Sobre Stradivarius e Guarneri
Por Leôncio de Aguiar Vasconcellos Filho | 12/02/2026 | HistóriaEmoção. Magnanimidade. A certeza da existência do divino, mesmo com a convicção de que, parafraseando Voltaire, Ele teria de ser inventado. Estas, com certeza, devem ser as emoções ao ouvirmos os sons oriundos de um Stradivarius, ou de outro instrumento musical, desta feita, fabricado por Bartolomeo Guarneri.
Um dos dois luthiers supracitados, Antônio Giácomo Stradivarius nasceu na Itália em 1644, e veio a falecer em 1737. Durante toda a sua gloriosa existência (que, certamente, foi prolongada pelas belíssimas atividades que exercia), foi um exímio fabricante de violões, violoncelos, violinos, violas, harpas e outros instrumentos emanadores de ondas sonoras perfeitas, e que, talvez, só tenham sido igualadas, previamente à modernidade, pelo outro luthier comentado, Bartolomeo Guarneri (1698-1744).
Os historiadores são consensuais à teoria de que Stradivarius iniciou sua fabricação pessoal de instrumentos musicais por volta dos doze anos de idade. No seu percurso, deu vida a mais de mil e cem criações, várias das quais utilizadas em concertos de grandes eruditos da música clássica. Ocorre que, não obstante a magnitude dos nomes envolvidos no comodato de tão vertiginosos modelos, vários de seus concertos foram, certamente, mais que aperfeiçoados pela utilização da marca Stradivarius.
Há muitas especulações sobre o que levava, e leva, um Stradivarius a emanar suas universais sinfonias. Uma é referente às madeiras que Antônio Giácomo utilizava na confecção dos instrumentos, aliada ao verniz nelas sobreposto. Outras dizem respeito às substâncias componentes das cordas instrumentais, que levariam desde elementos da tabela periódica a, até mesmo, cinzas vulcânicas. De todas as centenas de unidades confeccionadas por Stradivarius, na atualidade restam de quatrocentas a seiscentas, espalhadas pelos museus mais famosos do Ocidente e Japão, e até mesmo em coleções particulares de multimilionários. O valor individual de cada qual varia, de oito a vinte milhões de dólares, numa média conservadora, e levando-se em conta, além de parte ter sido exibida em apresentações dos maiores dos maiores, que são relíquias confeccionadas entre os séculos XVII e XVIII, além de principais atrações de primazes apresentações daquela época, ofuscando, inclusive, os próprios protagonistas, que eram lendas do classicismo musical.
E tudo, repito, tudo isso aqui expresso a respeito dos instrumentos Stradivarius se aplica, também, às unidades oriundas de Bartolomeo Guarneri (no caso de Guarneri, teve a vantagem de suas peças serem consumidas, também, pelo Barão Knopp, descendente de um famoso exportador de algodão do Império alemão, e cujo título de nobreza, hereditário, lhe havia sido concedido por Alexandre II, da Rússia, apreciador do classicismo e grande divulgador da marca).
Não importa se falamos de Stravinski, Tchaikowski, Beethoven, Strauss, Wagner ou quaisquer outros (e que outros…), que possam ter utilizado um ou mais Stradivarius ou “Guarneris” nos seus concertos. Ali, os astros são sempre estes últimos.