Resumo

O presente trabalho visa analisar apercepção dos pais sobre as cauas do desvio comportamental dos adolescentes do Bairro Papelão no Município do Uíge. O mesmo teve como referencial teórico a teoria interacionista sobre o comportamento, conforme a abordagem de Howard Becker e Zassala. Visto que,  a teoria interacionista estabelece controlo social como essência do desenvolvimento comportamental a partir do processo de interação entre os evolvidos. Os adolescentes comete pequenos ilícitos e estes se perpetuam na ficha criminal e histórica social da pessoa por toda a sua vida, mesmo que ela mude seu jeito de agir, parando de executar os delítos. Utilizou-se neste estudo a abordagem qualitativa. Participaram no estudo 5 sujeitos, foi aplicada aos sujeitos uma entrevista semi-estruturada, cujos dados foram submetidos à análise de conteúdo (através do Software Nvivo 12). A média da idade dos participantes foi de 43 anos, A análise dos resultados mostra que o desvio comportamental dos adolescentes do município do Uíge é resultante de algumas causas como: a falta de acompanhamento dos pais e encarregados de educação, as condições sócio económico das famílias, os vários grupos onde estes convivem, deixando-se levar pelas influencias do meio onde os adolescentes convivem. Realmente, os mesmos apresentaram-se como um processo complexo que compromete o futuro dos próprios adolescentes. Concluiu-se que, são várias as implicações que este estudo aporta quer para a teoria interacionista sobre o comportamento, quer para a compreensão da interação humana, tendo em vista a maneira como os adolescentes hoje comportam-se.  

Palavras-chave:  percepção social, pais, desvio comportamental adolescentes.

1. Intrrodução

No nosso dia-a-dia, deparamo-nos com inúmeros casos de factores psicossociais manifestado no quadro de comportamentos desviantes, sendo em grande parte protagonizados por adolescentes e jovens, principalmente da faixa etária dos 12 à 25 anos de idade, isto porque em cada dia que passa, as famílias estão cada vez mais longe do seu papel social. Ainda às problemáticas no decorrer da adolescência, surge muita das vezes os comportamentos desviantes e a delinquência juvenil. Por um lado, esta conduta encara o adolescente como vítima das adversidade e do contexto onde se inseriu e inseri o seu desenvolvimento, por outro lado, é igualmente aceite que este percurso desviante constituise como uma condição necessária para o desenvolvimento do adolescente, aparecendo assim, como estratégia para a solução de conflitos decorrentes dos processos de socialização, com o fim último da adaptação. (AGRA, 1986). O diálogo mantido com os adolescentes e jovens detidos por comportamento desviante numa das esquadra do bairro papelão no município do Uíge, mostram relato de histórias de vida com maus tratos, problemas de comunicação e de relação afectiva entre os adolescentes e as suas famílias. Quando não há sentimento de pertença e motivação para se envolver no ambiente do qual faz parte, seja escolar ou familiar, o adolescente e jovem, não consegue criar padrões comportamentais e incompetências sociais, com maturidade que lhe permitam distinguir comportamentos adequados de inadequado. (FONSECA, 2000). Os comportamentos desviantes, muita das vezes são o resultado da dificuldade que os jovens sentem em ultrapassar os obstáculos inerentes a esta fase de desenvolvimento. Portanto a escassez de métodos sociais capazes de moldar e harmonizar no seio juvenil, principalmente a parte desempregada, sobre como devem ultrapassar os seus problemas do dia-a-dia, preocupa a sociedade em geral. A perca do hábito do diálogo entre os membros de uma mesma família, constitui graves problemas que deixa grande parte da camada juvenil de forma desapercebida e abandonada, gerando factores de comportamentos psicossociais negativos que os possa afligir no seu modo de vida [...]