O Fascismo Espanhol

Por Leôncio de Aguiar Vasconcellos Filho | 12/02/2026 | História

O fascismo foi um movimento que marcou o século XX. Independentemente de suas origens itálicas, gerou similares mundo afora, mas, em especial, na própria Europa. E um de seus expoentes mais emblemáticos foi o generalíssimo espanhol Francisco Franco, também cognominado de “O Caudilho”.

Militar de carreira, ganhou proeminência na Guerra Civil Espanhola, ocorrida de 1936 a 1939. Naquela ocasião, combateu, junto ao Partido da Falange, os nacionalistas e republicanos, os socialistas, os comunistas e os anarquistas.

A liderança de Franco, perante os não esquerdistas, jamais foi significativamente contestada, eis que recebeu apoio, diplomático do Vaticano e armamentista de outras nações cujos regimes também eram fascistas, bem como ancorados na própria autoridade da Santa Sé, como a Itália de Benito Mussolini e Portugal, de António de Oliveira Salazar. Afinal, nações como a Espanha e a Itália são, e sempre foram, consideradas irmãs, independentemente de quem estivesse ou esteja nos seus respectivos comandos estatais. Quanto a Portugal, aproveitou-se do conflito, até certo ponto, a fim de também integrar a “irmandade” (tudo isso, apesar de dita guerra ter causado as mortes de cerca de 500 mil pessoas).

Ocorre que a “irmandade” foi reforçada quando Franco autorizou Hitler a fazer bombardeios de teste sobre a cidade espanhola de Guernica, num verdadeiro crime contra seu próprio povo. Itália e Portugal, ao que consta, não contestaram a automutilação, tanto que os italianos permaneceram aliados à Alemanha nazista, ao passo que os portugueses, alegando neutralidade relativa às atrocidades da mesma, em Guernica e nas invasões germânicas noutros países, não tiveram seu território atacado por Hitler (daí a grande popularidade que Salazar, ainda hoje, desfruta diante de muitos cidadãos portugueses, não obstante a negativa de grandes recursos pelo Plano Marshall e as consequentes guerras de manutenção do Ultramar).

Durante a Guerra Civil Espanhola, personalidades importantes da cultura daquele país se manifestaram contra Franco. Por exemplo, o poeta Federico García Lorca, considerado o maior expoente da língua espanhola de todos os tempos, foi assassinado pelos aliados de Franco, que alegaram ser ele “mais perigoso com uma caneta que com uma arma”. Pablo Picasso pintou um quadro retratando Guernica e seu drama. E houve outros, como o expressionista Salvador Dalí, cujo contato com Franco (supostamente parabenizando-o pelos fuzilamentos de opositores políticos) é alegado por uns, e contestado por outros.

O fato é que Francisco Franco, e António de Oliveira Salazar, protagonizaram as lideranças das duas últimas ditaduras da Europa Ocidental na segunda metade do século XX. Franco morreu em 1975, tendo permanecido na direção da nação por toda a vida, ainda que episódios absurdos de repressão, como a proibição de os catalães falarem seu próprio idioma, fossem evidentes.

Por fim, ocorre que todos os povos, em algum momento, amaram seus infames ditadores, ainda mais se apoiados numa base clerical. Isso porque, mesmo diante da ausência de eleições, Deus, convenhamos, é o maior de todos os cabos eleitorais.