Resumo

Constitui como tema deste trabalho, as estratégias de educação ambiental não formal para a preservação dos recursos florestais no Posto Administrativo de Chinga (2007 à 2011). A investigação tem como objectivo principal elaborar estratégias de educação ambiental não formal para a preservação dos recursos florestais, garantindo assim, a sustentabilidade socioeconómica e ambiental no Posto de Chinga. O trabalho baseou-se em pesquisa bibliográfica que serviu para a fundamentação teórica do mesmo, pois estas obras salientam a educação ambiental como sendo uma ferramenta essencial para a conscientização dos indivíduos nas questões ambientais que assolam no seu dia-a-dia. No trabalho de campo, foram usados como instrumentos de colecta de dados a entrevista, o inquérito e a observação directa. A análise e interpretação de dados indica que a prática de actividades de educação ambiental não formal no posto Administrativo de Chinga é crucial, pois desde 2007 já foram promovidas de forma sistemática nas comunidades. Os dados também indicam que este tipo de actividade é muito importante para a preservação dos recursos florestais. Salienta-se a participação efectiva de todos os membros e a população em geral nestas actividades e o envolvimento dos membros e líderes comunitários no controle e fiscalização das florestas com vista a reduzir os índices de desmatamento de Chinga, pois estas duas acções constituem estratégias adequadas no processo de educação ambiental não formal para a preservação dos recursos florestais.

Palavras-chaves: Educação Ambiental, Meio Ambiente, Sustentabilidade Florestal.

Introdução

A educação ambiental é uma componente essencial, continuo e permanente, devendo estar presente de forma articulada em todos os níveis e modalidades do processo educativo, com carácter formal, informal e não formal, pois esta última, constitui uma das estratégias importantes para a prevenção dos problemas ambientais em geral e principalmente para as zonas rurais em particular. Pressupõe-se que a questão ambiental impõe às sociedades a busca de novas formas de pensar e agir, seja individual ou colectivamente, de novos caminhos e modelos de produção de bens, para suprir necessidades humanas de modo a garantir ao mesmo tempo, a sustentabilidade socioeconómica e ambiental. O desmatamento nas comunidades de Chinga é um dos problemas ambientais que a educação ambiental não formal potencializada precisa de resolver, pois considera-se que é resultante da intensa exploração desregrada dos recursos florestais e de queimadas descontroladas provocadas pelo Homem. Entende-se que enquanto o Homem for ambientalmente educado estará apto a participar na tomada de medidas individuas e colectivas face aos problemas ambientais locais e globais por si provocados. Constitui como tema deste trabalho: Estratégias de Educação Ambiental não formal para a preservação dos recursos florestais no Posto Administrativo de Chinga, distrito de Murrupula. Visa pelo melhoramento e materialização da educação ambiental não formal, através de estratégias de sensibilização e conscientização das comunidades na preservação dos recursos florestais, garantindo assim, a sustentabilidade socioeconómica e ambiental, a nível local, regional e global. Enquadra-se na linha de pesquisa: Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Qualquer pesquisa científica pressupõe alcançar uma determinada meta, seja ela geral ou específica. Neste contexto define-se como objectivo geral: Elaborar estratégias de educação ambiental não formal para a preservação dos recursos florestais no Posto Administrativo de Chinga. Para a materialização do objectivo geral seguem-se os seguintes objectivos específicos, que almejam alcançar a meta a curto prazo: Caracterizar os mecanismos de educação ambiental não formal na preservação dos recursos florestais no Posto Administrativo de Chinga; Descrever o papel das comunidades na preservação dos recursos florestais no Posto 15 Administrativo de Chinga e Propôr estratégias, com vista à valorização da educação ambiental não formal para a preservação dos recursos florestais no Posto Administrativo de Chinga. Constitui como local de estudo desta pesquisa, a comunidade de Posto Administrativo de Chinga, pois a escolha deste local tem estreita relação com o problema da pesquisa. Chinga é uma região que enfrenta sérios problemas de desmatamento resultante de queimadas e de intensa exploração de recursos florestais, por consequente há muita educação ambiental não formal mas que até hoje não apresenta resultados satisfatórios. O ano 2007 a 2011 é o marco temporal da pesquisa e corresponde ao tempo que o autor acompanhou atentamente os factos em estudo. Constitui ainda o período em que o fenómeno de desmatamento intensificou-se, levando o governo local a adoptar a educação ambiental não formal como forma de colmatar este problema, com vista à preservação dos recursos florestais. As práticas de educação ambiental não formal, na actual conjuntura, tornam-se ferramentas indispensáveis, tendo a ver com os grandes problemas ambientais actuais e a necessidade de conscientizar os indivíduos para que se tornem actores actuantes e participativos na resolução desses problemas. Neste sentido, constitui como objecto de estudo do trabalho: estratégias de educação ambiental não formal. A justificativa da efectivacão desta pesquisa tem estreita relação afectiva entre o autor e o tema em estudo. É com grande interesse que se aborda um tema de âmbito ambiental tendo em conta as tendências actuais a nível local, nacional, regional e global. Portanto, a comunidade de Chinga vive uma série de problemas de desmatamento, resultante de queimadas e de intensa exploração dos recursos florestais ai existentes. Face aos problemas que Chinga enfrenta, o Governo Local empreendeu esforços promovendo actividades de educação ambiental não formal efectuadas pelos líderes comunitários, através de palestras públicas sobre ambiente, campanhas de sensibilização realizadas nas localidades; criação de músicas e teatros com a temática ambiental; realização de cerimónias tradicionais, entre outras, que directa ou indirectamente são importantes, sobretudo, na consciencialização e sensibilização das populações pela preservação dos recursos florestais. Entretanto, apesar de serem promovidas todas essas práticas de educação ambiental não formal no Posto Administrativo de Chinga, ainda é imprescindível a mudança de atitudes e comportamento dos indivíduos com os seus recursos, por isso urge a necessidade desta pesquisa com vista a analisar os mecanismos dessa educação, criando novas estratégias fiáveis para as comunidades, de modo que essa educação seja materializada e potencializada e que as 16 populações ajam de forma responsável e com sensibilidade, com vista a um ambiente saudável no presente e no futuro. O problema de desmatamento em Chinga é o resultado das queimadas e da intensa exploração desregrada dos recursos florestais, pois constitui um facto preocupante quer para as comunidades, quer para o Governo Local. Entretanto, esta preocupação pode estar aliada a insuficiência de recursos que visam satisfazer as suas necessidades básicas para a sua subsistência. Por outro lado, preocupa a falta de estratégias de educação ambiental não formal extremamente fiáveis e potencializadas, de modo a ter resultados satisfatórios para a preservação dos recursos florestais ai existentes. Face a este cenário, surge como questão da pesquisa:  Que estratégias a adoptar com vista a valorização da educação ambiental não formal para a preservação dos recursos florestais no Posto Administrativo de Chinga? Na tentativa de responder a questão da pesquisa, foi necessário partir-se para o trabalho de campo com as seguintes hipóteses:  A participação efectiva das comunidades e autoridades locais nas actividades que incrementam a educação ambiental não formal, pode contribuir para a preservação dos recursos florestais no Posto Administrativo de Chinga.  O envolvimento de alguns membros da comunidade e das autoridades locais na supervisão, fiscalização e controle das florestas, pode contribuir na redução dos índices de desmatamento no Posto Administrativo de Chinga. A pesquisa é qualitativa. Segundo RICHARDSON (1999:144), “a pesquisa qualitativa, é a tentativa de uma compreensão detalhada dos significados e características situacionais apresentadas pelos entrevistados em lugar de produção, de meditar quantitativos de características ou componentes”. Considera-se esta pesquisa de qualitativa porque os dados que são posteriormente analisados e interpretados, para além da sua forma objectiva, ganham uma subjectividade lógica. Por outro, não se pretende empregar dados estatísticos como centro do processo de análise do problema abordado, pois o método qualitativo não tem a pretensão de numerar ou medir unidades ou categorias homogéneas. Quanto ao método de abordagem, usou-se o método indutivo visto que esta pesquisa, não tem como objectivo a construção de teorias que possam ser tornadas universais, mas sim um 17 problema concreto que para o seu estudo usou uma amostra probabilística simples, pelo que foram seleccionados 129 membros da comunidade que por casos típicos representam a população em estudo. Ainda fizeram parte da pesquisa, para melhor aprofundamento dos dados: Chefe do Posto, Director Distrital de Actividades Económicas, 1 técnico agropecuário, 1 professor, 2 Líderes Comunitários do Posto Administrativo de Chinga. No que diz respeito aos Métodos de procedimentos, no trabalho de campo, foram usadas como instrumentos para a recolha dos dados, a entrevista, o inquérito, a observação indirecta e a consulta bibliografia e documental. Para a análise e interpretação dos dados, para além do método de abordagem referidos, foram usados: método histórico - lógico, analítico - sintético, estatístico, comparativo e cartográfico. Para além da introdução, o trabalho apresenta a seguinte estrutura: um desenvolvimento composto por três capítulos, conclusões, sugestões, bibliografia, apêndices e anexos. No capítulo I, far-se-á a caracterização físico-geográfica e socioeconómica do Posto Administrativo de Chinga, fazendo uma análise reflexiva das estratégias da Educação Ambiental não Formal na preservação dos recursos florestais. No capítulo II: será apresentada a abordagem teórica sobre a educação ambiental não formal e a preservação dos recursos florestais. Por fim no capítulo III, tratar-se-á da descrição metodológica, análise e interpretação dos dados. Na parte final da pesquisa far-se-á a síntese dos aspectos tratados com a conclusão. Na pesquisa, o autor do trabalho apresenta algumas sugestões sobre as estratégias de educação ambiental não formal para preservação dos recursos florestais, de forma a proporcionar a qualidade de vida e a sustentabilidade socioeconómica e ambiental para todos e para as gerações vindouras a nível do Posto Administrativo de Chinga. [...]