AS PRÁTICAS DE UTILIZAÇÃO DO COMPUTADOR COMO RECURSO PEDAGÓGICO NAS ESCOLAS

Ângela Conceição dos Anjos Pena[1]

 

RESUMO

Este trabalho apresenta um estudo sobre a incorporação das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação no processo educacional brasileiro, tendo como foco a utilização do computador como instrumento pedagógico; recupera historicamente as principais iniciativas governamentais que favoreceram a inserção dos computadores nas escolas públicas brasileiras; analisa as principais formas de utilização desse recurso, destacando as contribuições para o processo de ensino. Como pudemos constatar através das leituras que as escolas enfrentam inúmeros problemas para trabalhar a informática educativa, pois faltam softwares educacionais, falta acesso à Internet e falta, principalmente, capacitação para os professores, fazendo com que este trabalho torne-se repetitivo para os alunos e pouco vantajoso para o processo de ensino aprendizagem e com isso inserir nas práticas de ensino que por meio da informática educativa e as dificuldades que a escola vem enfrentando para usufruir das vantagens que o computador pode oferecer ao processo educacional. Dessa forma, acreditamos que a escola precisa assumir uma nova postura mediante o processo de tomada de decisões, na qual alunos, professores e toda a comunidade escolar possam participar de forma mais ativa, buscando, por meio de discussões e reflexões, adotar uma dinâmica de ensino que esteja condizente com as reais necessidades e problemáticas da escola.

Palavras chaves: informática educativa. tecnologias educacionais. inclusão digital.

SUMMARY

This work presents a study about the incorporation of the New Information and Communication Technologies into the Brazilian educational process, focusing on the use of the computer as a pedagogical tool; historically recovers the main governmental initiatives that favored the insertion of computers in Brazilian public schools; analyzes the main ways of using this resource, highlighting the contributions to the teaching process. As we could see from the readings that the schools face, the school faces many problems to work in educational computing, lacking educational software, lacking access to the Internet and lack, mainly, training for teachers, making this work become repetitive for the students and little advantage for the process of teaching learning and with that insert in the teaching practices that through the educational computer and the difficulties that the school is facing to enjoy the advantages that the computer can offer to the educational process. Thus, we believe that the school must adopt a new posture through the decision-making process, in which students, teachers and the whole school community can participate in a more active way, seeking, through discussions and reflections, to adopt a dynamic of teaching that is consistent with the real needs and problems of the school.

 Key words: educational computing. educational technologies. digital inclusion

1 INTRODUÇÃO

A inserção do computador no cotidiano escolar está proporcionando mudanças de paradigmas na educação brasileira. A utilização dessa tecnologia vem contribuindo em muito para o desenvolvimento de novas práticas pedagógicas que, em tese, favorecem o processo de ensino-aprendizagem e o desenvolvimento cognitivo dos educandos.

As práticas educativas também vêm sendo redimensionadas para que a utilização da informática a atenda às atuais exigências do mercado de trabalho que, por sua vez, está a cada dia mais dependente das tecnologias da informação e da comunicação. Dessa forma acredita-se que a escola exerce um papel fundamental em oferecer aos alunos maiores possibilidades de acesso aos conhecimentos da informática, dando a eles maiores possibilidades de admissão no mercado de trabalho.

A educação está passando por um processo de transformação, no qual estão surgindo novas perspectivas educacionais, que exigem dos alunos domínio dos conhecimentos tecnológicos. Sabemos, no entanto, que ainda existem escolas que se encontram alheias a esse processo de inovação das práticas pedagógicas, algumas por não disporem de equipamentos e outras por não saberem incorporá-los em suas práticas de ensino.

Na prática, o uso dos objetos computacionais nas ações do processo de educação escolar pública brasileira encontra-se em diferentes estágios de desenvolvimento; enquanto em algumas escolas se discute sobre educação à distância, bibliotecas virtuais e otimização da velocidade das redes de computadores, há outras em que as máquinas estão sendo subutilizadas, em desuso ou sequer dispõem de bibliotecas tradicionais, de laboratórios de informática ou mesmo de energia (COX, 2003).

As escolas que dispõem de recursos como os computadores precisam conhecer as propostas de ensino que podem ser trabalhadas por meio da utilização dos mesmos. Os computadores são recursos que podem contribuir de forma significativa para o processo de ensino, sendo assim não podem ser subutilizados ou mesmo reduzidos ao esquecimento. 

Conhecendo as vantagens que a utilização dos computadores pode oferecer para as práticas pedagógicas e consequentemente para a facilitação do processo de ensino-aprendizagem, consideramos por bem desenvolver um estudo sobre a utilização do computador como recurso pedagógico nas escolas públicas.

            Durante essa experiência foi possível perceber que essas escolas possuem laboratórios de informática, mas não estão desenvolvendo um trabalho eficaz por meio da utilização do computador, pois em uma das escolas o laboratório era direcionado apenas para pesquisa na Internet e na outra o laboratório permanecia fechado e os alunos só tinham acesso aos computadores se o professor agendasse uma visita para que os mesmos pudessem elaborar um trabalho ou fazer pesquisas.

Diante dessa realidade, procuramos conhecer o trabalho que as escolas vêm desenvolvendo por meio da utilização do computador, destacando as vantagens e as desvantagens que o mesmo vem trazendo para o processo educacional.

Para fazer uma análise mais minuciosa sobre este trabalho buscamos primeiramente conhecer as principais formas de utilização do computador como recurso pedagógico, para que estas fossem inseridas nas práticas encontradas nas escolas para proporciona no cotidiano escolar e nas principais dificuldades encontradas pelas escolas para trabalhar a informática educativa.

Este estudo foi desenvolvido por meio de uma pesquisa bibliográfica investigamos o processo de inserção dos computadores nas escolas públicas brasileiras desde 1980 até os dias atuais e buscamos também nos fundamentar em autores que defendem a utilização dos computadores como importante recurso pedagógico.

Toda essa pesquisa resultou em um estudo, sendo que no primeiro fizemos um estudo sobre as principais iniciativas governamentais que favoreceram a inserção dos computadores nas escolas públicas brasileiras e sobre a legislação que ampara e incentiva o uso de recursos tecnológico nas escolas. Depois discutimos sobre a importância da inserção do computador no cotidiano escolar, destacando as principais práticas de exploração do mesmo dentro de uma proposta pedagógica que o tem como instrumento facilitador do processo de ensino-aprendizagem.

2 A INFORMÁTICA EDUCATIVA ENQUANTO POLÍTICA PÚBLICA NO BRASIL

A educação é um processo social que passa por constantes mudanças influenciadas pelo contexto socioeconômico, pela política, por novas concepções pedagógicas e também pelo surgimento de novas tecnologias, tais fatores fazem com que a escola assuma uma nova postura para se manter atuante e de acordo com as necessidades sociais de uma determinada época.

Atualmente o mundo vive a era da informática, na qual, o computador assumiu um papel muito importante, esse aparelho capaz de receber, armazenar e enviar dados, de efetuar operações aritméticas, de projetar imagens é também um dos principais e mais modernos meios de comunicação dos dias atuais, sua utilização é tão comum que fica difícil imaginar a vida sem ele. O computador está nas empresas, nos comércios, nos hospitais, nos centros de controle dos meios de transportes, nos centros de pesquisas científicas e até mesmo nas nossas casas, tanta popularização dessa tecnologia impulsionou a inserção dos computadores nas escolas.

Oliveira, ao analisar o processo de inserção da informática nas escolas brasileiras, chamou a atenção para o fato de que sua origem deveu-se mais à necessidade de favorecer a expansão da indústria brasileira e o aquecimento da economia do que ao anseio pela melhoria do processo educativo e pedagógico.

a chegada dos computadores na educação nacional não se deve a iniciativas internas à área educacional, mas sim a um quadro de grande expansão da indústria brasileira de microcomputadores a partir da década de 80, tendo como um de seus principais entraves de crescimento a ausência de mão-de-obra capacitada a atender a emergência desse novo setor industrial, aliada a uma preocupação governamental de envolver a escola pública no movimento de informatização que, em outros países, já havia há muito sido integrado pela ação educativa. (OLIVEIRA, 2006, p. 16).

Oliveira acredita que para o governo, a inserção dos computadores nas escolas públicas favoreceria a capacitação de uma mão-de-obra que viesse a dominar os conhecimentos na área da informática, suprindo a carência do mercado e incentivando o desenvolvimento econômico brasileiro.

Com o processo já em curso, em 1981, o Governo Federal, através do Ministério da Educação e Cultura - MEC passou a reunir profissionais na área da pedagogia, da informática, da psicologia, da sociologia e pesquisadores das universidades brasileiras por meio de encontros e seminários na busca de formular as diretrizes para a melhor utilização dos computadores nas escolas públicas do país.

Neste contexto, muitos debates surgiram acerca da utilização dos computadores nas escolas, o primeiro e o segundo Seminário Nacional de Informática na Educação, promovidos em 1981 e 1982 pela Secretaria Especial de Informática - SEI/MEC e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq, os que mais se destacaram. Dentre as questões mais discutidas estavam: a falta de democratização do acesso a esses recursos; as possibilidades de desenvolver um trabalho interdisciplinar que envolvesse as diversas áreas de conhecimento; e a elaboração de um planejamento específico e articulado para a utilização da informática como recurso pedagógico, capaz de dinamizar o processo de ensino-aprendizagem, tendo em vista que, até então, a maioria dos educadores desconheciam as possibilidades de integrar seus conteúdos ao uso dessa nova tecnologia.

Outra grande preocupação por parte dos educadores em relação ao uso da informática na educação era a de articular o uso da informática aos valores culturais, políticos e educacionais da realidade brasileira, evitando a absorção de influências internacionais que poderiam ser incorporadas por meio da utilização de softwares importados, para isso, recomendou-se a criação de uma política de incentivos fiscais para empresas nacionais que investissem na criação de softwares e hardwares educacionais.

As discussões realizadas a respeito da utilização da informática na educação brasileira foram de grande importância para o desenvolvimento de uma nova era educacional, pois serviram para incentivar e respaldar as principais decisões políticas a cerca desse assunto.

Evidentemente não se pode absolutizar a afirmação de que todas as ações ocorridas posteriormente foram ali definidas. Porém pode-se sem sombra de dúvidas, afirmar que, filosoficamente há uma relação muito forte entre o sugerido, o definido e o implementado. (OLIVEIRA.1997, p.33).

Como veremos no próximo item desse capítulo muitas ações governamentais de incentivo à sistematização da informática educativa se deram ao longo da década de 80. Vários órgãos foram criados para cumprir os objetivos traçados durantes os seminários de informática na educação, desde então a informática educativa vem se desenvolvendo no Brasil e se disseminando nas escolas públicas e privadas de todas as regiões.

As discussões realizadas nos Seminários de Informática educativa serviram de base para a superação das principais problemáticas advindas por esse novo paradigma educacional, contudo alguns problemas ainda carecem de maiores investimentos para que sejam superados, como maior democratização na distribuição de computadores e softwares educativos para as escolas públicas e propostas de incentivo a capacitação dos professores de diversas áreas do conhecimento, pois ainda é comum encontrarmos escolas públicas que não dispõe de computadores, assim como também ainda há professores que mesmo tendo acesso a computadores nas escolas que trabalham desconhecem as possibilidades de articular seus planos de ensino com o uso da informática.

3 PRINCIPAIS AÇÕES GOVERNAMENTAIS PARA A IMPLEMENTAÇÃO DA INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Uma das primeiras iniciativas do governo federal para a implantação da informática educativa foi à criação da Secretaria Especial de Informática - SEI no ano de 1980, cuja principal finalidade era definir as diretrizes e planejar o uso da informática em consonância com os princípios e fundamentos da educação nacional. Esta por sua vez criou em Março de 1980, a Comissão Especial nº 1 Educação - CEE nº 1, com o intuito de formar recursos humanos para o setor da informática.

Visando implementar uma política mais efetiva de informática educativa, o MEC cria em 1981 a Secretaria de Informática - Seinf, que no ano seguinte começa a traçar diretrizes e propor metas para o estabelecimento dessa política, como afirma Raquel de Almeida Moraes:

A Secretaria Geral do MEC apresenta as Diretrizes e Bases para o Estabelecimento da Política de Informática no Setor Educação, Cultura e Desporto, o qual sintetiza o pensamento formado até então sobre o assunto. O documento tem como marco de referência a Política de Informática (na época ainda não aprovada pelo congresso) que visa “a capacitação tecnológica do país no setor, para o melhor atendimento dos programas prioritários de desenvolvimento econômico e social e o fortalecimento do poder nacional” (MEC/SG/CCG apud MORAES, 2000, p. 61).

 

Também estava sob a responsabilidade do MEC, através da SEI e da Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP, a criação da Comissão Especial nº 11/83 – Informática na Educação CE-IE nº 11/83, por meio da portaria nº 1/83 oficializada em janeiro de 1983, que tinha por objetivo:

  • Propor a orientação básica da política de utilização das tecnologias no processo de ensino aprendizagem.
  • Apoiar e acompanhar a implantação de centros-pilotos voltados para a aplicação da tecnologia da informática da educação.
  • Recomendar a adoção de características técnicas e programas de computador padronizados visando fins educacionais.
  •   Coordenar os recursos do governo e aplicação destes no campo da informática na educação. (MARTINS,1999,Cap.2). Disponível em: http://ced.ufsc.br/pedagogia/textos/marcial/cap-2htm acessado em: 04/04/2018.

 

A política de coordenação da informática educativa já estava sendo criada, faltando, contudo, uma prática mais efetiva nas escolas de tudo que já havia sido regulamentado, foi então que em julho de 1983 o Comitê Executivo da CE-IE nº 11/83 aprovou o Projeto Brasileiro de Informática na Educação - EDUCOM, que tinha como objetivo principal “estimular o desenvolvimento da pesquisa multidisciplinar voltada para a aplicação das tecnologias de informática no processo de ensino aprendizagem” (OLIVEIRA, 1997, p.34).

Foi a partir deste projeto que a SEI lançou um comunicado de incentivo às universidades brasileiras para enviarem projetos sobre a utilização do computador como instrumento facilitador do processo de ensino-aprendizagem, principalmente para o 2º grau. A efetivação desse projeto consistia na implantação de centros pilotos[2] que serviriam como laboratórios para a busca de metodologias e para a capacitação de recursos humanos (professores e técnicos) na área da informática.

As universidades, que há muito já se interessavam por essa temática, contribuíram e enviaram vinte e seis projetos que foram avaliados pelo Comitê Assessor da CE-IE nº 11/83, este por sua vez, aprovou cinco projetos: da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS; da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE; da Universidade Federal do Rio de Janeiro -UFRJ; da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG e o da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP. 

Cada projeto selecionado tinha suas peculiaridades, porém precisavam seguir algumas recomendações pré-estabelecidas nos seminários de informática realizados nos anos de 1981 e 1982, tais como: garantir a preservação de valores socioculturais brasileiros e o incentivo da interdisciplinaridade, para que a informática, a pedagogia, a psicologia e a sociologia fossem desenvolvidas harmonicamente visando à melhoria do processo de ensino- aprendizagem. 

O Centro de Informática Educativa - CENIFOR[3] foi o órgão delegado para a organização e coordenação técnica do projeto EDUCOM, que só foi colocado em prática a partir de 1985, devido o atraso na liberação dos recursos.

Resumidamente, os centros pilotos implantados nas universidades que aderiram ao projeto EDUCOM trabalharam com a criação de softwares e hardwares educativos; desenvolvendo projetos de extensão com alunos de escolas públicas, baseados nas concepções desenvolvidas por Jean Piaget e na utilização da linguagem LOGO[4]; forneceram capacitação de recursos humanos por meio de cursos de pós-graduação em Tecnologia Educacional, de disciplinas ligadas aos cursos de graduação; ofertaram cursos de informática para professores das escolas públicas estaduais e municipais.

O ano de 1985 também foi marcado pela criação do I Plano Nacional de Informática e Automação - I PLANIN. De um modo geral seus objetivos consistiam na capacitação de recursos humanos em vários níveis na área da informática, sendo que neste mesmo ano o MEC elaborou o Plano Setorial de Educação e Informática.

O plano do MEC visava investir recursos na formação de pessoal [...]. Propunha cursos de reciclagem de profissionais tanto de nível médio como superior, dentro e fora do país. Por fim, destacava o objetivo de reequipar os laboratórios das escolas de nível superior e médio além de informatizar as bibliotecas. (MORAES, 2000, p. 105).

Outro programa que pode ser citado como importante referência é o Programa de Ação Imediata em Informática na Educação de 1º e 2º graus - PAIE. Criado em 1986 pelo MEC e pela Seinf, foi substituído em 1989 pelo Programa Nacional de Informática na Educação - PRONINFE. Este programa implantou junto às Secretarias Estaduais de Educação os Centros de Informática Aplicada à Educação de 1º e 2º graus - CIED, os Centros de Informática na Educação Tecnológica - CIET e os Centros de Informática na Educação Superior - CIES. A partir dessa iniciativa, cada Secretaria Estadual em consonância com esses três centros, possuía autonomia para definir pedagogicamente sua proposta de atuação na área da informática.

O PRONINFE junto com alguns governos estaduais e municipais foi responsável pela criação de vários centros e subcentros de informática na educação, que seguiram um padrão de funcionamento similar aos dos centros-pilotos do Projeto EDUCOM. Também foi responsável pela criação de vários laboratórios de informática em diversas escolas do país, que deveriam ser utilizados como recurso pedagógico facilitador do processo de ensino-aprendizagem.

Antes de ser substituído pelo PRONINFE o PAIE colocou em prática o Projeto Formar, seu objetivo foi capacitar profissionais da educação das redes estaduais e municipais de ensino. Por meio deste projeto, foi realizado em 1987 na UNICAMP o 1º Curso de Informática na Educação, envolvendo 52 professores e técnicos de 24 Estados brasileiros. Esses profissionais receberam capacitação para trabalhar com a informática educativa e foram delegados a capacitar outros professores em seus respectivos estados.  

Podemos dizer que o Projeto EDUCOM e o PRONINFE foram ações que realmente efetivaram a proposta de inserção de computadores nas escolas públicas brasileiras. O Projeto EDUCOM foi o primeiro a investir na criação de laboratórios de informática educativa, porém sua atuação limitou-se ao ensino superior beneficiando apenas cinco universidades, já o PRONINFE contempla a educação básica e a superior, e foi por intermédio deste que muitas escolas públicas de diferentes estados brasileiros foram equipadas com essas novas tecnologias.

   Tanto o projeto EDUCOM quanto o PRONINFE impulsionaram um avanço considerável na educação brasileira, pois serviram como meio de democratização das decisões a respeito das políticas de informática educativa do país, tendo em vista que houve participação de docentes-pesquisadores na tomada de decisões acerca desse tema; resultaram na implantação de vários centros de informática na educação, sendo que a maioria era interligada a Internet; favoreceram a criação de laboratórios nas escolas públicas financiados pelos governos estaduais e municipais e a qualificação de profissionais da educação por meio de cursos de mestrado e doutorado dentro e fora do país. Essas iniciativas foram de grande importância para o país apesar de que ainda beneficiaram apenas uma minoria da sociedade.

Somente em 1997 houve uma maior democratização na distribuição de computadores para as escolas públicas nacionais. Esse avanço deu-se pela criação do Programa Nacional de Informática na Educação - PROINFO. De acordo com Oliveira:

[...] o PROINFO se notabilizou particularmente por um plano de metas significantemente arrojado. Previa-se, por exemplo, que em apenas dois anos 6.000 escolas e 200 Núcleos de Tecnologia Educativa - NTES – seriam beneficiados com distribuição dos 100 mil computadores, envolvendo nas ações cerca de 7 milhões de alunos. Em 2004, relatório do MEC revelou que, após seis anos de implementação do Programa, cerca de 4.600 escolas haviam recebido computadores, totalizando 53.894 máquinas instaladas. (2006, p. 22, 23).

O PROINFO foi criado pelo MEC por meio da portaria nº 522, de 9 de abril de 1997 e é desenvolvido atualmente pela Secretaria de Educação a Distância - SEED junto com as Secretarias de Educação Estaduais e Municipais. Esse programa tem por objetivo introduzir e fomentar o uso das Tecnologias de Informação e Comunicações - TIC’S como instrumento pedagógico de apoio ao processo de ensino aprendizagem.

Em ações conjuntas com estados e municípios o MEC se propunha, através do PROINFO, a “melhorar a qualidade do processo de ensino-aprendizagem”, criando o que chamava de “nova ecologia cognitiva nos ambientes escolares mediante incorporação adequada das novas tecnologias da informação pelas escolas, ...propiciando uma educação voltada para o desenvolvimento científico e tecnológico” educando para uma cidadania global em uma sociedade tecnologicamente desenvolvida. (PROINFO apud OLIVEIRA, 2006, p. 19)

A proposta de atuação do PROINFO consiste na criação de Núcleos de Tecnologia Educativa - NTE’S e de Laboratórios de Informática Educativa - LIE’S. Os NTE’S são utilizados na capacitação de professores e também como instrumentos de colaboração aos LIE’S, estes por sua vez são utilizados como instrumento pedagógico nas escolas.

As atividades desenvolvidas pelos NTE’S e LIE’S são orientadas por uma coordenação do PROINFO existente em cada Estado brasileiro, que possuem autonomia para desenvolver suas estratégias de ação considerando aspectos educacionais e culturais que lhes são peculiares.

Essas atividades desenvolvidas pelo PROINFO dão continuidade às pesquisas desenvolvidas pelo projeto EDUCOM, tendo em vista que, sua proposta pedagógica é fundamentada na psicologia construtivista, dentro dessa perspectiva, o programa tem um perfil descentralizador, para que cada Coordenação Estadual possa desenvolver, de forma contextualizada, seus projetos, favorecendo e valorizando a participação docente e discente nos processos de atuação do mesmo.

3.1 BASES LEGAIS DA INFORMÁTICA EDUCATIVA NO BRASIL

As bases normativas da educação brasileira estão previstas na Constituição Federal de 1988, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB e no Plano Nacional de Educação - PNE.

A Constituição Federal de 1988 corresponde a Lei maior da nação, nela está presente a maioria dos direitos e deveres dos cidadãos brasileiros; a LDB Lei nº 9.394/96 é uma Lei específica da educação, onde são explicitadas as formas de organização da educação nacional, seus objetivos e os direitos e deveres de todos os que fazem parte do processo educacional; já o PNE- Lei nº 10.172, promulgada em 9 de janeiro de 2001 é uma Lei de complementação a LDB, na qual foram estabelecidas metas a serem cumpridas no prazo de 10 anos, a contar da data de sua publicação, das quais pode-se destacar: a elevação da escolaridade da população, a melhoria da qualidade de ensino e a redução das desigualdades sociais.

Ao analisar a Constituição Federal de 1988 e a LDB nº 9.394/96, pode-se perceber que não há artigos que tratam especificamente da informática educativa, porém há diversos artigos que abordam o fomento do desenvolvimento científico e tecnológico do país.

 Para compreender melhor esses artigos é necessário buscar o significado do termo tecnologia no seu sentido amplo, pois ele engloba diversas concepções, para Vani Moreira Kenski (2007) tecnologia é tudo aquilo que por meio do raciocínio é produzido pelo homem para facilitar a vida social. Para a autora esse processo de criação garante o desencadeamento de inúmeras inovações que favorecem o surgimento de diferentes produtos, recursos, ferramentas e processos, ou seja, de novas tecnologias que contribuem para o desenvolvimento social, econômico e cultural de uma sociedade.

Dentro dessa perspectiva podemos dizer que o incentivo a informática está implícito nos artigos que tratam sobre tecnologia, tendo em vista que a informática pode e é considerada uma das mais modernas tecnologias do momento.

3.2 Constituição Federal

A Constituição Federal de 1988 traz em seu Capítulo IV – Da Ciência e Tecnologia, dois artigos que contemplam de forma implícita o incentivo a informática educativa, são eles:

Art. 218. O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas.

§ 1º A pesquisa científica básica receberá tratamento prioritário do Estado, tendo em vista o bem público e o progresso das ciências.

§ 2º A pesquisa tecnológica voltar-se-á preponderantemente para a solução dos problemas brasileiros e para o desenvolvimento do sistema produtivo nacional e regional.  

§ 3º O Estado apoiará a formação de recursos humanos nas áreas da ciência, pesquisa e tecnologia, e concederá ao que delas se ocupem meios e condições especiais de trabalho.

§ 4º A lei apoiará e estimulará as empresas que investirem em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade do seu trabalho.

§ 5º É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular parcela de sua receita orçamentária a entidades públicas de fomento ao ensino e à pesquisa científica e tecnológica.

Art. 219. O mercado interno integra o patrimônio nacional e será incentivado de modo a viabilizar o desenvolvimento cultural e socioeconômico, o bem-estar da população e a autonomia tecnológica do País, nos termos de lei federal. (BRASIL, 1988,p.133)

 

Relacionando esses dois artigos para a área da tecnologia de informática educativa é possível perceber que suas propostas estão de certa forma sendo contempladas, pois desde 1980 que o governo passou a investir neste novo paradigma educacional, a efetivação destas propostas se deu por meio de políticas públicas que investiram na pesquisa, na formação de recursos humanos, no desenvolvimento socioeconômico e cultural do país e principalmente na autonomia da indústria de produção das TIC’s.

 A abertura para inserção de indústrias de produtos tecnológicos estrangeiros foi bastante priorizada no país durante o governo ditatorial, com o passar do tempo uma nova postura foi sendo assumida, pois a preocupação passou a ser a influência cultural que os produtos importados poderiam causar na população brasileira, daí surgiu à necessidade de incentivar a autonomia da produção de recursos tecnológicos nacionais que garantissem a disseminação da cultura local.

3.3 LDB nº 9.394/96

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional traz nos Capítulos VI, VII e VIII alguns artigos sobre tecnologia, esses por sua vez aparecem principalmente como finalidade da educação básica e superior, são eles:

Art. 32 – O ensino fundamental com duração mínima de oito anos, obrigatório e gratuito na escola pública, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante:

II. a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamentam a sociedade;

Art. 35 – O ensino médio etapa final da educação básica, com duração mínima de três anos, terá como finalidades:

IV. a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina.

Art. 36 - O currículo do ensino médio observará o disposto na Seção I deste Capítulo e as seguintes diretrizes:

 I. destacará a educação tecnológica básica, a compreensão do significado da ciência, das letras, e das artes; o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura; a língua portuguesa como instrumento de comunicação, acesso ao conhecimento e exercício da cidadania;

§ 1º - Os conteúdos, as metodologias e as formas de avaliação serão organizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre:

I. domínio dos princípios tecnológicos que presidem a produção moderna; 

Art. 39 – A educação profissional, integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência e a tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva.

Art. 43 – A educação superior tem por finalidade:

III. incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive;

VII. promover a extensão, aberta a participação da população, visando a difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição. (SOUZA. 1999, p. 53, 57, 58, 67, 71)

 

Os dispositivos legais garantidos pela LDB 9.394/96 complementam a Constituição Federal de 1988, preconizando objetivos diferenciados para o uso da informática, de acordo com os níveis e modalidades da educação básica e superior.

Nos artigos destinados a educação básica, há uma ênfase maior a compreensão dos princípios tecnológicos como um fator favorável aos processos produtivos que compõem a sociedade, ou seja, essa compreensão visa principalmente à preparação do educando para o mundo do trabalho.

 No artigo destinado a educação superior há uma ênfase maior ao incentivo de pesquisas voltadas para a descoberta e aprimoramento dos recursos tecnológicos, bem como, a divulgação dos benefícios obtidos por meio destes, a partir de projetos de extensão que devem ser desenvolvidos pelas instituições de ensino superior para que a sociedade participe e tome conhecimento das transformações sociais, econômicas e culturais que ocorrem no país e no mundo. 

3.4 Plano Nacional de Educação Lei nº 10.172/2001

No Plano Nacional de Educação a informática educativa aparece de forma explícita como metas a serem cumpridas tanto na Parte I que compreende os Níveis de Ensino, quanto na Parte II que compreende as Modalidades de Ensino.

Essas metas estão relatadas nos capítulos 2 e 6 do referido Plano:

Capítulo 2 – Ensino Fundamental.

4 – Elaborar, no prazo de um ano padrões mínimos nacionais de infraestrutura para o ensino fundamental, compatíveis com o tamanho dos estabelecimentos e com as realidades regionais, incluindo:

h) informática e equipamento multimídia para o ensino;

7 – Estabelecer, em todos os sistemas de ensino e com apoio da União e da Comunidade escolar, programas para equipar todas as escolas, gradualmente, com os equipamentos discriminados nos itens de “e” a “h”.

1.3.3.2 Capítulo 3 – Ensino Médio.

6 – Elaborar, no prazo de um ano, padrões mínimos nacionais de infraestrutura para o ensino médio, compatíveis com as realidades regionais, incluindo:

g) informática e equipamento multimídia para o ensino;

7 – Não autorizar o funcionamento de novas escolas fora dos padrões de “a” a “g”

10 – Assegurar que, em cinco anos, pelo menos 50% e, em 10 anos, a totalidade das escolas disponham de equipamento de informática para a modernização da administração e para a melhoria do ensino e da aprendizagem.

Capítulo 6 – Educação a Distância e Tecnologias Educacionais

17 – Instalar, em 10 anos, 2.000 núcleos de tecnologia educacional, os quais deverão atuar como centros de orientação para as escolas e para os órgãos administrativos dos sistemas de ensino no acesso aos programas informatizados e aos vídeos educativos.

18 – Instalar, em cinco anos, 500 mil computadores em 30 mil escolas públicas de ensino fundamental e médio, promovendo condições de acesso à internet.

19 – Capacitar, em dez anos, 12 mil professores multiplicadores em informática da educação.

20 – Capacitar, em cinco anos, 150 mil professores e 34 mil técnicos em informática educativa e ampliar em 20% ao ano a oferta dessa capacitação.

21 – Equipar, em dez anos todas as escolas de nível médio e todas as escolas de ensino fundamental com mais de 100 alunos, com computadores e conexões internet que possibilitem a instalação de uma Rede Nacional de Informática na educação e desenvolver programas educativos apropriados, especialmente a produção de softwares educativos de qualidade. (BRANDÃO, 2006, p. 46, 51, 53, 69, 74, 76, 124, 133, 134)

 

As metas estabelecidas pelo PNE, a respeito da informática educativa, são muito pertinentes ao contexto educacional brasileiro, suas propostas são bastante arrojadas, porém sete anos se passaram desde sua publicação e muita coisa ainda está por ser feita, algumas medidas já foram tomadas por meio do PRONINFE e do PROINFO, mas a abrangência desses programas ainda não alcançou o que estabelece o PNE.

Esperamos que nos próximos três anos essas metas sejam realmente alcançadas para que haja maior democratização no acesso às TIC’s, e que essas novas tecnologias não venham a ser apenas números divulgados pelos governos, mas que sejam realmente recursos pedagógicos que contribuam e facilitem o processo de ensino-aprendizagem.

No Brasil, a escola é a única instância de educação sistemática reconhecida, que é gratuitamente oferecida à população como direito garantido pela Constituição Federal como mostram os artigos 205 e 206.

Art. 205 A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

[...] (BRASIL, 1998, p. 128)

 

Assim, somente a escola pode garantir que

[...] no Brasil, há leis que “pegam” e leis que “não pegam”. Tão grave quanto isso é a interessada ocultação cotidiana das razões pelas quais algumas funcionam e outras não. Seria fácil afirmar genericamente que as que vigoram são as que interessam fundamentalmente às elites econômico-políticas dominantes desse País, aos “de cima” e as que não vigoram são as que interessam principalmente aos dominados, trabalhadores, desempregados etc., “aos de baixo” (SGUISSARDI, 2006, p. 13)[5]

 

Essa relação de dominação e exclusão das classes menos favorecidas precisa ser superada, é dever do poder público investir em educação de qualidade para todos, garantindo os objetivos e metas estabelecidos pela Constituição Federal, LDB e PNE. 

4 O COMPUTADOR COMO INSTRUMENTO PEDAGÓGICO E A  IMPORTÂNCIA DA INSERÇÃO DOS COMPUTADORES NAS ESCOLAS

Nos dias atuais a utilização da informática cresceu muito e tornou-se essencial para o progresso e o bom desenvolvimento da vida em sociedade. A constante expansão dessa nova tecnologia atingiu as escolas impulsionando um novo paradigma educacional voltado para a informática educativa. Para Cox a informática educativa quer dizer:

Área científica que tem como objeto de estudo o uso de equipamentos e procedimentos da área do processamento de dados no desenvolvimento das capacidades do ser humano visando sua melhor integração individual e social (2003, p. 31)

Considerando o conceito de informática educativa defendido pela autora podemos dizer que a escola precisa assumir dois papéis fundamentais o de utilizar o computador como recurso de inclusão social e o de utilizá-lo como recurso pedagógico.

Para utilizar o computador como recurso de inclusão social, a escola deve trabalhar com os alunos o domínio dos conhecimentos técnicos de manuseio do mesmo. Essa competência pode ser desenvolvida por meio de disciplinas e/ou projetos que abordem sobre processamentos de dados, sistemas operacionais e utilização de softwares.

Esse trabalho se faz necessário nas escolas, pois a sociedade está passando por um processo constante de informatização e, aqueles que têm o domínio desses conhecimentos possuem inúmeras vantagens como maiores facilidades de comunicação; mais acesso a pesquisas e a informações de acontecimentos mundiais; possibilidades de efetuar pagamentos, realizar transferências e outras movimentações bancárias por meio da internet ou pela utilização de caixas eletrônicos, ou seja, muito mais possibilidades de interação com o meio social informatizado.

Além do mais, o mercado de trabalho precisa cada vez mais de pessoas que tenham capacitação tecnológica, assim sendo, aqueles que não possuem, estão dentro de uma área de atuação profissional limitada, sendo considerados analfabetos digitais[6].

O acesso aos conhecimentos da informática precisa ser mais democratizado e, somente através da escola que estes podem ser ofertados às classes menos favorecidas e a todos os que buscam por meio da educação pública uma formação pessoal e profissional.

Caso não sejam desenvolvidas experiências que possibilitem, num futuro próximo, a disseminação realista de microcomputadores nas escolas públicas, este fato será mais um elemento de desigualdade social, com o acesso ao conhecimento da informática restrito a determinadas classes”. (CYSNEIROS apud OLIVEIRA, 1997 p. 15)

O desenvolvimento dessa prática educativa na escola precisa ser bem trabalhado, discutido e planejado para que a utilização de um recurso tão rico como o computador não se resuma “apenas aos fins da própria informática e, talvez, não fazendo jus ao adjetivo “educativa”” (COX, 2003, p. 31)

Já a utilização do computador como recurso pedagógico favorece o desenvolvimento de uma prática docente mais dinâmica, na qual, o professor pode explorar as diversas formas de utilização do computador para facilitar o processo de ensino-aprendizagem.

As novas tecnologias de comunicação (TICs) [...] movimentam a educação e provocam novas mediações entre a abordagem do professor, a compreensão do aluno e o conteúdo veiculado. A imagem, o som e o movimento oferecem informações mais realistas em relação ao que está sendo ensinado. Quando bem utilizados provocam melhor a alteração dos comportamentos de professores e alunos, levando-os ao melhor conhecimento e maior aprofundamento do conteúdo estudado. (KENSKY, 2007, p. 45)

Concordando com a autora percebemos que essa mudança educacional advinda pela inserção dos computadores e pela utilização da informática educativa pode contribuir de forma significativa para o processo pedagógico desenvolvido pela escola, porém, tal objetivo só pode ser alcançado se os professores assumirem uma nova postura didática, por meio de práticas que valorizam a participação discente e uma maior interação entre professor, aluno e conteúdo trabalhado.

 É importante ressaltar que na maioria dos casos a informática só pode ser trabalhada pelo professor como recurso pedagógico se os alunos tiverem um conhecimento prévio sobre o funcionamento da mesma, tendo em vista que eles precisam interagir com o computador para alcançar o que foi proposto pela aula.

 Assim sendo, as duas formas de utilização do computador discutidas neste capítulo são indissociáveis, pois a informática dentro de um enfoque educativo não pode ser reduzida apenas ao repasse de conhecimentos sobre o uso do computador, ela também deve ser explorada como recurso pedagógico facilitador do processo de ensino-aprendizagem. Contudo, para que isso aconteça os discentes precisarão dominar as formas de utilização do computador, só assim poderão participar de forma efetiva das atividades pedagógicas, caso contrário, esse recurso ao invés de facilitar pode dificultar ainda mais a aprendizagem, deixando o aluno alheio ao processo de interação e assimilação proposto pela aula.

Em síntese, a inserção dos computadores nas escolas, além de democratizar o acesso aos conhecimentos da informática pode contribuir com a melhoria do processo de ensino-aprendizagem, desde que, utilizados de forma correta e consciente por parte dos educadores.

5 POSSIBILIDADES DE EXPLORAÇÃO DA INFORMÁTICA EDUCATIVA NA PRÁTICA DOCENTE.

A informática educativa é um assunto bastante discutido nos dias atuais, há em torno dessa temática inúmeras pesquisas que investigam quais as melhores formas de utilização do computador como recurso pedagógico e, quais as vantagens que se pode obter através do mesmo.

Os computadores estão propiciando uma verdadeira revolução no processo de ensino-aprendizagem. Uma razão mais óbvia advém dos diferentes tipos de abordagem de ensino que podem ser realizadas através do computador, devido aos inúmeros programas desenvolvidos para auxiliar o processo de ensino-aprendizagem (COX, 2003, p. 20).

O professor tem por meio da informática educativa um leque de opções que podem contribuir de forma considerável na sua prática pedagógica. Porém não basta apenas utilizar o computador, é necessário ter domínio dos métodos e dos procedimentos que podem ser trabalhados. Dentro desta perspectiva, é necessário que os professores assumam uma postura crítica para avaliar aqueles que realmente podem beneficiar o processo educacional, pois “se houvesse algum método e/ou processo de ensino aprendizagem unanimemente aceito pelos agentes escolares e eficientemente comprovado quão fácil seria programar os computadores para educar” (COX, 2003, p. 20).

O papel do professor é fundamental durante a exploração do computador como recurso pedagógico, pois é ele quem vai direcionar o trabalho e escolher uma metodologia de ensino que possa ajudá-lo a alcançar os objetivos de sua disciplina.

 

 Mais importante do que as tecnologias, que os procedimentos pedagógicos mais modernos, no meio de todos esses movimentos e equipamentos, o que vai fazer a diferença qualitativa é a capacidade de adequação do processo educacional aos objetivos que levaram [...] ao encontro desse desafio de aprender (KENSKY, 2006, p. 46).

Assim, cabe então aos educadores conhecer, testar e avaliar programas e softwares que estimulem a aprendizagem, que ofereçam vantagens e que justifiquem a utilização do computador como recurso pedagógico, tais possibilidades de uso do computador precisam realmente fazer jus ao conceito de informática educativa discutida anteriormente.

Dentre as diversas formas de utilização da informática educativa nas escolas destacaremos as que são mais conhecidas e as que foram mais enfatizadas pelos autores pesquisados, por isso vamos discorrer sobre como utilizar os softwares e a Internet na prática pedagógica docente.

5.1 A Informática Educativa por meio da Utilização de Softwares.

Com o constante avanço da tecnologia, a indústria da informática lança no mercado um número muito expressivo de softwares, estes por sua vez apresentam características e possibilidades de uso distintas, alguns podem até não apresentar um enfoque educativo, entretanto se forem bem direcionados pelos professores podem trazer vantagens significativas para o processo de ensino-aprendizagem.

Vejamos alguns softwares que podem contribuir com o processo educacional:

  • Softwares comerciais: também conhecidos como pacotes integrados são programas que oferecem diversos tipos de softwares dentro de um único pacote, geralmente são compostos por editores de texto, planilhas eletrônicas, bancos de dados e programas de apresentação.

A utilização desses softwares no processo educacional pode ser bastante vantajosa e acessível aos professores, pois os pacotes integrados vêm geralmente inclusos na compra do computador e também são bastante comercializados pela indústria da informática.

Os softwares comerciais a princípio não possuem um enfoque educativo, mas “podem ser extremamente úteis ao processo de educação escolar; para tanto cabe ao professor contextualizá-los no processo de construção do conhecimento” (COX 2003, p. 45)

Na escola, os softwares comerciais podem ser explorados pelos professores da seguinte forma:

  • Editores de texto: podem ser grandes aliados dos professores, principalmente os de Língua Portuguesa, na busca do interesse discente pela produção de textos. Esse software pode estimular a produção da escrita, pois dispõe de recursos que facilitam a organização, a modificação e a correção de textos.

Segundo ele ([refe-se a Martí]), os alunos que escrevem com o computador parecem estar mais motivados que aqueles que fazem suas redações com papel e lápis. O fato de poder abandonar os borrões, lápis, borracha e mesmo assim obter impressos de alta qualidade formal parece ter repercussões positivas sobre a atividade dos alunos diante a escrita. (OLIVEIRA, 2006 p. 36,37).

O fato do aluno não precisar se preocupar com a questão estética do trabalho possibilita o desenvolvimento de um texto mais criativo, tendo em vista que, sua atenção poderá centrar-se no assunto em questão.

O editor de texto oferece a seus usuários a correção ortográfica, este recurso oportuniza ao aluno o desenvolvimento de um texto estética e ortograficamente correto, fator este que não garante a qualidade de suas produções, por isso, a utilização desse software exige muita atenção dos professores para com alguns aspectos gramaticais que compõem um texto como: articulação, coesão, coerência, estilo, domínio de gênero etc.

  • Planilhas eletrônicas: é um software utilizado para realizar cálculos matemáticos e suas representações por meio de gráficos. É um programa que dispõe de uma enorme facilidade para processar informações, favorecendo maior rapidez e precisão na resolução de problemas.

O ensino da Matemática pode se tornar muito mais dinâmico a partir da utilização desse software, pois o aluno não se deterá a cálculos repetitivos, sua atenção poderá voltar-se para a busca de como resolver um determinado problema e quais os dados que vai precisar para resolvê-lo. Assim o professor pode trabalhar criando tabelas e gráficos e, propondo situações em que o aluno interprete uma situação mais real e utilize o raciocínio lógico para solucionar o problema.

Para Santos e Ferreira utilização da planilha eletrônica:

- propicia a aprendizagem ativa e não como um fim em si mesmo;

- permite desenvolver capacidades mentais e adquirir competências ligadas a aspectos numéricos (relacionar variáveis, descobrir regularidades etc.);

- permite ao aluno libertar-se de cálculos fastidiosos e centrar-se no processo de resolução dos problemas;

- permite diversificar estratégias de resolução de problemas. (SANTOS e FERREIRA apud OLIVEIRA, 1997, p.127,128)

 

A planilha eletrônica também pode ser trabalhada dentro de uma perspectiva interdisciplinar, pois contribui para a abordagem de assuntos que contemplam diversas disciplinas. Ao interpretar uma tabela ou um gráfico o aluno exercitará sua escrita, seus conhecimentos ortográficos e gramaticais, ou seja, a Língua Portuguesa. O estudo da Geografia e da História também é possível, na medida em que o professor utilizar dados do desenvolvimento econômico ou do senso populacional de uma cidade por exemplo, tal iniciativa favorece a busca pela pesquisa de conhecimentos regionais e contextualizados, na qual podem surgir discussões críticas favoráveis ao estudo dessas disciplinas.

  • Programas de apresentação

Os programas de apresentação são geralmente utilizados em aulas expositivas com o auxílio do Datashow, sua utilização pode ser muito útil a prática docente, pois dispõe de várias ferramentas que ajudam a prender a atenção dos alunos. Essas ferramentas possibilitam a criação de trabalhos com a utilização simultânea de textos, imagens (figuras, fotos, tabelas, gráficos, etc.), vídeos, sons, animações e movimentos, oferecendo ao usuário a possibilidade de criar trabalhos variados e bastante criativos.

Dentre as principais vantagens oferecidas pelos programas de apresentação podemos destacar a possibilidade de:

  • Organizar ideias e conceitos
  • Melhorar a gestão do tempo de apresentação
  • Simplificar o que às vezes não é simples
  • Os ouvintes podem usufruir de uma apresentação do conteúdo bem organizado. (ALMEIDA. [s.d.]) Disponível em:

Assim sendo, uma aula que poderia ser demorada e complexa, na qual o professor levaria horas para expor e explicar o conteúdo pode ser muito mais rápida e proveitosa com a utilização dos softwares de apresentação, tendo em vista que o professor poderá trabalhar suas matérias de forma mais minuciosa e já chegará à sala de aula com o trabalho pronto para a exposição.

  • Banco de dados: é um programa que permite ao usuário armazenar diversos tipos de arquivos e informações na memória do computador, a capacidade de armazenamento pode variar de acordo com a memória da máquina.

O banco de dados é um dos principais programas de qualquer computador, pois permite que um arquivo possa ser visualizado, pesquisado e revisado a qualquer momento, permite também dar sequência a um trabalho ainda não concluído além de facilitar a organização dos arquivos que podem ser classificados de acordo com seus conteúdos e acessados sempre que necessário.

A utilização do banco de dados é essencial para a educação, tendo em vista que o programa dispõe de uma facilidade de armazenar arquivos por tempo indeterminado, oferecendo a oportunidade de se realizar inúmeras consultas, análises e outros estudos em cima dos que foram salvos.

Uma proposta de estruturação de um banco de dados a ser realizada pelos alunos servirá como um mecanismo bastante eficiente para se discutir com eles o que é planejar um trabalho intelectual: o porquê de se escolherem tais ou quais objetivos, como pesquisar dados e informações [...] (ALBUQUERQUE apud OLIVEIRA,1997, p. 47.)

Considerando o que defende o autor, mais do que uma simples consulta é possível através da utilização do banco de dados direcionar os alunos a realizarem uma analise crítica a partir de trabalhos pesquisados e também utilizá-los como respaldo para elaboração de futuros trabalhos que podem vir a ser feitos pelos mesmos.

  • Softwares educativos: Nos dias atuais existe um número muito extenso de softwares educacionais, alguns abrangem diversos assuntos e disciplinas e outros são mais específicos a uma determinada área de conhecimento.

A escolha desses programas pode variar de acordo com para peculiaridades docentes e discentes, com as disciplinas que serão trabalhadas e principalmente com a realidade econômica de casa escola, tendo em vista que alguns softwares além de serem onerosos só podem ser instalados em computadores modernos e bem equipados de memória e velocidade.

Os softwares educacionais mais conhecidos são: de instrução programada, de simulação, jogos, e a Linguagem LOGO.

a) Instrução programada

Este tipo de programa traz uma proposta de ensino baseada no exercício e na prática de atividades repetitivas. Geralmente o professor se utiliza deste para dar continuidade a um assunto que já foi trabalhado em sala por meio de aula expositiva.

Segundo Chaves (1988) apud Oliveira (1997) as possibilidades de utilização desse programa são bastante amplas, contudo os conteúdos trabalhados geralmente são operações aritméticas, vocabulários de língua estrangeira, ortografia e símbolos de substâncias químicas.

Trabalhando com a instrução programada o professor oferece ao aluno um atendimento mais exclusivo e individualizado, pois o programa avança de acordo com o desenvolvimento do aluno, ou seja, em um exercício de múltipla escolha para cada acerto do aluno o programa aumenta o nível de complexidade dos questionamentos, assim aqueles que ainda não possuem o total domínio do conteúdo têm a possibilidade de exercitar suas dificuldades.

No final de cada atividade, o programa faz uma avaliação do desempenho do aluno, demonstrando seus erros, acertos e o tempo utilizado para concluir a atividade. Essa avaliação pode ser salva no banco de dados do computador para que o professor acompanhe o desenvolvimento do aluno.

Os programas de instrução programada podem ser muito úteis para a prática pedagógica docente, principalmente quando há na turma alunos que apresentam níveis diferenciados de aprendizagem, porém vale enfatizar que a insistência de um professor na utilização de um mesmo software que possui poucas atividades, pode levar o aluno a decorar as respostas corretas, ou seja, neste caso ele pode não dominar o conteúdo e responder corretamente apenas porque já memorizou o exercício em outra aula.

  • Simulação: A simulação é uma atividade na qual o conteúdo é trabalhado a partir da representação de uma situação real, partindo desta dinâmica o aluno pode interferir no ambiente proposto pela aula e observar as reações resultantes de suas ações.

Com essa estratégia de uso dos recursos computacionais um professor de química, por exemplo, pode simular um conjunto de substâncias a serem misturadas pelos alunos [...]. Com isso o aluno pode experimentar suas ideias, elaborar conclusões e, consequentemente aprender. (COX, 2003, p. 36)

Neste tipo de programa por se tratar de um contexto educacional fictício, o aluno pode apresentar mais motivação durante a aula, pois poderá testar as diversas possibilidades de interação, bem como suas reações sem se expor ao risco de cometer um erro grave ou até mesmo irreversível. A simulação contribui para que o aluno faça, desfaça e refaça sua atividade até obter o resultado esperado pelo professor.

Esse tipo de programa oferece ao professor e a turma bastante segurança, porém as possibilidades de interações juntamente com seus resultados podem ser muito limitadas, daí a importância de não substituir totalmente o laboratório de pesquisas e as práticas reais de experiências educacionais.

  • Jogos: Os jogos educativos apresentam uma versão lúdica de trabalhar o conteúdo programático de algumas disciplinas tais como a Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, Química, Estudos Sociais etc.

A utilização dos jogos no cotidiano escolar oferece maiores possibilidades de interação entre conteúdo e aluno, proporcionando ao mesmo, oportunidades de participar ativamente no processo de construção do seu conhecimento. Essa forma lúdica de estudar também gera muito mais motivação aos alunos que podem criar, imaginar e melhor compreender a realidade, além do mais o aprendizado passa a ser muito mais prazeroso e divertido. 

O comércio da informática dispõe de uma variedade muito grande de jogos computacionais dos quais podemos citar os educativos, os de simulação de guerras, de tabuleiro, de corridas, de futebol etc.

Há aqueles que se distanciam completamente dos propósitos almejados pela educação e são irremediavelmente censurados pela escola. Mas há também os que cultivam no ambiente educacional próspera e prazerosa aliança entre diversão e aprendizado. (COX, 2003, p. 38).

Como bem ressalta o autor, a utilização de jogos computacionais exige do educador um cuidado muito importante na hora de escolher e utilizar alguns jogos, pois há aqueles que podem estimular a violência, o preconceito, violação de algumas regras de conduta e a ideia de impunidade.

Contudo, ao analisarmos alguns jogos computacionais percebemos que existem aqueles que, mesmo não apresentando um conteúdo educacional específico são capazes de estimular a inteligência, pois na maioria das vezes expõem seus usuários a situações fictícias de ricos e desafios, onde os mesmos devem utilizar o raciocínio e a criatividade para avançar ou mesmo vencer o jogo. Para essa análise consideramos o conceito de inteligência defendido por Celso Antunes que a define como “a capacidade que o ser humano tem de resolver problemas” (ANTUNES, 2008)

Considerando também a teoria das inteligências múltiplas, defendidas principalmente por Gardner e Celso Antunes, podemos dizer que esses jogos de computador são capazes de estimular a inteligência linguística, a lógico-matemática, a espacial e a sinestésica, entretanto sua utilização requer um direcionamento pedagógico para obter resultados positivos no desenvolver das capacidades intelectuais do educando.

Dentro dessa perspectiva, a escola e seus educadores podem usufruir de vários jogos computacionais na tentativa de estimular a inteligência e o aprimoramento do processo de ensino-aprendizagem.

  • A Linguagem LOGO

A linguagem LOGO não é apenas um software educacional é também uma filosofia de ensino que trabalha a aprendizagem por meio da interação, investigação e descoberta. Essa filosofia foi desenvolvida por Seymour Papert, que por sua vez se inspirou nas teorias Piagetianas sobre a “Natureza da Aprendizagem” e em algumas teorias computacionais como a da “Inteligência Artificial”.

Papert desenvolveu a linguagem LOGO para trabalhar com crianças utilizando o computador por meio de softwares que apresentam uma linguagem semelhante a do pensamento infantil.

 A linguagem LOGO é assim chamada porque é capaz de estabelecer uma comunicação entre usuário e software, essa comunicação permite ao usuário direcionar as atividades que serão desenvolvidas pelo software por meio de comandos que podem ser exequíveis. Os resultados de cada comando podem ser visualizados de imediato na tela do computador, fazendo com que o sujeito perceba melhor seus direcionamentos.

O sistema LOGO, além de uma linguagem de programação, é uma ferramenta de autoria, permitindo que o sujeito: seja autor dos seus projetos, utilize a análise das tentativas e dos erros no processo de construção do entendimento de como as coisas funcionam num sistema, aprenda sobre o funcionamento da máquina e entenda melhor a função e a aplicação de outros softwares. Disponível em http://br.geocities.com/projetologo/logo/index.html

Segundo Papert, a busca pelo conhecimento precisa ser concebida pela própria criança, pois aquilo que ela aprende a partir de seus próprios interesses lhe é muito mais fácil de ser assimilado. (PAPERT apud OLIVEIRA, 1997)

Na atualidade a linguagem LOGO possui várias versões, algumas possibilitam o desenvolvimento de trabalhos com diversos conteúdos, porém há uma predominância maior no ensino da Matemática mais especificamente da geometria.

A linguagem LOGO é um excelente recurso que pode ser incorporado à prática docente, sua metodologia de ensino baseada no interacionismo pode favorecer o processo de ensino-aprendizagem, pois consegue provocar maior interesse aos educandos, que por sua vez podem agir e reagir ao programa de acordo com sua maturidade intelectual.

6 A INFORMÁTICA EDUCATIVA POR MEIO DA UTILIZAÇÃO DA INTERNET.

Antes de abordarmos a utilização da Internet na educação é preciso compreender melhor seu conceito:

A Internet é um conglomerado de redes em escala mundial de milhões de computadores interligados pelo Protocolo de Internet que permite o acesso a informações e diversos tipos de transferência de dados. A Internet é a principal das novas tecnologias de informação e comunicação (NTICs). (Wikipédia, [s.d.]) Disponível em: <http://www.novastecnologias.com.br/internetindex.htm> acessado em: 14/06/2008.

A Internet é uma tecnologia de comunicação muito nova, a princípio seu acesso era restrito aos seus criadores, o governo Americano. Somente na década de 90 é que empresas e grandes corporações passaram a comercializá-las para o mundo.

O acesso a Internet causou uma verdadeira revolução na educação, pois sua utilização ampliou as possibilidades da prática docente, favorecendo o processo educativo por meio da interação e da busca pelo conhecimento. Trabalhar com computadores interligados a Internet permite ao professor transcender as barreiras da sala de aula, ter acesso a um mundo de novos conhecimentos e culturas diversas.

A utilização da Internet no processo educativo é considerada mais do que uma proposta inovadora, pois favorece a execução de um trabalho que abrange uma nova dimensão cultural, embasada no intercâmbio, na interação, na socialização de conhecimentos, fatos e acontecimentos globais que muito podem contribuir para o amadurecimento intelectual dos discentes.     

A Internet disponibiliza diversos recursos que podem ser usados em benefício da educação, dentre eles podemos destacar:

  • A comunicação: A Internet dispõe de dois tipos básicos de comunicação: a síncrona[7] e a assíncrona[8]. A referência da comunicação síncrona são os chats – salas de bate-papo virtual – onde pode se estabelecer diálogos em tempo real dispondo de recursos como exibição de imagens, vídeos e até mesmo de voz.  Já na comunicação assíncrona temos como referência o correio eletrônico – e-mail -, na qual é possível enviar e receber mensagens de textos e diversos tipos de arquivos de dados e os sites de relacionamento, na qual pessoas ou grupos podem criar páginas pessoais de acordos com seus perfis, possibilitando que outras pessoas tenham acesso e interajam com as informações ali contidas.

Dispondo de todos esses recursos, os professores podem direcionar a abordagem de seus conteúdos por meio da criação de grupos de discussão, onde o objetivo principal dessa dinâmica de ensino seja a socialização e a troca de experiências entre alunos de diversos lugares do Estado, do País, ou até mesmo do mundo. Assim o confronto de ideias resultará numa dialética cultural, favorecendo e estimulando a busca por um conhecimento de mundo mais abrangente e mais contextualizado, pois o ponto de partida será o conhecimento dos próprios alunos.

A comunicação por meio da Internet também pode aproximar alunos e professores a grandes especialistas e pensadores da educação. Essa experiência pode ser trabalhada pela troca de e-mails, nos quais podem ser direcionadas perguntas aos mesmos, para que possíveis dúvidas e curiosidades sejam esclarecidas por quem tem respaldo científico suficiente para discutir um tema ou uma determinada área do conhecimento.

Outra prática docente que pode gerar bastante entusiasmo nos alunos é a criação de um site. Nela professores podem fazer publicações sobre os acontecimentos da escola, datas comemorativas, conteúdos curriculares e até mesmo de trabalhos escolares dos discentes como: resultados de pesquisas, entrevistas e redações.

Para estimular o interesse dos alunos o site pode dispor de espaços interativos, onde os mesmos podem fazer comentários e propor sugestões para a escola e para o site. Esse espaço além de apresentar uma proposta de integração da escola com a comunidade possibilita a criação discente e o desenvolvimento de habilidades linguísticas.

  • A Pesquisa: A pesquisa na Internet pode ser muito vasta e interessante, por meio dela é possível ter acesso a hipertextos[9] e hipermídia[10]. O sistema que disponibiliza esse acesso é a w. w. w. – World Wilde Web – através desta é possível navegar por inúmeros sites, dos quais se pode ter acesso a um mundo de novos conhecimentos.

A internet dispõe de textos, bibliotecas, notícias de jornais e revistas, sites interativos, cursos, conferências, fóruns, expedições on-line etc. Com todas essas possibilidades de pesquisa é possível conhecer lugares, culturas, histórias e assuntos variados.

Uma das características mais interessantes da Internet é a possibilidade de descobrir lugares inesperados, de encontrar materiais valiosos, endereços curiosos, programas úteis, pessoas divertidas, informações relevantes. São tantas as conexões possíveis, que a viagem vale por si mesma. Viajar na rede precisa de intuição acurada, de estarmos atentos para fazer tentativas no escuro, para acertar e errar. A pesquisa nos leva a garimpar joias entre um monte de banalidades, a descobrir pedras preciosas no meio de inúmeros sites publicitários. (SCIELO, 2005) Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-196 5 1997000200006> acessado em:  01/07/2018.

Assim sendo, o trabalho a partir da pesquisa na Internet precisa ser bem direcionado pelos professores para que os alunos possam ir a busca de conteúdos realmente relevantes e com procedência segura.

A maioria dos conteúdos publicados na Internet não passa por nenhum tipo de censura, por isso é importante que os alunos sejam orientados a analisar a origem das informações divulgadas antes de utilizá-las como fonte de pesquisa nos trabalhos escolares.

Antes de propor uma atividade que envolva a pesquisa na Internet o professor deve orientar os alunos sobre como desenvolver a autoria de seus trabalhos explicitando que os textos pesquisados devem servir como embasamento para que os mesmos desenvolvam uma análise crítica a cerca do assunto pesquisado e que só serão permitidas cópias de trechos dos textos e estas devem aparecer no trabalho como uma citação, seguida de sua origem.

Copiar trabalhos escolares da Internet vem se tornando uma prática corriqueira nas escolas por parte dos alunos, esse fato vem ocorrendo porque na maioria das vezes os professores aceitam os trabalhos que os alunos copiam da Internet e não avaliam de forma correta o aprendizado que se obteve através daquele estudo. No entanto, para que essas práticas não aconteçam é necessário que os professores tomem alguns cuidados para que a pesquisa na Internet seja utilizada de forma correta e os direitos autorais das publicações nela contidas não sejam plagiados pelos alunos. 

  CONSIDERAÇÕES FINAIS

Da pesquisa realizada sobre a informática educativa, pudemos constatar que as iniciativas governamentais de incentivo ao uso do computador nas escolas a princípio estiveram fundamentadas nas necessidades econômicas do mercado que precisava de mão-de-obra qualificada para suprir as carências da indústria tecnológica que se encontrava em desenvolvimento no Brasil. No entanto, após a realização de alguns encontros de educadores e seminários de informática promovidos pelo MEC, foi possível planejar melhor o trabalho com a informática educativa direcionada para facilitar o processo pedagógico.

A partir de então, surgiram várias pesquisas sobre as vantagens que a incorporação dos computadores poderia trazer para o contexto educacional, essas pesquisas resultaram no surgimento de novas práticas pedagógicas e na criação de softwares educacionais que favorecem o processo de ensino-aprendizagem.

Diante desses resultados foram sendo criadas políticas educacionais de incentivo à informática educativa, por meio de investimentos que contribuíram para a criação de projetos e programas que favorecem a inserção dos computadores nas escolas públicas e a capacitação docente por meio da formação tecnológica.

A partir do estudo realizado, é possível perceber que a abrangência desses programas é insuficiente para alcançar as necessidades e as carências das escolas públicas brasileiras, nota-se que o processo de inserção dos computadores nas escolas públicas brasileiras vem ocorrendo de forma lenta e fragmentada, pois há escolas que ainda não dispõem desses recursos e outras que dispõem, mas se encontram carentes de softwares educacionais, de acesso a Internet e até mesmo de capacitação tecnológica docente. 

Todas as carências supracitadas foram encontradas na escola pesquisada e essa realidade vem limitando a incorporação de propostas pedagógicas a partir da utilização do computador.

Ao observar as práticas que vêm sendo desenvolvidas pela escola, pudemos constatar que a mesma vem subutlizando o computador, pois suas propostas de ação não estão contribuindo com o processo de ensino-aprendizagem e também não estão oferecendo aos alunos maiores possibilidades de integração social. 

Acreditamos que a inserção dos mesmos nas escolas não garante em si mudanças de paradigmas, assim como não garantem solucionar os problemas da educação pública brasileira. O computador é um recurso que quando bem utilizado pode favorecer o desenvolvimento de práticas pedagógicas mais dinâmicas e consequentemente contribuir com o processo de ensino-aprendizagem e com o desenvolvimento cognitivo dos educandos. Porém, para alcançar tais objetivos é necessário que as práticas de ensino da informática educativa estejam embasadas em propostas conscientes e bem elaboradas.

Sabemos que as Secretarias Estaduais e Municipais têm autonomia para definir as diretrizes e as propostas curriculares que fundamentam a informática educativa em seus respectivos Estados e Municípios, no entanto, diante da realidade que encontramos vimos que a Secretaria do Município está contratando serviços terceirizados para desenvolver o trabalho com a informática educativa nas escolas. Assim, acreditamos que as diretrizes curriculares que fundamentam o uso do computador como recurso pedagógico nas escolas públicas precisam ser rediscutidas, por meio de reuniões e encontros de educação, para que sejam formuladas novas propostas e planejadas as ações considerando os aspectos educacionais e culturais do próprio Município.  

Dentro dessa perspectiva, sugerimos que a escola também desenvolva, de forma democrática, o planejamento das ações que devem ser trabalhadas a partir da utilização do computador, tendo em vista que as mesmas precisam estar embasadas nas reais necessidades da escola para desenvolver um trabalho mais pertinente e consequentemente obter resultados mais positivos.

No entanto, para alcançar as potencialidades cognitivas oferecidas pelo computador é necessário que os governos invistam também na capacitação tecnológica docente, pois a escola não pode ser simplesmente um depósito de novas tecnologias, ela precisa ser preparada para utilizá-las de forma consciente e eficaz.

Diante de todo esse processo investigativo conclui-se que o computador como recurso pedagógico pode favorecer o desenvolvimento de novas práticas de ensino, facilitar o processo de ensino-aprendizagem e garantir maiores possibilidades de integração social, desde que os requisitos expostos acima sejam garantidos e trabalhados pela escola.

REFERÊNCIAS

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HEIDE, Ann; STILBORNE, Linda. Guia do professor para a Internet: completo e fácil. 2. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000. 337p.

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[1] Psicopedagoga e Professora da Escola Superior Madre Celeste – ESMAC. Presidente do Colegiado do Curso de Pedagogia angelaanjospena@gmail.com

[2] Núcleos interdisciplinares de pesquisa e formação de recursos humanos implantados nas universidades que aderiram ao projeto EDUCOM.

[3] O CENIFOR foi criado pelo MEC em 1983, sob alçada da Fundação de Televisão Educativa -  FUNTEVE, era um órgão similar da SEINF e foi extinto em 1986.

[4] A linguagem LOGO consiste em princípios básicos de uma programação, na qual, o aluno estaria no âmbito de uma atividade de meta-aprendizagem, com reflexos poderosos sobre o próprio desenvolvimento cognitivo. Um dos defensores mais conhecidos dessa filosofia é Seymour Papert.

[5] Esta citação foi extraída do livro: BRANDÃO, Carlos da Fonseca. PNE passo a passo: (Lei nº 10.172/2001) Discussão dos Objetivos e Metas do Plano Nacional de Educação. São Paulo: Avercamp, 2006. 240p.

[6] Considera-se analfabeto digital aquele que é incapaz de obter informações por meio da informática, e a outros recursos ligadas à era digital, como a Internet ou qualquer outro meio ligado a computadores.

[7] São serviços de comunicação que só funcionam se existirem dois ou mais usuários interligados à internet ao mesmo momento.

[8] São serviços que disponibilizam a comunicação entre pessoas, na qual não há necessidades destas estarem conectadas a internet ao mesmo tempo, ou seja, é possível enviar uma mensagem para outra pessoa mesmo que esta esteja com seu computador desligado.

[9] É um conjunto de links interligados que dão acesso a textos.

[10] É um conjunto de links interligados que dão acesso a textos e imagens