Os actuais desafios do professor

A problemática do presente artigo é a seguinte: quais são os desafios do professor na actualidade?

O mesmo tem como objectivo geral descrever os problemas encarados pelo professor e o objectivo específicoé identificar os principais problemas que caracterizam o quotidiano do professor.

O professor é concebido como aquele homem que cultiva e molda a sociedade. Ele é tido como espelho no meio em que vive. Ao longo do tempo, ele foi desempenhando este importante papelna sociedade, moldando e formando homens que possam construir uma sociedade brilhante e activa no desenvolvimento da mesma. É tido como um segundo pai e está sempre presente e empenhado a ensinar e transmitir seus conhecimentos. Ele detém uma profissão que exige muito sacrifício desde desempenho, pesquisa, entre outros. O professor vive trabalhando, isto é, dorme, sonha e acorda exercendo a sua função. Todavia, as suas condições de trabalho, sócias e económicasnão permitem que ele realizecondignamentea sua profissão.

Professor é a profissão mais generosa, humilde e sacrificada, um pouco por todo mundo. Todos os profissionais passam pelas mãos de um professor, mas são os mesmos que o desvalorizam. O professor, muitas vezes, recorre a trabalhos extras para responder às suas necessidades devido as condições adversas a que está sujeito, reduzindo deste modo o seu desempenho,o que contribui para a baixa qualidade de trabalho e de ensino.

A sociedade,não tem noção do trabalho do professor. Para ela,o professor é o individuo que tem quadro egiz na mão. A sociedade não tem o mesmo respeito e consideração que outrorativera para com o professor. Ser professor, hoje,não carece somente de uma vocação, mas também de muita paciência devido as adversidades a que é sujeito. Esta profissão é tão desvalorizada que somente porvocação pode encorajar um indivíduo a optar porela. O professor é tratado como objecto e não como um sujeito, um individuo que é obrigado a implementar as orientações recebidas.

Existem factores que ocasionam a degradação da qualidade de vida do indivíduo, os quais quando não sanados no próprio ambiente de trabalho, como o desrespeito profissional, a falta de condições ambientais, a falta de recursos didácticos, ou a nível individual, como a desmotivação financeira, a impossibilidade de capacitação, acarretam sintomas psicológicos e até doenças psicossomáticas ou cardiovasculares, como por exemplo, a depressão ou o stresse, os quais levam à diminuição da produtividade do profissional e consequentemente a qualidade do ensino ministrado por ele. (Martius&Joemar, 2008, p.3)

Dos factores acima referenciados, o mais grave é a situação económica ligada à baixa remuneração do professor, que chega a receber o mais baixo salário de entre vários profissionais. O mais grave é que o seu salário não é compatível com o nível do trabalho por ele desempenhado. No que tange ao respeito, a sociedade não nutre nenhum respeito pelo professor. O professor é mais referenciado em aspectos negativos que positivos. É de salientar que as exigências a ele feitas não são compatíveis às suas condições (financeiras, de trabalho e sociais). Outro factornão menosimportante, está ligado as condições sociais e de trabalho que são precárias. Ele exerce, actualmente, um duplo papel, o do professor e do pai, porque os pais andam ausentes da escola e da educação dos seus filhos, daí que o professor é obrigado a redobrar os esforços. Exercendo umaprofissão vulnerável a sanções, ameaças e críticas, ele procura trabalhar de maneiras a evitá-las. Pois que tudo o que está relacionado com problemas na aprendizagem dos alunos como a fraca qualidade e fracasso de ensino responsabiliza-se quase que sempre o professor. Ele é o elo mais fraco do sistema.

O professor passou a ter mais dificuldades quer nas condições de trabalho, quer nas económicas e sociais e a sociedade parece não perceber isso. Esse profissional muitas vezes usa um pouco ou tudo o que tem paratornar a suaaula mais prazerosa, animada e prática, sacrificando inúmeras vezes seu pobre salário, produzindo e reproduzindo material didáctico para seus alunos.Muitas vezes, élhe atribuído disciplinas sem capacitação prévia e nem material didáctico ou livro da mesma disciplina. O professor é obrigado a adquirí-locom fundos próprios, porque a escola nunca tem tido fundos para aquisição de livros,até mesmopara a biblioteca.

Ser professor é decidir viver nas condições mais adversas, o que não podia ser. Esta é uma profissão sensível e que carece de muita atenção, apoio (moral, psicológico e social) e investimento. Quer por parte do governo, quer por parte da sociedade, requer-se que se atribua o devido valor, dignidade e mérito que lhe foi retirado. Porque, pelo contrário,verificar-se-á um contínuo desligamento entre o professor e a escola devido à sua desvalorização e desprestígio.O professor não poderá,por si só, resgatar a sua dignidade, principalmente se os debates criados em torno da educação tenderem à desprestigiá-lo e reduzir o seu esforço a zero.

Quero concordar com Leila Bambino[1](2010) quando diz “sou professora, percebo a cada ano o descrédito dos profissionais em relação a investimentos na Educação. As escolas cada vez mais precárias, as salas "abarrotadas" de alunos, pois sempre cabe mais um, o salário nada atractivo, os pais se ausentado de sua obrigação e os alunos literalmente empurrando "com a barriga", pois no final sabem que passarão de ano.”

Concordo na medida em que tudo o que ela fala está directamente ligado a actual realidade do professor. Isto cria um grande constrangimento e tristeza ao mesmo tempo. Esta professora vai mais longe quando diz que “Tento ter esperanças e continuo fazendo a minha parte todos os dias, mas confesso que estou cansada. Cansada de ver os pais se preocuparem com os filhos apenas no final do ano, cansada de ver os alunos cada vez mais despreparados, desconhecendo conceitos básicos e achando isto normal.” Por mais triste que seja, infelizmente é verdade, ela descreve literalmente o sentimento do professor nos dias de hoje. O que seria de uma sociedade sem escolas e sem professor, talvez ninguém ainda tenha parado para pensar nisso.
Este cansaço e decepção ligada a constantes mudanças da política educativa reflecte-se, actualmente, nos olhos do professor.

A sociedade está consciente das condições das escolas e do professor, mas ninguém toma qualquer providência, aguardando somente o final do ano lectivo para avaliar o desempenho do professor como nulo.É de salientar que fora daquele indivíduo que está na sala de aula, o professor tem tido grandes desafios, quebrando o seu tempo de repouso para corrigir os trabalhos dos alunos, que leva para casae também elaborar e corrigiras avaliações.

Muitas políticas educativas são actualizadas sem consultar o professor que é um dos principais actores do processo. Muitas vezes,essas políticas não se adequam àrealidadeactual e o professor deve adaptar-se a elas. Fala-se de salas numerosas e as novas políticaseducativasparecem não olhar para este aspecto.Isso faz com que no final do ano lectivo os alunos saiam com dificuldades e o culpado é sempre o professor. Estes constrangimentos desmotivam-no,porque são políticas que não se adequam a realidade eo professor é obrigado a praticá-las e a adaptar-se a elas porque as exigências e supervisões buscam testar até que ponto o professor implementaas orientações relativas à novas politicas educativas, mesmoconsciente da falta de capacitação. Ademais, como exigir qualidade de um profissional que trabalhacom improvisos? Fala-se que as crianças não sabem ler, como ensinar a ler um aluno que não tem livro ou texto? Que leituras irão praticar os alunos? Como dar aulas defísica sem laboratório? Como fazer para que o aluno conheça microscópio, entre outros objectos do laboratório na ausência dos mesmos? O professorministra aulas e fala de objectos sem que os alunos vejam a olho nuou toquem neles (telescópio, microscópio, etc.).

Sob essas condições, o único elemento de ajuste é o trabalhador, que, com seus investimentos pessoais, procura auxiliar o aluno carente comprando material escolar e restringindo o seu tempo, supostamente livre, para criar estratégias pedagógicas que compensem a ausência de laboratórios, de salas de informática e de bibliotecas minimamente estruturadas. (Noronha, 2001 citado por Gasparini, Barreto &Assunção 2005, p. 191).

 

Hargreaves (1998) diz que “ ( …) em muitos locais espera-se que os professores ajudem a reconstruir culturas e identidades nacionais.” Segundo este autor, o professor é chamado a fazer o seu papel de educador, tarefa difícil para quem tem uma missão e que não lhe é atribuído espaço para tal.

Hargreaves diz ainda que “Normalmente as estratégias políticas e administrativas que procuram desencadear a mudança educativa ignoram, compreendem mal ou anulam os próprios desejos de mudança dos professores.” O que tem feito com os professores se sintam marginalizados e excluídos no processo de tomada de decisão de um trabalho que ele exerce.

Este profissional está sujeito a situações de desgaste físico, psicológico e mental, que poderiam estar associadas, não só a turmas numerosas, mas também a influência dacarga horária e as condições precárias de trabalho, acrescidas as situações de ordem social e económica, tais como o desprestígio da profissão. O professor está sujeito a muitas doenças devido ao desgaste, “stresse” e vulnerabilidade resultante dos trabalhos por si realizado, uma vez que sua profissãonão propicia um repouso genuíno.

O professor é um pilar que não podemos deixar tombar fácil, temos que valorizar e respeitar o esforço incessante realizado por este profissional. Uma profissão que hoje possui mais exigências que benefícios, mais trabalho e a sua remuneraçãoé insignificante. Mas antes de ser professor, ele é ser humano, é pai e actor social obrigado a responder às necessidades pessoais, familiares e da sociedade. Como exigir qualidade a um indivíduo que luta pela sua própria qualidade de vida e que deve trabalhar duro, visando condicionar o seu trabalho e melhorar seu desempenho? Como melhor qualidade de ensino numa sociedade que nãovaloriza a escola nem professor?

Na tentativa de responder estas perguntas,descobrir-se-á que,na verdade,o professor não é o único culpado pela fraca qualidade de ensino.

O professor, actualmente,nãogoza denenhuma dignidade, remuneração justa e muito menos de um prestígio. Ele é tido como alguém que faz o trabalho por amor. Esquecem que ele é um funcionário igual a qualquer outro com necessidades, preocupações eplanos de vida. 

Embora o sucesso da educação dependa do perfil do professor, a administração escolar não fornece os meios pedagógicos necessários à realização das tarefas, cada vez mais complexas.

Os professores são compelidos a buscar, então, por seus próprios meios, formas de requalificação que se traduzem em aumento não reconhecido e não remunerado da jornada de trabalho (Teixeira, 2001; Barreto e Leher, 2003; Oliveira, 2003 citados por Gasparini, Barreto &Assunção 2005, p. 191).

 

Além disso, factores como ritmo acelerado de trabalho, esforço físico e ambiente de trabalho “stressante” contribuem para acarretar danos à saúde dos professores, levando-os a quadros de stresse, faringite (decorrentes do uso da voz), lombalgia (decorrentes da postura corporal), doenças do aparelho locomotor e circulatório e até neuroses (problemas psicossomáticos) e de saúde mental. (Marcelo, Tarcimara& Zenaide, n.d.)

 

Conforme Royetal(2004), a voz é um dos instrumentos de trabalho do professor de maior importância, entretanto, convive com algumas situações que acabam por causar sérios desconfortos ao professor, contribuindo consideravelmente para baixa qualidade de vida. São elas: jornada de trabalho estendida; o que causa o uso da voz por muitas horas seguidas; grande quantidade de turmas o que acarreta em levar trabalho para casa, diminuindo assim seu tempo de lazer; turmas com excesso de alunos, precisando o professor elevar o tom de sua voz para ser ouvido pela turma; salas de aula mal projectadas, sem acústica e sofrendo com barulhos externos e internos à ela; desconhecimento de orientações quanto o cuidado necessário com a voz. (citados por Martius&Joemar, 2008, p.13)

Resumindo, está difícil ser professor nos dias de hoje devido aos desprezos, humilhações e falta de dignidade. As dificuldades do professor não são levadas em consideração mas exigem-se dele qualidade e bons resultados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Referências bibliográficas

BAMBINO, Leila.A dignidade do professor (23 de Dezembro de 2010), Santa Catarina

HARGREAVES, Andy (1998).Os professores em tempos de mudança, Portugal, McGrawHill

SANDRA, Gasparini, SANDHI, Barreto e ADA, Assunção, O professor, as condições de trabalho e os efeitos sobre sua saúde (, v. 31, n. 2, p. 189-199, maio/ago. 2005), São Paulo,Educação e Pesquisa

RODRIGUEZ,Martius,  e ALVES, Joemar,  (IV Congresso Nacional de Excelência em Gestão 31 de julho a 02 de agosto de 2008).Qualidade de vida dos professores : Um bem para todos, Rio de Janeiro

ROY, N.; MERRILL, R.M.; THIBEAULT, S; PARSA, R.E.; GRAY, S.D.; SMITH, E.M. Prevalence of voice disorders in teacher and the general population. J Speech Lang HearRs. 47(2): Apr 2004, p.285-93.

PORTO, Marcelo, ALMEIDA, Tarcimara e TEIXEIRA, Zenaide (n.d).Condições de trabalho e saúde dos professores das escolas públicas da zona sul da cidade de Manaus, Convibra

 

 

Por: WiltonyAntamigo   

wilton.antamigo@yahoo.fr

 



[1]Pedagoga, especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional e Educação Especial