Mais do que existir

Dos povos antigos nos chegam noticias a respeito de nossas atualidades: tudo é história e tudo tem história. Mas o que faz com que algo entre para a história além de ter simplesmente existido na história?

Não é o fato de ter existido na história – ou seja, ter existido por um período de tempo – que faz com que algo, alguém ou uma sociedade sejam registrados na história e recebam comentários dos historiadores. Mais do que existir é necessário contribuir.

O registro histórico nasce, portanto, da contribuição. Milhões de pessoas, milhares de reinos e impérios existiram. Mas o que deles nos sobrou? Todos morreram, engolidos pela língua do tempo... nada sobrou ou no máximo restou um nome ou uma referência em outras histórias de povos que marcaram a existência. E essa marca acaba sendo um dos elementos motrizes da história, pois vai muito além da mera existência para se converter em um marco indelével.

A mesma pergunta pode ser feita em relação a alguns poucos indivíduos ou civilizações que permanecem na memória. Por que tão poucos são registrados e entram nos livros de história? Por que esses, mesmo que tenham desaparecido no tempo, permanecem na história? O que lhes permite não morrem jamais? A resposta está numa única afirmação: o fato de terem deixado alguma contribuição relevante para a humanidade. Essa contribuição é uma marca no tempo e no espaço. Esse tempo e espaço transformam-se em referência pela sua significação.

Muitas vezes um único indivíduo promove ou provoca grandes alterações que interferem na vida de muitas outras pessoas. Esse fato (alteração) acaba sendo registrado pela história. Portanto, mais do que somente olhar para a existência a história se interessa pelas contribuições que existiram.

Existências medíocres povoam os milênios de existência humana. Ao longo dos milhares de séculos da existência humana, apenas alguns poucos contribuíram com algo significativo para a humanidade. Por isso a história é registro de poucos e significativos eventos, fatos e fenômenos promotores de grandes realizações. Jesus de Nazaré, Gandhi, Madre Tereza de Calcutá: pessoas únicas mas inesquecíveis. Onde estão seus algozes ou opositores? Desapareceram...

Exemplo disse foram os hebreus, explicitando a importância do monoteísmo. Ou os fenícios notabilizando-se não por serem mercadores, mas pela intuição da escrita alfabética. Muitas civilizações interpretaram o mundo e os comportamentos humanos, mas somente a filosofia dos gregos vem merecendo mais de dois mil anos de atenção da sociedade ocidental.

E assim por diante os exemplos poderiam se multiplicar. E na síntese poderíamos dizer que milhões de pessoas e milhares de sociedades existiram e desapareceram em sua mediocridade. Mas, por outro lado, alguns, ultrapassaram a barreira da mediocridade e deram um toque especialíssimo, apresentaram uma contribuição única, legaram algo absolutamente importante para a humanidade e por isso passaram a ser eternos.

Isso nos permite dizer que os grandes não morrem, só morrem os medíocres. Ou seja, não basta ter existido, é indispensável que se tenha plantado a semente...

Nosso país passa por um desses momentos únicos. Certamente entrará para a história, mas depende de como nós, povo brasileiro, nos posicionaremos: se nos acomodarmos na mediocridade, esperando que alguém faça alguma coisa para mudar..., morreremos com as mãos queimadas por não sabermos conduzir a chama da liberdade e perderemos nossa grande e talvez única oportunidade única de higienizar o país.

Neri de Paula Carneiro

Mestre em educação, filósofo, teólogo, historiador

Rolim de Moura - RO

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