Sete Maravilhosos Clássicos Anteriores à Era Cristã
Por Leôncio de Aguiar Vasconcellos Filho | 12/02/2026 | FilosofiaA assimilação da história não se dá, apenas, por meio da memorização de fatos e datas, nas suas respectivas cronologias. Mas, sobretudo, pelo conhecimento dos principais clássicos que a marcaram e consolidarão, num passado distante, recente e no próprio presente. Dito fato é observado desde o início, ocasionado pelo surgimento da escrita na Suméria, por volta de 3.500 a.C.
Desde então, houve o aparecimento de diversos escritos, mas o primeiro grande clássico é “As Epopeias de Gilgamesh”, cravado em escrita cuneiforme por volta de 1.800 a.C. É interessante como os antigos já percebiam as consequências do poder absoluto e suas nefastas consequências. Este verdadeiro épico se centra na figura do rei de Uruque, para quem foi concedido um companheiro, com quem realizaria missões atribuídas pelos deuses, a fim de que não tiranizasse sua própria população. E o interessante é que, após seguidas investidas malsucedidas da deusa Inana, lhe é tirado seu companheiro, e ele sente as decorrentes agruras do autoritarismo, figurado na ausência, passando questionar os deuses sobre a imortalidade.
Séculos depois, podemos citar “A Ilíada”, atribuída a Homero (cuja existência, ou não, é, ainda, objeto de dissenso entre os historiadores), que narra os acontecimentos da Guerra de Tróia, entre troianos e gregos. É de “A Ilíada”, considerada um dos primeiros poemas da história do mundo ocidental, se origina o mito do cavalo de tróia. Já, atribuída ao mesmo Homero, há, posteriormente, a materialização de “A Odisseia”, narrativa da saga de Odisseu (ou, latinizando, Ulisses), cerca de dez anos após a Guerra de Troia.
Platão, centênios após, iniciou sua jornada, sobretudo na filosofia, com a publicação de seus escritos, bem como por meio da fundação da Academia, primeira universidade do mundo ocidental. Mas, para além, também escreveu “A República”, em que expõe uma noção íntima do que seria o verdadeiro Estado ideal, capitaneado por quem ganharia somente o suficiente a manter-se, e estenderiam esta visão aos seios de suas vidas pessoais, retroalimentadas pela honra de servir ao Estado, e vice-versa. Cabe afirmar que “A República”, utópico e épico, não encerra, jamais, a obra de Platão.
No extremo oriente, também antes de Cristo, surgia um filósofo que criaria a norma de ouro das relações humanas, consubstanciada na célebre frase “não faça ao outro o que não quer que lhe façam”. Confúcio, o mestre chinês, era originariamente funcionário público. Jubilado duas vezes do serviço por ranço de seus iguais, percorreu grandes distâncias ensinando e aperfeiçoando-se, tendo por base o ensinamento supra, e jamais mencionando questões metafísicas. Valores como “a verdadeira glória reside não na ausência do fracasso, mas no fato de nos reerguermos todas as vezes que fracassamos”, “trabalhas no que gostas, e não terás de trabalhar um único dia em sua vida” e “ter um pouco de dinheiro guardado traz tranquilidade, muito traz problemas”, sintetizados no célebre livro dos que a ele sobreviveram, chamado “Os Analectos”, são referência na China e em grande parte do mundo oriental.
Também na China, contemporaneamente a Confúcio, começava a difundir seus ensinamentos o filósofo Lao-Tsé, para quem “uma grande jornada se inicia com um pequeno passo”. As ideias de Lao-Tsé estão muito bem descritas em sua obra “O Livro do Caminho e da Virtude”. Sua existência firmou-o como um deus (daí consolidou-se o taoísmo, mais na suposta e eventual divindade que nos fundamentos terrenos, assim como, em relação a Confúcio, tinha surgido o confucionismo, também de caráter religioso, embora, como dito, ele não mencionasse questões metafísicas).
Por fim, no século III a.C. foi escrito, na Índia, o mais extenso poema de todos os tempos, com cerca de 250.000 linhas, “O Mahabrarata”. Considerado um integrante do cânon hinduísta (sendo o outro “Ramayana”), narra a rivalidade entre principados, tendo por base a mesma religião. Sua parte mais famosa é o “Bhagavad Gita”.
Livros como tais são absolutamente maravilhosos. É simplesmente fantástico termos tão soberbas obras disponíveis em pleno século XXI, num espetáculo de ancestralidade que se sobrepõe a qualquer espécie de outra ocupação, midiática ou não, da nossa dita contemporaneidade.