Emanuel Isaque Cordeiro da Silva
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Resposta das questões - Unidade 1: Cultura


Capítulo I - Evolucionismo e Diferença


1 Esta imagem pode ser lida como uma representação visual do processo de colonização. Vemos uma jovem indígena, tocada por um raio de luz celestial refletida no escudo da Coroa portuguesa, que representa o poder do Estado. Levando em conta os seus conhecimentos sobre a história da colonização portuguesa na América do Sul e o que vimos no capítulo 1, que reflexão podemos fazer sobre o contato entre europeus e indígenas a partir desta imagem? (BAIXE O PDF PARA VISUALIZAR A IMAGEM).


Resposta: A imagem do século XVII representa muito do que falamos nesse capítulo: induz a entender o contato como um processo civilizatório, aqui mediado pela religião, com o objetivo de salvar as almas dos “selvagens”. O poder da Coroa, que a imagem representa como derivado de forças divinas e religiosas, faz da colonização uma espécie de dever ou fardo da metrópole “civilizada”.

2 Considere o seguinte relato do antropólogo norte-americano Ralph Linton: (BAIXE O PDF PARA VISUALIZAR O RELATO DR LINTON).


Ralph Linton faz um relato irônico sobre o sentimento nacionalista norte-americano, demonstrando que o cotidiano do cidadão é marcado por artefatos, práticas, inventos e costumes provenientes de várias partes do mundo. O texto expõe ainda algumas conexões geográficas e históricas que ajudam a explicar o mundo contemporâneo. A partir de sua leitura:


• Procure indicar outras práticas, alimentos ou técnicas do seu cotidiano que são originários de culturas e regiões diferentes daquela em que você vive.


Resposta pessoal. (Emanuel Isaque orienta: Professor, essa atividade pode se tornar mais interessante se as respostas forem dadas oralmente, envolvendo toda a turma. Você poderá auxiliar os alunos a identificar ou pesquisar as culturas e regiões originárias das práticas, alimentos ou técnicas citados.)


• Parte destes hábitos e práticas são heranças indígenas. Que relação você pode fazer com as imagens preconceituosas que produzimos sobre as populações indígenas hoje em dia?


Resposta: O texto serve como um aviso para percebermos como nossos hábitos são o resultado de diversas interações históricas. Quando olhamos para as populações indígenas como “menos indígenas” ou como “falsos indígenas” em razão do uso que fazem de artefatos da sociedade ocidental, ou mesmo pelo desejo de artefatos e práticas ocidentais, estamos esquecendo aquilo que o trecho citado nos sugere. Se nós podemos continuar sendo brasileiros mesmo que convivendo com práticas criadas em outros contextos (como os norte-americanos na citação de Ralph Linton), por que populações indígenas não poderiam? Assim, o trecho citado produz um estranhamento por sua ironia e até pelo humor, sugerindo que qualquer resposta que relacione esse uso de “coisas” estrangeiras com o direito das populações indígenas de fazer o mesmo, sem deixar de ser indígenas e, portanto, sem perder direitos que a Constituição lhes garante, é correta.


3 Leia o texto a seguir. (BAIXE O PDF PARA VISUALIZAR O TEXTO).


O texto da antropóloga Lux Vidal pode nos ajudar a pensar não apenas sobre as artes indígenas, como a própria definição de arte em nossa sociedade. De que forma a arte é uma expressão da vida cotidiana? O que podemos definir como arte? A partir da leitura do capítulo, do texto e destas indagações desenvolva as atividades que se seguem:

(Orientação do professor Emanuel Isaque):
Essa questão parte de um texto sobre “arte indígena” que pode nos ajudar a pensar um pouco sobre como a arte é vista em nossa sociedade. Desde quando a arte passou a constituir um campo à parte, separado da vida cotidiana? O que chamamos de design não seria um retorno da expressão artística ao mundo do vivido, da experiência do dia a dia? Essas questões levam a uma reflexão sobre a relação entre arte e o mundo da vida, e não só do lugar da arte nas sociedades indígenas.


• Procure explicar por que o conhecimento das artes indígenas pode levar ao questionamento das teorias evolucionistas.


Resposta: Como já foi visto no capítulo, o nível de elaboração e sofisticação da chamada “arte indígena” impede que ela seja considerada produto de uma sociedade “primitiva” como afirmavam as teorias evolucionistas.


• Em que medida as expressões artísticas, sejam elas das artes plásticas, da dança, da música, do teatro, sejam de artesanatos, como a cestaria e a tapeçaria, ornamentos corporais (como a tatuagem e o piercing, entre outros), de pinturas rupestres ou intervenções urbanas, como o grafite, são expressões da cultura de um povo?


Resposta pessoal.


• Em sua cidade, há exemplos de produções artísticas que refletem a cultura e a identidade de grupos urbanos ou rurais? Cite-as.


Resposta mais que pessoal.

 

Capítulo II - Padrões, Normas e Cultura

1 A tirinha a seguir faz uma reflexão sobre os padrões culturais. Observe: (BAIXE O PDF PARA VISUALIZAR A TIRINHA).

Nesta tira de 2011, o cartunista Laerte, autor da tira, faz uma crítica relacionada aos padrões culturais. Explique como você entendeu essa crítica e o que achou dela.


Resposta: Na tira apresentada, o cartunista Laerte sugere que os padrões podem aparecer como amarras, remetendo à ideia de repressão. O costume impõe determinados comportamentos de forma autoritária, o que gera consequências. Aqui, a crítica refere-se à definição dos papéis de gênero: coisas para homens e coisas para mulheres. Os padrões podem ser muito opressivos para aqueles que não se adaptam a eles. A implicação disso é o preconceito contra aqueles que não se ajustam aos modelos.


2 A seguir reproduzimos trechos de um artigo do cientista político Hélio Jaguaribe (1923-), publicado no jornal Folha de S.Paulo em abril de 2008. (BAIXE O PDF PAR VISUALIZAR O TRECHO DO ARTIGO).


O artigo acima defende uma visão sobre as populações indígenas que é semelhante à visão dos evolucionistas do século XIX. Partindo das questões trabalhadas no segundo capítulo e dos seus conhecimentos históricos sobre os processos de colonização no século XIX, demonstre como o autor expõe essa visão e procure fazer uma crítica a ela.


Resposta: O artigo de Hélio Jaguaribe defende a ideia de que “As populações civilizadas do mundo são descendentes de populações tribais, que seguiram, em todos os países, o secular caminho que leva os paleolíticos a se transformarem em neolíticos e estes, em civilizados”. Ou seja, pressupõe o mesmo processo de evolução “em escada” proposto pelos evolucionistas no século XIX, e que também serviu de justificativa ideológica para os colonialismos do século XIX (como o colonialismo inglês na África e Ásia, o colonialismo francês na África e Sudeste asiático, etc.). Do ponto de vista desse autor, há apenas um caminho a ser seguido pelos indígenas, que é o da civilização. Ora, vimos como a ideia de evolução em um caminho único é criticada por Boas, pois é essencialmente etnocêntrica. Hélio Jaguaribe afirma ainda que “Em termos antropológicos (...) é impossível sustar o processo civilizatório”. Ou seja, pres-supõe que o progresso é inevitável e ainda considera essa reflexão antropológica. Essa reflexão é de fato antropológica, mas de acordo com os parâmetros do século XIX, pois no século XX a ciência antropológica se dedicou justamente a questionar essa ideia, vista desde então como preconceituosa.


Capítulo III - Outras Formas de Pensar a Diferença

1 Considere este cartum de Laerte, publicado em 2011: (BAIXE O PDF PARA VISUALIZAR O CARTUM).

O cartum expõe tanto um dilema social brasileiro como uma crítica ao que o sociólogo e teórico cultural jamaicano Stuart Hall chamaria de “velhas identidades”. Em 2012, mais de 250 pessoas foram assassinadas no Brasil por serem homossexuais. Laerte discute aqui os efeitos da homofobia e toma uma posição clara contra o preconceito. Considerando essas informações, procure indicar as razões dos preconceitos e dos atos de violência direcionados aos homossexuais.


Resposta: O cartum de Laerte relaciona o machismo, que poderíamos chamar de “velha identidade”, seguindo Stuart Hall, com a ridicularização dos homossexuais na TV e com os assassinatos de travestis no Brasil. Laerte identifica nessas ações uma resistência às mudanças que já estão presentes no cotidiano brasileiro. As identidades homossexuais, transsexuais e transgêneras são uma realidade e representam a forma de expressão de uma parte considerável da sociedade brasileira. Uma parte que luta por seus direitos, utilizando-se constantemente do conceito de identidade para defender seu modo de vida. Podemos dizer que esse cartum é um instrumento político de combate ao machismo que discrimina esses grupos.


2 Considere a seguinte canção de Jorge Ben Jor. (BAIXE O PDF PARA VISUALIZAR A CANÇÃO).

Essa canção se refere ao que poderíamos chamar de uma “ancestralidade comum” àqueles que se identificam etnicamente como negros. Faça uma pesquisa sobre os termos Angola, Congo, Benguela, Monjolo, Cabinda, Mina, Quiloa, Rebolo. Todos eles se referem a etnias negras que foram trazidas para o Brasil como escravos. A canção também faz referência ao trabalho escravo e a Zumbi dos Palmares. Procure se informar sobre a história de Zumbi e do sistema de escravidão no Brasil até o século XIX.


Resposta: Essa atividade visa a uma valorização da herança cultural negra e depende de uma pesquisa, que pode ser feita facilmente pela internet. Informações sobre as diversas populações citadas podem ser encontradas em diversas fontes. Em termos gerais, esses são nomes genéricos para várias populações de língua cujo tronco é o banto (exceto os Quiloa e os Mina, falantes de línguas de outros troncos), que predominavam em grande parte da África central. Muitos escravos trazidos para o Brasil vieram dessas regiões. Várias práticas culturais brasileiras têm relação com a herança banto (como a congada, a capoeira, etc.). Zumbi, por sua vez, foi o último líder do Quilombo dos Palmares, que durou de 1580 a 1695, numa região que hoje pertence ao estado de Alagoas. Quilombos são agrupamentos populacionais formados por escravos que fugiam da tirania da escravidão. Muitos quilombos fizeram parte da história do Brasil; alguns deles, como o de Palmares, eram verdadeiros estados dentro do estado (por isso foram tão combatidos). Palmares foi atacado diversas vezes e finalmente derrotado por um grande esforço da Coroa portuguesa. Hoje representa um símbolo da resistência negra à opressão racial. Atualmente, muitos descendentes de quilombolas reivindicam o direito à terra com base na ocupação ancestral de territórios espalhados por todo o Brasil.


Capítulo IV - Antropologia brasileira


1 A partir do que lemos no capítulo 4, quais tensões podemos ver expostas nesta charge de Laerte, de 2012, levando em conta o avanço da urbanização no Brasil no século XX e o conhecimento histórico sobre a diferença entre as classes sociais no Brasil? (BAIXE O PDF PARA VISUALIZAR A CHARGE).


Resposta: A charge de Laerte apresenta um paradoxo entre a cultura popular (os integrantes das escolas de samba que desfilam na avenida durante o Carnaval) e a elite brasileira (que assiste ao desfile dentro do camarote, separada da população em festa). Os passistas querem saber se a elite também participa da festa que pertence às classes populares, ou se apenas “assistem”. A charge indica um dilema entre a representação do país (o Carnaval é uma forma de pensar o país) e a distância que as elites mantêm, quase que como espectadores. A charge também pode ser lida como uma representação da distinção entre classes sociais (entre os que estão nos camarotes e o que estão na rua, ou passarela), que vimos ser uma das marcas da urbanização brasileira desde a década de 1950. Podemos dizer que essa tensão entre as classes é uma das questões da antropologia brasileira, olhando em geral para as populações em situação de fragilidade, mas que ao mesmo tempo são produtoras de símbolos, práticas e ritos que podem representar a nação brasileira.


2 Considere o seguinte trecho de um livro de Roberto DaMatta: (BAIXE O PDF PARA VISUALIZAR O TRECHO DO LIVRO DE DAMATTA).


Nesse livro, DaMatta dá continuidade à tradição de “explicações sobre Brasil”, porém faz isso com uma diferença significativa em relação a autores como Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro. Agora considere um trecho da Intro-dução de O povo brasileiro, de Darcy Ribeiro: (BAIXE O PDF PARA VISUALIZAR O TRECHO DO LIVRO DE RIBEIRO).


Resposta: Tanto Roberto DaMatta como Darcy Ribeiro pretendem explicar o Brasil, e ambos se surpreendem com o povo brasileiro. Mas vemos que apenas Ribeiro dá continuidade à definição do país a partir da miscigenação, a partir da formação do povo brasileiro. DaMatta procura a explicação em outro lugar, e parte do contraste entre povo e elite (o primeiro esquecido e a segunda, egoísta), do embate entre as diferentes partes que compõem a sociedade. Ribeiro prefere destacar o que considera um novo modelo de civilização, criado pela miscigenação, o que remete aos textos de Gilberto Freyre e à mitologia da democracia racial. Ou seja, para Darcy Ribeiro o Brasil é pensado a partir da colonização portuguesa e do fato desta ter relacionado três diferentes matrizes culturais (portuguesa, africana e indígena), o que o aproxima de Gilberto Freyre. Já para Roberto DaMatta, o processo histórico que explica o Brasil é a distinção radical entre elite e povo, entre aqueles que detêm o poder e a riqueza e os excluídos: DaMatta olha mais para a história da produção dessa diferença enquanto Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro privilegiam mais a formação de um único povo miscigenado.


3 Considere o seguinte texto de Gilberto Velho: (BAIXE O PDF PARA VISUALIZAR O TRECHO DO LIVRO DE VELHO).


No texto acima, Gilberto Velho discute a ideia de transformar o familiar em exótico a fim de produzir uma antropologia urbana. Além disso, há uma referência à diferença entre o mundo “de uma sociedade menos complexa” e as grandes metrópoles, que poderíamos pensar em termos da diferença entre uma pequena cidade do interior e as grandes capitais brasileiras. Com base neste contexto, responda às questões:

(Orientação do professor Emanuel Isaque):
Gilberto Velho pretende demonstrar que o que vemos numa sociedade urbana é um conjunto muito complexo de grupos, pessoas e identidades distintas e que, em relação a elas, talvez a nossa distância seja a mesma que existe entre um pesquisador e populações indígenas, por exemplo. Velho defende a possibilidade de fazer antropologia com aquilo que está próximo, pois pode representar uma diferença significativa. Vimos no capítulo que além disso, a antropologia urbana deu um passo adiante e admitiu a possibilidade de estudar aquilo que é tão próximo que podemos chamar de semelhante. Nesse caso, a trabalho do antropólogo seria transformar essa proximidade em algo estranho, para poder falar criticamente sobre uma experiência que é também a sua (do antropólogo). Por outro lado, o trecho de Gilberto Velho enfatiza uma diferença entre sociedades “menos complexas” e metrópoles, indicando que o grau de diversidade nessas últimas é maior, e permite um exercício de antropologia urbana. Podemos dizer que o desenvolvimento de uma antropologia urbana no Brasil acompanhou, ao longo do século XX, a transformação de um país essencialmente rural em um país urbano.


a) Há grupos ou práticas sociais em sua cidade que lhe provocam estranhamento?


Resposta pessoal.


b) Há grupos com os quais você se identifica? 


Resposta pessoal.


c) Partindo da história da urbanização do Brasil no século XX e dos conhecimentos históricos sobre esse século, que transformações geográficas, econômicas e sociais permitiram o aparecimento de novos papéis sociais?


Resposta: Esta questão permite várias respostas diferentes. Por exemplo, a entrada crescente das mulheres no mercado de trabalho provocou muitas mudanças no papel social feminino, com diferentes consequências para a organização familiar. O número de mulheres chefes de família dobrou nos últimos dez anos, só para dar um exemplo. O êxodo rural, o adensamento das populações urbanas, o crescimento das cidades, tudo isso contribuiu para o aparecimento de novos papéis sociais, ao longo do século XX.

 

Capítulo V - Temas Contemporâneos da Antropologia


1 Observe a imagem ao lado e responda às questões propostas: (BAIXE O PDF PARA VISUALIZAR A IMAGEM).

a) Escreva sobre a relação natureza/cultura na sociedade capitalista.


Resposta: No capítulo 5 vimos que para diversos autores a divisão natureza/cultura é fundamental para a sociedade capitalista (ou ocidental). Autores como Descola, por exemplo, imaginam que outras formas de pensar o mundo também estão presentes, mas seriam periféricas. A cena de desenho de Walt Disney dá margem para pensar tanto que isso é verdade como o contrário. A imagem mostra vários animais (patos, ratos e um lobinho) vestidos como gente e com comportamentos humanos (carregando livros e indo para a escola). É eviden-te que aqui as fronteiras natureza/cultura estão borradas. Podemos dizer que isso acontece em esferas menos importantes da vida da sociedade capitalista (como as coisas relacionadas ao mundo infantil) e, portanto, afirmar que Descola têm razão. Ou podemos dizer que essas referências “animistas” (quando damos vida e perspectiva humana a animais) são tão recorrentes (em desenhos animados, filmes, propagandas, etc.) que talvez essa divisão radical entre natureza e cultura não seja tão radical assim.


b) Desenvolva uma reflexão sobre a relação entre as ciências biológicas e nosso pensamento cotidiano: se a ciência biológica em geral considera as diversas formas animais no mundo de um ponto de vista neutro e que não os “anima”, ou lhes permite qualquer capacidade de atuação no mundo (além daquela programada nos genes), como é possível criarmos representações em desenhos e outras criações artísticas de animais que agem como gente?


Resposta: Ao mesmo tempo, a ciência pressupõe uma divisão radical entre humanos e animais, que podemos ver como uma extensão de uma divisão entre natureza e cultura: somos a parte “cultura” dessa equação. E se a Biologia não dá agência (capacidade de ação criativa) à natureza, por outro lado tende a explicar muitos comportamentos sociais humanos a partir da natureza (no caso, de nossos genes).


2 Considere este trecho de uma entrevista do antropólogo brasileiro Eduardo Viveiros de Castro à revista Cult: (BAIXE O PDF PARA VISUALIZAR O TRECHO DA ENTREVISTA).


A partir dessa fala de Viveiros de Castro, discorra sobre o que você entendeu quanto às diferentes perspectivas sobre natureza e cultura (a indígena e a não indígena) e quais são as consequências ambientais mais evidentes dos dois modos de ver o mundo.


Resposta: Viveiros de Castro explora nessa fala o contraste entre natureza e cultura presente na nossa sociedade, e como esse contraste é ambíguo, afinal os humanos são também animais. O pensamento indígena conclui o contrário, que no passado todos eram humanos, e de alguma forma continuam a ser, ainda que em corpos diferentes (o corpo da onça, o corpo humano, o corpo do urubu, etc.). Isso explica o perspectivismo amazônico. Por outro lado, Viveiros de Castro indica que o modo de pensamento amazônico impõe aos indígenas uma noção de relação intensa com o mundo: se tudo tem “alma”, é preciso ter cuidado com tudo. Nossa forma de pensar, que ressalta a distinção entre natureza e cultura, acaba por nos distanciar daquilo que chamamos de natureza e permite todo tido de destruição de um mundo que é considerado inferior. No fundo, o que Viveiros de Castro está dizendo é que as populações indígenas amazônicas pensam de uma forma que os impede de destruir seu mundo, algo que a sociedade capitalista vem fazendo sistematicamente e cada vez com mais rapidez e intensidade.

A reprodução por quaisquer meio eletrônico, xerográfico, fotocópia, etc. é proibida. Todos os direitos reservados ao professor Emanuel Isaque Cordeiro da Silva. Mediante as questões do livro: Sociologia Hoje. AMORIM, H.; BARROS, C. R. de.; MACHADO, I. J. de R. Sociologia hoje. 1a. ed. São Paulo: Ática, 2013.

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