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Autora: Mariane Damke

Co-autora: Edilce Teresinha de Barros Miercalm

 

O pé de pequi

 

Eu morava em uma fazenda onde se plantava uma sementinha redondinha que ganha o nome de soja. Lá se plantava muito mesmo dela, a lavoura era de se perder de vista, o único problema era que a gente se perdi lá também quando ia brinca de esconde-esconde.

Toda vez que acabava o leite a minha mãe pegava um punhado de daquelas sementes e batia naquela jarra que tem umas faquinhas no fundo e faz um barulho muito chato. O leite de soja apesar de ter a cor e a textura parecida com o leite que eu gostava, não era nada gostoso. Mas como a mamãe fazia e nos obrigava, eu tomava. Fazendo careta, mas tomava. 

O tempo foi passando e eu fui crescendo o meu pai ficando velho e rabugento, naquela fazenda ele não queria mais trabalhar. Tratou de arrumar briga logo com o gerente, que não se fez de rogado e botou nos todos pra correr de lá. 

Eu fiquei muito triste de deixar todos os meus amiguinhos pra traz, aquela fazenda era a única casas que eu conhecia, nunca tinha saído dela. Mas minha mãe e meus irmão me prometeram muitas aventuras na nova casa.

Compramos uma chácara em uma cidade pequenina, poucas ruas tinham asfalto. A maioria delas tinha muito era barro mesmo. Era bem ruim sair de casa quando chovia, por que dois passos fora de casa e se via coberto de lama, ir a uma festa em noite de chuva, pode ter certeza que era mau negocio.

Lá na chácara o que mais se via era um matinho que dava uma coceira danada e que as vacas gostam muito de comer. Entre as poucas arvores que lá existiam, uma me chamou a atenção por que nuca atinha visto, nem mesmo uma parecida.

Ela tinha as folhas bem grandes e pareciam que cada folha tinha um monte de pelos pequeninhos como se fossem um bichinho peludinho. Sua flor era muito linda, mas com um cheirinho não muito agradável. 

A flor era branquinha e diferente de qualquer outra que já vi. Passava horas admirando, mas não podia cheirar que logo atrás vinha um sonoro espirro.

A casca dessa arvore era bem grossa e crespa, um tom de marrom claro, mas como se ela fosse sempre ressecada, sua casca se rachava e se partia, de um jeito muito estranho. 

Do seu fruto eu nem gosto de lembrar, ele apesar de sem bem bonito e redondinho, dentro tinha um caroço amarelo e com um cheiro muito conhecido, o cheiro dos tênis do meu irmão quando ele chegava da escola. Eca que nojo, mas era esse mesmo que ele tinha.

Sempre que algum parente nos visitava eu perguntava se sabia o nome daquela arvore que tinha as folhas bonitas  e as flores mais bonitas ainda, mas que o fruto só sendo louco pra querer comer, por que o cheirinho de chulé ia longe quando se abria um.

Demorou muitos meses até que alguém finalmente me contasse qual o nome daquela arvore. A caso é que se tratava de um pé de pequi. Isso mesmo esse fruta que você conhece tão bem e provavelmente tem coragem de por na sua boquinha, é a arvore que me atormentou tanto tempo com sua particularidades e mistérios.

Eu ainda não tive coragem de provar, nas sei que se você já comeu sabe bem do que eu estou falando, e se ainda não conhece, te convido a visitar a chácara dos meus pais e conhecer o meu pé de pequi.  

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