Tributo à beleza

Vi a beleza numa noite de luar (lua cheia), quando estava a caminhar, nas margens de uma praia, contemplando o reflexo da luz da lua lançada no mar; vi a beleza quando um dia parei para observar uma jovem porca que, andando com seus filhotes, a procura de comida, de repente deitou-se, com cuidado, para a todos amamentar, em virtude de sua natureza materna; também avistei a beleza num velho que caminhava, amparado e de braços dados com seu neto, sem se separar, no fim de um dia chuvoso e tempo nebuloso.

A beleza, ou o belo, ainda vi, com gosto e prazer, numa mulher diante de mim, envolvida numa toalha, já bem molhada, penteando os cabelos, no espelho de seu quarto, que algumas vezes frequentei; do mesmo modo visualizei a beleza na chegada da aurora, quando os primeiros raios solares estavam a atravessar algumas nuvens densas, escuras, nos permitindo detalhar os formatos de cada raio que iluminava; belo também foi vê uma criança brincar – com toda sua inocência, fragilidade e ingenuidade – com coisas tão simples, como velho carro de lata, uma pedra ou um pedaço de pau.

Belo também foi ver uma revoada de passarinhos – bico-de-lacre – voando juntinhos, de um lugar para outro a procurar comida, chegando a posar para catar migalhas de alguma coisa que só eles sabiam, ou sabem, o que é; da mesma forma, um dia avistei a beleza, num grupo de aves – canários da terra – quando todos estavam a catar sementes, ou apenas grãos de areia, conforme suas necessidades e natureza, assim como belo também é o seu canto, sobretudo quando estão em liberdade, posando de galho em galho.

Muita formosura também percebi num casal de gansos, quando um ficou em situação de alarme ou preocupação ao ver seu par, uma fêmea – um amor, amigo ou bem querer – se debatendo para sair de dentro de um canal, sem conseguir; assim como vislumbrei a beleza ao avistar dois cães que corriam, latiam, deitavam e rolavam, rodopiavam felizes da vida, brincando um com o outro, satisfeitos apenas com a existência e presença um do outro, sem necessitar de muitas coisas ou bens, ou títulos, ou rótulos, nem crenças etc. etc.

Belo foi ver a amizade de três animais distintos e espécies diferentes, tão amigos entre si a ponto do passarinho levar comida e colocar na boca dos seus parceiros, que eram um gato e um cachorro, ambos deitados tão próximos e olhando seu sincero amigo a alimentá-los levando comida no bico para cada um deles; do mesmo modo vi encanto num pequeno grupo de pardais – amigos ou familiares –, que no calor do dia tomavam “banho” de areia quente, ou morna, demonstrando, a nossos olhos, satisfação ou alegria.

Outra formosura que testemunhei foi contemplar a nudez de uma bela mulher, com o corpo esculpido (com se tivesse sido torneada com as mãos), formoso e desejável, de pernas grossas, quadris largos, cintura fina, seios firmes e pequenos, como uma bela pera, ou mais belos, a pele limpa, as costas largas etc. etc., enfim uma fêmea admirável que neste mundo é uma das doçuras e delícias que já causa prazer apenas em ver seus encantos, que podem ser os cabelos da cabeça ou seus pêlos pubianos.

Vi formosura num passinho (pomba), que possuidora de suas sabedorias - atribuidas pela deusa do Viver (a Natureza) e pela Sabedoria que tudo sabe - se pôs a catar e selecionar, da melhor forma possível, dias a pós dias, os galhos ou talos secos para construir o ninho ou a casa dos os filhos que viviram. Do mesmo modo foi belo vê um grupos de bem-ti-vis se unirem, ou reunirem, para juntos combater e perseguirem um carcará que estava a ameaçar seus filhotes, suas crias, ou seus amores.

Também contemplei a beleza numa noite de luar, olhando a lua crescente, aparentemente dividida ao meio, com uma precisão arquitetônica ou matemática, quem sabe cirúrgica – conforme a capacidade e estabilidade do cirurgião, formando uma meia lua. E tão bela quanto ela, ou mais ainda, ficou a luz cheia e reluzente – quando com sua luz lançada nas águas do grande mar.

Foi muito airoso ver três árvores distintas em nomes e características – caule, troncos, folhas etc. - vivas e realizando, sendo trabalhadas pela deusa do viver: a natureza. Três árvores diferentes (o Ficus Benjamina, o Oiti-da-praia e a Falsa Seringueira) as quais lançaram seus cipós finos e frágeis e foram se fincando na terra ou em outras partes das próprias árvores, desta forma, com o passar do tempo, se tornando em novos troncos ou galos grossos, fortes e resistentes, dando origem, às vezes, as outras árvores entranhadas tão formosas quanto as anteriores.

Gracioso, da mesma forma, foi contemplar a vegetação dos manguezais – que se estendem nas margens do rio Capibaribe quando este se encontra com as águas salgadas do mar – quando estas espécies de árvores são cobertas por uma grande quantidade de garças brancas, deixando as folhas das árvores dos mangues misturadas com o branco das plumas, parecendo, assim, um “pé de garças”. Um verdadeiro santuário de aves que deveria ser contemplado.

Eu vi a beleza...

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