O existencial humano

*Pe. Joacir d’Abadia

Para compreender a existência humana é preciso partir de uma pergunta, que na sua essência, seja existencial: Por que eu nasci? O que estou fazendo no mundo? Podemos sintetizar: qual é o sentido da existência humana?

A resposta tem que ser pessoal, somente o homem na sua vivência e existência pode dar esta resposta, afinal ela se encontra dentro de cada pessoa. É na intimidade do relacionamento consigo mesmo que o ser se depara com tal resposta vinda do coração e com consciência.

Ao conseguir responder e se sentir satisfeito com a resposta, significa que você está se plenificando e se realizando.

Qual é a razão do ser na existência humana? Oxalá esta resposta estivesse disponível na internet ou em algum um livro, mas ela está relacionada com toda história do homem.

Existem, portanto, segundo Dom Luiz Flávio Cappio, três possibilidades de resposta:

a) Os que não se perguntam. É a resposta daquele que nunca se perguntou a respeito destas realidades elementares da existência humana. Sabe que o ser nasce, cresce, constitui família, compra carro, tem bom emprego... Mas não se pergunta acerca de sua própria existência. Há muitas pessoas que preferem viver sem se perguntar sobre sua própria existência, pois deste modo elas vivem uma superficialidade. Isto é, caminham sem saber o que querem, ou seja, elas são conduzidas. Ter consciência de sua existência torna a pessoa revolucionária e ela descobre seus valores. De outro modo, quem nunca se perguntou sobre o porquê existir vai vivendo ao sabor de cada dia, deixando-se conduzir pelo bloco mais animado. É desprovido de uma boa educação existencial e não sabe seu sentido no mundo.

b) Aos que fazem a pergunta, mas não encontram a resposta.

Hoje cada pessoa está querendo estudar, fazer especialização. Dizem: “crescer no conhecimento é muito bom!”. Vão tendo um espírito crítico, porém, são poucos os que conseguem as respostas para suas indagações. Deste modo, o homem se depara com o “sem sentido” (Niilismo – proposto por Nietzsche). Neste nicho encontram-se as pessoas carentes do sabor da vida e estas acabam entrando em depressão, nada mais lhes dá sentido, senão, o suicídio. Por exemplo, o Shopping Pátio Brasil, precisou colocar vidros no último piso por causa do grande número de suicídios. Mas quem são as pessoas que vão ali? Lá se encontram os jovens dos mais diversos grupos sociais.

Estas pessoas não estão interessadas na sabedoria que o mundo lhes proporciona, mas no amor, o qual não encontra com esta mesma sabedoria. Pessoas assim precisam de amor, serem escutadas e acolhidas.

c) Os que se perguntam e encontram a resposta pela Fé. Estes encontram a razão mais profunda para viver a existência humana. Existe um itinerário natural para percorrer: concepção, nascimento, desenvolvimento e morte. Isso, todavia, chamamos de vida. Agora, quando se projeta sobre a existência humana à luz da fé, mudam-se as referencias, porque entendemos que, segundo a Sagrada Escritura, o ser humano já existia no pensamento de Deus. Como na Oração de São Francisco de Assis, na qual rezamos “morrendo que se vive para a vida eterna”. Para Leonardo Boff, nós estamos acorrentados, mas desejamos a liberdade da vida eterna. Enquanto na existência humana, o homem nasce para viver...

Como está minha vida? É a pergunta orientadora para saber a respeito da existência de cada pessoa. Ela estará em tranquilidade na medida em que for plenamente humana, pois o existencial humano tem maior sentido quando o homem tem a coragem de se perguntar: como vai a minha vida de fé? Pois, “Quando a luz da fé incide sobre a vida, não muda nada, mas muda tudo” (Dom Cappio).

*Autor de 7 livros, coord. da Pastoral de Educação (Diocese de Formosa-GO), Membro do Conselho de Projetos e Pesquisas da UnB Cerrado,

joacirsoares@hotmail.com