Um Belo Cardápio de Música Clássica
Por Leôncio de Aguiar Vasconcellos Filho | 19/05/2026 | ArteA música é, sempre, o maior dos remédios (incluindo os destinados às doenças físicas), vez que relaxa os músculos e abaixa a pressão arterial. Além do mais, alivia o estresse e repousa a mente. Mas, a que não só repousa, mas também afina nossos cérebros, é a música clássica, eis que cientificamente provado que fetos expostos, desde o ventre, aos sons aqui discutidos nascem com maiores capacidades cognitivas.
Selecionando alguns exemplos, gosto muito da ópera "Nessun Dorma" ("Ninguém Durma"), de Giácomo Puccini. Mostras abissalmente emocionantes são as gravações dos concertos em que, juntos, cantam "Os Três Tenores" (Plácido Domingo, José Carreras e Luciano Pavarotti), conduzidos pelo maestro Zubin Mehta (a quem tive, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o prazer de assistir). Contando a saga de uma princesa (que, se não me engano, chinesa), a qual, por questões cantadas no decorrer da canção, não lhe é permitido o descanso. O clímax se revela quando Luciano Pavarotti lança toda a sua potente voz e consequentes vibrações diante da orquestra que, sob o comando de Mehta, acompanha tão sublime momento.
Outra, de autoria de Giuseppe Verdi, é "La Donna è Mobile", num canto em que o mesmo trio e maestro sentem-se descontraídos e sorridentes, até mesmo pelo título da opereta (uma característica interessante entre Plácido Domingo e José Carreras é que ambos se revelavam inimigos, tendo em vista a posta questão duma eventual secessão da Catalunha, mas, quando Carreras sucumbiu a um câncer, Domingo pagou em segredo seu tratamento, havendo, posteriormente, um vazamento de dita informação, que chegou ao próprio Carreras. A grande amizade e reconciliação se estabeleceram, independentemente de rixas políticas, e juntos cantariam a clássica "Amigos para Siempre").
Não se pode deixar de citar "Bolero de Ravel", do francês Maurice Ravel, que viria a falecer, ainda, jovem e tragicamente, num acidente de carro na Paris dos anos 30 e antes da Segunda Guerra Mundial, revelando-se sua criação um verdadeiro clássico do suspense. Suspense que, também, é evocado por Piótr Ilich Tchaikówski no seu "Concerto de Piano nº 1", considerado um hino extraoficial da Rússia, tanto que adorada era pelos Czares dos tempos de Piótr. Uma verdadeira monstruosidade da música classicista, essencial a quem ousa dizer que não choraria perante tal gênero, ao qual o mais duro dos corações não resiste.
De igual modo, não há como esquecer "Primavera" (bem como o total das "Quatro Estações" de Vivaldi). Mas "Primavera" é a canção dos muitos sonhos de noivas ao subirem ao altar. Há "Ode à Alegria" (ou a "5ª Sinfonia") de Beethowen, que clama ao amor universal, sendo, tal, especial por ser a composição de um homem absolutamente surdo pela sífilis, além da bucólica "Amanhecer nas Montanhas", do norueguês Edvard Crieg.
Por fim, a fechar este artigo, nada mais lindo que "O Guarani", de Carlos Gomes, o primeiro artista brasileiro a se apresentar no Teatro Scala de Milão. Quando muitos brasileiros ligam seus rádios à noite, num obrigatório estatal de notícias, nem imaginam que estão diante de uma das mais altas e conceituadas óperas do mundo, e não perante uma mera apresentação ou encerramento.
Há muitos tipos de arte, e a música é um deles. Mas a música clássica não é apenas mais um subgênero a cantar e tocar, mas, sim, o verdadeiro nº 1, o mais lindo, emocionante e cabal de todas os modos de fazer arte.