Vanda Elizete Vieira da Costa – Pedagoga, Pós-graduada em Orientação Educacional e Libras / Professora da Educação Básica- Rede Estadual –  [email protected]

   Creuzeli Coelho Batista – Graduação: Pedagogia/Matemática, Pós-graduada em Coordenação Pedagógica e Professora da Educação Básica- Rede Estadual – [email protected]

  Leandro de Souza Vieira – Pedagogo, Pós-Graduação em Coordenação Pedagógica, PROEJA e Orientação Educacional / Professor da Educação Básica- Rede Estadual – [email protected]

    Vonio Lira Mendes – Graduação: Pedagogia/Educação Física, Pós-graduado em Gestão, Supervisão e Orientação Educacional e Professor da Educação Básica- Rede Estadual – [email protected]

                                          ARTIGO

O COTIDIANO DO POVO XERENTE: PRÁTICAS CORPORAIS E VIDA SAUDÁVEL

RESUMO

Este trabalho surgiu através de pesquisas e discussões acerca das atividades corporais desenvolvidas no cotidiano do povo Akwẽ-Xerente, com o intuito de conhecer as contribuições que as práticas realizadas por eles nos trazem ao longo da vida, e que podem nos proporcionar vida mais saudável, pois essa diz relacionar respeito também às expressões e movimentos culturais. Esta pesquisa, intitulada “O cotidiano do povo Xerente: práticas corporais e vida saudável” traz uma discussão sobre quais práticas corporais do povo Xerente contribuem para uma vida saudável, fazendo um paralelo entre conhecimento da cultura às interpretações encontradas em textos bibliográficos, a fim de buscar relações com o conceito de vida saudável. O estudo pretende ainda abordar os elementos da cultura, tais como: corridas, símbolos, pintura corporal e organização social. Com base em Daolio (1995) quando diz que a linguagem corporal resulta das interações sociais e da relação dos homens com o ambiente construindo seu significado em função de diferentes necessidades, interesses e possibilidades corporais presente nas diferentes culturas é perceptível uma proximidade com aquilo que os Akwẽ-Xerente apresentam no seu cotidiano na aldeia.

 Palavras-Chaves: Akwẽ-Xerente, práticas corporais, vida saudável

 O cotidiano do povo Xerente: práticas corporais e vida saudável

 O presente artigo pretende analisar o contexto do cotidiano dos povos indígenas no Estado do Tocantins, que possuí uma população indígena com sete povos: Akwẽ-Xerente, Karajá, Javaé, Iny-Xambioá, Panhῖ-Apinayé, Merῖ-Krahô e Krahô-Kanela; cada povo com sua cultura, sua história de luta pela sobrevivência, mantendo seus rituais e cerimonias, e por estar tão próximo desse “caldeirão cultural”, convivendo em Tocantínia, onde vivem os Xerente que se autodenominam Akwẽ, que significa “indivíduo”, “gente importante”, surge o interesse de escrever e discutir: Quais práticas corporais dos povos Indígenas contribuem para uma vida saudável? A partir do tema: “O cotidiano do povo Xerente: práticas corporais e vida saudável”.

Tendo como objetivo desenvolver esse estudo com os sete povos, aqui procuro; identificar as práticas corporais do povo Xerente, buscando uma relação com o conceito de vida saudável. Para compreender a vida em sociedade, nota-se, diante de tal fato uma analise mais próxima dos sujeitos, Silva (2012, p. 1) “As práticas corporais são componentes da cultura corporal dos povos, dizem respeito ao homem em movimento aos seus gestos e ao seu modo de se expressar corporalmente”.

Ainda nessa perspectiva, segundo Nahas (2008), o estilo de vida representa o conjunto de ações habituais que refletem os valores, as atitudes e oportunidades em nossas vidas.  Para os Akwẽ-Xerente as práticas corporais são indispensável para a vida e cultura, bem como, o corpo livre de doenças para locomover-se em harmonia com a natureza.

Ao propor apresentar a forma como o povo Xerente veem as práticas corporais, se faz necessário, conceituar o termo, o que nos permite perceber sua estreita relação com atividade física, vida saldável. Dentre inúmeros conceitos, Lazarotti Filho et al (2010) elucida o termo de modo bem abrangente, para o autor as práticas corporais são entendidas por gestos mais simples e elementares como modos de vestir, de comer, de exercitar-se, de maquiar-se, de divertir-se, de cozinhar, de jogar, de cultivar o solo, de pescar, de caçar ou práticas de higiene.

Outro conceito relevante para o entendimento pretendido aqui, é encontrado em Silva e Damiani (2005), os quais entendem na pratica corporal, condições de fenômenos culturais constituídos da experiência, com exercícios vivenciados no cotidiano para obter aptidão física, que tem por objetivo conservar a saúde. A experiência, nesse sentido, corresponde a um conjunto de atribuições de uma terceira pessoa, no caso, o corpo, deve a partir dos movimentos serem controlado e ao mesmo tempo, ficar alerta por seus impulsos naturais que tem por recompensa, o prazer.

Segundo o autor essa concepção está invadindo os espaços de lazer, de educação e de saúde, que indica que se deve tratar o corpo como se fosse um objeto ou algo fora. O termo “práticas corporais” são elementos da cultura corporal dos diversos povos, entendida como movimentos, gestos o modo de se expressar corporalmente, ou seja, manifestações e práticas culturais. Nesse sentido, agregam-se as mais diversas formas do ser humano se manifestar por meio do corpo, por exemplo, os jogos, as danças, os esportes, as artes entre outras práticas sociais.

as práticas corporais são desempenhadas dentro de um universo de significados específicos para cada praticante. Alguns deles associam o exercício das atividades à questão de saúde, outros a uma forma escape para aliviar as pressões da vida contemporânea, por outro lado, alguns indivíduos apontam à questão do prazer fruto da prática corporal como o motivo dele desenvolver a atividade e integrar o grupo. (SOUZA, 2012, p. 02).

      Nesta perspectiva, os jogos, as danças, as lutas, distribuídos em modalidades, são práticas corporais que constituem diferentes formas e expressões do corpo. Pensando o campo da Educação Física, Silva e Damiani (2005) apontam para uma reflexão critica sobre “prática corporal” e saúde.

O estudo procura discutir ainda o conceito de vida saudável, onde vida é o período de tempo que vai desde o nascimento e saudável refere-se à saúde, definida como o estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença (OMS, 1948). Desta forma, compreendemos como vida saudável os bons hábitos alimentares e comportamentais associados a boas relações afetivas e sociais, trabalho, moradia, comportamentos preventivos e prática de exercícios físicos ao longo da vida.

Após apresentar conceitos e abordagens teóricas que fundamentam a pesquisa, se faz necessário, para adentrar a discussão, analisar se existe ou não relação entre o que foi observado em campo, com as respostas extraídas dos questionários e com que está posto no embasamento teórico apresentado anteriormente. A análise em questão, tende a apresentar como resultado se é possível perceber a proximidade ou interferência de outras culturas nas práticas corporais Akwẽ-Xerente, tendo em vista a proximidade entre aldeias e comunidade não indígena, com também, observar se existe alguma semelhança entre as atividades e indígenas e a Educação Física tradicional, trançando possíveis interações entre ambas.

Com base em Daolio (1995) quando diz que a linguagem corporal resulta das interações sociais e da relação dos homens com o ambiente construindo seu significado em função de diferentes necessidades, interesses e possibilidades corporais presente nas diferentes culturas é perceptível uma proximidade com aquilo que os Akwẽ-Xerente apresentam como resposta quando questionados sobre o que o corpo em sua concepção, onde expressa que a palavra corpo não existe na língua, podendo ser entendida como “pessoa, então a pessoa é responsável pelo fortalecimento da cultura, o corpo para o Akwẽ é uma pessoa”.

Outro aspecto observado, que demonstra interação com o que o autor diz sobre a interação social é que a pintura corporal identifica o ser o humano com diferentes culturas, para eles - Akwẽ-Xerente -, “o corpo é a identidade da pessoa por isso deve ser cuidado e preservado”.

Certamente, ao mencionar a pintura corporal como identificações clãnica, demonstram a fundamental importância do corpo no processo de interação social e na relação com o ambiente, uma que foi observado em rituais de cura realizados pelo pajé, a realização da pintura corporal. Deste modo, pessoa e corpo está intimamente ligada, construída socialmente, e adequada à cosmologia do grupo como bem identificou Fassheber (2001).

Nessa perspectiva, é nítida a preocupação do povo Akwẽ-Xerente observado, com o cuidado corporal, que passa pelos ensinamentos culturais trabalhados desde a infância com os afazeres da aldeia como caça, pesca e outros, como também, as atividades de lazer e recreação que também exigem o fortalecimento corporal, preparando-o para enfrentar doenças e outros males.

Dentre as práticas corporais e atividades esportivas e de lazer realizadas na aldeia observada, é possível perceber a interferência cultural exercida pela cultura não indígena, que adentra o espaço da aldeia se tornando prática comum e que modifica até mesmo aspectos de divisão clãnicas, como o próprio futebol.

Considerando a fundamentação teórica, em consonância com as respostas do questionário e o período de observação, foram constatadas e apresentadas semelhanças entre as práticas corporais, vida saldável do povo Xerente e os não Xerentes, como também, é evidente a relação entre a Educação Física e as práticas corporais do povo Xerente.

No entanto, também existem diferenças. Uma característica do povo Xerente não tão comum em outra comunidade é a relação que estabelecem entre práticas corporais e cultura enfatizando a importância de tais práticas tanto para a manutenção da cultura como aquisição de novas, por meio da interculturalidade.

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