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O EXTRATIVISMO: SERVIÇO E MÃO DE OBRA COM A PALHA DA CARNAÚBA NO SERTÃO CEARENSE.

 

Prof. Wilamy Carneiro

 

 

Saiba o processo desde a retirada da palha da carnaúba, (palmeira, da família Arecaceae). Árvore típica do sertão nordestino.

 

- RETIRADA A PALHA DA CARNAUBEIRA PARA BATER O PÓ BRANCO E FAZER A CERA DA CARNAÚBA.

 

PALAVRA CHAVE: Carnaúba. Pó Branco, Cera. Produção Industrial.

 

 

DEFINIÇÃO COMPOSIÇÃO:

 

A Carnaúba (Copermicia prunífera) é uma espécie de palmeira endêmica no semiárido nordestino.

Conhecida como Árvore da vida, A CARNAÚBA é a árvore-símbolo da região do Ceará e do Estado do Piauí. Os dois estados que vizinhos são os maiores produtores do extrativismo vegetal dessa espécie de palmeira. Encontrada também na região do Rio Grande de Norte e em outros estados brasileiros.

De frutos deliciosos e doces, além de alimentar e matar a fome de animais, seus produtos têm uma serventia como seu caule, servindo na construção civil com mil e uma utilidades. Sua palha serve para coberta, produtos artesanais, para fabricação de vasouras e chapéus de palha. O Ceará é pioneiro na fabricação e exportação do chap[eu de palha para os estados brasileiros dentre eles, o Estado do Amazonas. Em Santárém no Pará, Manaus, Belém do Pará Segue também para Bahia, Rio de Janeiro, Recife, São Paulo, João Pessoa,Carauru, onde existe a maior feista junina. Na época canavalesca  nosso chapéu de palha é bastante procurado. O município de Sobral e região é um dos maiores produtores de chapéu de palha. Nordestinos se aventuram para os estados vizinhos levando-os em sacos enorme para as Festas religiosas enfrentando dias, embarcando o produto de ônibus, barco,  trem e  até em avião.

Da cera de carnaúba é produzida inúmeros produtos. A palha triturada (bagana) serve como adubo para plantações.

Na indústria farmacêutica, cosméticos como sabonetes, xampu. Nos produtos eletrônicos para uso de chip para computadores e celulares. Suas raízes servem para uso medicinal com uso diurético. É usada em polimento automotivo e tantos outros. A árvore da vida é uma espécie abundante em nossa região, proporcionando frentes de trabalho para o agricultor, o fazendeiro, o comerciante e o industrial.   

 

    

O PROCESSO DESDE SUA RETIRADA ATÉ A INDUSTRIALIZAÇÃO E EXPORTAÇÃO.  


 

Primeiro ato: A Retirada no Campo.

 

O caboclo, como aqui chamamos retira com uma vara a folha da carnaúba (palmeira, da família Arecaceae), endêmica do semiárido da Região Nordeste.

Após a retirada da palha (folha), o leva com um animal (jumento, burrico, besta), para um local (campo), onde estende para secá-lo.

Depois de seca a palha, o junta e faz um aglomerado com as mesmas até chegar o processo de trituração.


 

Segundo Ato: O processo da retirada do pó.

 

- No passado, trabalhadores batiam a palha num lugar fechado com um cassetete até sair o pó. Esse processo era lento e o aproveitamento era pequeno, chegando a perder de 25 a 35% do pó, sua principal matéria-prima.

Com o advento da máquina, fizeram uma adaptação com motores a diesel e a gasolina adaptados em carroças, levando ao campo, no local onde a palha estava estendida e ou armazenada.

Adaptações chegaram com a tecnologia e o uso da máquina em carros para fazer o processo de retirada da palha.

Com um automóvel adaptado fizeram uma bancada para receber a palha e levá-la até o triturador (espécie de guilhotina que corta a palha), separando-as do pó por uma boca e a bagana (palha) por outro.

 

Terceiro ato: O escambo

 

Muitos fazendeiros e proprietários contratam trabalhadores para fazer o serviço e ficam com o pó - a principal matéria-prima.

Outros que têm menos condições repassam aos atravessadores, e compradores nos armazéns da cidade para exportação.

Alguns proprietários de terras arrendam seus carnaubais aos donos de retiradas da palha que fazem o serviço e eles pagam pelos serviços prestados, ficando somente com a palha.

        

Quarto ato: A trituração e separação da Matéria-prima.

 

Uma divisão é feita com duas saídas: Duas bocas são adaptadas na máquina para o processo de separação do pó com a palha.  De um lado extrai a palha triturada que chamamos e bagana. Essa composição da palha tem um valor muito nutricional nas plantações e jardinagens. Serve como adubo para as plantas. Comércios de jardinagem compram a bagana (palha) e revende para seus clientes. 

O segundo orifício (buraco) sai o pó branco, que tem um valor comercial muito bom e lucrativo.

Na boca do orifício onde sai o pó, os trabalhadores a colocam um saco gigantesco onde o pó branco é armazenado. Após o processo de trituração da palha, o pó é separado e levado para armazenar.

Tudo pronto. Com esse processo a matéria-prima foi retirada e pronta para comercialização.

 

Quinto Ato.  A Queima e Industrialização da Pasta e ou Cera de Carnaúba.

 

Com o produto já retirado, “O PÓ BRANCO”, a principal matéria-prima em mãos, quer seja o fazendeiro, o proprietário e ou o comerciante, existe outro processo que é a da Industrialização.

Assim sendo, o processo de industrialização na queima para a fabricação da cera de carnaúba requer alguns conhecimentos.

Existem inúmeras maneiras e adaptações que foram desenvolvidas ao longo dos anos por agricultores, proprietários, fazendeiros, comerciantes. Aqui mostro algumas como o processo foi inventado.

No século passado faziam-se uma grande fogueira à lenha, e a colocavam numa espécie de tambor de ferro no fogo com água. Após a água fervilhar jogavam o pó branco e mexiam como se estivessem mexendo um migau gigante. Ao chegar o ponto com viscosidade o levam para um recipiente para esfriar.

Com o tempo foi aprimorando fazendo tanques de alvenaria, espécies de conchas no chão com tijolos e outras de concreto com tamanhos e comprimentos variados, Vários quadrados eram adaptados num local arejado e cobertos. Podia ser 40 cm X 40 cm. Retângulos de 80 cm X40 cm. Isso variava de uma região a outra.

Espera a cura após 24 horas. Depois de seca fica bem resistente.

Depois de fria a cera de carnaúba é quebrada e ensacada pra ser vendida e até exportada.

 

Pronto. Está formada a cera da carnaúba para ser utilizada em produtos farmacêuticos, eletrônicos, medicinais, automotivos e muitos outros segmentos da indústria.

 

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NOTA: Fato e relato em memória do industrial Antônio Olavo de Vasconcelos, filho ilustre da região do Ceará. Foi um  dos maiores precursores da região e cidade de Sobral na retirada, manejo, compra e fabricação da “Cera de Carnaúba nos anos 60, 70 até o ano 2000. Antonio Olavo de Vasconcelos nasceu em Sobral no dia 06 de Maio de 1932. Filho  legítimo de Joaquim Hermano de Vasoncelos e Ana Sívia de Vasconcelos.Contraiu Enlace Matrimonial com Dona Maria do Socorro Carneiro de Vasconcelos, filha legpítima de Francisco Cândido Rodrigues e Úrsula Rodrigues Carneiro. Desse Matrimônio o industrial  Olavo e Socorro teve 12 filhos, sete homens e cinco mulheres. 

Olavo Hermano como era mais conhecido andou por toda região do Ceará. Iniciou sua vida num Jipe Wilys e um reboque adaptado com uma máquina batendo palha de carnaúba. Do Ceará ao Estado do Piauí e até o Maranhão. Com a expanção de seus negócios foi ao estado de São Paulo onde adquiriu um Motor MWM de última geração. Adaptou em um Caminhão atendendo na região do Cariré, Groaíras, Massapê Tapuio, Camocim, Santa Quitéria, Martinópoles, Itapajé Tianguá. Marco, Frecherinha, Coreaú e muitos outros muncipios e distristos. Na época muita das estradas era carroçáveis e chão duro. Fazia o percurso atendendo seus clientes e fabricando cera na Rua do Oriente em Sobral. Lá adaptou prensas para a fabricação da Cera de Carnaúba as vendia para os Irmãos Quirino Rodrigues, para Fortaleza e de lá partiam de navios para exportação.

O industrial Olavo Vasconcelos faleceu de insuficiência respiratória no dia 03 de Fevereiro de 2003, na Santa Casa de Misericórdia de Sobral.Seu corpo foi velado em sua residência e o cortejo no Cemitério São José do Patriarca,Distrito de Sobral.   

 

 

TEXTO E PUBLICAÇÃO DE WILAMY CARNEIRO.

 

Wilamy Carneiro é professor, poeta, historiador e escritor. Formado em Ciências (Matemática). Possui Pós-Graduação em Construção Civil. É especialista em Meio-Ambiente pela Universidade Estadual Vale do Acaraú. Bacharel em Direito na FLF - Faculdade Lucaino Feijão em Sobral. Autor do Livro "Einsteim e Sobral - a Cidade Luz" publicado no dia 29 de maio de 2019 - Centenário da Relatividade Restrita. Publicou em 2018 - Os Estados Unidos de Sobral na Casa da Cultura em Sobral. Autor da Poesia " Diário de Um Professor". Em 2019 publicou o Livro "Sonhos do Amanhã" na FLINAU. Uma de suas paixões é escrever Literatura Popular dentre elas escreveu " O Barão de Sobral"  e "Luzia- Homem em Cordel e Prosa  publicado em 2020 , uma homenagem ao escritor domingos Olympio (1850-2020)       

 

 

 

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