“Em Brasília, 19 horas” 

            Sempre me inquietou o programa “Voz do Brasil”. Não só pelas informações que são noticiadas, mas pela abertura que Eugenio Bucci faz: “Em Brasília, 19 horas”. Essas suas palavras tem grande significado. Um significado que a nossa sociedade está perdendo: o marco das coisas. É isso mesmo! Quando se houve esta voz sabemos que algo novo irá acontecer.

            Nossa vida precisa ser pontuada. Não se pode viver sem uma pausa. A correria do dia a dia necessita ser freada com os descansos. O homem precisa ter lazer. Não é humano ficar o tempo todo sem um descanso, sem marcar o tempo.

            As coisas precisam ter um marco, um meio e um fim. É justo fazer aniversário de 15 anos, comemorar aniversário, fazer festa de casamento, casar-se... Desonesto com os outros e consigo mesmo a pessoa que não dá a possibilidade de alguém ter uma data de casamento. Viver deste modo ou de outros tantos deixa a pessoa inflexível diante de várias situações.

            Marcar o tempo é necessário. Seja com o que for? O melhor mesmo é marcar o tempo com coisas boas. Porém, a voz do Brasil parece nada falar, alunos nãos produzem inteligência, ao contrário, reproduzem o ócio intelectual dos nossos representantes; as coisas parecem nada mudar. Estão bem próximos os barulhos para as eleições. O difícil é não encontrar “voz” para poder representar aqueles que querem mudanças, marcos histórico.

            O Programa “Voz do Brasil” é todo marcado: tem duração de uma hora, dos quais 25 minutos são utilizados pelo Poder Executivo, 5 minutos pelo Poder Judiciário e 10 pelo Senador e 20 pela Câmara. Deste modo, marcar o tempo – “Em Brasília, 19 Horas” – tem um vies que esquenta o debate filosófico. Olhar este tema sem debater filosoficamente o que está marcando as pessoas seria, inconscientemente, restringir o problema que atinge não um ou dois cidadãos, mais uma massa que não disputa seu marco, apenas funcionalmente, quer evitar todo tipo de permanência. Pois, como é notório, o permanente marca, cria história se perpetuando no tempo.

            Contudo, trabalhar uma semana inteira sem se descansar; namorar e viver como se já fossem casados; passar anos sem tirar férias; nunca agendar nada e etc... Tudo isso tem um lado ruim: vive, mas não consegue marcar o tempo: “Em Brasília, 19 Horas”? 

Joacir Soares d’Abadia, padre, filósofo autor de 5 livros

joacirsoares@hotmail.com