No dia 15 de agosto, fui com Laureano visitar Dona Célia Gonçalves uma paroquiana que mora no Monastério Budista de Alto Paraíso de Goiás, denominado "Matri Sadan". No Ashram ("vida monástica") Dona Célia é chamada de Anaíta (de Deus), nome de inspiração divina. Ela sempre vai à Missa Dominical na Capela São Sebastiao, no Novo Horizonte (um setor de Alto Paraíso), sempre acompanhada por algum discípulo budista. Eu disse a ele que visitaria. Quando cheguei ao Matri Sadan não somente ela ficou surpresa, mas todos do Ashram. Disse: "o senhor realmente me disse que viria, mas achei que era somente palavras. Estou mesma é feliz agora".
Ao chegar no Matri Sadan fomos acolhidos por Ranomã, mas logo fui reconhecido por Umá, uma das jovens budistas que leva dona Anaíta à Santa Missa. Ela pediu que Ranomã fosse ver se minha paroquiana já estava dormindo enquanto explicava-nos sobre a vida monástica. Logo que o enviado chegou Umá deixou-nos com ele para irmos ao encontro de Célia Gonçalves.
Pelo caminho descobrimos muitas coisas interessantes. Uma delas é que o Matri Sadan abriga todas as tribos, todos os credos, todas as filosofias, sem nenhuma preferência ou distinção e assim, lá convivem pacífica e harmoniosamente, o Hinduísmo, o Budismo, o Cristianismo, as religiões Hoasqueiras, Práticas Xamânicas e outras práticas condizentes.
Chegando à casa de Dona Célia, sua alegria nos contagiou. Seus olhos brilharam. Tudo parecia estar inebriado com uma visita inusitada. Foi nos oferecido assento e em seguida um copo d?água. Dolma, uma discípula budista que estava com Dona Célia nos cumprimentou já dando adeus.
A notícia espalhou no monastério que o padre estava lá. Não acreditando ser verdade, várias pessoas se juntaram na casa de Dona Célia para conversarmos, até mesmo a dirigente fundadora, a Senhora Grauben, quem muito bem nos acolheu explicando que Matri Sadan significa, em sânscrito, "Morada da Mãe Divina". E é nesse espaço destinado ao sagrado que se realiza as práticas de meditação e desenvolvimento pessoal.
A Mãe Divina, disseram-nos, significa a força que temos dentro de nós. Essa é a sua morada. Indo até sua morada, as pessoas perceberão que sua existência (aquela força) deve-se a Ela, tornando-se satisfeitos com felicidade, bem-aventurança e paz no mundo material. Isso se consegue com a ajuda do famoso Chá, ao passo que no Matri Sadan se ingere o Santo Daime (Ayahuasca): chá sagrado de origem amazônica, composto pelas plantas Banisteriopsis Caapi, denominado Mariri e Psicotria Viridis, denominada Chacrona (Só poderão comungar Ayahuasca pessoas maiores de dezoito anos com o devido termo de responsabilidade assinado).
O Matri Sadan Brasil nasceu como fruto de uma viagem à Índia, realizada em 1998 por sua fundadora e dirigente, Sra. Grauben Barreto de Almeida - que, na ocasião, recebeu o nome espiritual de Giamvati. Lá mora vinte pessoas, dentre elas três famílias.
No final de nossa conversa chegou a filha de Giamvati, Geibe e seu esposo Bepe com o filhinho Milá. Também Dolma retornou com Prema, uma outra jovem que leva Dona Célia à Santa Missa. Ouvimos a pedido da Sra. Grauben, um dos hinos cristão preferidos de Dona Célia, "minha alma canta a ti Senhor". Ela ouviu todo o hino com os olhos fechados. Muita emocionada disse: "o senhor também conhece". Eu fiz que sim com a cabeça e balbuciei: "preciso ir. A hora já está bem adiantada". Com isso, Dona Célia agradeceu muito e disse que seu aniversário seria dia 30 de outubro. Ficou marcado com Giamvati que todos irão para a Missa acompanhar Dona Célia no dia do seu aniversário.

Joacir Soares d?Abadia, padre, Filósofo e autor de 5 livros
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