Introdução
Tubarões estão em qualquer lugar do oceano e a partir de 1992, iniciou-se em Pernambuco, uma série de acidentes de ataques de tubarões. O fato deste assunto ser bastante veiculado pela mídia, escrita e televisada acessível à população, juntamente com acontecimentos recentes de ataques nas praias do litoral, além de ser um fenômeno que compreende diversos conceitos em ciências, levou-nos a escolher em nossa abordagem interdisciplinar para o ensino das ciências, esperando que o mesmo possa funcionar como elemento motivador para aprendizagem contribuindo assim, para suplantar certas dificuldades e melhorando, desta forma, a qualidade do ensino-aprendizagem.
Questionamentos a respeito de conceitos das disciplinas Física, Matemática e Química serão levantados a partir do conhecimento dos "ataques de tubarões", contribuindo assim para explicar o referido fenômeno à luz dos respectivos conceitos levantados.
Visando uma prática pedagógica e didática adequada aos objetivos do ensino, os questionamentos dos conceitos das diversas disciplinas são abordados de forma interdisciplinar, ou seja, de forma articulada em relação às diversas áreas do conhecimento, pois, muitas vezes, alguns conceitos, quando abordados numa única visão disciplinar não apresentam qualquer significado, passando somente a ganhar sentido quando abordados lado a lado com conceitos de outras áreas do conhecimento. A interdisciplinaridade não significa uma simples diluição das disciplinas em generalidades, ao contrário, mantém sua individualidade, pois somente o domínio de uma área permite superar o conhecimento meramente descritivo para captar suas conexões com outras áreas do saber na busca de explicações.
De acordo com os PCNs (1998), além de o ensino ser interdisciplinar, deve ser contextualizado, sendo a contextualização um recurso utilizado para se conseguir uma maior interação entre o conteúdo vivenciado e o âmbito pessoal, social e cultural do aluno tornando-se, desta forma, um ensino mais significativo, onde a relação sujeito/objeto é aumentada de forma que o conteúdo se torne mais interessante, uma vez que o mesmo está mais diretamente relacionado aos assuntos ou problemas que dizem respeito à vida da sua comunidade. Nesta forma de transposição didática, o sujeito passa a deixar de ser passivo para tornar-se ativo na construção do conhecimento, integrando-o e valorizando-o mais, estabelecendo-se assim uma ponte entre a teoria e a prática.
A escolha deste fenômeno e a forma como foi apresentado abre mais uma vertente na busca de proporcionar ao público-alvo, meios que permitam transferir para a sala de aula os elementos básicos do emergente paradigma construtivista, tão preconizado teoricamente e ainda com insuficiente material para um trabalho efetivo na escola, constituindo-se um instrumento de grande valia no auxílio de um ensino integrado, onde um fenômeno abordado possa ser visto sob diferentes pontos de vista e compreender os ataques de tubarão a partir do conhecimento dos conceitos envolvidos no fenômeno.
1. Interdisciplinaridade e Contextualização
O ensino das ciências nas escolas, ainda é descontextualizado, compartimentalizado e baseado no acúmulo de informações; não é este tipo de ensino adequado para as instituições de ensino básico e o aluno do século XXI, de acordo com as diretrizes dos PCN (1998).
Um ensino inovador deve ser condicionado de uma forma que leve a um significado o conhecimento escolar voltado para a sociedade; conforme consta nos PCNs: "[...] buscamos dar significado ao conhecimento escolar, mediante a contextualização, evitar a compartimentalização, mediante a interdisciplinaridade [...]" (PCN, 1998, p.13).
Como visto acima, para um ensino inovador, a contextualização e a interdisciplinaridade são eixos necessários na construção do conhecimento, onde o educando poderá vivenciar enormes desafios e adquirir uma formação plena, que o tornará cidadão crítico, analítico, criativo, pensante, flexível, adaptável e humanista.
De acordo com a resolução número 3 da Câmara de Educação Básica (CEB) em seu artigo sexto, a interdisciplinaridade e a contextualização são estruturadores do currículo (PCN, 1998, p. 114), o que indica uma maior importância destes eixos para um ensino inovador e de maior qualidade.
A contextualização deve levar à transposição didática, que deve ser relacionada, com a prática ou a experiência do aluno, a fim de adquirir significado levando a uma relação entre a teoria e a prática, o que leva, também, a situações bem mais próximas ao cotidiano do aluno, que serão utilizadas no trabalho e no exercício da cidadania. Desse modo, quando o individuo aplicar estes conhecimentos construídos na escola, nos exemplos acima, poderá ver uma correlação de sua vida cotidiana, permitindo ao um entendimento crítico, o que poderá vir a ser uma célula de modificação na sociedade.
No segundo eixo temático de uma nova forma de ensino, a interdisciplinaridade parte do princípio de que todo o conhecimento interligasse permanentemente com outros conhecimentos, que pode ser através de questionamentos, complementação, ampliação, ou a busca de aspectos não distinguidos. Esta forma de ensino deve incutir nos alunos a capacidade de analisar, explicar, prever e intervir. Esses objetivos são alcançáveis se as disciplinas integradas em áreas de conhecimento puderem contribuir cada uma em sua especificidade e para o estudo comum de problemas, incluindo uma visão de interação entre essas disciplinas que permitem aos alunos compreensão mais ampla da realidade (PCN, p. 112-115).
2. Abordagem interdisciplinar
É muito difícil prever o que pode acontecer com o ambiente marinho. Só através de educação é que as pessoas poderão modificar o seu pensamento a respeito dos ataques de tubarões.Existem modelos didáticos que podem ser sugeridos através da interdisciplinaridade nos seguintes aspectos: educacional, ecológico, biológico, físico e químico.
No aspecto educacional, os bichos do mundo aprendem de dentro para fora, com as armas naturais do instinto. Mas, a isto, eles acrescentam maneiras de aprender de fora para dentro, convivendo com a espécie, observando a conduta de espécie por conta própria no caso dos seres humanos, que diz respeito aos ataques de tubarão, processos semelhantes também ocorrem. Assim, quanto mais se aprende sobre eles, mais se admira sua natureza surpreendente. Embora seja preciso se prevenir contra seus ataques, por trás de toda aquela fúria, está um animal (RODRIGUES, 1981).
Em meio a tantas ocorrências e incidentes dos ataques, temos que aprender a ler e utilizar as estatísticas e informações sobre os ataques. Na maioria dos casos, a diferença entre a vida e a morte da vítima dos ataques está na agilidade do resgate. O ensino da matemática pode utilizar todas as tecnologias disponíveis, para que a sociedade tenha conhecimento das informações dos ataques de tubarão às noções básicas de estatísticas. Usando também tabelas, medidas de comprimento (grandezas e unidades de medida) quando são capturados, o índice de fatalidade, a porcentagem nos registros e a probabilidade são fundamentais neste cenário.

No aspecto ecológico, um número incalculável de tubarões é morto todo ano, é um crime ecológico de imensa gravidade. Os tubarões exercem um papel fundamental no delicado equilíbrio ecológico e a redução drástica de suas populações traz sempre conseqüências graves e imprevisíveis ao ecossistema.
No aspecto biológico, a maioria dos tubarões são bastante hidrodinâmicos. No momento do ataque o tubarão retrai o focinho e projeta a mandíbula para frente, permitindo assim um ataque frontal, possuem uma visão bastante desenvolvida, um "sexto sentido" que lhes permite detectar sinais elétricos de baixa potência, uma inteligência desenvolvida e ainda são sensíveis as variações de pressão e temperatura da água. Reunindo uma série de características próprias, eles tornam-se predadores extremamente competentes, e abatidos com dificuldades (HAZIN,UFRPE/PE).
No aspecto físico, o movimento do tubarão quando vai atacar é o de um corpo que se move ou o que causa o movimento. É todo um corpo dentro d?água que se encontra a certa distância da superfície terrestre. Quando há o choque no ataque do tubarão os corpos permanecem juntos, movendo-se como se fossem um corpo só. A impulsão da força sobre um corpo é o produto da força pelo intervalo de tempo durante o qual ela atua. E a quantidade de seus movimentos é o produto de sua velocidade (GONÇALVES, 1970).
Na trajetória do tubarão existe uma velocidade média e uma velocidade instantânea no seu percurso entre o intervalo de tempo do ataque e sua aceleração, nadando com muita rapidez atrás de sua presa. Diante destes aspectos físicos existem também as explicações de força na mordida do tubarão com as idéias das leis de Newton ou princípio da ação e reação que pode ser enunciada.
No aspecto químico, entre os seres vivos há uma disputa pela vida, pois todos têm que se adaptarem às condições de clima, à disponibilidade de alimentos e de energia, entre outros fatores. A maioria dos ataques coincide com o período chuvoso, maré alta, fim de tarde, água turva, lua cheia ou nova e os detritos jogados no mar. Muitos tubarões atacam animais feridos ou doentes, mantendo assim, várias espécies do fundo do mar. Estes ataques acontecem porque algumas espécies de tubarões são capazes de perceber uma molécula de sangue em mais de um milhão de moléculas de água ? o equivalente a uma gota de sangue em cem litros de água.
2.1 Abordando os concceitos
A compreensão da dinâmica envolvida no fenômeno "ataque de tubarão", pressupõe a abordagem dos conceitos de física, química e matemática presentes no mesmo.Em primeiro lugar, a necessidade de se estabelecer um limite para se adentrar ao mar com segurança, nos leva a adotar a praia como referencial para o banhista e o tubarão, embora sabendo que não existe nenhuma distância pré-estabelecida que conceda total segurança ao banhista.
Em seguida, a rapidez com que os tubarões se locomovem e a forma súbita com que se desfecham os ataques, fizeram-nos construir um modelo para que pudéssemos abordar de forma conjunta os conceitos de referencial, velocidade, repouso, movimento, grandezas, unidades de medida, concentração e diluição uma vez que eles são bastante interligados. Esse modelo também deveria nos tornar possível estabelecer relações entre o tubarão e o banhista a partir das grandezas que os relacionam, tais como: suas velocidades, a distância que os separam e de ambos respectivamente em relação à praia, no momento do ataque, e até mesmo o tempo que levaria uma suposta perseguição dentro de certas condições, permitindo desta forma a re-elaboração ou até mesmo a construção dos conceitos inicialmente apresentados pelos alunos.
No fenômeno "ataques de tubarão" os conceitos de grandezas e unidades de medida estão conectados com os conceitos de física e de química. Grandeza é um atributo de um fenômeno, corpo ou substância que pode ser qualitativamente distinguido e quantitativamente determinado, como por exemplo, a grandeza massa, que é uma grandeza de um sentido geral (IPEM-SP, 2005).
Estabelecendo conexão com a física, a velocidade é uma grandeza utilizada no ataque de tubarões, pois dependendo da espécie as velocidades variam. No campo da química, a concentração comum (que também é uma grandeza) de sangue em uma área aumenta ainda mais a probabilidade de um ataque.
A partir de especificações de uma grandeza chega-se à unidade de medida que é uma grandeza específica, definida e adotada por convenção, com a qual outras grandezas de mesma natureza são comparadas para expressar suas magnitudes em relação àquela grandeza. Nesse caso, estas unidades de medida têm nomes e símbolos aceitos por concepção e unidades de grandeza de mesma dimensão, podem ter os mesmos nomes e símbolos, mesmo quando as grandezas não são de mesma natureza.
No estudo dos ataques de tubarão, os conceitos abordados sempre utilizam as grandezas e as unidades de medida com uma conexão compatível à grandeza velocidade que terem como unidade de medida metros por segundo (m/s) e a concentração comum que tem como unidade de medida gramas por litro (g/l).
A interdisciplinaridade é evidente entre a matemática, química e física na abordagem do estudo do fenômeno porque a matemática é uma ferramenta que auxilia na explicação do fenômeno.
Alguns dos conceitos de física, aqui abordados, como referencial, repouso, movimento e velocidade, etc., já têm um significado para o aluno, pois são frutos de suas experiências diárias. Em alguns momentos, as suas "concepções prévias" poderão se aproximar às descobertas dos cientistas que nos precederam, e precisaremos apenas reforçá-las ou aperfeiçoá-las; outras vezes, elas deverão ser reformuladas, para se adaptarem a uma visão de mundo que se mostrou mais adequada. Os conceitos abordados na pesquisa empírica:
O conceito de referencial está sempre voltado para um corpo (ou alguma coisa) que em relação ao qual, definimos as posições de outros corpos. No jogo da nossa oficina o referencial adotado foi a praia, pois foi a partir dela que definimos as posições iniciais do tubarão e do banhista. Os conceitos repouso e movimento que andam juntos, quando a posição de um corpo não varia, no decorrer do tempo, em relação a um certo referencial, ele se encontra em repouso, caso contrário, se encontra em movimento. O jogo simula uma perseguição, tanto o tubarão como o banhista se encontra em movimento em relação à praia, que é o nosso referencial. O conceito velocidade é uma grandeza que está associada à rapidez com que um movimento se processa (quanto mais rápido o corpo, maior a velocidade), podendo ser vista como a maior coadjuvante em todo o mecanismo onde se realizam os ataques tendo, a mesma, significados distintos quando se leva em conta intervalos de tempo em certas condições e até mesmo, quando se leva em conta a sua direção e o seu sentido.
Os conceitos, envolvendo concentração e diluição de solução usados na pesquisa, têm mais profundidade teórica nessa área do conhecimento, porém optamos trabalhar apenas uma visão inicial, devido a pesquisa ter sido realizada com alunos do ensino fundamental, que terão esses assuntos mais detalhados no ensino médio. Porém pode-se perceber que, com uma abordagem simples e bastante motivadora, foi possível desenvolver com relativa compreensão tais conceitos que foram verificados através de questionários respondidos após a oficina, onde eles puderam demonstrar o grau satisfatório de aprendizagem desenvolvido. Descrevemos os conceitos, no que se refere à solução no fenômeno ataque de tubarão, um dos fatores relacionados está a incidência de sangue na água do mar, tornando assim uma solução envolvendo dois componentes; nesse caso, a água do mar e o sangue. Segundo bibliografias pesquisadas, os tubarões conseguem perceber uma gota de sangue a uma distância de aproximadamente 300 metros; Já ao fato da concentração, trata-se de ser um dos fatores que favorece ao ataque, pois quanto maior for a concentração de sangue em relação à água do mar num determinado local haverá mais possibilidades de ocorrer o ataque; Em relação à diluição de uma solução esta se refere ao fato de ter influência ao ataque, pois existirá uma quantidade menor de sangue em relação à água do mar, assim, é menor a possibilidade de ocorrer ataque nesse caso.
3. Oficinas pedagógicas interdisciplinares
A oficina pedagógica é uma estratégia metodológica que visa relacionar diretamente a teoria com a prática (BASTOS), buscando, com isso, tornar a escola mais articulada com a vida social, econômica, política, cívica e até mesmo com a religiosidade do grupo em que está integrada (QUEIROZ), tornando, desta forma, mais significativo e eficiente o ensino.
A oficina pedagógica visa suscitar interesse no aluno e, conseqüentemente, gerar curiosidade, iniciativa e atividade. Além disso, faz uso de jogos, experiências, trabalhos manuais, desenhos, música, artes plásticas, etc., permitindo a seus participantes vivenciar as seguintes etapas:
 refletir sobre suas idéias a respeitos específicos;
 identificar os demais conceitos que fazem parte do campo conceitual destes conceitos específicos;
 expor suas idéias para seus pares, em pequenos grupos, de modo a desenvolver uma concepção que seja partilhada pelo grupo;
 utilizar situações concretas para explorar estas concepções;
 sistematizar os resultados e apresentá-los para serem apreciados pelo grande grupo;
 discutir as conclusões obtidas pelos diversos grupos, visando à explicação das inconsistências teóricas e os avanços obtidos na direção da construção dos conceitos científicos (BASTOS et all, 2000).
Seguindo uma estrutura determinada, a oficina acontecia paralelamente à construção de um mapa conceitual que é:
Um instrumento que permite a visualização das relações entre os conceitos existentes na estrutura cognitiva das pessoas, e como tal, pode ser utilizado para acompanhar a evolução conceitual que ocorre durante o processo de aprendizagem de conceitos (BASTOS et all, 2000, p. 6).


Após a aplicação do mapa conceitual são organizadas diversas atividades práticas que permitem a contextualização dos diversos conceitos explicitados ou não no mapa, através de operações concretas (IBIDEM). A oficina é encerrada com a reconstrução do mapa conceitual inicial identificando lacunas conceituais.Outra possibilidade de iniciar uma oficina é através da utilização de testes de sondagem, como foi utilizada na oficina deste trabalho, apesar de sabermos que o mapa conceitual é mais abrangente, pois nele aparece a interligação dos conceitos abordados com outros conceitos não abordados; permitindo, assim, uma maior compreensão do fenômeno estudado.
4. Pesquisa Empírica e a Oficina Interdisciplinar
Desenvolvemos a parte empírica de nosso trabalho em uma escola pública estadual de ensino fundamental e médio Escola Professor José Mendes da Silva na cidade de Timbaúba-PE. Selecionamos para isso, duas turmas de 8ª série do ensino fundamental B e D, com o total de 64 alunos. A faixa etária desses alunos é de 14 a 21 anos, de ambos os sexos. A 8ª série D em nossa pesquisa foi definida como grupo controle, tendo um total de 26 alunos e funciona no turno da manhã; a outra turma é a 8ª série B, com o total de 38 alunos, em nossa pesquisa, a segunda turma foi definida como grupo experimental ? onde aplicamos a oficina interdisciplinar ? funcionando no turno da tarde. Como nossa abordagem é interdisciplinar e contextualizada, aplicada aos conceitos de física, química e matemática, a 8ª série do ensino fundamental contempla em seu currículo a iniciação de estudos das ciências químicas e físicas, onde justifica o fato de escolhermos esta série.
Optamos por uma pesquisa com dois grupos ? controle e experimental ? para comparar estatisticamente com percentagens os níveis de compreensão e construção dos conceitos abordados na oficina, visando constatar que a aprendizagem é mais eficiente em um ensino interdisciplinar e contextualizado que são eixos indicados no PCN.
Utilizamos questionários subjetivos com perguntas sobre os conceitos que foram abordados tanto no grupo controle quanto no grupo experimental. Ao longo das atividades em ambos os grupos, fizemos questões discursivas para incentivar uma maior participação dos alunos.
4.1 Descrição das atividades
Uma vez que optamos por desenvolver a atividade em duas turmas, sendo uma de controle e outra experimental, vamos detalhar uma de cada vez. Para o grupo controle as atividades começaram com o pré-teste que foi aplicado oito dias antes da abordagem tradicional, para isto a presença de dois professores/pesquisadores foi suficiente, e como não queríamos desestruturar o dia letivo da escola, compreendemos que a aplicação dos pré-testes em um mesmo dia facilitaria, pois não haveria comunicação entre as turmas, não interferindo no resultado da pesquisa.
Os conceitos de física foram abordados de forma tradicional através de uma aula expositiva onde o quadro branco e pincel se constituíram nos fatos mais marcantes, apesar disso, a mesma teve um momento de descontração na ocasião da apresentação dos conceitos de repouso e movimento quando o professor pediu a um casal de alunos que se locomovesse, com o braço de um na cintura do outro em relação a uma das paredes da sala, caracterizando assim, o estado de repouso de um em relação ao outro e de movimento, de ambos em relação à parede, mostrando com isso que os conceitos de repouso e movimento são relativos, isto é, dependem do referencial adotado.
A abordagem tradicional em matemática foi através de quadro branco e pincel, mas houve uma atividade prática onde os pés de dois alunos, de tamanhos distintos, foram usados como um padrão de unidade de medida, ao medir o comprimento da sala comparou-se a quantidade de pés dos dois alunos e com esta atividade prática, foram abordados conceitos de grandeza, unidade de medida e comparação entre unidades. Após as abordagens tradicionais das três disciplinas, os alunos fizeram o pós-teste, sendo o aproveitamento do mesmo mostrado no item resultado logo após descrição da estrutura da oficina. Para o grupo experimental aplicamos o mesmo teste de sondagem aplicado no grupo controle, e após oito dias aplicamos a oficina, na qual foi abordado os mesmos conceitos vistos no grupo controle.
. Primeiramente, eles assistiram a um filme de aproximadamente 35 minutos sobre tubarão sua fisiologia, habitat, e sobre o mecanismo de seus ataques, as principais espécies que atacam o homem e onde estão localizadas as áreas mais afetadas pelos ataques. Enquanto os alunos assistiam ao filme, os outros pesquisadores montavam o tabuleiro do jogo "O tubarão quer pegar você", cujo modelo está em anexo. O jogo simula o ataque de um tubarão a um banhista, sendo jogado a partir de um tabuleiro formado por seis folhas de papel A4, duas figuras representativas de um tubarão e de um banhista e um dado. O jogo tem um caráter competitivo, a fim de despertar maior interesse por parte dos alunos.
Para se iniciar o jogo, colocam-se as folhas justapostas de forma tal que componham o tabuleiro e em seguida as peças representativas do tubarão e do banhista, serão movimentadas seis quadrículas e uma quadrícula (por cada jogada) respectivamente. No início do jogo, o tubarão encontra-se a 55 quadrículas da praia, e o banhista a 15 quadrículas da mesma. Com o auxílio de um dado, o qual será lançado uma vez para cada um dos participantes do grupo. O participante que obtiver o maior número de pontos, no lançamento efetuado, terá o direito de efetuar a jogada. Este fato irá ocorrer simultaneamente para todos os grupos e se sucederá tantas vezes necessário for, até que o tubarão alcance o banhista (mesma quadricula), o que se verificará após oito jogadas de um mesmo participante, sendo considerado o mesmo vencedor. Os vencedores de cada grupo irão jogar entre si até que saia o vencedor geral.
Em seguida, os alunos receberam uma lista de perguntas relativas ao mesmo, que só poderia ter sido respondida se eles tivessem tido uma participação efetiva no jogo. Depois que todas as equipes terminaram o jogo e de responder as questões, voltamos para a sala de aula para comentar as respostas dadas pelas equipes. Nesse momento, inferimos que alguns conceitos estavam sendo reformulados pelos alunos, pois a discussão levantou perguntas de todos da turma. Após as discussões, o professor/pesquisador da área de química fez uma explanação usando materiais de laboratório utilizando, para isso, um refresco em pó de morango (representando o sangue) para enfatizar os conceitos de concentração e diluição, mostrando como a presença do sangue pode influenciar nos ataques de tubarões.
Finalizando, a pesquisadora/professora enfatizou sobre os problemas ecológicos que poderiam estar por trás do fenômeno dos ataques de tubarão. Após as discussões no fim da oficina, aplicamos o pós-teste abordando novamente os mesmos conceitos trabalhados inicialmente no referido fenômeno, visando que os alunos possam reconstruí-los, quando necessário, saindo de suas concepções primárias do senso comum em busca de concepções próximas da ciência oficial dos cientistas. Em seguida, após a estrutura da oficina, apresentamos a análise dos dados obtidos.
5 Estrutura da Oficina
Com o tema ataques de tubarões, e situação problema ao tomar banho de mar quais as precauções que devemos tomar sem correr risco de sofrer ataques de tubarões. Nesse sentido, compreender os elementos das diversas áreas de conhecimento e articula-lo através do fenômeno ataques de tubarões, envolvendo as disciplinas Matemática, Física e Química.

. No início do jogo, o tubarão encontra-se a 55 quadrículas da praia e o banhista a 15 quadrículas da mesma. O jogo será jogado com o auxílio de um dado, o qual será lançado uma vez para cada um dos participantes do grupo. O participante que obtiver o maior número de pontos, no lançamento efetuado, terá o direito de dar a primeira jogada. Este fato irá ocorrer simultaneamente para todos os grupos e se sucederá tantas vezes necessário for, até que o tubarão alcance o banhista (mesma quadrícula), caso o tubarão ultrapasse o banhista o participante será eliminado. Os vencedores de cada grupo irão jogar entre si até que saía o vencedor.
Nas questões para reflexão: O tubarão irá alcançar o banhista? Caso afirmativo, em quantas jogadas? Sabendo-se que foi realizada uma jogada por segundo, quanto tempo levou para o tubarão alcançar o banhista? Sendo cada quadrícula correspondente a 2 m. Qual a distância percorrida pelo tubarão e pelo banhista, respectivamente, até o momento do ataque? A grandeza tempo em relação à grandeza distância é diretamente ou inversamente proporcional? Por quê? A grandeza tempo em relação à grandeza velocidade é diretamente ou inversamente proporcional? Por quê? Existe desvantagem de usar a unidade km neste jogo? Sabendo que o tubarão percorre seis quadrículas por segundo, ele faria quantos metros em uma hora? A unidade de tempo utilizada para o tubarão alcançar o banhista foi o segundo.Qual a desvantagem se utilizássemos horas ou minutos?

Com os materiais para construir os conceitos de química foram usado os materiais para a simulação de água e substância, dessa forma, os conceitos de solução, diluição e concentração. Apresentação de relatórios indicando as precauções que devem ser tomadas para o banho de mar, com base nos dados e conhecimentos adquiridos através do estudo interdisciplinar do fenômeno abordado.



Resultados e Discussões
A disposição das carteiras na sala, em forma de U, foi, segundo os alunos, um dos fatores positivos, pois normalmente este tipo de distribuição ordenada das carteiras não é feito em abordagens tradicionais.
O grupo controle que se encontra dentro da faixa etária correspondente a 8ª série do ensino fundamental e que segundo seus próprios professores, são bastante inquietos e comumente apresentam problemas disciplinares, o que traria problema no aproveitamento, teve um comportamento inesperado, com participação ativa de quase totalidade da turma nas atividades ministradas na abordagem tradicional, motivados de certo, pela forma com que foi ministrada a aula tradicional e principalmente pela presença, ao mesmo tempo, de professores de várias disciplinas.
Comparando-se os resultados obtidos no pré-teste com o do pós-teste, verificamos que houve uma reformulação significativa das informações sobre os conceitos que os alunos detinham, chegando em vários casos próximo do conhecimento sistematizado pela ciência, com exceção das situações problema, por ter sido a abordagem direcionada apenas para a reformulação dos conceitos, justificando assim, a queda de seus percentuais.

Tabela 1 do grupo controle e experimental
Teste de Sondagem Grupo Controle Grupo Experimental

Conceitos abordados Não respondeu Respondeu em parte Respondeu Não respondeu Respondeu em parte Respondeu
Diferenciar Grandeza / Unidade 31,60 68,40 0 100,00 0 0
Unidade ideal 79,00 0 21,00 89040 2,80 7,80
Comparação de unidades 94,80 0 5,20 92,10 0 7,90
Situações Problema 63,30 31,50 5,20 86,8 5,30 7,90
Referencial 68,43 31,57 0 89,75 10,25 0
Posição 78,90 21,10 0 94,88 2,56 2,56
Repouso e Movimento 10,53 89,47 0 15,38 82,06 2,56
Velocidade 57,84 36,90 5,20 84,62 15,38 0
Concentração 73,70 26,30 0 92,10 7,90 0
Diluição 79,00 21,00 0 71,10 2,60 26,30

Tabela 2 do grupo controle e experimental
Reteste Grupo Controle Grupo Experimental
Conceitos abordados Não respondeu Respondeu em parte Respondeu Não respondeu Respondeu em parte Respondeu
Diferenciar Grandeza / Unidade 27,00 23,00 50,00 32,40 22,40 45,20
Unidade ideal 57,70 0 42,30 74,20 12,90 12,90
Comparação de unidades 30,80 0 69,20 64,50 0 35,50
Situações Problema 80,80 15,40 3,80 87,00 6,60 6,40
Referencial 77,78 11,11 11,11 41,95 25,80 32,25
Posição 62,97 37,03 0 51,62 25,80 22,58
Repouso e Movimento 51,86 44,44 3,70 25,80 45,16 29,04
Velocidade 57,69 30,76 11,55 74,20 25,80 0
Concentração 17,00 23,00 50,00 70,10 6,40 22,5
Diluição 30,80 26,90 42,30 77,6 0 22,40

No grupo experimental, após as apresentações dos professores pesquisadores, os alunos assistiram a um vídeo onde, no transcorrer do qual, apresentaram um comportamento digno de elogios, não apresentando, em momento algum, problemas disciplinares.
Após a exposição do vídeo os alunos se dirigiram ao pátio da escola, já em condições de reformular alguns dos conceitos abordados no pré-teste, onde participarão do jogo "o tubarão quer pegar você" bastante entusiasmados pelo caráter competitivo imposto pelo mesmo e também pela satisfação de estarem aprendendo matemática, física e química ao mesmo tempo de forma descontraída e prazerosa.
Outro fato relevante foi a não identificação dos alunos no momento de responder aos testes, isto os deixou mais à vontade, de forma que eles puderam escrever as suas respostas sem medo de errar, pois não passaria pelo temor do julgamento da avaliação. Informalmente, os comentários feitos por essa turma acerca da oficina foram positivos, no sentido do tipo de atividade e da aplicação ao cotidiano. Aqui, transcrevemos algumas falas:"Gostaria que esta atividade fosse feita pelo menos uma vez na semana";"Gostei muito da presença de vários professores na sala ao mesmo tempo".
Confrontando o pré-teste com o pós-teste, houve uma melhora dos percentuais de todos os conceitos com exceção da situação problema, os resultados mostraram-se bastante vantajosos, porque propiciou aos alunos uma visão mais realista dos conceitos de todas as disciplinas, destacando sua utilidade na vida de cada um. Além disso, ao contrário do que possa parecer inicialmente, o conjunto dos conceitos abordados no fenômeno é menos fragmentado, tornando o aprendizado mais eficiente e significativo como pede os PCNs.
Ao se analisar os resultados obtidos no pós-teste entre o grupo controle e o grupo experimental, verificamos que houve um aumento significativo na reformulação dos conceitos do grupo experimental em relação ao grupo controle, comprovando assim a eficácia da utilização da oficina interdisciplinar. Isso não permitiu afirmar que a oficina interdisciplinar,
seja o único caminho a ser seguido pelos pesquisadores que buscam novos métodos na luta pela melhoria do ensino aprendizagem, mas sim, um elemento a mais que, bem planejado e com a devida capacitação dos professores, venha possibilitar a integração do aluno ao mundo que o circunda, através de um ensino de boa qualidade.
6 Considerações Finais
O ensino interdisciplinar é válido, pois o mesmo abre portas para um conhecimento contextualizado e integrado, onde os alunos passam de passivos para ativos em um ensino dinâmico e muito atrativo, porém este modo de ensino é dispendioso em termos de planejamento, contato entre os docentes e disponibilidade, mas altamente rentável se aplicado de forma coerente e funcional onde o maior ganho é uma qualidade de valor, que é uma aprendizagem em que os alunos poderão lembrar no próximo ano.
No campo de pesquisa sobre os ataques de outros animais, as caravelas, em certas épocas do ano, também provocam acidentes em períodos de verão, só que com mortalidade muito baixa, o mesmo campo de pesquisa pode ser aplicado ao estudo de ataques de serpentes venenosas no interior de Pernambuco, ou de problemas com estes répteis que é maior, principalmente na zona rural. Finalmente, consideramos que para o ensino das ciências, a presença de dois ou mais professores articulando seus conteúdos dentro de uma situação em comum pode contribuir para um maior significado à construção do conhecimento.
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QUEIROZ, Tânia Dias at all, Pedagogia de projetos interdisciplinares: uma proposta prática de conhecimentos a partir de projetos. Editora Rideel, São Paulo, 2001.
RAMALHO at all. Fundamentos da Física. Volume 1, 8ª Edição.São Paulo, Editora Moderna, 2003.
UMA ABORDAGEM INTERDISCIPLINAR SSOBRE OS ATAQUES DE TUBARÕES

Resumo
No presente trabalho, temos como objetivo geral compreender os ataques de tubarões no ensino de ciências a partir do conhecimento dos conceitos envolvidos no fenômeno. Nosso trabalho foi desenvolvido primeiro com uma pesquisa bibliográfica para aprofundar os conceitos de interdisciplinaridade, contextualização, oficinas interdisciplinares e conceitos de Matemática, Física e Química presentes no referido fenômeno. Num segundo momento, realizamos uma pesquisa empírica com duas 8ª séries do fundamental de uma escola pública, onde em uma os conceitos foram abordados de forma tradicional e na outra foi aplicada uma oficina interdisciplinar dando ênfase à contextualização dos conceitos abordados. Com o resultado da pesquisa ficou evidente que a oficina interdisciplinar favorece ao processo ensino-aprendizagem do aluno..
Palavras-chave: Ataques de Tubarão; Interdisciplinaridade; Conceitos
1.ALEX CRISTOPHE DA SILVA , professor de Matemática da rede pública estadual de Pernambuco e do município de Timbaúba-PE.alexcristophe@hotmail.com

2. CARLOS ALBERTO FAUSTINO, professor de Física da rede Estadual de Pernambuco e da rede municipal de Timbaúba-PE.

3. GISEIDE MARIA FERREIRA DOS SANTOS, professora do Normal Médio da rede pública e graduação em Pedagogia da Universidade Vale do Acaraú em Pernambuco. giseidesantos@yahoo.com.br 81 34395197

4.MANOEL ALEXANDRE SIQUEIRA MARTINS, professor de Química da rede pública em Pernambuco. alexandresmartins@yahoo.com.br 81 32277036

5.JOSINALVA ESTACIO MENEZES, professora Doutora da Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE.jomene@ded.ufrpe.br. 81 32729889.Orientadora da monografia da Especialização do Ensino das Ciências. Universidade Federal Rural de Pernambuco UFRPE, R.D.Manoel de Medeiros, S/N, Dois Irmãos Recife-PE. Cep.52171-900. 81-3320 6338..

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