Homem sentado em frente à TV

Todo ano é a mesma coisa quando vai chegando a época das férias: os amigos começam a planejar viagens incríveis, as operadoras de viagens de excursão desembocam propagandas na TV a todo momento sugerindo os mais diferentes pacotes de viagem, seus parentes começam a se mobilizar programando um encontrão da família numa casa alugada no litoral... Ate seu chefe, a criatura mais carrancuda do mundo, resolve levar a esposa pra conhecer um lugar super romântico – e ainda larga a pista: ela sempre quis conhecer Gramado. Você faz um “joinha” com o polegar e agradece a ele pelo ato misericordioso de compartilhar aquela informação com você. E sai da sala. E ninguém entende seu descontentamento (apesar de que talvez alguns tenham desconfiado que nessas férias você não vai viajar).

E é isso mesmo. Sua mulher não conseguiu marcar as férias dela na empresa por causa do sistema de escalonamento entre os funcionários, e só vai sair em março. Mas nem adiantaria porque seu filho mais velho pegou recuperação de Química e vai ter prova dois dias antes do Natal. A mais nova vai passar as férias com os avós numa fazenda a 300 quilômetros (“bom, pelo menos alguém vai se divertir”). E você já começa a vasculhar como vai ser a programação da TV fechada porque, pelo visto, suas férias vão ser curtidas no sofá.

Primeiro, o desespero

No começo, por mais que pareça a coisa mais entediante do mundo passar as férias todas em casa, a gente faz um esforço e se conforma, não é? Afinal, poxa, temos centenas de canais de filmes, séries, jogos, documentários e todo tipo de programa que quisermos ver. Se um canal não estiver bom, é só zapear pro outro e tudo bem!

Mas aí os dias vão passando e você percebe que programação de TV fechada não é garantia de diversão, mesmo com a garantia da Gisele Bündchen. Várias vezes, você vê o improvável acontecer: TODOS OS CANAIS estão passando coisas desinteressantes. Todos. Você chega a zapear até entre os canais religiosos e nada. Acaba parando nos canais de notícias e, quando o dia termina, você está sabendo tudo sobre a crise do petróleo, novos casos de corrupção, guerras no oriente, microcefalia no nordeste... e pensa: “o quê?? Minhas férias estão servindo pra isso??”.

Aí, meu amigo, bate o desespero. Você olha pro seu filho e tem vontade de mandá-lo pra um colégio militar de tempo integral; olha pra sua mulher e pensa em viajar sem ela (e ela que viaje sem você depois); pensa na sua filha e imagina se é uma boa ideia ir pra fazenda dos avós dela (no caso, seus sogros); entra no Facebook e vê todos os seus amigos postando fotos incríveis das férias maravilhosas que eles estão tendo – e você... em casa.

Depois, a conciliação

Mas o bom desse desespero é que ele passa – e quando passa, sua mente clareia e você finalmente passa a ter boas ideias. Percebe que Química é mesmo difícil e seu filho simplesmente precisou de uma ajuda a mais; percebe que sua mulher não teve culpa me não conseguir tirar as férias – afinal, o escalonamento lá foi via sorteio e ela deu azar; da sua filha, você não tem nem o que dizer.

Já que vão passar as férias sem viajar... que tal um acampamento nos fins de semana? Umas saídas pra uma lanchonete que vocês gostam, ou um restaurante ao longo da semana? Vai desestressar todo mundo e vai tirar a sensação de que suas férias estão sendo perdidas – e você não vai ficar tanto tempo à mercê da programação da TV fechada que nem sempre colabora com você. Além do mais, tem aquele projetinho de montar uma hortinha vertical no apartamento que sua mulher queria fazer há tempos; que tal tornar essa a sua distração durante os dias? Tempo pra fazer com calma você vai ter.

É complicado passar as férias na mesma casa que a gente fica o ano todo, mas mantendo a cabeça fria, a gente controla o desgosto e arranja distrações bem interessantes.