TRANSTORNO GLOBAL DO DESENVOLVIMENTO NO CONTEXTO ESCOLAR

 

KELLY DAISE FABRIS

TAISE DA LUZ SOUZA

 

 

RESUMO: O TGD Transtorno Global do Desenvolvimento representa um grupo de doenças que têm em comum as funções do desenvolvimento afetadas. O presente estudo tem como objetivo propor a reflexão acerca do tema Transtorno Global do Desenvolvimento. Qual a melhor forma de tratar com as crianças em ambiente escolar. A metodologia utilizada foi a revisão de literatura existente, ou seja, a pesquisa bibliográfica realizada em sites, livros, revistas acadêmicas, entre outros. Os principais autores estudados: Carvalho, Schimidt, Sella, entre outros. As causas dos Transtornos do Desenvolvimento não são definidas, porém existem algumas possibilidades, estudos e pesquisas sobre o tema. O ABA busca trabalhar o impacto da condição autista em situações reais do dia a dia. Busca fazer os comportamentos desejáveis e úteis serem ampliados e diminuir aqueles que são prejudiciais. A implantação de políticas educacionais inclusivas é uma realidade em nossas escolas públicas, porém ainda há muito a se fazer, pois existem muitas falhas, tanto em relação a questão de materiais como de pessoas capacitadas a trabalhar com esses alunos. A escola com acesso em seu ambiente para educandos em situação de deficiência, possibilita o desenvolvimento educacional das pessoas com deficiência, devido a suas condições físicas, mentais, intelectuais e sociais.

 

 

Palavras-chave: Escola. ABA. Inclusão.

 

 

 

INTRODUÇÃO

Os TGD ou Transtornos Globais do Desenvolvimento representam uma categoria de doença na qual estão agrupados transtornos que têm em comum as funções do desenvolvimento afetadas. Entretanto, este conceito é recente e só pode ser proposto devido aos avanços metodológicos dos estudos e à superação dos primeiros modelos explicativos sobre o autismo. 

Os transtornos globais do desenvolvimento são condições que acometem crianças e afetam a maneira de interagir com o mundo, essas condições alteram a forma “comum” de conectar as ideias, pensamentos e falas. Assim, no transtorno global de desenvolvimento a criança possui algumas maneiras de interação próprias.

Dessa forma, o que é preciso é entender quais são os comportamentos e sintomas que envolvem cada um dos TGD a fim de ajudá-los a estruturar-se internamente.

O que é muito importante para que as pessoas com essas condições vivam bem é combater a falta de conhecimento e disseminar informações de qualidade para incluir e acolher bem todos aqueles que possuem transtornos globais do desenvolvimento.

O TGD pode ser considerado como um conjunto de síndromes que interferem nas interações sociais recíprocas a partir dos primeiros anos de vida. Em outras palavras, aspectos ligados à comunicação verbal, visual, emocional da criança são afetados, a qual não consegue corresponder aos estímulos desses sentidos, além disso, os comportamentos podem vir acompanhados de estereótipos.

Os primeiros estudos acerca do Autismo foram realizados por Kanner (1943) que definia como principal característica: "incapacidade para relacionar-se normalmente com as pessoas e as situações" (1943, p. 20). A criança desde muito pequena apresenta uma extrema solidão autista, algo que, na medida do possível, desconsidera, ignora ou impede a entrada de tudo o que chega à criança de fora. “O contato físico direto e os movimentos ou ruídos que ameaçam romper a solidão são tratados como se não estivessem ali, ou, não bastasse isso, são sentidos dolorosamente como uma interferência penosa" (KANNER, 1943). Em relação a linguagem pode ser totalmente ausente, uso estranho, presença de ecolalia, e ou em algum momento do desenvolvimento a falta de emissões relevantes. Quanto as mudanças na rotina o autor descreve que: “a conduta da criança é governada por um desejo ansiosamente obsessivo por manter a igualdade, que ninguém, a não ser a própria criança, pode romper em raras ocasiões" (1943, p. 22). Sua memória tem capacidade de armazenar muitas informações sem sentido, além de reagirem com intensidade a certos ruídos e objetos. 

Vale ressaltar que o tratamento e as intervenções necessitam levar em consideração as particularidades de cada indivíduo, necessitando trabalho em conjunto de profissionais de diversas áreas como: nutrição, psiquiatria, psicologia, fonoaudiologia entre outros, além da intervenção continuada, a fim de que como propõe os pressupostos teóricos da análise do comportamento, seja possível alterar padrões e formas de se comportar consideradas disfuncionais e inserir novos modelos comportamentais, reduzindo assim os dados à saúde e aumento a qualidade de vida (SELLA e RIBEIRO, 2018).

Portanto as crianças com TGD requerem uma ação coordenada envolvendo um grupo de profissionais trabalhando em uma abordagem transdisciplinar, pois necessitam de intervenção em todas as áreas do conhecimento que possam apresentar comprometimento, e principalmente o estímulo em suas potencialidades.

 

TRANSTORNO GLOBAL DO DESENVOLVIMENTO NO CONTEXTO ESCOLAR

A inclusão escolar de pessoas com Transtorno Global do Desenvolvimento é uma temática que causa muitas discussões no contexto educacional brasileiro. A implantação de políticas educacionais inclusivas é uma realidade em nossas escolas públicas, porém ainda há muito a se fazer, pois existem muitas falhas, tanto em relação a questão de materiais como de pessoas capacitadas a trabalhar com esses alunos.  

Para que a inclusão seja efetiva são necessárias adaptações no espaço escolar, pois o acesso e os materiais e espaços precisam ser adaptados. Além disso, é importante que os professores analisem suas ações para que possam visualizar os alunos em situação de deficiência adaptando e fazendo o máximo possível para incluir esses alunos no contexto geral da sala de aula. É imprescindível a construção de um currículo que aproxime a prática educacional da realidade de cada aluno. Todavia, é importante que favoreçam planos de ensino com conteúdos, métodos e avaliações adaptadas para o ensino e aprendizagem dos estudantes portadores de TGD. Esse currículo deve priorizar as necessidades desses alunos, que geralmente são: relações sociais, comunicação, comportamental e motora. 

No mesmo contexto, é importante ressaltar, o papel social que a escola desperta com acesso em seu ambiente dos educandos em situação de deficiência, sendo que, possibilita o desenvolvimento educacional das pessoas com deficiência, muitas vezes, por suas condições físicas, mentais, intelectuais e sociais.

Intervenções para o autismo envolvem a ação coordenada de vários profissionais, numa abordagem transdisciplinar. O autismo é transtorno amplo, necessitando intervenções de diferentes áreas do conhecimento que incluam todos os comprometimentos da criança, mas que, sobretudo, focalizem as suas potencialidades.

Segundo Schmidt, uma forma de intervenção utilizada no autismo é a ABA (do inglês Applyed Behavior Analisys), conhecida no Brasil como Análise Aplicada do Comportamento. Esta abordagem vem sendo estudada desde a década de 60 e tem contribuído positivamente para o ensino de crianças com autismo, especialmente na redução ou extinção de comportamentos. O ABA busca trabalhar o impacto da condição autista em situações reais do dia a dia. O objetivo, então, é fazer os comportamentos desejáveis e úteis serem ampliados e diminuir aqueles que são prejudiciais ou que estão afetando negativamente o processo de aprendizagem. Esse método tem como objetivos trabalhar os comportamentos socialmente relevantes para a vida das pessoas; criar ou melhorar as habilidades do autista na linguagem e na comunicação; aperfeiçoar a atenção, o foco, a interação social e os estudos; reduzir os comportamentos indesejados, como crises de desregulação emocional, agressividade e comportamentos autolesivos (CALXUK, 2024). 

De acordo a psicóloga Carvalho “Análise do Comportamento tem compromissos de melhoria da vida humana e o seu braço aplicado pode funcionar como um eficiente aferidor das consequências práticas prometidas” (CARVALHO NETO, 2002). Portanto, o método tem apresentado funcionalidade e resultados eficazes para diversas demandas, sendo comprovada empiricamente e embasada cientificamente. Para o autismo tem alcançado resultados extraordinários registrados na literatura, contribuindo para a evolução do cliente em questão, e melhoria da qualidade de vida, sendo dessa forma uma intervenção e não método, embasada em conceitos teóricos, filosóficos e experimentais de alto grau de complexidade (ZOTESSO, 2022).

 

A partir das teorias de aprendizagem social, entende-se que os comportamentos dessas crianças dependem de suas consequências, logo, são mantidos por relações de contingência e passíveis de modificação. Muitos dos comportamentos disfuncionais exibidos por crianças com autismo são mantidos por suas consequências. Por exemplo, crianças que fazem uso de gritos ou autoagressões como forma de obter atenção geralmente a conseguem, mesmo que a atenção dispensada ocorra sob a forma de repreensões. Dessa forma, estabelecem-se relações de contingência que reforçam e mantêm muitos desses comportamentos. As técnicas de modificação de comportamento propõem-se a alterar esse quadro, retirando os reforços contingentes a comportamentos disfuncionais e passando a reforçar apenas os comportamentos-alvo mais adaptativos (SCHMIDT, 2010, p.23).

 

Ainda segundo o professor Schmidt, os princípios de reforçamento, derivados do ABA, podem integrar o tratamento no autismo através de outras técnicas aplicadas, tal como a Comunicação Facilitada. O PECS (Picture Exchange Communication System, ou Sistema de Comunicação por Troca de Figuras) tem como objetivo ensinar a criança a se comunicar através de trocas de figuras, facilitando ao sujeito expressar seus desejos e necessidades em um contexto social de interação. As figuras, comumente dispostas em cartões, são utilizadas como formas de pedidos, substituindo algo que o sujeito deseja.

No entanto, as adaptações fazem toda diferença para o aluno e devem fazer parte do cenário escolar, para que todos os alunos possam desenvolver suas habilidades e capacidades com conteúdos voltados para suas deficiências com aulas diferenciadas das tradicionais.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Diante dos estudos realizados fica evidente que o transtorno global do desenvolvimento engloba uma série fatores que apontam para a necessidade de avaliar com diversos profissionais, a fim de obter o diagnóstico mais preciso possível. Esse diagnóstico não é sentença, mas sim ponto de partida para compreender melhor cada criança e suas necessidades específicas. 

O estudo apontou que o autismo é uma condição complexa que envolve dificuldades importantes na comunicação, linguagem e comportamentos. Devido ao aumento constante de alunos com TGD, o processo de inclusão precisa estar cada vez mais intensificado na escola, para isso o investimento na formação de profissionais de diversas áreas é fundamental para atingir êxito.

 Como mencionado o método ABA busca trabalhar situações do dia a dia, enfatizando os comportamentos desejáveis e a diminuição daqueles que são prejudiciais ou negativos para o processo de aprendizagem. A escola e a família precisam estar juntas, as ações devem ser conjuntas, somente assim será possível estabelecer rotinas e comportamentos que beneficiarão o aluno.

 

 

REFERÊNCIAS             

CALXUK, Liliane. Método ABA: conheça uma das terapias mais eficazes no tratamento do autismo. Disponível em: https://www.autismoemdia.com.br/blog/metodo-aba-conheca-uma-das-terapias-mais-eficazes-no-tratamento-do-autismo/. Acesso em fev. de 2024.

 

CARVALHO, Neto, M. B. Análise do comportamento: behaviorismo radical, análise experimental do comportamento e análise aplicada do comportamento. 2002, Intervenção em psicologia. Disponível em: https://institutosingular.org/o-que-e-aba-funciona-somente-para-o-autismo/. Acesso em jan. de 2024.

 

KANNER, Leo. (1943). Autistic Disturbances of Affective Contact. Nervous Child, n. 2, p. 217-250.

 

SCHIMIDT, Carlo. Transtornos Globais do Desenvolvimento. 2023. Disponível em: https://repositorio.ufsm.br/handle/1/18316. https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/18316/Cursos_Lic-Pedag_Transtornos-Globais-Desenvolvimento.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: set. de 2023. 

 

SELLA, A.C; Ribeiro, D. M. Análise do comportamento aplicada ao transtorno do espectro autista. Disponível em: Análise_do_comportamento_aplicada_ao_transtorno_do_espectro_autista_Sella_e_Ribeiro. Acesso em fev. de 2024. 

 

ZOTESSO, Dra. Marina Cristina. Oque é ABA? Funciona somente para autismo? 2022. Disponível em: https://institutosingular.org/artigos/?category=autismo. Acesso em: fev. de 2024. 

 

______. Seletividade alimentar no autismo: Principais desafios. 2022. Disponível em: https://institutosingular.org/arti

gos/?category=autismo. Acesso em: jan. de 2024

1 Professora de Educação Infantil com Licenciatura em Pedagogia Séries Iniciais e Educação Infantil – UCS. Pós Graduada em Educação Infantil - UNICID.

2 Professora de Educação Infantil com Licenciatura em Pedagogia Séries Iniciais e Educação Infantil – UCS. Pós Graduada em Psicopedagogia Institucional - UNICID.