CUIDADOS PALIATIVOS: HUMANIZAR É PRECISO                                                                                                                     

                                                                                                         VANESSA CRISTINA SOSSAI CAMILO

                                                                                                                      PRISCILA NISHIZAKI BORBA

RESUMO

Como parte do cristianismo pela Europa, Hospice palavra utilizada na era cristã como parte dissipação do cristianismo, de início o paliativo estava relacionado apenas aos pacientes oncológicos e terminais, mas no final de 1980 se tornando viável  dentro da saúde pública  para aqueles que possuem alguma enfermidade, emocionais e espirituais. Paliativar no Brasil ganha força a  partir do ano 2000, com o crescimento e organização dos serviços já existentes. Cuidados paliativos requer conhecimento, habilidade, empatia e capacidade de promover assistência adequada, o objetivo do proposto no cuidado paliativo é realizar uma assistência adequada ao cliente de forma individualizada, humanizada e holística. O objetivo desta pesquisa foi demonstrar a importância da humanização aos clientes com câncer durante o cuidado paliativo. Trata-se de uma revisão bibliográfica. A seleção bibliográfica realizada através de artigos referentes ao tema  por via virtual nas bases de dados: SCIELO e Google Acadêmico. Os  resultados obtidos através de diversas bibliografias consultadas, visto que há uma quantidade de estudos disponíveis na literatura sobre humanização no cuidado paliativo. Os vários momentos que percorremos durante este estudo buscando a elaboração do mesmo, o foco não é a doença em si, mas o doente.

Palavras-Chave: Cuidado paliativo, enfermagem,  equipe multidisciplinar

 

1 - Enfermeira e pedagoga. Esp. em Formação Pedagógica em Ensino Profissionalizante de Nível Médio. Docente em curso de habilitação profissional de nível médio em Enfermagem. E-mail: vcsossai@hotmail.com

2- Enfermeira e pedagoga. Esp. em Formação pedagógica em Ensino Profissionalizante de Nível Médio. Docente em curso de habilitação profissional de nível médio em Enfermagem.E-mail: pri_cassimiro@hotmail.com

1 INTRODUÇÃO

A qualidade de vida é o principal propósito do cuidado Paliativo, trazendo qualidade de vida aos clientes e familiares, aliviando sinais e sintomas e dar suporte psicológico , emocional, espiritual e social ao longo do tratamento ao cliente e seus familiares, mesmo após seu falecimento (MONTEIRO, 2010).

Ao enfrentar o falecimento e o falecer no dia a dia dos enfermeiros agregado a inocência clínica, a ausência de preparação e estrutura emotiva apropriada, são considerados como barreira ao serviço de atributo ao submisso que se encontra no fim da existência, e em última urgência, provocam a sentença ao conhecimento este especialista (SOUSA, 2015).

A equipe de enfermagem que cuida em cuidados paliativos, busca em sua jornada, e sua sabedoria, o alivio qualquer que seja, manifestado  pelo cliente ou familiar. A esses profissionais compete o papel essencial na análise da dor oncológica, orientação e realização da terapia e auxílio na avaliação da efetividade da terapia realizada, ajudando a pessoa e os familiares todo o seguimento da doença (WATERKEMPER, 2010).

Se faz necessário ao cuidar no processo de morte, que o profissional se comunique verbalmente e não verbalmente, respeitando sentimentos, incertezas e angustias do cliente, e diversas formas de comunicação manifestada nesse momento em que não há mais melhora de sua doença. (ARAÚJO;  SILVA, 2012).

Desta forma, os profissionais da área da saúde, investem aos avançados métodos diagnósticos da terapia, para fazer frente ao adoecimento crônico degenerativo, de forma que o propósito fundamental se torna a conservar a vida a qualquer custo, para melhorar a expectativa de vida e distanciar a morte (OLIVEIRA, 2007). A equipe multidisciplinar no Cuidados Paliativos é composta por: assistente social, psicólogo, equipe de enfermagem e médico.

2 HIPÓTESE

A enfermagem não está preparada para a morte, apesar de a morte ser parte do ciclo natural da vida, sendo necessário capacitação adequada para realizar o trabalho em equipe multidisciplinar, aos cuidados ao cliente terminais e sua família de acordo com suas necessidades.

3 METODOLOGIA DA PESQUISA

Trata-se de uma revisão bibliográfica. Foi realizada a seleção de materiais por meio das publicações de artigos referentes ao tema por via virtual nas bases de dados: SCIELO e Google Acadêmico.

Outras fontes de dados como sites confiáveis de acordo com a relevância para deste estudo foram utilizadas.

Foram selecionado pesquisas que respondem as questões referentes a esta temática, publicadas em língua portuguesa, incluindo capítulos de livros, manuais com recorte temporal entre o ano de 2007 à 2017.

Como critérios de exclusão foram adotados os seguintes parâmetros: artigos publicados fora da língua portuguesa, que não estavam no período estabelecido para o estudo ou que ainda não tinha pertinência com a temática.

 

4 ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS QUE PERMEIAM OS CUIDADOS PALIATIVOS

O código de ética profissional relaciona-se  como guia sobre desempenho da carreira. Como os procedimentos éticos e como devem ser implantados pelo profissional. (OGUISSO, 2010, APUD SILVA, 2011).

A função da ética na sociedade é oferecer bases que visam orientar as ações e comportamentos humanos, a partir de avaliações críticas e problematizações, meios e princípios aceitos pela comunidade. Em se tratando da assistência em saúde, ato, a fim de consentir o exercício das profissões com qualidade e no que diz respeito aos valores humanos (CROZETA, 2010, APUD BARBOSA, 2017).

A problemática acerca do fim da vida, que envolve sobretudo a definição do tratamento de pacientes terminais e o processo de morte e morrer, implica dilemas éticos e impasses de natureza jurídica, fazendo com que não só os profissionais de saúde, mas também os estudiosos de diversas áreas, e até mesmo o público leigo, reflitam de forma crítica a respeito da conduta ética e juridicamente mais adequada ante a terminalidade da vida humana (PAIVA; JÚNIOR; DAMÁSIO, 2014).

 

5 EQUIPE MULTIPROFISSIONAL: HUMANIZAÇÃO NOS CUIDADOS PALIATIVOS

Humanizar em cuidados paliativos, requer reflexão de conceitos e valores existentes na pratica profissional. Como foco nos cuidados do paciente, respeitando suas necessidades, preceitos éticos e princípios morais, avaliar dor e o sofrimento através de diversos recursos tecnológicos existentes e psíquicos . (BRITO 2010, APUD PINTO, 2013).

Os cuidados paliativos constituem uma assistência avançada por uma equipe multidisciplinar planejando a melhoria e qualificação de vida do paciente e de seus familiares diante de uma doença que possa estar em risco de vida, através da prevenção e alívio do sofrimento, o reconhecimento precoce, observação e tratamento da dor e os demais sintomas, sociais, físicos, psicológicos e espirituais (INCA, 2013 APUD SILVA 2015).

A equipe de enfermagem com o objetivo de diminuir o sofrimento dos enfermos na fase final da vida, realizam acompanhamento de forma especifica  e participativa, identificando  e avaliando o sofrimento do paciente e o momento de busca de ajuda minimizando o sofrimento  e maior aconchego  para seus últimos dias de vida, compartilhando suporte através de vínculos  profundos de transformação. (MARTINS, 2010, APUD PINTO, 2013).

No sentido teórico, humanização é um termo que encontra suas origens na corrente filosófica do humanismo, que busca entender o ser humano e a clareza do indivíduo em agrupamento. No campo psicanalítico, humanização nos envia as perguntas da subjetividade. Já na vertente da moral, esse término pode convocar princípios humanitários, como cumprimento, assistência, piedade e compreensão (EDGAR, 2010, APUD MORAES 2014).

Os cuidados paliativos pressupõem a ação de uma equipe multiprofissional, já que a proposta consiste em cuidar do indivíduo em todos os aspectos: físico, mental, espiritual e social. O paciente em estado terminal deve ser assistido integralmente, e isto requer complementação de saberes, partilha de responsabilidades, onde demandas diferenciadas se resolvem em conjunto (HERMES; LAMARCA, 2013).

É de fundamental importância para o paciente fora de possibilidades terapêuticas de cura que a equipe esteja bastante familiarizada com o seu problema, podendo assim ajudá-lo e contribuir para uma melhora (HERMES; LAMARCA, 2013).

A equipe multidisciplinar no CP segundo a Associação de Cuidados Paliativos (2006) é composta pelos seguintes profissionais: assistente social, psicólogo, equipe de enfermagem e médico.

Hoje em dia, o ensino dos cuidados paliativos vem sendo pouco questionado no currículo da graduação dos profissionais de saúde, a fim que o futuro profissional disponha de uma visão humanística com relação a cura, é fundamental que haja uma alteração no currículo dos cursos de graduação, favorecendo conteúdo específicos sobre Cuidados Paliativos (COSTA, 2016, APUD CORREIA, 2017).

Os critérios de ensino, na maioria dos cursos de graduação da área da saúde ainda permanecem no exemplo tradicional, descontextualizado várias vezes da realidade e concentrado nos problemas fisiopatológicos e técnicos do processo saúde- doença. Dessa forma, a maneira de cuidar continua fundamentado no modelo cartesiano de atenção, mecanicista, direcionado na cura e reabilitação da doença (GERMANO, 2013, APUD CORREIA, 2017).

O comportamento multiprofissional é fundamental em relação a Cuidados Paliativos. Toda via, comumente é a enfermagem que mais se achega do paciente e família, por manterem-se, ao menos nos ambientes hospitalares, durante as 24 horas do dia, todos os dias, com o paciente, seja na figura do enfermeiro, seja na figura da equipe de enfermagem. A assistência de enfermagem, especialmente no contexto dos Cuidados Paliativos, deve sempre pensar o indivíduo enfermo como um ser único, complexo e multidimensional, levando-se em conta as proporções biológicas, emocionais, sociais e espirituais (ARAUJO, 2007, APUD SILVA, 2015).

 

6 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM DURANTE O CUIDADO PALIATIVO

Trabalhar em cuidados paliativos requer conhecimento, habilidade, empatia e capacidade  assistência adequada, o objetivando o proposto no cuidado paliativo é realizar uma assistência adequada ao cliente de forma individualizada, humanizada e holística (PORTO; VIANA, 2010).

A enfermagem quanto profissional é elemento primordial para o tratamento e para e auxilio na recuperação do estado psicológico do paciente paliativo (PORTO; VIANA, 2010).

A enfermagem é o grupo que passa a maior parte do tempo com o paciente do que qualquer outro tipo de equipe. Objetiva-se  a promover bem-estar, agir e reagir corretamente frente à situação de morte com o paciente, familiares e consigo mesmo; é proporcionar o progresso pessoal do adoecido, familiares e de si mesmo, é valorizar o sofrimento e as conquistas, empoderar o próximo com seus cuidados e empoderar-se pelos cuidados, é esforçar-se para preservar a integridade física, moral, emocional e espiritual, é conectar e vincular-se e ajudar o próximo e a si mesmo a encontrar significados nos acontecimentos. Cuidar em enfermagem paliativa é prover o alívio dos sintomas, ser maleável, ter propósitos de cuidado, interceder pelo cliente e reconhece-lo como ser humano único (PIMENTA, 2010, apud SILVA, 2015).

Paliativar  é viver e compartilhar, terapeuticamente, instantes de amor e compaixão, entendendo que é possível tornar a morte iminente íntegra e garantir ao cliente suporte e acolhimento nesse instante. Propiciar um cuidado adequado, qualificado e diferenciado na fase final de uma pessoa é responsabilidade da equipe de saúde, cada um dentro da área de suas competências. O enfermeiro tem qualificação técnico-científica para realizar o cuidado em questão, uma vez que a estrutura curricular de seu curso adquire disciplina da área das Ciências Humanas dispondo para assistência aos sinais e sintomas apresentado pelo paciente em suas múltiplas dimensões. Além de relacionar a ciência, a arte do cuidar na rotina profissional (PIMENTA, 2006, apud MONTEIRO, 2010).

A equipe de enfermagem que presta cuidados ao paciente oncológico deve ser qualificada e especializada, para que o cuidado tenha compromisso, envolvimento, sensibilidade e solidariedade, pois o profissional de enfermagem é que passa a maior parte do tempo com o paciente e seus familiares (PORTO; VIANA, 2010).

O cuidado deve ser individualizado e focar no paciente e na família de forma a atender suas necessidades. Em muitos casos o tratamento implica cirurgias mutilantes e quimioterapia prolongadas, com efeitos colaterais importantes que interferem na vida do paciente. Nesse aspecto, a enfermagem presencia todas as etapas, acompanhando as reações do paciente, seu sofrimento e angustia (PORTO; VIANA, 2010).

A assistência de enfermagem focada em previnir complicações durante o tratamento, devendo o paciente ser orientado sobre todas as etapas (PORTO; VIANA, 2010).

Cuidados referentes aos registros de forma delicada e detalhada, cuidados sobre dietas,  eliminações (diurese e fezes), sobre higienização (corpo, oral, couro cabeludo), curativo, drenos, acesso venoso. Checar medicações prescritas pelo médico e quando não administrado justificar o motivo (PORTO; VIANA, 2010).

7 CONCLUSÃO

Em constante busca para o direcionamento deste trabalho focamos não a doença, mas o doente.

Cuidar em Cuidados paliativos deve ser feito de forma humanizada, por todos os membros da equipe de cuidados.

Buscamos o perfeito entendimento  e as necessidades de cuidados sobre 24 horas exercidos pela equipe de enfermagem, de forma essencial e capacitado, necessitando empatia e humanização com o cliente e seus familiares.

8 REFERÊNCIAS

ARAÚJO, D, T, M. M; SILVA, DA, P, J.M. Estratégias de Comunicação Utilizadas por Profissionais de Saúde na Atenção à Pacientes sob Cuidados Paliativos. Rev Esc Enferm Usp, v.46, n.3, p. 626-632, 2012. Disponível em: http://www.redalyc.org/pdf/3610/361033317013.pdf Acesso: 23 nov. 2017 ás 16:35 hs.