O ROMANTISMO INGÊS E SEUS PRECURSORES

JOSÉ MARIA MACIEL LIMA[1]

 

O Romantismo foi um movimento cultural e literário, ocorrido entre os séculos XVIII e XIX na Europa e nas Américas, marcado pelo fim das monarquias absolutistas e ascensão do capitalismo. Este movimento foi influenciado pelos princípios da Revolução Francesa que trazia em seus bojos ideais como: Igualdade, Liberdade e Fraternidade.

Na arte e na literatura, esta corrente foi um divisor de aguas, pois rompeu com os conceitos dos neoclássicos, com foco nos ideais de liberdade para produzir obras de arte que contemplasse os mistérios da vida e da natureza. Munido desse ideal, o romântico agora segue seu destino desprendido das formas artísticas da corrente literária do passado renascentista.

Na poesia, predominava idealização da mulher amada (platonismo), a emoção sobrepunha à razão com temas pessimistas, místicos, góticos, entre outros. Além disso, o homem parece redescobrir a natureza, corroborado pelo interesse na vida e em temas bucólicos.

O artista, agora mais liberto, para direcionar a sua produção artística para seu próprio objeto de desejo, alheia-se ao mundo a seu redor, volta–se para dentro de si (do sujeito “eu lírico”), fazendo com que o romantismo caracterize-se não só pela defesa da liberdade de criação e privilégio da emoção, mas também pela atribuição de valor à experiência individual e à imaginação despida de razão, como base principal na expressão artística subjetiva do mundo e do estado de espírito do poeta.

Na Inglaterra, o Romantismo teve início com a publicação de Lyrical Ballads em 1798, de William Wordsworth e Samuel Taylor Coleridge, essa obra foi à primeira expressão artística importante do Romantismo Inglês. Nela, William Wordsworth, identifica-se com as classes menos favorecidas, que assim como todo o artista romântico, sofria com as transformações sociais em vigor na época.

Desta forma, Wordsworth volta seu olhar para o campesinato, cuja linguagem era, para ele, a expressão do ser mais humanizado, que vivia em harmonia com a natureza, onde o folclore, o misticismo e deus abriam espaço para a imaginação. Já Samuel Taylor Coleridge, se refugia da nova ordem social, promovendo um movimento de retorno ao mundo mágico do passado, cheio de mistério e imaginação.

Além desses, outros artistas românticos ingleses que merecem destaque são: William Blake, Lord Byron, Percy Bysshe Shelley e John Keats. William Blake também se volta para as classes desfavorecidas e escreve poemas como “The Little Black Boy”, dando voz a uma criança escrava. Lord Byron, ao voltar-se para a interioridade, retratará um intenso subjetivismo pessimista, além de apresentar um tom um tanto quanto satírico em suas obras. Percy Bysshe Shelley não só possuía um temperamento revoltoso quanto às tradições e leis, mas também grande sensibilidade em relação à natureza retratada em suas obras. John Keats, liga-se a temas como: desejo pela morte, felicidade e infelicidade no amor, beleza na natureza e na arte. Vale ressaltar que, Wordsworth, Coleridge e Blake figuraram na chamada primeira geração do Romantismo Inglês, enquanto, Byron, Shelley e Keats fizeram parte da segunda geração.

Para finalizar este texto, pode-se dizer que, além de julgar o passado como a época ideal, os românticos também idealizam um futuro utópico na tentativa de fugir da massacrante contradição em que se encontravam. Desse modo, a idealização do mundo do romântico, era apenas uma fuga da realidade que assolava a sociedade da época. Os valores do Romantismo europeu atendiam perfeitamente, as exigências ideológicas dos escritores da época. Além disso, de todas as emoções celebradas pelos românticos, a maior era o amor. Apesar de alguns romances famosos como Frankenstein se concentrarem no horror, a força motora por trás dessas paixões era geralmente, o relacionamento entre amantes (o amor).

É importante ressaltar que, se o Iluminismo constitui um movimento iniciado no seio de uma elite pequena e que, aos poucos, influenciou o restante da sociedade, o Romantismo, por sua vez, foi mais amplo tanto na origem como em sua influência. Nenhum outro movimento intelectual ou artístico teve a mesma variedade, alcance e poder de permanência desde o final da Idade Média.

REFERÊNCIAS

 

SILVA, Alexander Meireles da. Literatura Inglesa para Brasileiros. 2ª Ed. Rev. 2006, Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda., 2005.



[1] Professor da rede Estadual e Municipal de Ensino do Município de Curuá-Pará, Licenciado Pleno em Letras/Português - UFPA, Letras/Espanhol-UNIUBE, Graduado em Letras Inglês-UFOPA, Licenciado em Filosofia pela FPA, Especialista em metodologia de Ensino de Filosofia e Sociologia-UNIASSELVI e Ensino de Língua Espanhola-UNICAM. E-mail: ze.maciel@bol.com.br.   

Revisado por Editor do Webartigos.com