A insuficiência renal crônica é uma doença com características de irreversibilidade e progressão na diminuição funcional dos rins, comprometendo o sistema celular e metabólico dos órgãos do corpo. O tratamento para essa enfermidade mais utilizado no Brasil é a hemodiálise tratamento que se propõe a filtrar o sangue com excesso de uréia, fazendo o trabalho que o rim do paciente desempenharia. Assim, é tido como uma substituição, em busca da possibilidade de maior longevidade aos pacientes, ocorrendo em sessões de quatro horas, três vezes por semana, visando eliminar as toxinas do organismo do paciente. A doença renal crônica atua de forma devastadora nas vivências do sujeito, estabelecendo perdas significativas e uma reestruturação na vida do mesmo, integrando-o a uma realidade ambivalente sobre a vida e o adoecer. A intervenção psicológica junto aos pacientes renais crônicos pode auxiliá-los a ver sua condição a partir de outra perspectiva, trabalhando estratégias de ressignificação que resgatem o bem-estar e promovam melhor qualidade de vida. Diante do modo como o indivíduo reage à doença, é possível preparar o paciente e a sua família para lidar com o processo de hospitalização e a convivência com a cronicidade da doença. OBJETIVOS: Propomo-nos neste trabalho a relatar e refletir sobre a experiência de ouvir pacientes em tratamento de hemodiálise durante o estágio supervisionado em saúde refletindo e debatendo sobre as possibilidades que um profissional da área da psicologia pode intervir com os sujeitos acometidos com essa enfermidade. METODOLOGIA: Consiste em um relato de experiência a partir da vivência de estágio supervisionado em Psicologia da Saúde na Santa Casa de Misericórdia de Sobral-CE. Vale ressaltar que a experiência foi vivenciada no período vespertino, por meio de diário de campo e supervisões individuais durante os meses de agosto de 2016 a março de 2017. Utilizamos o uso do diário de campo e dos trabalhos de autores, que desenvolveram estudos sobre a temática. RESULTADOS: A Santa Casa de Misericórdia de Sobral (SCMS) é referência regional e estadual, em atendimento de saúde de alta complexidade, onde essa instituição oferta ao paciente assistência multiprofissional. As unidades hospitalares hoje atendem juntas cerca de 40 mil pacientes por mês e contribuem para formação de acadêmicos de áreas diversas, Acadêmico do Curso de Graduação em Psicologia da Faculdade Luciano Feijão, e-mail: felipeaguiar_j15@hotmail.com consolidando-se também como um hospital de ensino. A sessão de diálise dura em torno de quatro horas, sendo realizadas três vezes por semana. Percebemos que as maiores dificuldades enfrentadas pelos pacientes refere-se aos desconfortos que o tratamento proporciona tais como: cãibras, náuseas, calafrios, entre outros. Notamos a principio que grande parte das pessoas desloca-se de municípios vizinhos para a realização do tratamento o que ocasiona desgaste e cansaço. Dessa maneira, entendemos que o trabalho do psicólogo nesse setor é de extrema importância, pois, esse profissional promove acolhimento psicológico, enxergando esses sujeitos dentro de um contexto biopsicossocial. Com essa experiência, foi possível atentar-se que a medicina controla a doença, onde a psicologia visa a vivência do ser doente em relação a doença e os significados que são atribuídos a ela. CONCLUSÃO: Através do estágio curricular pode-se constatar que o sujeito ao adoecer por uma doença crônica depara-se com grandes mudanças que atingem e ferem a sua vida, sua rotina e até o próprio corpo, acontecimentos que podem levá-lo a uma tristeza profunda, sucumbindo muitas vezes em uma depressão diante do novo. Constatamos também que o psicólogo desempenha um papel primordial, auxiliando os pacientes com questões emocionais, dando apoio tanto para a família como para esses seres humanos que passam por esse tipo de tratamento, onde o foco da suas intervenções está pautado na humanização. Espera-se que os acadêmicos, profissionais de saúde da área possam direcionar pesquisas direcionadas a esta temática durante sua formação profissional. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS SIMONETTI, A. (2004). Manual de Psicologia Hospitalar: o mapa da doença. São Paulo: Casa do Psicólogo. SANTOS, C.T. E SEBASTIANI R.W. (2007). Acompanhamento psicológico a pessoa portadora de doença crônica. In: Angemoni-Camon (org). E a psicologia entrou no hospital. São Paulo: Pioneira.