O EMPREENDEDORISMO CORPORATIVO  COMO INSTRUMENTO  DE REFREAMENTO  DE INDIVÍDUOS HABILIDOSOS  NA ADMINISTRAÇÃO PUBLICA


Rosa Ernesto Ndupa

Licencidada em Psicologia

Moçambique


RESUMO: 

Para a administração pública  competirem ao mais alto nível e tornarem-se mais produtivas, torna-se pertinente que os líderes destas instituiçoes escolham os melhores funcionários para os melhores lugares. Face a isto, a disputa  para atrair, desenvolver e refreamento  dos funcionarios habilidosos passou a ser encarada como prioritária. A gestão do talento passou a ter um papel ativo nas instituições hoje. Partindo dessa necessidade organizacional, aliado ao facto dos conceitos de talento e gestão do talento estarem rodeados de alguma controvérsia, este estudo tem como objetivos analisar de que forma o fenómeno de empreendedorismo corporativo poder ser encarado como uma estratégia de retenção de funcionários habilidosos, pode utilizar projetos empreendedores como forma de evitar a fuga de  funcionários  habilidosos. Diante do exposto, o artigo trata do empreendedorismo corporativo, o qual aborda o comportamento empreendedor e sua implementação nas organizações como forma de fomento à inovação, da motivação ao trabalho criativo e novas perspectivas de organização do mesmo e dos processos empresariais com o intuito de contribuir para o desenvolvimento de empresas mais duradouras.


Palavras-chave: Empreendedorismo Corporativo-Competências- Gestão do Talento- Inovação em instituições



INTRODUÇÃO

Os estudos sobre empreendedorismo corporativo na administração pública vêm ganhando significativo espaço na pesquisa acadêmica.Porém, ainda são poucos os trabalhos nesta linha e, em menor número, os voltados à administração pública. Nesse sentido, a presente pesquisa objetiva identificar as competências dos empreendedores corporativos ligados à administração pública, na busca de resultados constantes de inovação, renovação estratégica e desenvolvimento de novos serviços. As novas tecnologias disponíveis têm alterado a forma de se fazer negócios, assim como os processos de trabalho, provocando profundas alterações na maneira de educar e desenvolver as pessoas (TEIXEIRA, 2002). A introdução de novas tecnologias vem transformando as relações de trabalho nas organizações, eliminando algumas funções 

braçais, tradicionais e burocráticas, consideradas arcaicas nos dias atuais. Dentre todos os impactos, cabe ressaltar que um dos mais significativos da globalização e das

novas tecnologias é o aumento do desemprego (DAVEL, 2001). A necessidade de aumento de produtividade e de redução de custos de produção tem aumentado a competitividade das organizações, porém causado desemprego em massa, em especial das pessoas sem ou com pouca qualificação profissional. Antigamente era possível observar uma clara divisão entre empreendedores e executivos corporativos, e esta distinção definia o papel das pessoas de forma antagônica. Hoje, espera-se das pessoas, sejam profissionais liberais ou gestores, o empreendimento de novas idéias, negócios e ações que efetivamente possam ser traduzidas em novos projetos, processos e atividades que gerem resultados positivos. A mudança comportamental é necessária para que a organização possa se adaptar àsmudanças no ambiente. O desafio está em buscar um novo tipo de líder corporativo, aquele que aborda os problemas de forma criativa e empreendedora e que se sente bem no gerenciamento de mudanças. Segundo Pinchot (2004) os intra empreendedores, ou empreendedores corporativos, são aqueles que transformam idéias em realidades dentro de uma empresa. O intra-empreendedor pode ser ou não a pessoa que apresenta primeiro uma idéia. Os intra-empreendedores arregaçam as mangas e fazem o que é preciso ser feito. Eles solicitam a ajuda de outros. Independente de estarem trabalhando com uma idéia própria ou criando a partir da idéia de outra pessoa, eles são os “sonhadores que agem” (PINCHOT, 1987). Empreendedorismo corporativo, de acordo com Dornelas (2003) é o processo pelo qual um indivíduo ou um grupo de indivíduos, associados a uma organização existente, criam uma nova organização ou instigam a renovação ou inovação dentro da organização existente.


O grande desafio do empreendedor corporativo está em buscar o equilíbrio entre realidade e sonho. De acordo com Pinchot (2004) o empreendedor com coragem e discrição deve ser capaz de utilizar seu talento e conhecimento para encontrar uma forma de transformar esse sonho em realidade vantajosa. A prática do empreendedorismo corporativo ocorre em organizações que estimulam e incentivam as iniciativas empreendedoras de seus funcionários. Para tanto, requer uma radical mudança comportamental que permita o surgimento de novos modelos de negócio e 

agilidade para a implantação dos projetos. Como resultado espera



O gerenciamento eficaz da inovação requer o trabalho conjunto de colaboradores e

estrategistas com visão de longo prazo, buscando orientar novos projetos de desenvolvimento de negócios na organização (PINCHOT, 2004). Mintzberg (2000) considera que o empreendedorismo é uma “escola de pensamento”, caracterizada pela formulação de estratégias como um processo visionário. O empreendedor tem pensamentos, atitudes e comportamentos pró-ativos quanto à sua responsabilidade em relação à visão de futuro de sua organização. A orientação estratégica descreve os fatores que impulsionam a formulação da estratégia de uma empresa. Segundo Birley (2001) o empreendedor é o promotor verdadeiramente motivado por oportunidades. As quais podem estar em uma nova maneira de combinar velhas idéias ou na aplicação criativa de abordagens tradicionais. O empreendedorismo deve ser visto e implementado de forma integrada em toda a organização e não apenas como uma ação isolada que acontece esporadicamente, ou seja, não se trata apenas de ações de uma pessoa ou grupo de pessoas. Conforme Dornelas (2003) o espírito empreendedor presente na cultura da organização deve influenciá-la em sua ordenação, pois a orientação empreendedora pode ter um impacto direto e positivo em seu desempenho. Contudo, isso ocorrerá se a orientação empreendedora puder estar presente e influenciar na visão e na missão da empresa e conseqüentemente suas estratégias, objetivos e estruturas, modificando a dinâmica dos processos internos e influenciando de forma pró-ativa a cultura organizacional. 


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Umas das condições ao desenvolvimento do empreendedorismo corporativo é a criação de espaço para ações inovadoras, integrando as competências dos profissionais aos objetivos da organização. Assim, o desenvolvimento do potencial inovador, no ambiente administrativo organizacional de uma instituição pública, pode requerer a adoção de medidas que atuem conjuntamente nas duas frentes: a) estímulos direcionados ao desenvolvimento do potencial inovador dos profissionais, a partir das competências empreendedoras corporativas; e b) iniciativas focadas ao fortalecimento

da cultura inovadora, que visem incorporar a postura empreendedora ao perfil organizacional.  Em síntese, investir no desenvolvimento das competências dos profissionais é necessário, mas não suficiente, uma vez que cabe também à instituição assumir uma atitude empreendedora, acolhendo e desenvolvendo as ideias apresentadas pelos servidores. Embora indispensáveis, isoladamente, as competências dos profissionais não têm força para construir a cultura intraempreendedora na instituição, uma vez que essa construção depende fundamentalmente da postura institucional.


REFERÊNCIAS


DORNELAS,Jose Carlos. Emprendedorismo:transformando ideias em negocios. Rio de Janeiro: Capus, 2001.


DAVEL, E.VERGARA, S. C. Gestão com pessoas, subjectividade e objectividade nas Organizações. Sao Paulo : Atlas, 2001.


PINCHOT, Gifford. Porque voce nao precisa deixar a empresa para se tornar-se emprendedor, Sao Paulo: Harbra 1989.


TEIXEIRA, Anibal. Geração de emprego e renda em Belo horizonte: instituto JK, 2002