Manuel Luís Osório, o Grande Soldado Brasileiro
Por Leôncio de Aguiar Vasconcellos Filho | 12/02/2026 | HistóriaTodos os tempos, em todas as sociedades, têm seus heróis. A memória relativa a eles se fez por meio da escrita, vez que suas ações e comissões, seguindo os padrões morais de suas épocas, foram fundamentais à construção das identidades nacionais. E, no Brasil, poucos são tão lembrados como o Marechal Manuel Luís Osório, ou Marquês do Herval.
Nascido em Conceição do Arroio, no Rio Grande do Sul, desde cedo seguiu os passos do pai, também militar. Logo aos quinze anos, aderiu à respectiva campanha pessoal, e coletiva do Império, na Guerra da Cisplatina. Numa das mais ousadas façanhas militares para um adolescente, seu grupo foi o único dos brasileiros a sobreviver à Batalha do Sarandi, de modo que, lá, Osório também salvou a vida de seu comandante. Noutra mortal batalha, a de Passos do Rosário, o grupo de lanceiros liderado por Osório, de igual modo, subsistiu, embora ditos feitos não tenham sido suficientes a evitar a secessão da província. Independentemente disso, Osório foi um dos enviados às negociações com os orientais, ajudando a tornar menos traumática a desanexação do território.
No próprio Rio Grande começou, em 1835, a Revolução Farroupilha. Tendo por base uma rebeldia em face do tributo incidente sobre o charque, houve a simpatia inicial de Osório, que pelo movimento se interessou. Mas, logo, quando da Proclamação da República Rio-Grandense (ou República Piratini), delatando-se como uma guerrilha separatista, Osório consagrou-se como um fiel soldado do Império. Em 1838 foi elevado à condição de capitão, e, em 1842, à de major. A Revolução Farroupilha fora derrotada em 1845.
O próximo conflito de que Osório participaria seria a Guerra do Prata, que se estendeu de 1851 a 1852 (também chamada de Guerra contra Oribe e Rosas). O Império, naquela empreitada (como nas demais de que participaria, quais sejam, as Guerras do Uruguai e do Paraguai), sagrar-se-ia vitorioso. Mas um episódio merece destaque: na Batalha de Monte Caseros, subúrbio de Buenos Aires, Osório rompeu as forças defensivas do governo argentino, permitindo, bem mais rapidamente, a rendição local e sendo promovido a coronel no campo de batalha.
Em 1864 e 1865 foi enviado, junto a tropas imperiais, ao já denominado Uruguai, a fim de apoiar a facção "colorada", de viés ideológico favorável aos interesses do Império, em face dos "blancos", bem mais hostis.
De 1864 a 1870 houve o mais mortal conflito da história da América, a Guerra do Paraguai, Osório participou da campanha, que, pelo Tratado da Tríplice Aliança, fora liderada pelo Conde D'eu, genro de D. Pedro II. Na Batalha do Avaí, em 1868, Osório foi mortalmente ferido no maxilar por um inimigo paraguaio, mas resistiu, não desistiu e gritou aos seus "camaradas" (soldados brasileiros por ele comandados) para acabarem com "aquele resto". Fora socorrido e não pôde ver a Queda de Assunção, em 1870, embora, logo quando de sua recuperação e já há tempos sob a patente de tenente-general, tenha sido novamente requisitado.
Fora seus feitos militares, recebeu o título nobiliárquico de Barão do Herval, e, após, Marquês do Herval, já que, ainda no final da década de 1860 e próximo ao Uruguai, tenha encontrado ervais férteis numa missão oficial.
Além disso, na juventude se declarava republicano, ainda que, antes da meia-idade, viesse a se tornar um fiel monarquista, que lutava não em nome da forma de governo imperial ou do sistema parlamentarista, mas do país. No final da década de 1870, sua saúde se deteriorara, e, por fim, recebeu a patente de marechal. No crepúsculo de sua vida, como numa visão profética e dez anos antes do golpe de 1889, declarou sua aversão a uma eventual República, pois não admitia que os que pegaram em armas para lutar contra inimigos externos viessem a fazê-lo, de forma despótica, em face de seus próprios compatriotas. Um detalhe, curioso ou intrigante: ele havia conhecido Deodoro da Fonseca, também herói da Guerra do Paraguai.
O Marquês do Herval faleceu em 1879.