HISTORICAL PANORAMA OF PHILOSOPHICAL PROBLEMS

Emanuel Isaque Cordeiro da Silva (1)

Antes de entrar cuidadosamente no estudo de cada filósofo, em suas respectivas ordens cronológicas, é necessário dar um panorama geral sobre eles, permitindo, de relance, a localização deles em tempos históricos e a associação de seus nomes com sua teoria ou tema central.

l. OS FILÓSOFOS PRÉ-SOCRÁTICOS - No sétimo século antes de Jesus Cristo, nasce o primeiro filósofo grego: Tales de Mileto(2). Ele e os seguintes filósofos jônicos (Anaximandro: Ἀναξίμανδρος:(3) 610-546 a.C.) e Anaxímenes: (Άναξιμένης: 586-524 a.C.) tentaram expressar/elucidar o que é a arché, ou constitutivo fundamental do Universo.(4) Também sobressaem as teorias de Pitágoras (Ὁ Πυθαγόρας: 570 a.C.- 495 a.C.), completas de misticismo e Matemática; a de Heráclito (Ἡράκλειτος ὁ Ἐφέσιος: 540-470 a.C.), o filósofo do devir e o de seu oponente, Parmênides (Παρμενίδης: 530-460 a.C.), que elucida a primeira teoria do ser, e para qual é alcunhado como o iniciador da Metafísica.

Anaxágoras (Ἀναξαγόρας: 500 a.C.- 428 a.C.) esboça uma teoria sobre o Nous, o espírito divino. Por outro lado, Demócrito (Δημόκριτος: Grécia: 460-370 a.C.) e Empédocles (Ἐμπεδοκλῆς: 490 a.C.-430 a.C.) insistem no materialismo. Em contrapartida, os sofistas (Parmênides, Cálicles (Καλλικλῆς: personagem platônico cuja existência é duvidosa) e Górgias (Γοργίας: 485 a.C.-380 a.C.)) gozam das suas aptidões à dialética, e colocam o relativismo como uma posição filosófica. Sócrates será o inimigo mais temível dessa posição. Este é o começo do movimento filosófico de Atenas, que culmina nos séculos quinto e quarto, tal qual, posteriormente, veremos.

2. O APOGEU GREGO – Sócrates (Σωκράτης: 469 a.C.-399 a.C.), Platão (Πλάτων:  428/427-348/347 a.C.)  e Aristóteles (Ἀριστοτέλης: 384 a.C.-322 a.C.) formam o triunvirato dos grandes filósofos gregos. O primeiro (Sócrates), com seu método "maiêutico" e sua teoria do conceito; o segundo (Platão), com sua teoria das ideias e seu estilo literário (dialogista); e o terceiro (Aristóteles), com a estruturação dos principais ramos filosóficos, como a Lógica, a Metafísica, a Ética, a Psicologia racional e a Política; todos eles elevaram a Filosofia para um posto de primeira ordem. 

Doravante, todos os filósofos tornam-se credores das contribuições desses gênios. Em certos autores, é clara a influência de Platão ou de Aristóteles. Sendo que, ambos os filósofos, tiveram influência absoluta de Sócrates, uma vez que Platão fora seu discípulo, e Aristóteles discípulo de Platão. A Idade Média, por exemplo, foi toda ela, em sua gênese e desenvolvimento, alicerçada no pensamento e nas ideias platônicas; tal era histórica é caracterizada pela luta em favor de um ou de outro autor; o platonismo tomou precedência nos primeiros séculos do cristianismo; somente após o décimo século Aristóteles foi redescoberto.

3. A FILOSOFIA CRISTÃ MEDIEVAL - Santo Agostinho (354 a.C.-430 a.C.) se destaca, no quinto século, com sua teoria da iluminação e a aplicação da teoria platônica ao Cristianismo. No século XIII, São Tomás de Aquino (1225-1274), sintetiza Aristóteles com o Cristianismo. Os dois autores formam o núcleo da filosofia cristã em seus respectivos séculos. 

A escolástica teve seu tempo de decadência. Se mencionam, principalmente, dois autores: João Duns Escoto (1266-1308)  e Guilherme de Ockham (1285-1347). O primeiro é o "Doutor Sutil ", e o segundo cai em um fideísmo e um nominalismo, para todos os conceitos criticáveis. Em uma segunda parte, tentaremos explicar os respectivos pensamentos dos autores mencionados, e outros que pertencem ao mesmo tempo, antigos e medievais. Naquela época, a Filosofia era puramente realista, aplicada ao mundo e ao homem. Somente na Idade Moderna, a Filosofia assumirá o problema do conhecimento como a base e o começo de todo filosofar. 

4. A FILOSOFIA RACIONALISTA (MODERNA) - Na Idade Moderna, sobressai o racionalismo de Descartes (1596-1650) prolongado, então, com Malebranche (1638-1715) (ocasionalismo), Espinosa (1632 -1677) (panteísmo) e Leibniz (1646-1716) (teoria das mônadas). Estamos nos séculos XVII e XVIII. A atenção será focada nas disputas filosóficas da corrente empirista contra a racionalista.

5. A FILOSOFIA EMPIRISTA – O empirismo é florescido, principalmente, na Inglaterra. Francis Bacon (1561-1626), primeiro, e depois Locke (1632-1704) com sua rejeição de ideias inatas, Berkeley (1685-1753) com postura e ideias paradoxais, também idealistas e Hume (1711-1776), com suas famosas críticas contra o princípio da causalidade e o conceito de substância, são os principais autores.

6. KANT E OS IDEALISTAS ALEMÃES - Como a tentativa de sintetizar o racionalismo e empirismo, está a teoria de Kant (1724-1804), no século XVIII. Para o seu gênio seguido pelos três idealistas alemães mais importantes: Fichte (1762-1814) (idealismo subjetivo), Schelling (1775-1854) (idealismo objetivo) e Hegel (1770-1831) (idealismo absoluto). Esses Autores representam o ápice da especulação filosófica. A análise, a profundidade, a complexidade da expressão e o espírito sistemático são as características do gênio alemão idealista.

7. OS FILÓSOFOS DO SÉCULO XIX - Antes de tudo, é necessário mencionar, no século dezenove, aos dois grandes críticos de Hegel, que são Kierkegaard (1813-1855) (precursor do existencialismo) e Marx (1818-1883) (com seu materialismo dialético). O próximo é outro casal: Nietzsche (1844-1900) (teoria do Super-homem) e Schopenhauer (1788-1860) (com seu absoluto pessimismo). Comte (1798-1857) com sua doutrina positivista, completará o quadro desses filósofos.

Numa outra oportunidade, vamos desmembrar sobre o pensamento e principais ideias acerca desses autores.

8. OS FILÓSOFOS DO SÉCULO XX - Antes de tudo, há um autor que iluminou a filosofia do século XX: Edmund Husserl (1859-1938), fundador do método fenomenológico. Em seguida, existem dois fluxos que são derivados diretamente de Husserl, a saber, o existencialismo e a axiologia. 

Dentro da corrente axiológica, estudaremos Scheler (1874-2928). Por outro lado, o existencialismo tem quatro autores principais; dois são alemães: Heidegger (1889-1976) e Jaspers (1883-1969); e os demais são franceses: Sartre (1905-1980) e Marcel (1889-1973). Heidegger insiste em que seu tema tratado em sua filosofia não é a unicidade do homem, mas o ser em geral. Jaspers é famoso por seu conceito de transcendência (Deus). Sartre é um antiteísta sincero, e seu existencialismo é definido como um pensamento que assume todas as consequências da negação de Deus. Em contraste, Gabriel Marcel é um filósofo Católico, que conseguiu uma análise profunda das situações humanas, que aparecem em íntima concordância com as verdades cristãs. Vamos terminar com Russell (1872-1970), autor básico do positivismo lógico.

Cronologia de filósofos e suas escolas até nossos dias

Filosofia Antiga

- Escola naturalista da Jônia: Tales, Anaximandro e Anaxímenes;

- Escola matemática da Itália: Pitágoras e os pitagóricos;

- Escola idealista de Eléia: Xenófanes (570-475 a.C.), Parmênides, Zenão (490/85-420 a.C.) e Meliso (h.443);

- Escola empirista: Heráclito, Empédocles e Anaxágoras;

- Escola atomista de Abdera: Leucipo (h.437) e Demócrito;

- Escolas de Atenas: 

- Sofistas: Protágoras (480-410), Górgias (484-375?);

- Sócrates, Platão e Aristóteles;

- Pirronismo: Pirro (h.365-h.275);

- Estoicismo: Zenão de Cítio (359/33-262) e Crisipo (281/77-208);

- Epicurismo: Epicuro (341-270);

- Nova Academia: Arcesilau (315-241) e Carnéades (214-129);

Romanos: Sêneca (4 a.C.-65 d.C.), Marco Aurélio (121-180) e Cícero (106-43).

- Escola greco-judia: Fílon de Alexandria (25 a.C.-50 d.C.);

- Neoplatonismo: Plotino (204/5-270), Porfirio (h.233-304), Jâmblico (h.250-330) e Proclo (h.411-485).

Filosofia patrística 

- Apologistas: São Justino (100/10-165), Ireneu de Lyon (h.140-h.l 77) e Atenágoras (fines s. II);

- Alexandrinos: São Clemente (h.145/50-215) e Orígenes (h.185-255);

- Africanos: Tertuliano (h.160-230), Arnóbio (h.260-h.327) e Lactâncio (nascido h. 250);

- Gregos: São Basílio (h.330-379), São Gregório de Nazianzo (330-390), São Gregório de Níssa  (330-390) e Pseudo-Dionísio (h.500);

- Latinos: São Hilário (h.315-367), Santo Ambrósio (333-397) e Santo Agostinho;

- Outros: Claudiano (+h.473), Boécio (480-524), São Isidoro (h.560-633) e Beda (672/3-735).

Filosofia Medieval/Escolástica

- Judeus: Isaac Israeli (+h.940), Salomão Ibn Gabirol (h.l020-p.l058) e Maimônides (1135-1204);

- Árabes: Alquindi (h. 796-874), Al-Farabi (870-950), Avicena (980-1037), Algazali (1058-1111) e Averróis (1126-1198);

- Escola palatina: Alcuíno de Iorque (730/5-804), Rábano Mauro (h.784-856), Escoto Erígena (h.810-h.870) e Papa Silvestre II (+1003);

- Dialéticos: Santo Anselmo (1033/4-1109) e Pedro Abelardo (1079-1142);

- Tradutores: Domingo Gundisalvo (meados s. XII), Gerardo de Cremona (h. 1114-1187);

- Enciclopedistas: Teodorico de Chartres (+1155), Hugo de São Vitor (+1141) e Vicente de Beauvais (+1264);

- Universidades: Guilherme de Auvergne (1180- 1249) e Sigerio de Brabante (+h.l284);

- Dominicanos: São Alberto Magno (1206-1280) e Santo Tomás de Aquino;

- Franciscanos: Alexandre de Hales (1170/80-1245), São Boaventura (1217-1274), Roger Bacon (h.1210/14-1292), João Duns Escoto, Raimundo Lulio (1235-1315) e Guilherme de Ockham (h.1285-1349).

Filosofia Moderna

- Humanistas Renascentistas: Ficino (1433-1499), Erasmo (1467-1536), Maquiavel (1469-1527), Thomas More (1480-1535), Juan Luis Vives (1492-1540) e Giordano Bruno (1548-1600);

- Racionalismo: Descartes, Malebranche, Espinosa e Leibniz;

- Empiristas: Francis Bacon, Thomas Hobbes (1588-1679), Locke, Berkeley e Hume;

- Escola escocesa: Thomas Reid (1710-1796);

- Iluministas: Voltaire (1694-1778), Condillac (1715-1757), Diderot (1713-1784) e J. J. Rousseau (1712-1778).

- Idealismo transcendental: Kant;

- Idealismo subjetivo: Fichte;

- Idealismo objetivo: Schelling;

- Idealismo absoluto: Hegel;

- Pessimismo: Schopenhauer;

- Ecletismo: Cousin (1792-1867);

- Positivismo: A. Comte, J. S. Mill (1806-1873) e H. Spencer (1820-1900);

- Socialismo: H. Saint-Simon (1760-1825), Ch. Fourier (1772-1837) e K. Marx;

- Vitalismo: Nietzsche e W. Dilthey (1833-1912).

Filosofia Contemporânea

- Intucionismo: H. Bergson (1859-1941);

- Pragmatismo: Ch. S. Peirce (1839-1914), W. James (1842-1910) e J. Dewey (1859-1952);

- Fenomenologia: Husserl, Scheler, N. Hartmann (1882-1950) e M. Merleau-Ponty (1908-1961);

- Existencialismo: Jaspers, Heidegger, Marcel e Sartre;

- Atomismo lógico: B. Russell (1872-1970) e L. Wittgenstein (1889-1951);

- Positivismo lógico: M. Schlick (1882-1936), R. Carnap (1891-1970 ) e A. J. Ayer (1910-1990).

- Filosofia analítica: J. L. Austin (1911-1960), G. Ryle (1900-1976), W.V.O. Quine (1908-2000), P. F. Strawson (1919-2003) e H. Putnam (1926-);

- Hermenêutica: H. G. Gadamer (1900-2002), P. Ricoeur (1913-2007) e J. Habermas (1929-).

- Estruturalismo e pós-estruturalismo: F. de Saussure (1857-1913), C. Lévi-Strauss (1908-2009) e M. Foucault (1926-1984).

- Filosofia pós-moderna: J. F. Lyotard (1924-1999), G. Deleuze (1925-1995), J. Derrida (1930-2004), R. Rorty (1931-2007) e G. Vattimo (1936-).

- Comunitaristas: A. Maclntyre (1929-), Ch. Taylor (1931-).

Notas:

(1): Bacharelando em Zootecnia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE (2019-). Tecnólogo em Agropecuária pelo Instituto Federal de Pernambuco Campus Belo Jardim (2016-2018). Normalista (magistério) pela Escola Estadual Frei Cassiano Comacchio (2014-2017). Pesquisador assíduo de assuntos com cunho educacional, filosófico, político e social. Contatos: eisaque335@gmail.com / eics@discente.ifpe.edu.br e 
WhatsApp: (82)9.8143-8399.

(2):  Θαλής ὁ Μιλήσιος (624 a.C./623 a.C. a 546 a.C.) – É considerado o primeiro filósofo da História. Vem da tradição da Escola Jônica, Escola de Mileto e da tradição Naturalista. Seus principais interesses foram a Matemática, Metafísica, Ética e Astronomia. Para Tales, o princípio de tudo provém da unidade chamada água.

(3): Nomes em grego antigo e datas conforme o portal Wikipédia.

(4): ἀρχή – Arché ou arqué, para os pré-socráticos é o elemento constitutivo de todas as coisas do mundo. Começo, 
ponto de partida, princípio final, substância subjacente (Matéria), princípio não demonstrável (PETERS, F. E. Greek Philosophical Terms: A Historical Lexicon. New York: New York University Press, 1967. p. 23-24). Diante disso, os primeiros filósofos, ditos, fisiólogos, eram divididos em monistas e pluralistas, conforme a quantidade de elementos que os mesmos consideravam inerentes da constituição do todo. Para Tales, o elemento constitutivo do todo (arché) era a água ou a umidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CHAUÍ, M. Iniciação à Filosofia. Vol. Único. 2ª ed. São Paulo: Ática, 2013. 460 p.

SANTOS, R. dos. Filosofia: Uma breve introdução. 1ª ed. Pelotas: Dissertativo Incipiens, 2014. 108 p.

 

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