Meu jeitinho brasileiro de ser.

Brasileiro é especialista em criticar, né! O técnico que não escalou o time de forma correta é o que mais sofre. Sem falar no chefe que é sempre exigente demais, a sogra que toma conta da nossa vida, o filho da vizinha que é mal educado e tantos outros. O problema é que sempre procuramos justificar nossas mazelas olhando os erros dos outros e, muitas vezes, não olhamos para nós mesmos, para os nossos comportamentos. Será que estou sendo ético com este comentário ou com esta atitude? Fomos às ruas pedir o impeachment do Collor e da Dilma por condutas inadequadas, por corrupção. Corretíssimo!  Queremos governantes que dêem exemplos para os nossos filhos e sobrinhos, mas será que estamos sendo exemplo? Precisamos pensar nisso todos os dias.

Não adianta você furar a fila do banco, estacionar na vaga destinada a deficientes e idosos, fazer de conta que está dormindo no banco do ônibus só para não dar lugar ao idoso, falsificar atestado médico, avançar o sinal vermelho e tantas outras atitudes “inocentes”, mas que causam sérios problemas para muitos.  Esse tal jeitinho brasileiro de transgredir as regras não é nada legal! Imagina um carro estacionado de forma irregular. Essa atitude pode prejudicar uma mãe que passa com um carrinho de bebê, um deficiente visual, um idoso ou um cadeirante. Só paramos para pensar nas consequências quando sofremos com tais atitudes. Transgressões que não combinam com um povo que mostra sua indignação contra a corrupção a todo o momento no “Facebook”. Queremos cobrar, devemos lutar por um país melhor, por melhores condições na saúde, na educação, todavia devemos servir de exemplo para as futuras gerações. Para ensinarmos, devemos, desde cedo, priorizar um comportamento ético. Só poderemos cobrar do filho, do aluno e, principalmente dos governantes se estivermos fazendo a coisa certa. Ética e educação não se aprendem somente na escola. Aprendemos o significado do bom dia, do obrigado e a reconhecermos os nossos erros em casa. Não mentir, não xingar,  ser correto, pontual, solidário, respeitar as pessoas ainda que tenham pensamentos diferentes do nosso, opção sexual e religião diferentes , a não mexer nas coisas dos outros, a devolver aquilo que não é nosso e tantas outras coisas  em casa. É em casa que a criança aprende, no seu convívio familiar, os princípios morais. É claro que a escola tem um papel importantíssimo na educação de uma pessoa. Vários aspectos básicos da vida em sociedade são aprendidos na escola. No entanto, muitos pais, por falta de tempo, algumas vezes, deixam essa tarefa de educar somente com a escola. Erro fatal!

Todos os dias, presenciamos casos de desrespeito contra o negro, contra o gay ou contra a mulher. Que educação é essa que estamos dando em casa?  É fundamental que os responsáveis tenham essa preocupação. Refletir um pouco sobre o que estamos ensinando, sobre o que estamos conversando em casa e sobre os nossos exemplos sempre. Que tal refletirmos sobre isso? É necessário disponibilizar um tempo para sentarmos e conversamos sobre as situações do dia a dia com os nossos filhos. Ensiná-los o valor do respeito ao próximo, o respeito às regras, o respeito às diferenças, principalmente em um mundo tão plural como o nosso. Eles precisam saber que nos preocupamos com eles.

Luciana Luiza de França - Professora de Língua Portuguesa, Literatura, Língua e Cultura Espanhola e Hispano-Americana.  Pós-graduada  pela UERJ.  E-mail: professoralluciana@hotmail.com