STRESS E OUTROS  CONFLITOS ENTRE CASAL DURANTE 

QUARENTENA/ISOLAMENTO SOCIAL FACE AO COVID-19

Numa fase em que todos estamos a lutar contra um inimigo invisível – o coronavírus, com o medo de estar sujeito a doença (Covid-19) ou a morte, tornou-se possível estarmos isolados no meio social e ficarmos em casa, quer de forma individual ou com outros membros da nossa família. Neste caso, a saída de casa só é possível por necessidades especial. Por outro lado, a insatisfação com o modo de vida, a busca de alívio para o stress e frustração têm sido factores que influenciam muitas pessoas sairem de casa e violarem o decreto sobre o estado de emergencia, quarentena e isolamento social.

Se antes do Covid-19, já existia pouco diálogo, companheirismo, afecto e aproximação entre casais por causa do contexto de vida que regia o relacionamento, tais como a falta de sintonia por causa das ocupações que cada um tinha, diferenças de personalidade, crenças e outros factores.

Além do distanciamento social, o desemprego também veio tomar conta das preocupações de muitas pessoas que vêm assim as possibilidades de satisfazerem as suas necessidades cada vez mais difíceis. Se antes, mesmo trabalhando, as dificuldades financeiras e insatisfação das necessidades básicas da família, em muitos casos eram motivos para desentendimentos e brigas, agora, com o aumento do tempo em que todos estão e devem ficar em casa, a proximidade entre o casal por longo tempo, associado a pouca reserva dos bens de primeira necessidade, facilitou o aumentou da falta de sintonia entre no relacionamento, resultando em sérios conflitos e separação. Do jeito que as coisas estão, existe a probabilidade de que após a reabertura dos establecimentos para serviços matrimoniais, venha a existir um aumento significativo de pedidos de separação/divórcio, comparativamente às solicitações de casamento.

Associado às dificuldades em responder de forma satisfactoria as necessidades da família, a vida do homem em casa tornou-se stressante. Sob estas condições, na ausência de um plano de intervenção para a gestão de stress e conflitos no relacionamento, qualquer incompreenção por parte da mulher resulta em acessos de ira e consequente brigas e ameaças de separação conjugal, tal como se tem registrado m muitos lares. Os jovens casais que encontravam fontes externas para extrairem todas as suas frustrações, como praticar algum tipo de desporto, passear, estar com os amigos, agora têm passado muito tempo em casa o que aumenta as chances de discutirem por razões até mesmo insignificantes.

Outro problema incide no papel da mulher como dona de casa. Em muitos lares onde às mulheres deixaram o papel de doméstica ou nunca o foram, por motivos de doenças, incapacidade, ou pelo facto de terem o poder económico que as facilita viver sem terem que fazer nenhum trabalho de casa, tiveram que contratar os serviços de uma empregada doméstica. Agora, com a inversão das coisas, em virtude da situação actual da pandemia do COVID-19, e pelo facto de ser decretado estado de emergência onde as pessoas foram exortadas a ficarem em casa, muitas empregadas foram dispensadas dos seus trabalhos para cuidarem da sua própria família. Neste caso, com quem ficou as responsabilidades do cuidado da casa? É da mulher, dos filhos ou do marido? Caso a mulher não saiba fazer nada, como é que o casal está a gerir a vida, com relação à cozinha, à limpeza e à organização diária da casa? Estas questões estão a ser respondidas em cada lar onde se vive sob estas condições. Em lares onde existe a participação activa dos seus membros, o confinamento em casa facilitou a aproximação e reforçou a cooperação que já existia entre eles.

Em lares onde o papel da organização das actividades domésticas se restringia a uma pessoa, tornou-se mais difícil a cooperação, embora noutros nem tanto. É normal a mulher pedir a colaboração do parceiro na organização da casa, como limpeza, arrumação, cozinha e lavagem da roupa. Se o homem veio de uma cultura onde os trabalhos de casa são exclusivamente da responsabilidade da mulher, e que por quaisquer motivos, mesmo casando nunca se daria ao luxo de poder fazer, tendo em conta a sua educação ou o sistema de crenças adquiridas, a ajuda é nula. Esta questão tem sido fonte de frustração e stress na mulher e consequentemente o surgimento de sentimentos de revolta, irritabilidade e nervosismo que dão lugar à insatisfação e conflitos entre o casal.

As donas de casa que antes confiavam tudo nas empregadas e não aprenderam a fazer coisas básicas no lar, estão a pagar pela acomodação que sempre tiveram. O cuidado da casa tornou-se frustrante e fonte de stress de todos os dias. Algumas mulheres não sabem cozinhar nem mesmo arrumar a sua própria casa. Outras não aprenderam a ensinar os seus filhos a ajudar nos trabalhos de casa. Agora, elas têm de fazer isso enquanto durar o período de isolamento social. Confrontadas com as exigências dos filhos/maridos, bem como a dificuldade de fazer uma refeição, a vida no lar tornou-se um inferno onde os conflitos com o parceiro(a) tornou-se o problema do dia-a-dia.

Diante do stress e nervosismo da mulher, muitos homens preferem não falar para evitar que outras situações nada boas aconteçam. Nesta condição, se o homem estiver errado, pode se considerar violência silenciosa. Evidentemente, o silêncio machuca mais do que se tivesse dado alguma resposta branda ou demonstrar alguma acção prática que ameniza a situação conflituosa.

Seja qual for a condição física, social, económica, religiosa, a mulher deve aprender a fazer trabalhos de casa e não se preocupar simplesmente no profissionalismo ou se acomodar pelo facto de ter alguém que se ocupa de todas actividades doméstica. A empregada apenas um auxílio e não a dona de casa. Mesmo que o seu trabalho te ocupe muito tempo e energia, nos feriados e fins-de-semana, seria bom se ocupar com alguns trabalhos domésticos. Pois, se fizer isto, na ausência da empregada não terá problemas no lar.

O homem deve lembrar que os trabalhos de casa podem ser feitos pelos dois. Amar alguém não se evidencia simplesmente por palavras, ou bens materiais, um simples jeito em cuidar da casa ou ajudar a esposa a fazer algum trabalho doméstico pode deixá-la feliz e aumentar o grau de amor por você.

Lembrem-se diante das dificuldades que o casal enfrenta, o amor que desenvolvem um do outro pode ajudar a fortalecer o vínculo de união e evitar sentimentos de revolta e separação. Na fase em que estamos a viver, a união é fundamental para se manter a prevenção contra qualquer tipo de doença. Melhor do que tudo é a prevenção, pois, a vida representa o bem mais precioso que existe neste mundo.