IMPACTO EPIDEMIOLÓGICO DA EPISTAXE: ANÁLISE RETROSPETIVA NO SERVIÇO DE URGÊNCIA DE OTORRINOLARINGOLOGIA DO HOSPITAL GERAL DO UÍGE (2020 – 2024).

Por KIANGEBENI NDOMBASI ´´Manuel´´ | 26/03/2026 | Saúde

IMPACTO EPIDEMIOLÓGICO DA EPISTAXE: ANÁLISE RETROSPETIVA NO SERVIÇO DE URGÊNCIA DE OTORRINOLARINGOLOGIA DO HOSPITAL GERAL DO UÍGE (2020 – 2024).

AUTORE:

Kiangebeni Ndombasi "Manuel", MD, Ph.D. e Pós-Doutorado

Faculdade de Medicina da Universidade Katyavala Bwila

📧 Kiangemanuel63@gmail.com

🔗 ORCID: https://orcid.org/0009-0009-6797-7039

RESUMO

A epistaxe constitui uma das emergências mais frequentes em Otorrinolaringologia, com impacto significativo nos serviços de urgência. O presente estudo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico, clínico e terapêutico dos casos de epistaxe atendidos no Serviço de Urgência de ORL do Hospital Geral do Uíge, entre janeiro de 2020 e dezembro de 2024. Trata-se de um estudo retrospetivo, descritivo e analítico, baseado na revisão de 720 processos clínicos. Os resultados evidenciaram maior prevalência na faixa etária dos 1 aos 15 anos (35%), com predominância do sexo masculino (55,8%). As causas idiopáticas foram as mais frequentes (44,4%), e o tamponamento anterior constituiu a principal abordagem terapêutica (91,6%). Observou-se tendência crescente no número de casos ao longo dos anos, com maior incidência em 2024. Os achados reforçam a importância da epistaxe como problema de saúde pública e evidenciam a necessidade de protocolos clínicos padronizados. Apesar das limitações inerentes ao desenho retrospetivo, o estudo contribui para o conhecimento epidemiológico local e para a melhoria da prática clínica.

Palavras-chave: Epistaxe; Epidemiologia; Urgência; Otorrinolaringologia; Angola.

ABSTRACT

Epistaxis is one of the most common emergencies in Otolaryngology, with significant impact on emergency services. This study aimed to analyze the epidemiological, clinical, and therapeutic profile of epistaxis cases treated at the ENT Emergency Department of the General Hospital of Uíge between January 2020 and December 2024. This is a retrospective, descriptive, and analytical study based on the review of 720 medical records. Results showed a higher prevalence in the 1–15 years age group (35%), with male predominance (55.8%). Idiopathic causes were the most frequent (44.4%), and anterior nasal packing was the most commonly used treatment (91.6%). A progressive increase in cases was observed, with a peak in 2024. These findings highlight the relevance of epistaxis as a public health issue and the need for standardized clinical protocols. Despite limitations inherent to retrospective studies, this research contributes to local epidemiological knowledge and improved clinical management.

Keywords: Epistaxis; Epidemiology; Emergency; Otolaryngology.

1. INTRODUÇÃO

A epistaxe, definida como hemorragia nasal, é uma das condições mais comuns na prática clínica em Otorrinolaringologia, sendo responsável por uma proporção significativa de atendimentos em serviços de urgência. Embora frequentemente autolimitada, pode representar situações graves, especialmente em idosos ou pacientes com comorbidades.

Estudos internacionais indicam que cerca de 60% da população apresentará epistaxe ao longo da vida, sendo que uma pequena percentagem requer intervenção médica. No entanto, em contextos africanos, particularmente em Angola, há escassez de dados epidemiológicos sistematizados.

Diante dessa lacuna, o presente estudo visa caracterizar o perfil epidemiológico da epistaxe no Hospital Geral do Uíge, contribuindo para o aprimoramento das estratégias diagnósticas e terapêuticas.

1. 1. Problemática do estudo

Apesar da elevada frequência de epistaxe nos serviços de urgência, existe uma lacuna significativa de dados epidemiológicos locais em Angola, particularmente no Hospital Geral do Uíge.

Diante disso, coloca-se a seguinte problemática:

Qual é o perfil epidemiológico, clínico e terapêutico dos pacientes com epistaxe atendidos no Serviço de Urgência de ORL do Hospital Geral do Uíge entre 2020 e 2024, e de que forma esses dados podem contribuir para a melhoria dos protocolos de atendimento?

Problemas associados:

•          Falta de sistematização dos dados clínicos

•          Ausência de protocolos padronizados

•          Desconhecimento dos principais factores de risco locais

1. 2. Justificativa

A epistaxe é uma das emergências em otorrinolaringologia mais comuns nos serviços de urgência, podendo variar de casos leves a situações graves que necessitam de intervenções médicas complexas. Apesar de ser bastante frequente, há falta de estudos epidemiológicos locais que avaliem o perfil dos pacientes atendidos, os factores de risco associados e a abordagem adotada.

1. 3. Limitações do estudo

Pretendemos focar nosso estudo no impacto epidemiológico, realizando uma análise descritiva retrospetiva, em pacientes com epistaxe atendidos no serviço de otorrinolaringologia do Hospital Geral do Uíge, entre janeiro de 2020 e dezembro de 2024.

1. 4. Objectivo

Este estudo destina-se a examinar de maneira retrospetiva os casos de epistaxe atendidos no serviço de urgência de ORL do Hospital Geral do Uíge entre janeiro de 2020 e dezembro de 2024. A investigação descreve a distribuição dos casos, identifica potenciais factores que possam aumentar a predisposição para a condição e analisa as estratégias terapêuticas mais comuns, contribuindo para aprimorar os protocolos de atendimento relativos à epistaxe.

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