Sobre Antípatro de Sídon e as Sete Maravilhas da Antiguidade

Por Leôncio de Aguiar Vasconcellos Filho | 12/02/2026 | História

A história é feita por seres humanos. Sempre o foi, desde os sumérios, que se tornaram a mais antiga das civilizações, dado que inventaram a escrita. No entanto, há humanos de um excepcional caráter, que vão além da mais comum possibilidade. Um deles é Antípatro de Sídon, escritor e poeta grego do século II a.C. Infelizmente não tão conhecido, ao revés de sua lista das sete maravilhas do mundo antigo, sobre as quais passo, agora, a expressar-me.

Primeiramente, digo a respeito do Farol de Alexandria, existente até cerca de 280 a.C. Sua serventia se encontra, implícita, na própria denominação. Construído por gregos, egípcios e ptolomaicos, seu desenho coube ao arquiteto, também helênico, Sóstrato de Cnido. Destruído por um sismo já no decorrer da Era Cristã, teve muitas das ruínas encontradas, por arqueólogos de tempos menos remotos, numa antiga cidadela. Sua localização física era na cidade de idêntica identificação, no território do antigo Egito.

Também havia o Colosso de Rodes (que, digo, inicialmente, teria sido a única das sete maravilhas não visitada por Antípatro de Sídon), contemporâneo ao Farol de Alexandria, já que subsistente até por volta, também, de 280 a.C. Geograficamente na cidade portuária grega de Rodes, era um monumento gigantesco ao deus grego do Sol, Hélio (fontes confiáveis relatam ter sido mais alto que a hoje Estátua da Liberdade). Fora, também, erguido por gregos, aí incluída a liderança do arquiteto Carés de Lindos, e com o propósito de comemorar a vitória de Rodes sobre a invasão da Macedônia, governada ditatorialmente por Antígono de Monoftalmo. Foi levado às ruínas por um terremoto.

Igualmente na Grécia, na atual Olímpia, ficava o gigante Monumento a Zeus, sentado no trono, com sua existência levada a cabo por gregos, supervisionados pelo compatriota Fídias. Os historiadores se dividem quanto ao seu destino. Parte defende que foi destruído por um incêndio, ao passo que outra corrente afirma ter Imperador Calígula, já absoluto sobre todo o território então sob domínio latino, inclusive a Grécia, determinado que todas as estátuas de grandes deuses e personalidades deveriam ser levadas à cidade eterna, para lá terem suas cabeças decepadas, e, então, substituídas por esculturas de sua própria representação.

No território da Turquia havia o Mausoléu de Halicarnasso, cujo erguimento foi realizado por gregos e persas, dentre os quais, os arquitetos helênicos Sátiro e Pítis. Nele, se encontrava sepultado um governante regional do Império Aquemêmida, de nome Mausolo, ao lado de sua esposa e irmã, cuja origem era puramente persa. É, talvez, a das sete maravilhas que mais encantou Antípatro de Sídon, vez que suas palavras endossam a teoria de ter sido Mausolo, amplamente, considerado dentro do Império Aquemênida, merecendo, outrossim, um túmulo correspondente à sua grandeza. Na Turquia, identicamente, se achava o Templo de Diana em Éfeso, construído à adoração da deusa de vários aspectos da vida helênica, mas principalmente a Caça. Seu soerguimento se deve aos arquitetos gregos Metágenes e Quersifrão.

Além disso, como mais uma das sete maravilhas, supostamente sobre o palácio do Rei Nabucodonossor II, no atual Iraque, se encontravam os Jardins Suspensos de Babilônia, que, a ser provada sua pretérita inexistência, se tornariam a segunda maravilha nunca vista por Antípatro de Sídon, junto ao Colosso de Rodes (por isso, no parágrafo relativo a este, mencionei "inicialmente" ter sido a única das sete maravilhas jamais presenciada por Antípatro). Por fim, a única daquelas ainda restante é a Pirâmide de Quéops, no Egito (e não a Necrópole de Gizé como um todo), datada de cerca de 5.500 a.C.

A história é a mais fascinantes das ciências humanas. Com certeza, não seria considerada se linear, petrificada e de interpretação única. E o que a torna mais autêntica é, justamente, o fato de vários de seus aspectos não se fazerem presentes, e sim consagrados por seres excepcionais como Antípatro de Sídon.