PROJETO DE UNIFICAÇÃO DOS COMANDOS DAS POLÍCIAS NO ESTADO DE SANTA CATARINA

Data: 23.07.2003, horário: 11:00 horas:

Estive na sala do Delegado Tim e Valquir estava estreando seu novo “laptop” (Compac). Fui até onde ele se encontrava para saciar minha curiosidade em conhecer o novo “brinquedinho” e esperar algumas demonstrações.  Nesse nosso encontro a única coisa de produtiva foi a presença do Diretor da Polícia Técnica e Científica, Delegado Ricardo Feijó,  que declarou perante ao pessoal que o “projeto” para compra de material para o laboratório daquele órgão já estava em Brasília. Em razão disso lancei uma proposta:

- “Então o que adianta nós deliberarmos sobre o assunto. Olha Tim, manda para o Dirceu uma comunicação que o assunto foi deliberado aqui por nós, mas que restou prejudicado porque o Diretor de Polícia Técnica e Científica esteve aqui perante o grupo e informou que o projeto já está em Brasília”. 

Tim e os demais membros do grupo concordaram. Perguntei  se o documento que encaminhamos sobre a “compactação das Delegacias da Capital” já havia sido deliberado (nos termos do documento que redigi). Tim, meio ressabiado, respondeu que não.  Naquela última semana as reuniões do grupo quase não renderam, mesmo porque estive por pouco tempo nos encontros e o pessoal parecia bastante disperso.

Data: 24.07.2003, horário: 08:30 horas:  

Estava dando uma repassada nos jornais e acabei lembrando do encontro do grupo na sala do Delegado Tim. Logo pensei em colher uma matéria que havia selecionado para levar para o “grupo” e  argumentar que a PM não estava compactando coisa nenhuma, muito pelo contrário. Aliás, a política deles parecia não compactar absolutamente nada, isto sim, expandir sempre”:  

 

“Bairro Tapera deve ganhar base da PM - A comunidade do bairro Tapera, em Florianópolis, deve ganhar uma base operacional da Polícia Militar. Desde o início do ano foram registrados 157 atendimentos da Polícia Militar na região, sendo dois homicídios. O local para a instalação da base ainda está sob avaliação. Outra mudança será a transferência da sede da 3ª Companhia da PM, hoje localizada no bairro do Pantanal, para a Praia do Campeche, facilitando o atendimento ao Sul da Ilha”(DC, 24.7.2003). 

Horário: 10:00 horas:

Fui para reunião do “Grupo” e encontrei o Delegado Tim sozinho na sala. Inicialmente começou a lamentar a reunião de ontem, sem citar nomes, condenou a discussão sobre futebol. Eu procurei aliviar porque sabia que ele estava se referindo a Valquir e diante dos desencontros entre os dois era natural que houvesse uma “crise” de energia circulando a aura desses dois protagonistas. Tim lembrou que apesar de estar há dez anos aposentado ainda possuía no sangue a vontade de lutar pela instituição. Eu concordei. Em seguida chegou Valdir. Trouxe comigo aquela nota no jornal, de cujo conteúdo constava que a PM pretendia colocar uma base militar no Bairro Tapera e que iria desativar a do Pantanal e colocar uma no Bairro Campeche. Antes de qualquer coisa afirmei:

- “Hoje eu quero abrir a reunião com uma proposta: ‘vamos sugerir ao Chefe de Polícia a criação da décima primeira Delegacia de Polícia no Campeche e uma outra nos Ingleses’, o que vocês  acham da ideia?”. 

Tim me olhou sério e Valdir imediatamente fez uma sugestão:

- “Eu proponho que seja na Armação. Tenho casa lá e aquilo está crescendo demais, já comporta uma Delegacia lá para atender o Pântano do Sul, Açores, Solidão...”.

Concordei com a ideia de Valdir argumentando:

- “Tá certo. A Armação fica entre o Campeche, Morro das Pedras e Pântano do Sul...”. 

Entreguei a nota publicada no jornal e fiz a leitura. Valquir havia acabado de chegar e pegou a conversa, logo vindo a se inteirar da discussão. Tim não concordou com a proposta e passou a andar de um lado para outro na sala...  Tim ainda sonhava com a “compactação” e a discussão novamente começou a ficar acalorada. Tim de pé mais uma vez dava a impressão que não queria se render aos nossos argumentos.  Novamente não chegamos a um acordo e eu propus que aguardássemos Braga retornar das férias. Valdir, de forma racional, propôs que nós ouvíssemos os Delegados da Capital acerca da proposta de compactação. Também sugeriu que se locasse um novo prédio para a 8ª Delegacia de Polícia da Capital.  Essa reunião foi uma das mais picantes com cenas dignas de um pastelão, considerando a intransigência de Tim e o coro contra. Nunca se falou tanto dos colegas ausentes... Num certo momento Tim relatou que o Delegado Henrique (Diretor de Polícia do Interior)  foi procurado por um colega que comentou que o pessoal proprietário de “bingos” e “máquinas eletrônicas” havia ficado chateado com um diretor que estava recebendo todo o dinheiro que eles estavam repassando... Em razão disso esse “pessoal” procurou um outro diretor propondo que o repasse do dinheiro mudasse de mãos...  Tim comentou que esse diretor conversou com o Delegado Henrique perguntando: “... E agora o que é que nós vamos fazer? Tens alguma ideia?” Tim acrescentou ainda: “... O Henrique é uma pessoa séria, honesta. Ele disse para esse diretor que ele não se envolvia com ‘dinheiro sujo’. Imagina, ainda bem que o Henrique é uma pessoa séria, honesta...”. Fiquei pensando quem seria esse Diretor? Se não era o Henrique, quem poderia ser? Fiquei pensando em conversar com Braga e lamentei que ele nunca tivesse conversado esse assunto comigo, era importante..., porém, fácil de intuir. Depois conversamos sobre outros assuntos também picantes sem que nada fosse deliberado... 

Data: 25.07.2003, horário: 12:30 horas:

Estava na Churrascaria Viapiana (Araquari), localizada às margens da BR-280, almoçando e eis que chegou o Investigador Adelson Westrupp, responsável pela Delegacia Municipal, que pediu licença para sentar na minha mesa. Observei que ele estava curioso e  ansioso para bater um papo e saber das novidades. Durante o curso da conversa fez uma revelação:

- “Doutor, o  ‘Marcucci’ já caiu. Ele já está fora. É só questão de dias. Estão falando num Delegado novo aí de Joinvelle para ocupar o lugar dele na Regional. O Zulmar não. O Zulmar está fora também”. 

Meio que surpreso argumentei:

- “Foi por causa daqueles desentendimentos lá com o o Sergio Silva na Conurb?”

Adelson confirmou que Marcucci foi cumprir uma mandado judicial, mas a forma como ele procedeu não estava correta. Ele intimidou pessoas e a Câmara de Vereadores de Joinville não estava perdoando. Agora era só questão de dias. Mais a seguir Adelson fez uma importante revelação:

- “O Senhor lembra quando eu lhe disse que o Dirceu está no cargo porque é casado com a filha de um vereador do PMDB que é muito amigo do Luiz Henrique? Quem apoiou o nome do Dirceu para ser o Chefe de Polícia foi o Deputado Adelor Vieira...”.

Fiquei pasmo e perguntei:

- “Mas como? Quem colocou o Dirceu não foi o Luiz Henrique?”

Adelson continuou:

- “Não doutor, que nada, todo mundo sabe lá em Joinville, é só perguntar. Quem deu respaldo político para ele foi o grupo do Deputado Adelor Vieira. Sem isso ele não chegaria...”.

(...)”.

Fiquei pensando na história que o Dirceu Silveira me contou, a viagem junto com Luiz Henrique para Itajaí, testemunha do seu casamento... seria verdade ou tudo mentira...?