A base de um relacionamento saudável.

* Adilson Batista Amelio


Já faz alguns anos, conversando com um amigo pastor e psicólogo, ele me disse que um relacionamento só poderia dar certo se estivesse baseado em três sentimentos. Imaginei logicamente que o primeiro seria o amor e os outros sentimentos nem teriam tanta importância. Mas, para a minha surpresa, ele citou os três e o amor ficou de fora. Confesso que levei muito tempo pensando sobre isso e também pra saber se concordava com ele ou não. Afinal, ele tinha dito com todas as letras que a base para o amor verdadeiro é: Confiança, Admiração e Respeito. Confesso que depois de muito tempo compreendi que, na verdade, aquela afirmação deste psicólogo amigo estava realmente correta, ou seja, não é possível sentir e principalmente manter-se sentindo amor por uma pessoa caso não confiemos nela, não a admiremos e nem a respeitemos!

Na verdade, infelizmente, existem muitas pessoas que acreditam estar vivendo o amor, quando na verdade estão alimentando algum outro tipo de sentimento muito aquém do amor verdadeiro, um sentimento nocivo que costuma ser normalmente confundido com o amor, mas que costumo chamar de co-dependência. Pessoas que são dominadas por este estranho sentimento normalmente se sentem tristes, desesperadas, perdidas, angustiadas e insistem em justificar todo esse pavor através da palavra amor... Sentem-se rejeitadas, desmerecidas e enganadas e, ainda assim, acreditam que amam...

Mas, graças a Deus que existe um meio de se descobrir se estamos dominados pelo amor ou pela co-dependência e o teste é muito simples; basta encontrarmos a resposta para essas três perguntas abaixo:

Pense na pessoa que você acredita que ama e no relacionamento que vem mantendo com ela e tente responder com a maior sinceridade:

1 – você admira essa pessoa? Admira o jeito dela, o caráter, a personalidade, a maneira como ela encara a vida, as atitudes dela diante dos problemas, diante das alegrias, enfim, você admira a alma dessa pessoa?

2 – você confia nessa pessoa? Você acredita que pode contar com ela, pode confiar no que ela diz? Está certo de que ela faz o possível para cumprir o que promete e está disposta a construir com você uma relação baseada na sinceridade e na verdade, por mais difícil que isso possa parecer?

3 – você respeita essa pessoa? Considera o que ela pensa, o que ela sente e está disposto a aceitá-la, por mais diferente que ela possa ser de você? Você realmente consegue dar espaço para que ela seja como é, sem tentar o tempo todo fazer com que ela mude o seu jeito, as suas opiniões e o seu comportamento?

Se você responder essas três perguntas de forma inteiramente sincera, talvez você se surpreenda com suas próprias respostas. Pode ser que você descubra que o que sente não é amor, mas capricho, falta de auto-estima, medo de ficar sozinho, conveniência, acomodação... E tudo isso não é manifestação do amor verdadeiro, mas sim, de co-dependência. Você sabia disso? Já pensou mais seriamente sobre isso? Talvez você descubra que se acostumou com uma relação desgastante e cheia de desentendimentos, mas que nunca se questionou sobre o que você realmente quer.

Como advogado tenho encontrado vários casais que chegam ao divórcio depois de mais de trinta anos de relacionamento com alguém. E quando falo sobre esta base de um relacionamento saudável, eles sempre me dizem que nunca pensaram sobre isso antes.

Existem muitas pessoas que preferem acreditar que não têm sorte no amor ou que é preferível ficar numa relação ruim do que ficarem sozinhas, mas na verdade estão apenas com medo de tentar, com medo de sair em busca de um amor verdadeiro, com medo de se livrar de uma pessoa que só lhes faz mal e perder o lugar de vítima, pois esta, por mais incrível que pareça, é uma posição mais cômoda e confortável para muitas pessoas!

É reconhecer que realmente é muito mais fácil ter argumentos para justificar um amor que não deu certo do que se arriscar a encontrar uma pessoa maravilhosa, companheira, sincera e profunda e ter de lidar com seus próprios defeitos, com suas próprias inseguranças e culpas.

Se você é alguém que se encontra hoje nestas condições, comece o ano de forma diferente. Ser feliz é bom mas é preciso ter coragem de enfrentar verdades e realidades novas. Aprenda a exigir o melhor de você mesmo e da outra pessoa. Procure observar se o seu relacionamento está realmente baseado na confiança, admiração e respeito.

Nunca se esqueça de que esta é a base de um relacionamento saudável onde você precisa sentir por você e pela pessoa amada, confiança, admiração e respeito e a pessoa amada também precisa sentir o mesmo por você. Se não for assim, seu relacionamento será como um barco com dois remos mas que somente um funciona e, dessa forma, o “barco” da sua vida nunca conseguirá seguir pra rumo nenhum pois ficará eternamente andando em círculos pelo fato de sempre remar de um lado só.

Aprenda, com a ajuda de Deus de que ignorar ou criticar essa verdade não vai te levar a lugar nenhum. Se quiser realmente que este ano seja diferente, tenha atitudes diferentes começando por este ponto da sua vida pessoal.

Deus tem o desejo de te conceder neste ano, trezentos e sessenta e cinco novas oportunidades de reescrever a sua vida de forma diferente. E a pergunta que fica é: Você está realmente disposto a pelo menos refletir sobre isso? Que Deus te ajude com esta pequena reflexão, pois sempre há tempo, mas não demore muito, de preferência, comece agora!!!

* Articulista, Pastor e advogado

Email: advogadoevangelico@gmail.com