FATORES EXTERNOS À ESCOLA QUE CAUSAM IMPACTO NA EDUCAÇÃO ALIMENTAR E NUTRICIONAL

Professor Me. Ciro Jose Toaldo

 

As ações de educação alimentar e nutricional são, portanto, a garantia do direito de cada cidadão a uma alimentação de qualidade, saudável e sustentável. Quando realizada com crianças das séries iniciais, essas ações se tornam ainda mais importantes, uma vez que é na infância que acontece a formação dos hábitos alimentares de uma pessoa. (BRASIL, 2013, p.25)

 

 

O Ministério da Educação, em seu documento Educação Alimentar e Nutricional nas Escolas apresenta um dado alarmante que nos leva a refletir a respeito da alimentação de adultos e crianças brasileiras:

 

De acordo com recente estudo realizado pelo Ministério da Saúde brasileiro, que abrangeu todas as capitais do país, incluindo o Distrito Federal, há dados alarmantes sobre os fatores ligados às doenças crônicas, às mortes precoces, ao excesso de peso, ao sedentarismo e à hipertensão arterial: 43% dos adultos de todas as capitais brasileiras estão acima do peso, sendo que 11% deles têm obesidade.  A obesidade também atinge 10% das crianças brasileiras e as leva a ter doenças de adultos, como diabetes e hipertensão. (Brasil, 2013, p.08).

 

 

Mediante o dado apresentado pelo Ministério da Saúde, trona-se ingênuo supor que a formação de bons hábitos alimentares irão se efetivar apenas na escola sem ações isoladas, como por exemplo, a oferta de alimentos com valor nutricional. Esta será entre outras, tarefa relacionada às aulas de Ciências, bem como devem constar em textos nos livros didáticos, nas palestras e até distribuição de folhetos. Nessa conjuntura, como argumentam POULAIN & PROENÇA (2003), fica evidente a importância de a Educação Alimentar e Nutricional ser implementada na escola com agenciamento de práticas alimentares saudáveis e, consequentemente, para a promoção da saúde. A alimentação humana é um fenômeno complexo, que envolve vários aspectos e requer abordagem pluridisciplinar.

Como os jovens que fazem parte da escola são influenciados pela mídia (televisão, rádio, revistas, internet) e as peças publicitárias (propagandas) exercem grande influência nas escolhas alimentares, especialmente pelos comerciais de grandes redes de fast-food, como Mcdonalds e Subway que estão presentes também no Brasil, elas acabam influenciando muito a forma de alimentação e fazem publicidade de alimentos pouco saudáveis.

Esta situação que permeia toda a sociedade faz com que o governo e os movimentos sociais ligados à segurança de alimentos e nutrição, enfrentem a necessidade de regulamentar a publicidade de alimentos para todos os públicos, mas particularmente para as crianças, mas não se efetivou esta regulamentação.

Como salientado na epigrafes deste subtema, faz-se necessário que a escola, além de ter conhecimento de dados como apresentados no gráfico acima, também desenvolva ações de educação alimentar e nutricional a que venham garantir o direito do cidadão (aluno) a ter uma alimentação de qualidade, saudável e sustentável.

Como enfatizado anteriormente, estas ações deve ser desenvolvida com todos os elementos que constituem a escola e deve começar a ser realizada com crianças, desde os anos iniciais ou, sendo creche, com os bebês,  lembrando que essas ações se tornam ainda mais importantes, uma vez que é na infância que acontece a formação dos hábitos alimentares de uma pessoa. (BRASIL, 2013, p.25)

 

 

CONCLUSÃO

 

A Lei 11.947, de 16 de junho de 2009, a qual dispõe sobre o Programa Nacional de Alimentação Escolar, traz, em seu artigo 4º, que o objetivo do Programa Nacional de Alimentação Escolar é promover a aprendizagem e o rendimento escolar, o desenvolvimento biopsicossocial e a formação de hábitos alimentares saudáveis, por meio das ações de educação alimentar e da oferta de refeições saudáveis. (BRASIL, 2013, 52)

 

 

A Educação alimentar e Nutricional na escola, como se evidencia na epígrafe desta conclusão, asseguram-se por lei e cada vez torna-se uma realidade e vai sendo construída com o engajamento de todos os participes da educação, sempre com o objetivo de garantir a alimentação saudável e adequada. Não é tarefa fácil, pois a sociedade consumista ainda consegue levar o alunado a prática de não ter hábitos alimentares adequados.

Não basta oferecer o alimento saudável sem investimento em abordagens educativas progressistas e transversais, como o PCN (1997) orienta, bem como sem o comprometimento de todos os atores ligados à escola. Somente com esta conjunção será incrementada a promoção dos hábitos alimentares nutricionais e saudáveis na escola, onde também haverá o estimulo à saúde e poderá trazer contribuições ao ensino de Ciências, podendo fomentar a prática agrícola na escola, como a criação de uma horta que pode potencializar o conhecimento existente com a prática.

 Os PCNs (1997) abordam como se torna importante à utilização equilibrada de recursos da natureza, com orientações sobre aproveitamento dos vegetais e animais comumente desperdiçados, plantio coletivo de hortas e árvores frutíferas (BRASIL, 2013, p. 76).

A compreensão dos vários aspectos que compõe a Educação Alimentar e Nutricional nas escolas, como o componente fundamental para a promoção do bem-estar e da saúde, onde procura se levar em conta os diversos atores sociais e suas complexidades devem constitui fator preponderante para a elaboração de estratégias de intervenção mais eficazes nesta implementação de uma educação que forme o ser humano de forma integral.

Este desafio caberá à todos, não somente ao técnico ou profissional da alimentação escolar, ou ao professore de Ciências, apesar de se identificarem com a temática, devem ser os ser de grande valia na identificação das correlações entre alimentação os facilitadores de neste importante processo ensino-aprendizagem que passa pela Educação Alimentar e Nutricional dentro e fora do ambiente escolar.

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

 

 

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica. Educação Alimentar e Nutricional nas Escolas / Eliene Ferreira de Sousa – 1.ed. – Cuiabá: Universidade Federal de Mato Grosso / Rede e-Tec Brasil, 2013

 

_____. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional para as Políticas Públicas. Brasília, 2012.

 

______. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais: Meio Ambiente. Brasília: DF, 1997b. Disponível em: . Acesso em: 12 fev. 2018.

 

_____. Política Nacional de Alimentação e Nutrição. Brasília: Ministério da Saúde, 2000.

 

PONTES, Amanda O. A importância da Educação Alimentar e Nutricional na prevenção da obesidade em escolares [artigo] Registro: Faculdades Integradas do Vale do Ribeira, 2016.

 

POULAIN, Jean-Pierre; PROENÇA, R. P. da C.. Reflexões metodológicas para o estudo das práticas alimentares. Rev. Nutr. v.16, n.4, Campinas out./dez, 2003.

 

SCHMITZ, B. de A. S. et al. A escola promovendo hábitos alimentares saudáveis: uma proposta metodológica de capacitação para educadores e donos de cantina escolar. Cad. Saúde Pública; 24 (supl.2): s312-s322, 2008.

 

SONATI, Jaqueline, et al. Cozinha saudável, cardápio equilibrado e alimentos seguros. São Paulo: Editora Dowbis, 2008.

 

UNIMED. Hábitos e receitas para uma vida saudável. São Paulo: Editora Dowbis, 2008.

           

 

[1] BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica. Educação Alimentar e Nutricional nas Escolas / Eliene Ferreira de Sousa – 1.ed. – Cuiabá: Universidade Federal de Mato Grosso / Rede e-Tec Brasil, 2013,p.43.