1.Não se pretende questionar por que o imortal Fernando Pessoa iniciou seu poema (“Mar Portuguez”, do livro “Mensagem” lançado em 1934, referindo-se às grandes navegações, cujo período glorioso remonta ao  infante D. Henrique, Vasco da Gama e Fernão de Magalhães), a partir  da seguinte exaltação: “Ó Mar!”. Afigura-se que na verdade quis se referir aos portugueses terem cruzado um “oceano” (e se isso valeu a pena?). Além de propiciar contornos poéticos ao clássico em comento, imaginem na mente prodigiosa do autor ao invés ter invocado: “Ó Oceano! Ou talvez “Ó Atlântico!”, e por que não? Mas o titulo real me parece soa poeticamente incomparável!. Também, poderia se indagar por que centrou sua pena nos perigos de navegadores irem de encontro a  “precipícios” e “abismos” próximos (v.g.: águas existentes à frente do Cabo do  “Bojador”, superado em 1434 pelo navegador português Gil Eanes), quando  eram incomensuráveis os desafios com que se defrontavam ao se embrenharem muito além de mares ibéricos (no caso o “Atlântico”  com suas tempestades imprevisíveis, longas e penosas travessias...). 

2. No caso presente, o que se tem em voga é o fato do povo brasileiro estar sofrendo há séculos com a corrupção, com a dilapidação de suas riquezas, desde muito antes de “Tiradentes”, ainda nos primórdios do Brasil colônia, a custa de muita dor e sofrimento. E,  questionamentos prospectam: “Por que dos policiais não lhes é exigido um juramento solene de defender o Brasil, o nosso povo, as nossas riquezas, o efetivo combate à corrupção, o fiel cumprimento dos seus deveres...? (esse "juramento" poderia ser comparado a uma "quimera", tanto como uma ficção como uma figura mitológica, num sentido muito superior aos juramentos formais que conhecemos, e a imagem dos "policiais" vista pela sociedade dentro de um plano mítico e sagrado...). Estariam os policiais sempre a serviço de representantes de ‘Poderes’, inclusive, comprometidos em servir esse ‘status quo’ que perpassa séculos e impõe determinismos outros?” 

3. Rui Barbosa, dentre seus desígnios superiores, procurou alertar para os perigos do “stablishment” existente na sua época, numa atitude de desespero e exaltação, considerando o grau de lesividade à “pátria sempre mãe gentil”. No seu poema “Sinto Vergonha!” (evocação) ele se desespera - na condição de educador e defensor da democracia - de ver o povo brasileiro enveredar pelo caminho da desonra, de deixar se levar pela derrota das virtudes e dos vícios, da negligência com a família, dos “egos, do orgulho e das vaidades, da falta de humildade, além de se envergonhar da sua impotência para mudar a realidade vigente à sua época, por suas desilusões, por não ter para onde ir porque amava seu “torrão” (Ó Brasil!), por ter pena das pessoas, de tanto ver triunfar as nulidades..., a ponto de até se envergonhar de ser honesto.  Valeu a pena esse seu grito de indignação exacerbada? Seu nome sempre será lembrado como exemplo de patriotismo, de princípios, da moral e da ética no indômito combate às nulidades que afloram  pelos nossos “ricos rincões”, nas defesas da supremacia dos legítimos interesses do nosso “povo varonil” e da soberania nacional.

4.Como epicentro da temática também está o fato de se pretender parar o tempo para se questionar todos os brasileiros, em especial, o policiais do Brasil (Federais e Estaduais), essenciais defensores da sociedade, sobre quanto - em algum momento da história - derramaram de “lágrimas” (no sentido de consciência, discernimento...) pela dor de ver tanta corrupção dominar o cenário nacional, inclusive, os comandos das próprias Polícias subservientes aos “Poderes”, muitos compactuando, omitindo-se, silenciando... Se tivessem feito um juramento permeado pela excelsa e mangnânima força do amor (no sentido de divindade) , talvez tudo tivesse valido à pena, e o nosso amado Brasil estivesse muito diferente.

5. “Magistral-Moro-Mor” seria uma espécie de “Leviatã” hodierno (um monstro marinho, encarnado na figura do Juiz Sérgio Moro, porém, invocado para fazer defender o bem,  a Justiça e o povo brasileiro contra principalmente a corrupção), parodiando Fernando Pessoa que quis se referir às figuras míticas imaginadas de permeio próximo da costa do “Bojador”.

6.  “Destemor” tem um sentido quase de limite entre o possível e o  impossível, pois seria uma condição de sobrenaturalidade superar uma figura mitológica como “Magistral-Moro-Mor”, referindo-se a um poder reservado àqueles que somente conseguissem ir além de uma “coragem” emprestada e digna de “semideuses” ou “super-heróis”.

7. Na parte final, foi propositalmente omitida a cor branca que faz parte da bandeira do Brasil, mas que também devesse estar espelhada nos olhos  e corações de todos os brasileiros. Como terem paz ante a tantas nulidades encrustradas dentro dos “Poderes”, há séculos no comando ods destinos da nação, e após se defrontarem com a descoberta de “oceanos” de práticas de corrupção, seus precipícios, abismos e figuras míticas do mal? Depois da presença urdida no âmago da Justiça (leia-se: Judiciário e Ministério Público Federal, além do trabalho inestimável da Polícia Federal), encimado pela nave capitânia do “Magistral-Moro-Mor”, tudo passou a ser palpável, tangível, visível e presente, como nunca antes, então, policiais poderiam estar em paz diante dessa realidade que sempre permeou nossa história? E, ainda, quantos desses paladinos, feitos em lágrimas por perceberem tantas “nulidades” e de ver se agigantar tantos mares de lama durante séculos,  poderiam serenar suas consciências?

8. Como reflexão final, as forças policiais (e Armadas), dentro de um modelo adequado (após a devida e necessária revisão constitucional), deveriam estar a serviço da sociedade e não nas mãos de “Poderes” que se apropriaram do Estado brasileiro, responsáveis por escravizar as pessoas transformadas em mercado de consumo, força de trabalho, pagadoras de impostos,  meros expectadores da evasão de nossas riquezas por meios fraudulentos, imorais ou deleteriamente invisíveis. Até quando e qual será o legado que iremos deixar para as futuras gerações?