos contemplados com esboços que diferenciam profundamente com os que se projetam dos esboços históricos com início fixada a começar do processo colonial, e concomitantemente buscou se desmitificar a fidedigna história desse continente e do seu povo.

A África tem uma História?

A quem importa a resposta dessa pergunta apreciavelmente insciente, aqui se tem o retorno: sim a África tem Histórias! “O próprio caráter social da concepção africana da história lhe dá uma dimensão histórica incontestável, porque a história é a vida crescente do grupo”!

Considerado o terceiro maior continente do mundo a África ocupa juntamente com as ilhas adjacentes, uma superfície de aproximadamente 30 milhões de km2, mais de 20% do total da massa terrestre formando um espaço compacto (Visentini et al. 2014).  Vive no continente africano quase um bilhão de pessoas, com uma densidade de 30, 6 habitantes por km2. Um continente que carrega no seu cerne mais de oitocentos grupos étnicos cada qual com a sua própria língua e cultura contendo mais de mil línguas faladas diferentes. Tirar a história desse continente e do seu povo sinaliza a destruição de uma parte apreciavelmente crucial e indispensável para a compreensão da configuração de história da humanidade.

O que se tem apreciado na dimensão da construção histórica é que a história do continente, geralmente, é construída de fora para dentro, com base nos interesses que buscam dominar a África e os africanos. Essa razão levou o Ki-Zerbo a enunciar que é imperativo que a história desse continente e a sua cultura sejam também vistas de dentro, sem que se tenha como parâmetro os exclusivos valores europeus. Até hoje se registra que apesar dos mitos e preconceitos que tem ocultado a história africana existem culturas, religiões e grupos linguísticos diversos, bem como uma organização social dos povos africanos, isso precisa ser enfatizado, trazido ao debate e ao olhar curioso.

A África é conhecida com a sua diversidade e pela sua riqueza, porém, a tentativa de legitimar o processo da dominação colonial levou a projeção da sua imagem essencialmente primitiva e barbara que, no entanto, é um mero olhar construída no racismo e ideologia que busca descaracterizar o continente para poder controla-lo com facilidade.

Visentini et al. Apontam que

Importa dizer que apesar de a África ser definida, primariamente, como um continente pobre e que pouco inovou, antes da colonização europeia o continente era uma das partes do mundo mais dinâmicas do ponto de vista da pesquisa e do florescimento cultural graças a organização política e socioeconômica dos seus impérios. Assim, segundo Cissé (2010), na África ocidental, por exemplo, mais especificamente na zona sudanesa-saariana, os contatos entre a população local e a cultura árabe-muçulmana, entre os séculos XIII e IX, propiciou uma grande produção de manuscritos em árabe nos principais centros urbanos como Gão, Djene e Timbuktu (VISENTINI ET. AL. 2014, p.23).

Pode se considerar que a organização social pré-colonial na África, apesar de suas características consideradas complexas, tanto do ponto de vista político e cultural quanto do ponto de vista econômico, teve um papel preponderante nas relações internacionais da época. A preocupação atual é a posição em que se encontra exposto o continente, não podendo gozar da sua legitima história.

Pode se dizer hoje que essa realidade de ontem, hoje está em mudança progressiva porque com os volumes da história geral da África, o continente passou a ser abordada por ela mesma por meio das suas realidades e não dos mitos que suscitou duma forma simultânea sintética e regional, global e local, por volta dos quesitos e dos projetos fundamentais que a historiografia colocou em evidencia.

REFERÊNCIAS

KI-ZERBO, Joseph (coord.). História geral da África 1: metodologia e pré-história da África., Brasília: UNESCO, 2010.

VISENTINI, Paulo Fagundes Et. All. História da África e dos africanos. 3ª ed. Petrópolis, Rio de Janeiro: vozes, 2014.