Emanuel Isaque Cordeiro da Silva
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Resolução das questões: Cultura: Padrões, Normas e Cultura

1 Como a ideia de cultura se contrapõe à de civilização a partir do trabalho de Franz Boas?

Resposta: A ideia de civilização impõe uma única medida para avaliar todas as sociedades, e essa medida é a das sociedades estadunidenses e europeias. Essa noção de civilização supõe uma escala de valores que favorece seus criadores. A ideia de cultura foi formulada justamente como contraponto a essa concepção, ao pensar as culturas em seus próprios termos e sempre 
no plural.

2 Por que o relativismo cultural pode ser visto como o contrário do etnocentrismo?

Resposta: Ao fazer a avaliação das diferenças, o etnocentrismo utiliza como critério certos valores culturais específicos. Todos os que se afastam desses valores serão considerados atrasados. O relativismo, em contrapartida, pretende evitar que valores específicos sejam usados para avaliar sociedades diferentes e argumenta que cada cultura deve ser entendida apenas em seus próprios termos.

3 Como os discípulos diretos de Boas viam a cultura?

Resposta: Autoras como Ruth Benedict e Margaret Mead acreditavam que as culturas produziam nos integrantes das populações correspondentes comportamentos padronizados, que seriam modelos de produção de individualidades. Assim, determinada cultura produziria um tipo específico de pessoa. Ao se estudar os comportamentos, poder-se-ia chegar a essas personalidades padronizadas, que refletiriam a cultura da qual fazem parte.

4 Qual a grande mudança na percepção de cultura ocorrida na segunda metade do século XX?

Resposta: A grande mudança na percepção da cultura foi a passagem do “comportamento” ao “pensamento”. Ou seja, para os autores do final do século XX, a cultura não era mais observável nos comportamentos, mas estaria em padrões e regras que organizam o pensamento dos integrantes de uma cultura. A mudança estabeleceu um conceito que se preocupa com a dinâmica cultural e as transformações por que passa uma cultura sem que deixe de ser ela mesma.

5 Por que o conceito de cultura tem sido criticado como produtor de estereótipos?

Resposta: Porque algumas descrições acabam por inventar uma realidade da qual a população estudada não pode fugir, pois ela é descrita pelas palavras de outros e muitas vezes tais descrições geram preconceitos em relação às pessoas dessa sociedade. Desse modo, o conceito de cultura pode se transformar em um instrumento de desconhecimento, e não no seu contrário, como querem muitos antropólogos.

6 Considere a letra da canção Mais do mesmo de Legião Urbana, a seguir: (BAIXE O PDF PARA VISUALIZAR A LETRA DA CANÇÃO)

Relacione essa letra com o conteúdo do capítulo, principalmente a última parte.

Resposta: A letra da canção da Legião Urbana trata do dilema da representação. Quando o sujeito da música diz “bondade sua me explicar (...) exatamente o que eu sou”, o autor da letra faz uma crítica semelhante à dos críticos do conceito de cultura, evidenciando a impossibilidade de o objeto estudado (nesse caso, o habitante do morro ou da favela) ter sua própria voz ouvida, pois quem o define é o Outro. A canção faz uma reflexão sobre a diferença social, evidente no início da letra, quando contrapõe o menino branco que sobe o morro para se divertir (fora do seu lugar) e a violência (chacina de adolescentes).

7 Agora considere esta imagem: (BAIXE O PDF PARA VISUALIZAR A IMAGEM)

Capa de revista portuguesa (edição de abril de 2000) sobre os 500 anos da descoberta do Brasil. Na base da imagem lê‑se: “Brasil, 500 anos do melhor que demos ao mundo”.

Que tipo de representação é essa? Como esse tipo de representação se relaciona ao conteúdo do capítulo?

Resposta: A imagem de capa da revista reproduz um estereótipo, a sensualidade atribuída às mulheres brasileiras, vistas como mais voluptuosas do que as demais. Isso implica numa série de estereótipos, atribuídos ao país como um todo. Essa capa demonstra como todo o país é visto por meio de uma representação preconceituosa. Como estudamos no capítulo, podemos entender a dinâmica de uma construção preconceituosa de imagens sobre os outros (neste caso, os outros somos nós, brasileiros). Quando nos vemos representados por estereótipos é mais fácil entender as críticas às narrativas que tiram dos “nativos” a sua própria voz.

8 Considere a tirinha do cartunista Laerte publicada em 2011. (BAIXE O PDF PARA VISUALIZAR A TIRINHA)

Você consegue pensar essa tirinha usando o contraponto entre cultura estática e cultura dinâmica? E, a partir daí, é capaz de entender as consequências políticas dessa contraposição?

Resposta: A tirinha de Laerte identifica a vontade de mudança das pessoas como “vazia”, em oposição à manutenção do mundo como está (que seria o “cheio”, “correto”). A ideia é justamente demonstrar como a vontade de mudança enfrenta resistências, a ponto de ser vista como um problema. Se relacionarmos essa metáfora com o desenvolvimento do conceito de cultura, veremos que o conceito pensado como um conjunto estático de comportamentos favorece uma perspectiva conservadora da realidade (uma vontade de deixar tudo como está), ao passo que o conceito dinâmico pode questionar essa perspectiva conservadora. Um conceito estático pode facilmente dar suporte a visões preconceituosas, como vimos ao longo do capítulo.

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EMANUEL ISAQUE CORDEIRO DA SILVA

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