O DESPERTAR DA LEITURA NOS PRIMEIROS ANOS ESCOLARES DA CRIANÇA

Roseli Lopes de Lima


 

RESUMO

A maioria das dificuldades na aprendizagem está relacionada ao hábito de leitura, isto é, pelo fato de que o os alunos não leem ou leem mal. Cabe à família exercer o papel que é muito importante para influenciar o hábito da leitura dos filhos, facilitando o trabalho dos professores na escola. E aos educadores cabe o papel de mediador entre o livro e o aluno auxiliando e favorecendo o estimulo à leitura. Todas essas questões e problemas foram desenvolvidos neste trabalho, no qual primeiramente buscou-se compreender a leitura como um hábito e também como conceito. Isto é, o que seria a leitura, contextualizando-a no ambiente escolar. Foi relatada também a existência dos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) que possibilitam uma clareza maior com relação à leitura e como ela se encaixa na família e na comunidade escolar. Para auxiliar esse trabalho, abordou-se referências bibliográficas como obras de autores Frank Smith, Josette Jolibert, Luis Carlos Cagliari, entre outros que consideram a leitura imprescindível ao crescimento dos sujeitos. Por isso, o ato de ler participa da busca constante da construção do conhecimento que poderá ser compreendida como um direito de todos para a conquista da cidadania.

 

Palavras chaves: leitura – aprendizagens – escola - aluno


 

INTRODUÇÃO

 

O presente trabalho de pesquisa apresenta uma reflexão sobre o tema “O despertar da leitura nos primeiros anos escolares da criança”, onde buscou-se a tentativa de melhor compreender como funciona o processo da leitura nos primeiros anos de vida escolar e como se pode estimular nos educandos o gosto pelo ato de ler. É sabido que muitos alunos não leem ou o fazem apenas por obrigação, visto que, na escola a leitura é cobrada como uma das formas de avaliação. Outro desafio a ser enfrentado é a velha desculpa da falta de tempo, tanto para os alunos quanto para os professores. 

 

Logo, a finalidade desse trabalho desenvolvido reside em fazer uma breve análise sobre a função da leitura na escola, principalmente nos primeiros anos, quando a criança inicia sua trajetória de aprendizagem. Só assim será possível entender o papel do profissional educador e da família neste processo tão importante na formação do aluno como pessoa ativa na sociedade em que vive e como leitor, num mundo onde a leitura é fundamental para a interação das pessoas. 

 

Podemos aqui dizer que a Literatura Infantil tem um papel importante e age de forma prazerosa, atuando onde o aluno, de forma lúdica, desperta o interesse pela leitura. Alguns exemplos são contações de histórias, trava-línguas, poesias, entre outros. Através de histórias contadas as crianças imaginam e desenvolvem seu raciocínio lógico.

 

O DESPERTAR DA LEITURA NOS PRIMEIROS ANOS DA VIDA ESCOLAR DA CRIANÇA

 

Para começar a falar sobre leitura é necessário, antes de mais nada contextualizá-la. Neste caso, o contexto ao qual se encaixa é o ambiente escolar, isto é, nos primeiros anos da vida escolar da criança. Na opinião de alguns educadores a literatura e, juntamente com esta a leitura, tem de fazer parte da formação dos estudantes. A questão fundamental a ser respondida neste contexto é como: entender a leitura como uma prática significativa e integrá-la a sala de aula de maneira que possibilite aos educandos despertá-la em seu cotidiano. A fim de tentar elucidar tal questão, pode-se afirmar que a cada dia que passa mais os educadores se convencem de que a principal função da escola é formar leitores. 

 

O próprio conceito de leitura dentro do contexto educacional assume um caráter mais delicado, pois passa por várias concepções e transformações. A maioria das propostas pedagógicas das escolas centra-se em uma educação transformadora, criativa, libertadora, construtiva, entre outras. Mas, é preciso considerar aí vários fatores. A leitura neste contexto é uma atividade de fundamental importância para a formação de sujeitos, tanto no espaço escolar, como na sociedade em geral, saber ler é, muitas vezes mais interessante do que saber escrever. 

 

Pode-se perceber que há uma grande diferença entre um aluno-leitor e um aluno não-leitor, certamente tal diferença é percebida numa simples roda de conversa, onde os que leem sabem opinar de forma clara um assunto. Já Solé, entende que

[...] quem lê deve ser capaz de interrogar-se sobre sua própria compreensão, estabelecer relação entre o lê e o que faz parte do seu acervo pessoal, questionar seu conhecimento e modificá-lo, estabelecer generalizações que permitem transferir o que foi aprendido para outros contextos diferentes. (SOLÉ, 1998, p. 118)

 

Outro ponto essencial em se tratando de leitura é o papel do educador na formação do leitor, o ser humano é dotado de conhecimento e por isso se expressa através da linguagem, tornando assim, sujeito a partir da interação com o outro. No entanto, é notável que há problemas encontrados por muitos alunos na escola como: escrita deficiente, dificuldade na oralidade, entre outros, decorrentes da falta de leitura. Nasce daí o primeiro conflito entre a necessidade e o prazer de ler, tornando assim a leitura uma obrigação. 

 

Martins (1982, p.25) afirma que “A leitura seria a ponte para o processo educacional eficiente, proporcionando a formação integral do indivíduo”. O interesse pela leitura começa, portanto nos primeiros anos de vida da criança. E, para que aconteça de fato, a escola terá que dar oportunidades a elas, estimulando e dando acesso a materiais que envolvam o processo da leitura, por exemplo, dar acesso a livros coloridos para que a criança manuseie desde cedo, contar histórias, mostrar gravuras, deixar que a criança invente e imagine sua própria história, pois somente se aprende vivenciando. Ler é uma necessidade e que terá que ser praticada não só na escola, mas dar continuidade fora dela também. Conforme Cagliari (1982, p. 148) “a leitura é a extensão da escola na vida das pessoas. A maioria do que se deve aprender na vida terá de ser conseguido através da leitura fora da escola. A leitura é uma herança maior que qualquer diploma”. 

 

A partir dos autores citados pode-se afirmar que o papel do professor é muito importante na formação de leitores, cabe a ele sempre estimular os alunos a realizar leituras extraclasse. Por outro lado, há aqueles alunos que já vem para a escola com uma bagagem cultural, possuem livros, jornais em casa, outros começam a gostar a ler na escola, sentem-se motivados, mas há outros que não tem jeito, pois não tem o hábito nem a praticidade da leitura. Se o aluno não ler não saberá os mecanismos da linguagem escrita, apresentará dificuldades em ordenar ideias de forma coerente. Sabe-se que as ideias são adquiridas pela leitura, é através dela que o aluno aprende a escrever. Certamente há outras formas de aprender, mas a leitura sem dúvida é a mais eficaz.

 

Segundo Frantz ( 1997), “a prática pedagógica do professor revela a sua visão de educação, isto é, assim como se dá sua atuação em sala de aula, assim se manifesta o modo como vê a educação”. Nesse sentido é correto dizer que se o professor se orienta por uma concepção emancipatória de educação, ele adotará essa ideia em sua prática. 

 

Pode-se dizer que a educação é promotora de mudanças na sociedade. Mas para isso, é preciso contar com a ação efetiva do educador, emancipando-se a si próprio para só então propor aos alunos práticas pedagógicas igualmente emancipatórias. Quando se diz que um ensino almeja ser libertador e humanitário, deve passar pela prática da leitura considerando como base nessa proposta a participação do educador como professor-leitor. A fim de refletir um pouco mais sobre essa ideia, destacam-se aqui as palavras de Maria Helena Martins:

A função do educador não seria precisamente a de ensinar a ler, mas a de criar condições para o educando realizar a sua própria aprendizagem, conforme seus próprios interesses, necessidades, fantasias, segundo as dúvidas e exigências que a realidade lhe apresenta. Assim, criar condições de leitura não implica apenas alfabetizar ou proporcionar acesso aos livros. (1984,p. 42).

Nesse ponto a autora faz uma recomendação válida, pois quando o professor lê literatura, fica mais fácil despertar nos alunos o gosto pela leitura. E torna o papel do profissional educador cada vez mais importante para levar o aluno a adquirir o habito de ler.

 

Percebe-se que a leitura se tornou uma obrigação nos dias de hoje, pois se lê para manter-se informados, ou então se pratica o ato de leitura pelo fato de adquirir novos conhecimentos. Através da leitura as pessoas integram-se com o mundo e ela tem um lugar importante na vida das pessoas, dando o poder de conhecimento, a capacidade de associar ideais, planos, tornando assim seres críticos. De acordo com Wisniewzky, (2015) “ler é um problema individual de cada um e depende de nós mesmos, e seria uma questão de sobrevivência”. Portanto, a leitura é uma necessidade pessoal e temos que praticar em nosso cotidiano, mas para isso teremos que criar uma geração habituada a ler para poder participar e argumentar sobre decisões que são tomadas pela sociedade. Sabe-se que o sujeito que não lê não consegue adquirir certos conhecimentos e acaba por ficar excluído do mundo letrado e não ter condições de construir um mundo igualitário. Segundo Bloom (2001, pág. 65).

A leitura está desaparecendo lenta e decidida dos nossos hábitos e do elenco dos nossos prazeres. Não a leitura de manuais de autoajuda, de informação rápida e digerível e dos mais variados kits de misticismo planificado, para comprovar este fato basta verificar a maioria das listas dos “mais lidos”. A Leitura que está morrendo é a da grande literatura, o produto dos mais ricos momentos de imaginação e criatividade humana. Uma certa melancolia é inevitável diante deste quadro, sobretudo quando se considera o poder da literatura de tornar a vida mais significativa e possibilitar o acesso a uma dimensão mais profunda da existência na qual podemos partilhar, através do Sublime e do Belo, da unidade da natureza humana.

Para uma boa leitura não basta reconhecer letras, ou então atribuir significados às palavras. Ler é saber interpretar, assimilar o que está escrito, compreender a função da leitura e isso se aprende ao longo da prática cotidiana. Muitas vezes o aluno lê um texto ou estuda para uma prova e parece que isso não tem importância para ele, pois não tem significado. Eles estão lendo, mas não conseguem decifrar o que está escrito e muitas vezes, por preguiça, acabam por ler apenas superficialmente. Isso quer dizer que a leitura não fez sentido porque o que foi lido diz muito pouco para o aluno. Sabe-se que não é isso, pois é fundamental depositar atenção quando leem, para compreender verdadeiramente a função da leitura e poder dar significado a ela. Conforme Silva (1991, p. 45), “Ler é, em última instância, não só uma ponte para a tomada de consciência, mas também um modo de existir no qual o indivíduo compreende e interpreta a expressão registrada pela escrita e passa a compreender-se no mundo”. 

 

Ao iniciarem suas atividades escolares, as crianças gostam muito de ler, leem tudo o que enxergam, placas, anúncios, rótulos, etc., têm uma relação com os livros infantis, com histórias contadas pelos professores. Mas conforme observa Filho (1995, p. 52), “Muitos educadores constatam que a criança, na medida que avança no processo de escolarização e na faixa etária, vai perdendo o gosto pelo ato de ler, diminuindo sua intensidade na relação com os livros”. É sabido que este fato ocorre porque no início da vida escolar a criança sente uma curiosidade enorme pela vida e por tudo aquilo que a cerca. Então, é normal que se sinta motivada a descobrir novas histórias e nada melhor que um livro para propiciar este primeiro contato com o imaginário, com a fantasia. No entanto, à medida que cresce ela percebe que a realidade impõe obrigações e responsabilidades por isso aquelas histórias deliciosas são substituídas por conteúdo “real”, que não tem nada de divertido, e a criança acaba perdendo o interesse pela leitura.   

 

O professor é o carro chefe do processo da leitura, e deve ser um grande mediador entre autor/ leitor, para trabalhar com criticidade dentro da sala de aula, e essa experiência será lembrada e irá acompanhar os alunos para toda a vida.   É possível melhorar a leitura em sala de aula, mas para isso é necessário que o profissional em educação busque atualizar seus conhecimentos e amplie as propostas de atividades tornando as aulas mais agradáveis aos alunos. Nesses momentos a atuação do professor é fundamental, pois a conquista de novos patamares de compreensão pelo aluno é algo que depende também das propostas didáticas e da intervenção que ele fizer. (Weisz, 2002, p. 25)

 

Acredita-se que um trabalho de leitura e de formação de leitores precisa abordar tipos diversificados de textos, pois, conforme os PCNs, (2001, p. 54) “ A escola precisa trabalhar com a diversidade de textos, ou seja, trabalhar a diversidade de objetivos e modalidades que caracterizam a leitura”. No entanto é notável que há muitos problemas encontrados pelos alunos na escola, decorrente da falta de leituras. Nesse sentido muitas vezes, se questiona a prática pedagógica utilizada nas escolas, principalmente quanto ao incentivo da leitura em sala de aula, e as propostas que são levadas às crianças a se tornarem leitoras. Não basta dizer que a leitura é importante, é necessário fazer o aluno perceber, sentir de verdade que a leitura é essencial para a vida. Os professores terão que refletir sobre as possibilidades de utilização dos temas usados no cotidiano da sala de aula para que a criança possa, aos poucos, ter contato com o mundo letrado.

 

Muitas vezes as habilidades de ler em sala de aula estão centradas numa prática formalista e mecânica, não propiciando aos alunos uma compreensão, ou uma interpretação do que estão lendo.  Muito pode ser melhorado no âmbito escolar para favorecer uma boa aprendizagem no que se refere à leitura. Sabe-se que a escola é uma instituição considerada responsável por uma parcela significativa da formação do ser humano e cabe a ela a importante função de formar cidadãos conscientes, ajudando-o a aprender a pensar, estabelecendo assim relações entre indivíduos e sociedade. Cabe aos professores orientar adequadamente a leitura, ou seja, estimular com propostas inovadoras, onde o aluno possa interagir e fazer da leitura algo que dê prazer. Conforme Cagliari (1991, p. 173) “ A leitura não pode ser uma atividade secundária na sala de aula ou na vida, uma atividade no qual o professor e a escola se dedicam apenas uns míseros minutos”.

 

O ato da leitura na sua essência precisa despertar no aluno algo que este possa também relacionar com sua vida cotidiana e concomitantemente fazer relações com outros componentes curriculares. O educador não pode só se preocupar com componentes isolados, mas sim fazer uma ligação com os outros, para que possam melhor desfrutar das possibilidades que elas oferecem. Portanto não é apenas função da disciplina de Língua Portuguesa despertar o interesse do aluno, e sim de todas as disciplinas e de todos os professores. 

 

Muitas crianças apresentam dificuldades em interpretações nos mais variados componentes curriculares, prejudicando as ligações interdisciplinares, importantes na construção do conhecimento, e isso é uma questão bastante complicada, que demanda uma amplitude acerca da atualização de conhecimentos.  

A plenitude do ato de ler só se dá quando as áreas de contato entre o leitor e o texto funcionam cooperativamente, ajustando-se uma a outra, isto é, quando o leitor processa automaticamente e inconscientemente os elementos linguísticos presentes no texto, relacionando-os a seu conhecimento de mundo.( ROLLA: 2001, p. 60)

A escolha do livro que o aluno irá ler terá que ser significativa para ele para, a partir daí, perceber a importância da leitura na vida de cada um. É preciso ressaltar que a condição básica para promover a leitura é que o professor seja um bom leitor, caso contrário, o aluno não irá desenvolver o interesse e o gosto pela leitura. Para Rolla citado por Smith (2001, p. 99) “as crianças não aprendem através da instrução, elas aprendem através do exemplo e aprendem atribuindo significado a situações essencialmente significativas”. 

 

Para Sandroni e Machado: 

Para que a história prenda realmente a atenção da criança, deve entretê-la e despertar sua curiosidade; mas para enriquecer sua vida, deve estimular-lhe a imaginação, ajudando-a a desenvolver seu intelecto e a tornar claras suas emoções, deve também estar harmonizada com as ansiedades e aspirações relacionadas aos problemas que a perturbam. (SANDRONI E MACHADO: 1991, p. 48).

 

Logo, é fundamental que o professor propicie às crianças uma relação com livros de literatura, pois isso nos remete a crer que é com o trabalho de literatura infantil, nos contos, nas fantasias que o sujeito inicia sua formação de leitor na escola. A história quando é bem contada proporciona momentos de humor, prazer, alegria, descontração, ou seja, encanta o aluno e desperta o real e o imaginário, desenvolvendo assim o pensamento cognitivo, afetivo e psicomotor. 

 

 A atividade do leitor da literatura se exprime na reconstrução do universo simbólico, desse modo à literatura desperta curiosidade, imaginação, criatividade, fantasia, sentimento, tem a capacidade de redimensionar as percepções que o sujeito possui de suas experiências e de seu mundo. Por isso que a literatura colabora significativamente para a formação da pessoa e também nas formas de pensar e encarar a vida. Essas encantadoras formas poderão estimular a leitura e contribuir para a elaboração do conhecimento. Conforme Franz: 

Toda leitura é uma viagem, uma aventura, um mergulho no seu interior, uma descoberta, uma experiência de vida. No texto literário o ser humano deposita sua visão de mundo, suas crenças, seus desejos, suas angustias e incertezas, assim como sonhos e esperanças. (FRANTZ, 2001, p. 06)

Muitas vezes, os alunos não têm acesso a livros antes de chegarem a idade escolar e o único lugar onde a criança encontra livros é a escola, sendo assim ela é considerada a única responsável na formação de sujeitos leitores. Mas na realidade, o professor terá de ser também o mediador, a fim de facilitar a construção do processo da leitura e também da escrita. A motivação para a leitura precisa, estar presente nas mentes dos educadores nos momentos de planejamento e reflexão sobre a prática. 

 

 Acredita-se que a escola não pode separar a prática da leitura de qualquer outra atividade pedagógica do cotidiano do educando, uma vez que a leitura acompanhará o aluno em muitas situações de interação durante a vida. Segundo Rolla (2001, p. 101) “não se pode negar que é função da escola, como instituição formal, transmitir a herança cultural às novas gerações, até porque, seria difícil conceber uma escola onde o ato de ler não estivesse presente”. 

 

 Outra atividade que pode ser trabalhada na escola á a música. Ela representa uma forma de leitura bastante interessante e dinâmica, pois conjuga a atividade escrita com a leitura e oralidade. Dessa forma, deixar que o aluno leia, crie coreografia e apresente, explorando a expressão corporal. Isto será um subsídio a mais que o professor poderá usar em sala de aula, pois a criança vai construindo seu conhecimento de forma natural. 

As cantigas de roda têm grande valor educativo, pois, favorecem diversos aspectos do desenvolvimento infantil, facilitando a socialização, a coordenação viso motora, a percepção visual, o raciocínio lógico e a linguagem verbal (ROSA, 1990 p.86).

Esta atividade serve para despertar o interesse das crianças para o ato de ler, fato em que os alunos não leem por obrigação, mas para descobrir o encanto que uma boa leitura irá trazer para elas. Contudo, é preciso que a leitura seja desenvolvida de forma natural, à medida que vai despertando no aluno o desejo de ler, mesmo que seja por métodos criativos. Sabe-se que a formação de leitores não se dá de uma hora para outra, é um processo lento, que exige empenho e dedicação não somente da escola, mas também de todas as pessoas envolvidas no processo.

 

Nesse processo a escola precisa resgatar brincadeiras, histórias infantis, canções e atividades lúdicas a fim de motivar e incentivar os educandos a lerem. Isso facilita a aprendizagem, tornando a leitura mais agradável aos olhos deles, a simples atividade diferenciada já pode significar uma motivação para toda a vida da criança. Esta pode ser uma forma mais abrangente, se considerada como lazer, como um brinquedo, onde a criança sente-se alegre, e aos poucos faz das práticas educativas, práticas prazerosas, tornando assim, a leitura envolvente e significativa. Fazer da aula um momento de descontração é uma maneira no qual o aluno se sente motivado para desejar estar na escola e querer aprender. 

Uma aprendizagem é especialmente compensadora quando o aluno reconhece o poder cumulativo do conhecimento e quando percebe que aprender uma coisa lhe permite passar a um nível de compreensão que antes estava fora de seu alcance. A aprendizagem é tanto mais significativa, quanto mais é uma meta-aprendizagem, quando mais auxilia o estudante a aprender a aprender, a entender e a representar o processo mediante o qual se produz conhecimento. ( GOLBERT: 1997, p. 24 )

Uma proposta eficiente para o ensino da leitura necessita apresentar uma coerência entre teoria e prática, entre discurso e ação, caso contrário não haverá uma mudança concreta. A presença dos professores e o papel da escola na formação de leitores são importantes, uma vez que, a leitura como já vimos, inicia muito cedo. Portanto a escola não pode negar a ajuda da comunidade escolar na formação de leitores. Na verdade, terá que requerer sua presença também nos ambientes escolares, de forma que a aprendizagem ocorra de forma significativa. É possível pensar literatura de maneira mais aberta e ampla, pois ela nos dá asas a nossa imaginação. De acordo com Hennemann (2012, p. 3):

[...] a literatura infantil é um instrumento no processo de alfabetização e letramento e serve como arma poderosa para ampliar os saberes dos sujeitos: é uma maneira de tornar o caminho da aprendizagem mais prazerosa e significativa, valorizando os conhecimentos já adquiridos pelos alunos e aproveitando para ampliar suas práticas de letramento.

 Um aspecto interessante ao se tratar de leitura é a família. Acredita-se que a leitura terá que começar em casa, antes mesmo de a criança iniciar a sua educação formal. Quando a criança é motivada desde pequena, ela gosta de ler e muito, mas aquela que vai ter os seus primeiros contatos com os livros mais tarde é mais trabalhosa, a falta de incentivo em casa, a falta de hábito, ou mesmo a leitura obrigatória na sala de aula, faz com que o aluno tenha uma aversão à leitura. Segundo Sandroni e Machado (1991, p. 59) “... o desenvolvimento de interesses e hábitos pela leitura se inicia na família, reforça-se na escola e continua ao longo da existência do indivíduo, através das influências recebidas da atmosfera cultural de que ele participa”.

 

O processo de aprendizagem da leitura torna-se um ponto principal de preocupação: os pais sabem muito bem, que o sucesso ou fracasso escolar estão diretamente ligados à leitura. Os alunos que não sabem ler ou escrever estão suscetíveis a fracassar na escola. Juntamente com isso, há o fato de que os docentes que tentam transformar suas práticas muitas vezes ficam inseguros e hesitam ao enfrentarem as críticas dos pais, adotando uma postura defensiva. Isso só faz com que cresçam as incompreensões e dificuldades entre os adultos e as crianças. 

 

Os pais, juntamente com o restante da família são os parceiros essenciais da escola na tarefa de levar os filhos (alunos) a ler. Questão semelhante vincula-se ao processo de socialização da criança, entendido aqui como sendo de natureza educativa. Fica claro, então que se, inicialmente a criança não encontrar no meio em que vive e nas relações que ela tem em seu lar (família), ou microssistema social, modelos de leitura não poderá assimilar a função social do ato de ler e não se tornará um leitor em potencial. Esta ideia pode ser comprovada nas palavras de Silva, citado na obra de Smith:

Se num primeiro momento de sua existência a criança                             aprende e se situa no mundo através da atribuição de significados a pessoas, objetos e situações presentes no seu ambiente familiar, então podemos inferir que esse mesmo ambiente deve ser potencialmente significativo em termos de livros, leitores e “leitura”. (SILVA: 1991, p. 56). 

           Muitas escolas já se preocupam em disseminar entre os pais a ideia de quanto mais cedo a criança for estimulada à leitura melhor será sua aprendizagem. A biblioteca da escola também tem que facilitar o acesso aos mais variados tipos de leitura, desde literatura infantil até as revistas científicas. Com isso os resultados podem ser surpreendentes. 

 

        Por outro lado, se percebe que algumas famílias não participam da contribuição para o despertar do gosto pela leitura. Seria muito mais fácil ensinar leitura nas nos primeiros anos escolares se os pais/ as famílias participassem mais do processo de aprendizagem dos filhos. Assim sendo, mais tarde os leitores seriam capazes, de estabelecer manifestações socioculturais e compreender melhor o seu papel de agente de transformação social.

 

A família tem seu lugar de destaque no universo escolar da criança. Basta que os pais auxiliem a escola a apresentar alternativas para o ensino da leitura na sala de aula, bem como despertar nos alunos o gosto pela modalidade. Visto que, é do conhecimento dos educadores em geral que aquele aluno que lê com frequência estará mais apto a avançar em seus estudos e a interagir dentro da sociedade da qual faz parte. O aluno-leitor terá maior facilidade de ingressar no mercado de trabalho, que hoje cada vez mais exige que a pessoa tenha múltiplas aptidões e entre elas certamente está a leitura. Nas palavras de Silva, Assis e Lopes,

A leitura não é apenas uma das maiores experiências da vida escolar, é também uma questão de sobrevivência, pois o domínio dessa competência possibilita a aquisição de novos conhecimentos, como também uma melhor compreensão do mundo e favorece a inclusão do indivíduo da sociedade, conforme afirma professor Silva: Ler em si não é viver, ler é conseguir o devido combustível de ideias para viver em sociedade. (SILVA; ASSIS; LOPES, 2013, p. 49)

 

O último aspecto tratado aqui, relacionado à leitura, é a literatura como fonte de leitura. Já se sabe que a melhor maneira de estimular a prática da leitura nas séries iniciais é mediante livros literários, a literatura é uma fonte de leitura agradável e que os faz “viajar” num mundo imaginário. A literatura é considerada por muitos profissionais um problema sério dos currículos brasileiros e tem sido tema de inúmeras discussões em seminários, cursos, congressos, encontros de professores. 

 

Entende-se que o ponto culminante são as deficiências de domínio da leitura. Tal fato de deve a nossa estrutura social, pois na sociedade atual sempre houve uma carência muito grande de estimulação cultural para a leitura. Não é de estranhar, que a grande maioria da população não consiga se expressar ou produzir qualquer tipo de cultura. Isso ocorre também por causa das restrições econômicas que impedem as pessoas de adquirir bens culturais e buscar a atualização. Em outras palavras, quando o valor de um livro de literatura é bastante alto fica difícil praticar a leitura. 

 

Pode-se dizer ainda que a literatura é a melhor fonte de leitura, pois ativa o imaginário, aguça a curiosidade levando o aluno a questionar-se e se aventurar em busca do saber. Não há dúvida que a literatura proporciona ao leitor, sensações diversas como: emoção, medo, alegria, surpresa, admiração, tristeza, mas o mais importante é que esse turbilhão de sentimentos faz parte da leitura e contribui para a aprendizagem da criança no início da vida escolar levando o aluno mirim a despertar para a leitura.

A literatura infantil é, antes de tudo, literatura; ou melhor, é arte: fenômeno de criatividade que representa o Mundo, o Homem, a Vida, através da palavra. Funde os sonhos, e a vida prática; o imaginário e o real; os ideais e sua possível/impossível realização...”(COELHO: 1991, p. 24)

A literatura então, ajuda a formar leitores, uma vez que através dela pode-se conquistá-los e encantá-los, e tem a possibilidade de adequar-se à idade do leitor, utilizando uma linguagem comum e apropriada à faixa etária das crianças, ou seja, uma linguagem mágica que mexe com suas emoções e imaginações provocando uma reflexão sobre suas vivencias, sonhos, enfim, questões importantes à sua vida. As atividades literárias se forem ministradas de forma adequada, contribuirão para despertar o gosto pela leitura.

Um exemplo de atividade literária mais adequada seria transformar a biblioteca da escola num ambiente atrativo, com almofadas, cartazes coloridos, fantoches e outros recursos, fazendo com que o aluno adquira naturalmente o hábito de ler. Convém dizer ainda que a biblioteca escolar deve ser usada como um apoio didático pedagógico, como coloca Perrotti (apud BAJARD, 2002, p.32):

A biblioteca é instituída não apenas para difundir informações, mas sobretudo para, a partir delas, constituir-se em local de troca, de expressão e de produção. Ela possibilitará não apenas estimular, respeitar, reconhecer a expressão cultural da infância, como instigar, provocar, alimentar de várias formas as relações de crianças e jovens com o conhecimento, a cultura, a leitura, o mundo.

Contudo, a biblioteca deve ser um lugar onde os indivíduos vão formando parcerias com a equipe docente a fim de acompanhar os conteúdos aplicados em sala de aula, objetivando fornecer um maior suporte para adquirir melhor conhecimento.  Pode-se afirmar que na sociedade atual, a importância da biblioteca escolar no processo educacional é inquestionável.



 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Após a leitura de vários autores pode-se chegar a uma breve, mas significativa conclusão sobre o tema: O Despertar da leitura nos primeiros anos escolares das crianças, tanto o tema quanto a pesquisa podem ser continuados enfocando temas que ainda não foram estudados, ou que podem ser aprofundados em outros níveis de estudo. 

 

A partir da pesquisa pode-se dizer que, a prática da leitura no ambiente escolar é de fundamental importância na constituição do aluno como pessoa, e faz com que este se torne crítico diante dos fatos da vida e do mundo que o cerca. É através da leitura que o sujeito passa a conhecer-se a si mesmo, aos outros, e as possibilidades de transformar-se a transformar o mundo e interagir com ele à medida que vai crescendo e construindo seus conhecimentos. 

 

Todavia, há ainda uma grande dificuldade por parte dos professores em estimular em seus alunos o gosto pela leitura, pois os alunos não gostam de serem cobrados e nem quando não podem manusear os livros à sua vontade. Isso porque a biblioteca, muitas vezes não é um ambiente atrativo e lúdico o bastante para chamar-lhes a atenção para a leitura como forma de entretenimento e viagem a mundos mágicos onde a imaginação vive livre de censura e obrigações. 

 

Com isso, naturalmente a escola passa a ser a grande responsável pelo desenvolvimento da leitura nos educandos e por abrir os horizontes dos pais com relação as novas concepções educacionais sobre leitura, derrubando velhos conceitos e ultrapassando barreiras.  Sua função primordial passa a ser a de oportunizar aos alunos a prática da leitura como uma maneira divertida de adquirir conhecimentos e de participar do mundo e de interagir com outras pessoas. 

 

A motivação é sem dúvida, o ponto de partida para despertar os alunos para a leitura, tanto na escola como em casa ou em qualquer lugar. Mas é importante que comece nos professores e estes então poderão motivar seus alunos, e a família também poderá juntar-se e colaborar formando um círculo que pouco a pouco poderá tornar a educação cada vez mais eficaz e de qualidade. 

 

Esse é um desafio para todos os educadores nos dias de hoje, a fim de que a formação do aluno seja completa, integral de maneira que possa interagir no mundo, resolvendo problemas, criando soluções, sem deixar de vivenciar a infância dada a sua importância na vida da pessoa. E construindo uma aprendizagem sólida, numa educação libertadora que possibilite que se desenvolvam todos os aspectos do sujeito.

 

Por fim, fica a sugestão de que a leitura seja vista como um processo essencial ao crescimento do aluno como sujeito e que seja despertada de forma cuidadosa a fim de evitar que o aluno se afaste do livro, mas que o tenha como companheiro de caminhada. A literatura deverá exercer papel principal na busca em despertar o gosto pela leitura, uma vez que é a melhor forma de trabalhar a leitura, sendo no âmbito escolar ou familiar.


 

BIBLIOGRAFIA

 

BLOOM, Harold. Como e por que ler. Editoração Eletrônica Abreu’s System Ltda. 2001

 

CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização e Lingüística . 3ª ed. São Paulo: Scipione. 1991.

 

COELHO, Nelly Novaes. Literatura Infantil. São Paulo: Àtica, 1991.

 

FILHO, Paulo Bragatto, Pela Leitura Literária na Escola de 1º Grau. São Paulo: Ática, 1995.

 

FRANTZ, Maria Helena. Educação, Leitura, Cidadania e Literatura. Leitura em Revista. Ano 01 jan/junho, 2001.

 

FRANTZ, Maria Helena. O Ensino da Literatura Nas Séries Inicias. Ijuí: ed. Unijuí, 1997.  

 

GOLBERT, Clarissa S. Jogos Matemáticos. Porto Alegre:  Mediação, 1997.

 

HENNEMANN, A, L. Literatura infantil: auxílio ao processo de alfabetização e letramento. 2012. Disponível em: . Acesso em: 17 fev. 2024.