Israel e Palestina: Por um Estado Binacional
Por Leôncio de Aguiar Vasconcellos Filho | 12/02/2026 | PolíticaNesta semana, tem-se discutido sobre o acordo realizado entre o governo israelense e o Hamas. O pacto, comemorado globo afora, afirma ser necessário um cessar-fogo nesta data, a libertação dos cerca de vinte reféns judeus ainda vivos em poder do grupo (bem como a liberação de cerca de quarenta e oito corpos de outros que, infelizmente, não tiveram essa sorte) e a soltura de dois mil palestinos das prisões de Israel (vários, inclusive, condenados à prisão perpétua).
Benjamin Netanyahu é um chefe de Governo altamente impopular no Oriente Próximo, especialmente se levarmos em conta a reação, legítima mas genocida, na Faixa de Gaza, bem como o ataque ao Catar, resultante na morte de alguns cidadãos. Então, isolado politicamente, fez algo que nenhum governante israelense perpetrou, que é a submissão total ao governo dos EUA. Trump assumiu o vácuo de legitimidade de Netanyahu e costurou o acordo, liderando-o, seja em relação aos judeus, seja em relação aos países árabes aliados.
O interessante é que os entusiastas do pacto não percebem a faca de dois gumes que representa. Ele não desmantela o Hamas, não convertido, nem mesmo, em partido político. Ao revés, os dois mil palestinos libertados se juntariam ao próprio, à Jihad Islâmica ou ao libanês Hezbollah, ainda financiados por párias como o Irã, cioso de vingar seu destroçado programa nuclear. E é justamente essa paralisação que fará os persas arregimentarem o maior número possível de palestinos, a fim de integrar e fortalecer tais grupos, para voltar a atacar Israel, já que nenhum dos lados aceita os termos da Partilha da Palestina, de 1947: os judeus não aceitam o retrocesso de suas fronteiras, a fim de satisfazer os palestinos moderados, ao passo que os radicais negam qualquer forma de existência da Israel, agora, sim, dominado pelos EUA, que farão o que quiserem na região sob o epíteto de “heróis”, numa manobra que visa, essencialmente, uma "pax" americana, impositora de não movimentação militar, a fim de estabilizar artificialmente os preços do petróleo. Por isso mandam seus soldados “vigiarem” a implementação do acordo.
Já dizia Lord Acton que "o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente". Se é assim, que se aproveite o poder absoluto para que os EUA fortaleçam sua presença militar na região, a fim de inibir as possíveis variantes que inflacionem os preços da commoditie (é o que, como dito, eles, da forma mais primaz, desejam), mas também direcionem à existência não de dois, mas um único Estado binacional (Israel-Palestina). Para tanto, Israel anexaria ao seu atual território a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, reconstruindo-as, de modo que todos os seus cidadãos, especialmente israelenses e palestinos, tenham os mesmos direitos, incluindo a opção por uma ou ambas as nacionalidades. Desta forma, os EUA poderiam combater, diretamente, quaisquer grupos terroristas, por meio das suas forças ou de Israel-Palestina, e, assim, isolar, ainda mais, o regime iraniano com adicionais sanções econômicas e políticas.
É isso o que se propõe.