FESTA JUNINA E O CHAPÉU DE PALHA – “A INTER-RELAÇÃO COM O HOMEM DO CAMPO”

Prof: Wilamy Carneiro

O mês é junino! Dos Santos: Santo Antônio, São Pedro e São João. Este mês consagrados a religiosidade e aos Santos da Igreja Católica.

Na região do Nordeste são festejados com muita alegria os padroeiros da Festa Junina.    Predominância aos festejos nos mais distantes lugarejos e nos quatros cantos, nas Capitais do Nordeste e no interior. Muita comida típica da região, vatapá, milho verde, pamonha, pé-de-moleque, paçoca e por aí vai.

Mas, existem os apetrechos (itens que são indispensáveis) nas festas dos santos . Para “lembrarmos citarei os mais importantes que faz parte do regionalismo de nossa gente: A Fogueira e o Chapéu de Palha.” Acompanhados desses acessórios, vêm o casamento maturo, a quadrilha, a camisa quadriculada, a calça desbotada, a pintura no rosto, representando o sertanejo e acima da cabeça, todos se orgulham do chapéu de palha.

O chapéu de palha, é a representação e característica do homem do campo (Caboclo do sertão), como aqui o conhecemos e a chamamos. E na Festa Junina  ele é predominantemente disputado em todos os participantes.

Nossos antepassados repassaram para nossos avós e estes por conseguintes levaram a sério com a tradição de pai para filho. Ainda hoje, nas regiões mais afastadas do Nordeste e interior do Ceará é visto em casinha de sapé, mulheres e homens na benfeitoria e fabricação do Chapéu de Palha. Fonte de renda de muitos cearenses e nordestinos.

Ademias, o homem do campo, o tão conhecido caboclo do sertão, após a lida na lavoura, sentam-se ao redor e uma mesa, na varanda, no alpendre ou àqueles que não possuem dessa sorte, ficam agachados no chão batido, depois que colocam a panela no fogo com o feijão para cozinhar; começam a dedilhar como um violeiro  em sua vitrola, puxando uma palhinha aqui e acolá, segurando entre os dentes, entrelaçando entre as demais com um ziguezague e muita precisão.

De forma artesanal, o chapéu de palha vai tomando prumo em sua formação cicloide, depois que a palha é retirada da palmeira conhecida aqui como carnaubeira, árvore símbolo do sertão cearense. Após sua retirada, o caboclo do sertão, risca em filetes bem fininhos, com uma espécie de faca (bisturi) muito amolada em uma pedra ume.   

Depois de pronto e feito à arrematação o homem do campo, com suas mulheres, vendem , trocam no comércio local (atravessadores) que por sua vez recebe um acabamento mais adequado, colocando numa forma quente e engomando para a revenda na região Norte, Nordeste e Sul do país. É um produto bem aceito e bem vendido. Região como o Amazonas, Acre, Parintins, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Goiás e outras são compradoras de nosso chapéu de palha. Muitos dos viajantes cearense e nordestinos enfrentam o pau-de-arara, dia e noite com enormes pacotões de chapéus de palha para essas regiões. È uma forma de ganhar a  vida e sobrevivência do homem do campo e trabalhador nordestino.

Igualmente, os Festejos de Santo Antônio, São Pedro e São João não falta chapéu para brincar e pular a quadrilha do santo padroeiro de nossas cidades. Cidades e municípios cearenses contratam bandas de forrós renomadas com Festivais de Quadrilhas em competições levando um bom prêmio à equipe que mais se destacou nos arranjos e dançarinos.

Enquanto ao chapéu de palha leva sua magia de arranjo, de sustento e subsistência do caboclo do sertão.        

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Wilamy Carneiro é professor, historiador, memorialista, palestrante, poeta, cronista. Formado em Direito pela flf, Especialista em Meio Ambiente e Pós – Graduado em Ciências – Matemática e Edificação. É também autor de cinco obras poéticas publicadas “OS Estados Unidos de Sobral,” “Tempo de Sol” (Poesia), Uma Vez Mais (Crônica), Sonhos do Amanhã (Poesias) e EINSTEINS e SOBRAL – Cidade Luz (Histórico). Membro da ALMECE- Academia de Letras dos Munícipios Cearenses, ocupante da Cadeira nº 97 do Município de Forquilha.