A presente pesquisa tem como tema contributo das reformas do Sistema Nacional de Educação na melhoria da qualidade de ensino secundário em Moçambique: caso Escola Secundária Josina Machel (2011-2016), cujo objectivo principal é avaliar o contributo das reformas do Sistema Nacional de Educação na melhoria da qualidade de ensino secundário em Moçambique. Os métodos usados para orientar a pesquisa foram hipotético-dedutivo e método monográfico e estatístico. Quanto as técnicas que serviram de alicerces para o desenvolvimento do trabalho foram a bibliográfica e a documental, a entrevista semi-estruturada e o inquérito por questionário. As teorias que dão suporte ao tema são institucionalista e contingencial. No decorrer da pesquisa procurou-se avaliar o contributo das reformas do Sistema Nacional de Educação na qualidade de ensino secundário em Moçambique. Para o efeito identificou-se alguns factores que influenciam na qualidade de ensino prestado na escola em estudo. Neste sentido, o estudo conclui que o Sistema Nacional de Educação (SNE) no âmbito das suas reformas, tem criado planos estratégicos que visam ajudar o sistema de ensino em Moçambique, no entanto, essas políticas não têm tido um resultado totalmente eficaz a nível das escolas devido a alguns factores. Dos alunos avaliados bem como os professores entrevistados, pode-se perceber que as políticas do SNE alicerçadas com as normas internas da escola são as que mais têm contribuído na qualidade de ensino da mesma. Portanto, com esta pesquisa conclui-se que as políticas do SNE por si só não se tornam totalmente eficazes para a qualidade de ensino, embora, o contributo dessas políticas seja muito relevante, pois as normas/ regulamentos interna das escolas é que tornam a realidade as políticas do SNE.

Palavras-chave: Qualidade de ensino, Sistema de educação, Ensino Secundário, Educação.

CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO 

Para Gadotti (2013), a educação está intimamente ligada ao bem-estar de toda a comunidade e o contínuo investimento na formação dos professores, pois, não pode haver a qualidade na educação sem a participação da sociedade na escola. Para o autor, tanto a escola como as universidades precisam fundamentalmente de três condições básicas: professores bem formados, como elementos chave e referência estratégica da qualidade, condições de trabalho e um projecto político pedagógico.

 Moçambique é uma ex-colónia portuguesa que tornou-se independente em 1975, herdando de Portugal uma longa história e experiência educativa. Após a independência, o país herdou condições económicas e sociais muito precárias deixadas pelos portugueses, fazendo com que o primeiro Governo moçambicano traçasse, até o final dos anos 80, estratégias de transformação socialista da sociedade e implantasse programas amplos na área de educação, saúde e habitação (Eduardo, 2012). Foi nesta perspectiva também que Moçambique começou a se desenhar o projecto de Sistema Nacional de Educação, centrado em três níveis ou subsistemas: Ensino Primário, Ensino Secundário Geral e Ensino Superior. Este sistema também incluía os subsistemas de educação de adultos e de ensino técnico profissional. A introdução do SNE em 1983, marcou uma nova etapa na evolução da educação em Moçambique (Bonde; 2016). Após a introdução do SNE em 1983, a educação em Moçambique foi e continuará a ser marcada pela adopção de inovações curriculares à luz dos desafios que se colocam ao sistema, nomeadamente o incremento do acesso e a melhoria da qualidade de ensino.

No entanto, o maior desafio do SNE é melhorar o processo do ensino e aprendizagem e vencê-lo, existe acções coordenadas dos vários níveis das instituições do Estado, contando com o apoio particular do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (MEDH).

De acordo com as considerações feitas acima, a presente pesquisa tem como objectivo explorar as questões conceptuais, empíricas e administrativas geradas pelas reformas do Sistema Nacional de Educação, destacando o contributo das mesmas na melhoria da qualidade de ensino secundário em Moçambique e, em particular, na Escola Secundária Josina Machel.

1.1. Delimitação no Tempo e no Espaço

 A presente pesquisa tem como objecto de estudo, a Escola Secundaria Josina Machel, a escolha desta foi devido a sua relevante função social que tem por ser uma das maiores instituições de ensino secundário do país, com mais de seis décadas de existência. Por sua vez, é uma escola de referência nacional devido ao seu historial.

O período de referência para a elaboração da pesquisa obedeceu ao intervalo de 2011 à 2016, esta análise temporal prende-se pelo facto de 2011 ter sido o ano que terminou o Plano Estratégico de Educação e Cultura, e também porque neste ano coincidiu com o término da segunda fase da projecção da Estratégia Global da Reforma do Sector Publico. O mesmo estende-se até 2016 pelo facto de ser o ano que termina o Plano Estratégico da Educação 2012-2016.

1.2. Contextualização

 “A Educação é, por excelência, um instrumento crucial para o combate à pobreza, uma vida mais saudável, para sustentar o crescimento económico, bem como para reforçar a democracia e a participação de todos os cidadãos nas agendas nacionais”(PEE, 2012-2016).

Mas, antes da chegada dos europeus, a educação indígena era assegurada por todos grupos étnicos e linguísticos e continuam a ser, por geração após geração, o que constitui um importante veículo de transmissão de identidade cultural. Este sistema educativo assegurado por esses grupos étnicos e linguísticos procura inculcar nas crianças as atitudes e conhecimentos adequados ao desempenho dos papéis sociais masculinos e femininos, pondo a tónica nos deveres e privilégios resultantes de valores culturais. Este tipo de ensino é transmitido de forma oral e pelo exemplo familiar, bem como em lições formais e em rituais comunitários, contudo esta mesma educação indígena responde aos problemas concretos das comunidades locais, preparando chefes políticos como simples camponeses e gera um sentimento de cidadania nos habitantes da comunidade (Banco Mundial, 1990).

 As recapitulações históricas evidenciaram que o sistema de educação colonial, estava organizado em dois subsistemas de ensino: “Oficial” destinado aos filhos dos colonos e assimilados (Gómez, 1999), sendo dependentes das estruturas governamentais e um outro sistema para os africanos, os “Indígenas”, um ensino rudimentar dirigido pelas missões com o objectivo de elevar, de uma forma gradual, a vida “selvagem” à vida civilizada. Desta feita houve mudanças significativas no sistema de ensino, do ensino rudimentar pelo ensino elementar, isto dos indígenas formados nos postos escolares das zonas rurais. Importa ressaltar que ainda prevaleceu a descriminação dado que não podiam engrenar nas escolas de arte e ofícios. Na formação de professores: na escola Industrial e Comercial para os indígenas, onde o aluno que frequentar mais uma classe que era a 4ª classe das escolas oficiais, porque tinha as escolas indígenas com a 3ª classe, muito mais para o ensino superior, este era somente para os colonos europeus. Sendo assim, o ensino primário elementar e complementar, era só administrado nas zonas urbanas onde morava a classe mais alta (Mazula, 1995:88).  

Segundo Ngoenha et al. (2005:29), o ensino indígena estava subdividido em três tipos: ensino primário rudimentar destinado a civilizar e a nacionalizar os indígenas da colónia, difundindo entre eles as línguas e costumes portugueses; o ensino profissional que tinha como fim preparar os indígenas de um outro sexo, maiores de 10 anos para adquirir honestidade e os meios de manter a vida civilizada e contribuírem mais eficazmente para o progresso do colono, e por fim o ensino normal que tinha como fim habilitar professores indígenas para as escolas rudimentares.

Por outro lado, o ensino Liceal compreendia sete classes subdivididas em três ciclos: preparatório, liceal e complementar. Os dois primeiros ciclos tinham programas comuns de cultura geral, enquanto o terceiro era diversificado. Dentro do ensino para elite tinha mais uma subdivisão, trata-se do ensino técnico subdividida em dois sectores: comercial e industrial, e era antecedido de um ciclo preparatório de dois anos (Ngoenha et al., 2005).

Portanto por um lado pode-se perceber que o ensino era extremamente discriminatório, em todos os moçambicanos que tinham direito à educação, e por outro lado, pode-se perceber que o ensino oferecido aos moçambicanos era de baixa qualidade.

Segundo Mazula (1995:92), a taxa de analfabetismo em Moçambique, em 1954, era a mais elevada de toda a África. Registava-se, nesse período, 95% de iletrados da população negro-africana e cerca de 25% da população portuguesa estabelecida na Colónia. 

Com a conquista da independência nacional, em 1975, a educação passou a constar no topo das prioridades na governação da nossa Pátria Amada. Nestes moldes, Moçambique encara a educação como um direito humano e um instrumento-chave para a consolidação da paz, da unidade nacional e para o desenvolvimento económico, social e político do país, através da formação de cidadãos com elevada auto-estima e espírito patriótico (MEC, 2012).

Ainda em 1975, o Ministério de Educação e Cultura (MEC), criou Centros de Formação de Professores Primários (CFPP), em que os ingressos tinham que ter o requisito mínimo de 4ª classe do ensino primário. Nestes centros os conteúdos eram didático-pedagógicos sem deixar de lado a formação política e ideológica. Os formadores possuíam o curso de Magistério Primário equivalente ao nível médio. Os professores do ensino secundário eram, na sua maioria, vindo de fora do país, no entanto, a formação de professores para o nível médio, passou a ser feita pela Faculdade de Educação da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), isto em 1977 (Gómez, 1999).

Na busca pela melhoria do sistema de educação, em 1983, foi introduzido o SNE, conhecido como linhas gerais do Sistema Nacional de Educação, cuja prioridade era a escolarização obrigatória, erradicação do analfabetismo e formação de quadros para as necessidades de desenvolvimento (Mazula, 1995:171). Um dos principais objectivos deste subsistema era assegurar o direito à educação a todas as crianças e jovens moçambicanos, com base na escolaridade obrigatória e universal (RPM, 1983[1], citado por Gómez, 1999).

Devido a uma política rigorosa conduzida em prol da educação, o período 1975-85 caracterizou-se por um aumento de efectivos escolares sem precedentes na história da educação em Moçambique. Esse aumento da população escolarizada acompanhou-se de modificações da estrutura do sistema educativo assim como do conteúdo do ensino dispensado e ainda da necessidade de reformas do subsistema de formação de professores para níveis primários e secundários (Mazula, 1995).

No entanto, com a finalidade de reajustar o quadro geral do SNE e adequar as disposições contidas na Lei n° 4/83, de 23 de Março, às reais condições sócio económicas do país, tanto do ponto de vista pedagógico como organizativo, a Assembleia aprovou a Lei 6/92, de 06 de Maio, cujos princípios estariam mais adequados aos objectivos da questão da qualidade de ensino em Moçambique (Mazula, 1995).

Mas a questão central que levou o governo a alterar o SNE, foi a exclusão do povo moçambicano no sistema público de Educação pelo regime colonial português, pois, foi um sistema menos abrangente, no qual grande parte da população não teve oportunidade de ingresso, causando um elevado número de população analfabeta. Nesta direcção, segundo Mazula (1995), a Educação teve uma característica universal da ideologia da colónia portuguesa, em que apresentava suas ideias como as mais nobres e racionais no desenvolvimento de Moçambique.

Portanto, com o advento da Paz em 1992, anualmente, cada vez mais crianças têm acesso à escola a todos os níveis o que permitiu que, desde então, o número de alunos passasse de um pouco mais de 1,5 milhões para mais de seis milhões em 2011. Hoje, uma parte significativa das crianças e jovens têm a possibilidade de prosseguir os seus estudos em outros níveis, nas diferentes áreas de ensino. De ano para ano, vem-se registando uma redução, significativa das disparidades regionais e de género principalmente no ensino primário e secundário (MINED, 2012). O novo Plano Estratégico 2012-2016 privilegia a continuação da expansão do sistema educativo, explorando várias modalidades de ensino, incluindo o ensino à distância, beneficiando do potencial das novas tecnológicas, e dentro dos limites que permitem assegurar a qualidade dos serviços educativos prestados (idem).

1.3. Justificativa

As sociedades actuais têm passado por transformações em todos os níveis da envolvente organizacional, frutos da globalização. Torna-se necessária uma nova postura do sector público em função do grau de satisfação e exigências dos cidadãos, visto que constituem, sem dúvida, um leque de razões que exigem das instituições uma maior eficiência e eficácia dos serviços prestados. A educação, nas suas diferentes vertentes, joga um papel importante no desenvolvimento de uma sociedade.

A educação tem um papel importante na preparação do indivíduo para o desenvolvimento da sociedade, e no que diz respeito à escolha da Escola Secundária Josina Machel nesta instituição de ensino deve-se ao conhecimento que a pesquisadora possui da Escola bem como a facilidade de acesso para a recolha de dados que constitui elemento fundamental da análise desenvolvida neste estudo. A educação constitui um dos aspectos chaves do plano do Governo. Mais do que isso, a educação é um indicador fundamental para a medição do desenvolvimento humano de uma nação. Com efeito, apenas uma população bem formada e competente poderá, efectivamente, participar na vida de uma sociedade.

Portanto, a delimitação deste tema deve-se ao facto de que a educação é um instrumento primordial para o desenvolvimento do país, principalmente à sua actualidade e pertinência no que respeita à investigação na área das ciências da Administração, bem como a análise que pretendemos fazer no âmbito das reformas realizadas, em especial do Plano Estratégico de Educação 2012-2016.

1.4. Problematização

Ao discutir a questão da qualidade a UNESCO entende tratar-se de fenómeno complexo e multifacetário a ser compreendido por meio de diversas perspectivas. Nesse sentido, aponta quatro dimensões que compõem a qualidade da educação, quais seja, pedagógica, cultural, social e financeira. Para a UNESCO, a dimensão ou perspectiva pedagógica é fundamental e se efectiva quando o currículo é cumprido de forma eficaz. No que concerne à perspectiva cultural, os documentos apontam que os conteúdos precisam partir das condições, possibilidades e aspirações das distintas populações a quem se dirige. Do ponto de vista social, a Unesco sinaliza que a educação é de qualidade quando contribui para a equidade. Do ponto de vista económico, a qualidade refere-se à eficiência no uso dos recursos destinados a educação (UNESCO/OREALC, 2002-2003).

Para o caso particular de Moçambique admite-se, segundo Castiano (2005), que a qualidade da educação é mensurada cruzando indicadores e factores. Quando se fala da qualidade de ensino em Moçambique levantam-se muitas questões á volta do assunto, pois não se sabe se o factor qualidade de ensino deriva da formação dos professores, turmas numerosas, a carga horária que se presume ser pouco, visto que os alunos não têm muito tempo na escola, mas sim passam a maior parte do tempo em casa, principalmente no ensino Secundário, onde actualmente tem-se três turnos lectivos, a falta de equipamentos escolares, a falta de interesse dos alunos, a falta da motivação dos professores.

Contudo, a qualidade de ensino é um tema discutido universalmente. Em todo o mundo os países confrontam-se com o problema da qualidade da formação dos seus alunos, sendo, contudo, diferentes os níveis e problemas abordados neste debate. De uma maneira geral, nos países desenvolvidos os problemas da qualidade revelam-se, sobretudo em níveis mais adiantados como sejam o ensino secundário e o ensino superior. A nível de Moçambique este problema revela-se desde as primeiras classes, onde, existem alunos que terminam a 5ª classe sem dominar convenientemente a leitura, a escrita e aritmética básica (MEPT, 2015).

Vários estudos mostram que o ensino secundário tem efeitos multiplicadores para o desenvolvimento socioeconómico, combate à pobreza e melhoria das condições de vida dos cidadãos (Governo de Moçambique, 2009).

Como consequência da elevada procura escolar, a expansão do ensino secundário geral vem sendo feita, nalguns casos, sacrificando a qualidade de ensino. A falta de instalações escolares contribui para o aumento do número de alunos por turma. Para além disso, parte dos professores em exercício não têm formação adequada e, em alguns casos, professores do ensino primário leccionam o ensino secundário geral. Constata-se, de um modo geral, que os professores no domínio das ciências são insuficientes, bem como os livros e outros materiais de ensino, aspectos que interferem negativamente na melhoria das condições de ensino e aprendizagem. Face a estas condições de trabalho, cresce a sensação colectiva de que a qualidade de ensino está a ser afectada, fenómeno que é corroborado pelas altas taxas de reprovação e de desistência (idem).

Os serviços públicos de educação, em especial as escolas secundárias tem sido alvo de queixas por alguns estratos da população, quanto ao acesso à educação, qualidade de ensino bem como a falta de ética e deontologia profissional por parte dos servidores públicos. Assim, encontram-se determinadas fragilidades na prestação de ensino de qualidade, considerando que existe vários factores que influenciam na má qualidade dos serviços nesta instituição de ensino. Visto que o sistema de educação de ensino secundário em vigor em Moçambique visa a formação dos cidadãos orientada para a resolução de problemas, contribuindo, directamente, para o desenvolvimento humano e aumentando as capacidades das populações em encontrar soluções para as próprias preocupações, (idem).

É deste modo que se pretende perceber até que ponto as reformas do SNE contribuíram para a melhoria da qualidade de ensino secundário em Moçambique.

1.5. Objectivos do Estudo

Segundo Beuren (2003), o objectivo geral indica uma acção ampla, por isso mesmo deve ser elaborado com base na pergunta de pesquisa.

1.5.1Objectivo Geral

  1. Avaliar o contributo das reformas do SNE na melhoria da qualidade do ensino secundário em Moçambique.

1.5.2Objectivos Específicos

  1. Identificar os factores que influenciam na qualidade de ensino secundário em Moçambique;
  2.  Descrever as reformas do SNE que visam a melhoria da qualidade de ensino prestado em Moçambique;
  3. Avaliar o contributo do Plano Estratégico de Educação 2012-2016 na melhoria da qualidade do ensino na Escola Secundária Josina Machel;

1.6.     Questões de Pesquisa

  1. Quais são os factores que influenciam na qualidade de ensino em Moçambique?
  2. Quais as reformas do SNE que contribuíram na melhoria da qualidade de ensino prestado em Moçambique?
  3. Qual o contributo do Plano Estratégico de Educação 2012-2016, na melhoria da qualidade do ensino na Escola Secundária Josina Machel?

1.7.Hipóteses

  1. As reformas do SNE, em particular o PEE 2012-2016, tiveram um contributo na melhoria da qualidade do ensino prestado na ESJM;
  2. O desempenho dos alunos na ESJM melhorou com a introdução do PEE 2012-2016.

1.8.Metodologia do Trabalho

Segundo Hegenberg (1976), método é o caminho pelo qual se chega a determinado resultado, ainda que esse caminho não tenha sido fixado de antemão de modo reflectido e deliberado.

Este subcapítulo apresenta a caracterização da pesquisa, os métodos e técnicas, e termina apresentando o processo de amostragem.

1.8.1.Caracterização da Pesquisa

  1. Quanto a forma de abordagem

Quanto à forma de abordagem, a pesquisa é qualitativa, pois considera-se que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, ié, um vínculo indissociável entre o mundo objectivo e a subjectividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. A interpretação dos fenómenos e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa qualitativa. Não se baseia em métodos e técnicas estatísticas (rigorosas). O ambiente natural é a fonte directa para recolha de dados e o pesquisador é o instrumento-chave. Os dados são analisados indutivamente.

  1. Quanto à natureza do estudo 

Quanto à natureza, a presente pesquisa é aplicada. Pois, de acordo com Siena (2007), pesquisa aplicada é a geração de conhecimentos visando aplicação prática, direccionados para a solução de problemas específicos. Ou seja, a pesquisa aplicada tem como objectivo gerar conhecimentos para aplicação prática, dirigidos à solução de problemas reais e específicos. Envolve, por isso mesmo, verdades e interesses que são típicos de determinadas localidades. Portanto com base neste tipo de pesquisa far-se-á uma análise do objecto ora estudado, com vista a trazer conhecimentos para a solução de problemas inerentes a qualidade dos serviços prestados.

  1. Quanto aos objectivos

Quanto aos objectivos a presente pesquisa é de carácter exploratório, pois segundo Gil (2002), estas visam proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a constituir hipóteses. Se o pesquisador não tem precisão do problema, realiza uma pesquisa exploratória (descobrir ou fundar o conhecimento) para estar numa posição autoritária para proceder a colocação precisa do problema. 

1.8.2.Métodos de Pesquisa

Quanto aos métodos de pesquisa a serem usados são: o método hipotético-dedutivo, método monográfico e estatístico.

Segundo Baptista (2011), na aplicação do método hipotético-dedutivo a pesquisa circunscreve-se na testagem de diversas hipóteses, as quais são submetidas aos diversos testes, com vista a dar uma possível resposta ou solução.

 

Na aplicação do método hipotético-dedutivo, formula-se o problema que interessa ao pesquisador. Essa formulação resulta de um conjunto de observações por si feitas ou realizadas por outros pesquisadores. Baseando-se no problema, levantam-se as hipóteses, as quais consistem na dedução das consequências observadas. Por fim, as hipóteses com vista a falseá-las ou corroborar (Baptista, 2011).

 

A presente pesquisa parte da formulação de um problema, o qual está relacionado com o contributo que o sistema de educação traz na qualidade de ensino. Com efeito, mediante o emprego do método hipotético-dedutivo, foram construídas três hipóteses, as quais norteiam a investigação, desta feita mostrando a utilidade deste método para este estudo.

O método monográfico ou de estudo de caso consiste no estudo de determinados indivíduos, profissões, condições, instituições, grupos ou comunidades, com a finalidade de obter generalizações. Este método parte do princípio de que qualquer caso que se estude com profundidade pode ser considerado representativo de muitos outros ou até de todos os casos semelhantes. Nele, a investigação deve examinar o tema escolhido, observando todos os factores que o influenciam e analisando-o em todos os seus aspectos (Lakatos & Marconi, 1999:35-36).

O método monográfico parte do princípio de que o estudo de um caso em profundidade pode ser considerado representativo de muitos outros ou mesmo de todos os casos em semelhantes. Esses casos podem ser indivíduos, grupos, comunidades, (Gil, 1999:35).

Segundo Lakatos e Marconi (2009), o método monográfico pode, também, em vez de se concentrar em um aspecto, abranger um conjunto de actividades de um grupo social particular tal como a escola em análise.

O método estatístico é descrito por Gil (1986), como sendo alicerçado na aplicação da teoria  estatística da probabilidade, este método é importante para a investigação em Ciências Sociais. O método é usado para análise de dados obtidos a partir de levantamentos por amostragem.

1.8.3.Quanto às Técnicas de Recolha de Dados

Segundo Lacatos e Marconi (1999:32), técnica engloba preceitos ou processos de que se serve uma ciência. Consiste na habilidade para usar esses preceitos ou normas. Quanto aos métodos de procedimento os tipos de pesquisa que serão usados são a pesquisa bibliográfica e documental, inquérito por questionário e entrevista semi-estruturada.

Para Medeiros (2011), pesquisa bibliográfica significa o levantamento da bibliografia referente ao assunto que se deseja estudar. Na mesma óptica Gil (2002), diz que a técnica bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado, constituindo principalmente de livros e artigos científicos.

A pesquisa documental tem como fonte documentos impressos tais como jornais, fotos, filmes, gravações, documentos legais. No entanto, Severino (2007), refere nestes casos, os conteúdos dos textos ainda não tiveram nenhum tratamento analítico, são ainda matéria-prima, a partir da qual o pesquisador vai desenvolver sua investigação e análise. Contudo a partir desta técnica far-se-á a colecta de dados documentais que se mostrarão úteis para a materialização dos objectivos do trabalho que se pretende desenvolver.

 

Segundo Vieira (2009), o questionário é um instrumento de pesquisa constituída por uma serie de questões sobre um determinado tema. O mesmo é apresentado aos participantes da pesquisa, chamamos respondentes, para que respondam às questões e entreguem o questionário preenchido ao entrevistador, que pode ser ou não o pesquisador principal. O questionário é um conjunto de questões sinteticamente articuladas, que se destinam a levantar informações escritas por parte dos sujeitos, pesquisados, com vista a conhecer a opinião dos mesmos sobre o assunto em estudo. Assim sendo a partir desta técnica será feita um levantamento escrito de dados importantes relativos a opinião dos pesquisados sobre o objecto estudado.

 Segundo Marconi e Lakatos (1998), a entrevista semi-estruturada consiste no contacto directo entre o pesquisador e a fonte para através da conversação obter informações pertinentes. A entrevista é uma conversação.

1.8.4.Processo de Amostragem

Amostragem “é uma técnica e/ou conjunto de procedimentos necessários para descrever e seleccionar as amostras, de maneira aleatória ou não, e quando bem utilizado é um factor responsável pela determinação da representatividade da amostra.” (Leone et al., 2009).

Amostra,  é uma porção ou parcela, convenientemente seleccionada do universo (população); é um subconjunto do universo (Marconi & Lakatos, 2002). Assim sendo, a população alvo desta pesquisa são os alunos, professores e o corpo directivo da escola.

Neste sentido o tipo de amostragem aplicada nesta pesquisa é amostragem não probabilista e intencional. Pois, a amostragem não probabilista é aquela em que a selecção dos elementos da população para compor a amostra depende ao menos em parte do julgamento do pesquisador ou do entrevistador no campo. “Não há nenhuma chance conhecida de que um elemento qualquer da população venha a fazer parte da amostra” (Mattar, 2002).

O tipo mais comum de amostra não probabilística é a denominada intencional. Nesta, o pesquisador está interessado na opinião (acção, intenção, etc.) de determinados elementos da população, mas não representativos dela. Seria, por exemplo, o caso de se desejar saber como pensam os líderes de opinião de determinada comunidade. O pesquisador não se dirige, portanto, à “massa”, isto é, a elementos representativos da população geral, mas àqueles, segundo seu entender, pela função desempenhada, cargo ocupado, prestígio social, exercem as funções de líderes de opinião na comunidade. Pressupõe que estas pessoas, por palavras, actos ou actuações, têm a propriedade de influenciar a opinião dos demais (Marconi & Lakatos, 2002).

Para esta pesquisa foi seleccionada uma amostra de 36 pessoas, das quais 30 foram inqueridos e 6 entrevistados.