CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI

 

TEA – TRANSTORNO ESPECTRO AUTISTA

 

 

 

Ellen Montinelli de Almeida

 

DESAFIOS DE UMA INCLUSÃO COM QUALIDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lucas do Rio Verde

2023

 

 

DESAFIOS DE UMA INCLUSÃO COM QUALIDADE

Declaro que sou autor(a)¹ deste Trabalho de Conclusão de Curso. Declaro também que o mesmo foi por mim elaborado e integralmente redigido, não tendo sido copiado ou extraído, seja parcial ou integralmente, de forma ilícita de nenhuma fonte além daquelas públicas consultadas e corretamente referenciadas ao longo do trabalho ou daqueles cujos dados resultaram de investigações empíricas por mim realizadas para fins de produção deste trabalho.

Assim, declaro, demonstrando minha plena consciência dos seus efeitos civis, penais e administrativos, e assumindo total responsabilidade caso se configure o crime de violação aos direitos autorais.

 

DESAFIOS DE UMA INCLUSÃO COM QUALIDADE

 

RESUMO Este trabalho objetivou identificar e analisar as estratégias utilizadas pelos docentes para possibilitar as crianças autistas o direito a uma Educação Inclusiva de qualidade, bem como, identificar as principais dificuldades encontradas pelos professores em se relacionar com estes alunos. A pesquisa ocorreu em uma escola municipaln de Lucas do Rio Verde – Mato Grosso. O referencial teórico adotado baseou-se em Kanner (1996), Klin (2006), Kelmam (2010) e outros autores. Através do estudo de caráter qualitativo, envolvendo a pesquisa de campo, os dados foram obtidos por meio de um questionário. De acordo com os dados analisados foi possível identificar que os pesquisados não recebem formação para trabalhar com alunos autistas e enfrentam vários desafios no processo de inclusão e aprendizagem de seus alunos. Os resultados permitiram constatar que os fatores primordiais que dificultam esse processo são a falta de capacitação profissional adequada, adaptação do espaço escolar, falta de recursos e materiais apropriados. Considera-se relevante para futuras pesquisas o enfoque na realidade vivida por alunos autistas e professores em salas de aula, considerando as interfaces vivenciadas por estes no contexto educacional.

 

Palavras-chave: Professor. Autismo. Desafios. Capacitação. Inclusão.

 

 

 

 

 

 

CHALLENGES OF QUALITY INCLUSION

 

ABSTRACT This work aimed to identify and analyze the strategies used by teachers to give autistic children the right to quality Inclusive Education, as well as to identify the main difficulties encountered by teachers in relating to these students. The research took place in a municipal school in Lucas do Rio Verde – Mato Grosso. The theoretical framework adopted was based on Kanner (1996), Klin (2006), Kelmam (2010) and other authors. Through a qualitative study, involving field research, data were obtained through a questionnaire. According to the data analyzed, it was possible to identify that those surveyed do not receive training to work with autistic students and face several challenges in the process of inclusion and learning for their students. The results showed that the main factors that hinder this process are the lack of adequate professional training, adaptation of the school space, lack of resources and appropriate materials. It is considered relevant for future research to focus on the reality experienced by autistic students and teachers in classrooms, considering the interfaces experienced by them in the educational context.

 

Keywords: Teacher. Autism. Challenges. Training. Inclusion.

 

INTRODUÇÃO

 

O presente trabalho versa sobre as estratégias utilizadas pelos professores para possibilitar as crianças autistas o direito a uma inclusão com qualidade, como também, os principais desafios enfrentados pelos docentes na busca por uma educação inclusiva de qualidade.

Este trabalho justifica-se no interesse de analisar o porquê de tanta ansiedade, insegurança e medo dos professores em receber um aluno com espectro do autismo em sala de aula, como também a importância de enfatizar a grande necessidade dos profissionais da educação em se aprofundarem mais nos estudos sobre o autismo e sua inclusão escolar.

Há anos debatemos sobre como atender alunos com deficiências e ainda, buscamos respostas sobre qual é a melhor estratégia para uma ação docente adequada que possibilite às crianças especiais, o direito a uma educação de qualidade.

Quando o assunto é alunos autistas, percebemos uma grande preocupação (medo, ansiedade), por parte dos professores e alguns até resistem ao trabalho com tais alunos, com a dúvida de como fazer? O que fazer? Estas inúmeras dificuldades levaram-me a fazer este trabalho, abordando os principais desafios do professor e o autismo na sala de aula.

Exercendo a docência há onze anos, nunca tinha me deparado com uma criança autista, somente com alunos com síndrome de Down, com paralisia cerebral, baixa visão, dislexia e hiperativo. Mas nenhum caso me despertou tanto interesse quanto o do autismo.

Explicar o porquê desse interesse, penso que seria o fato de que desde o momento que tive o contato com meus sobrinhos que foram diagnosticados autistas, me veio à preocupação de conhecer melhor esta síndrome. A partir deste momento, procurei informações sobre como lidar com autismo, participando do curso Teach ((Treatment and Education of. Autistc and Related Comunication handcapped Children).

Sempre que posso observo a rotina dos meus sobrinhos, pois são dois, ambos com aspectos diferentes. Tento conhecer melhor e como educadora sei que a qualquer momento posso receber um autista em minha sala e quero estar preparada para fazer um trabalho de qualidade.

O trabalho que realizei com crianças especiais não foi fácil, todo o dia buscava encontrar estratégias para chamar atenção dos mesmos e levá-los ao aprendizado, cada um dentro de suas peculiaridades. Durante a interação professor x aluno, aluno x aluno, tentava conhecê-los e descobrir o que lhes era prazeroso, e a partir disso utilizar as ferramentas que seriam facilitadoras da aprendizagem e do desenvolvimento.

O desenvolvimento destes alunos foi perceptível a todos. Foi bastante trabalhoso alfabetizar uma turma tão heterogenia, porém bastante gratificante a cada objetivo alcançado. É possível afirmar que quando um professor busca estratégias, usa criatividade e observa com sensibilidade e acuidade seus alunos, ele está garantindo o direito de aprendizagem e do desenvolvimento dos mesmos, seja ele com deficiência física, mental ou intelectual, é provável que obtenha um resultado positivo.

A escola como instituição que valida a prática pedagógica e a responsável direta pela formação acadêmica dos seus alunos, precisa superar a visão homogeneizadora e buscar estratégias que venha assegurar o direito da aprendizagem de todos os alunos. A escola não deve considerar o diagnóstico de deficiência do aluno como uma condição de incapacidade para desenvolver sua aprendizagem, mas deve buscar meio e estratégias de como inserir esse aluno em todo o trabalho escolar. Para isto, é preciso acreditar que é possível. É preciso ver o aluno como um ser capaz, apesar de suas limitações.

O ato de ensinar é um processo que necessita de interação entre professor e aluno. É primordial conhecer nossos alunos para que possamos desenvolver metodologias de aprendizagem que venha fazer com que o aluno torne-se um ser investigador e participativo nas diversas formas de trabalho, tanto individual quanto em grupo. Muitos professores se sentem inseguros quanto à inclusão de alunos especiais, principalmente por falta de experiência e capacitação para lidar com alguns tipos de deficiências. Às vezes tentando fazer a inclusão deixa o aluno muito à vontade, não usando as mesmas estratégias (mesmo que adaptadas) ou mesmas requisições feitas aos demais, não percebendo que com esta atitude estar excluindo ao invés de incluir.

Por outro lado, não podemos esquecer que os desafios enfrentados pelos docentes na sala de aula são extensos. Percebe-se uma busca constante para que a inclusão se torne uma realidade em nossa sociedade. No entanto, fazer inclusão não tem sido fácil, pois a escola inclusiva deve ser uma escola para todos, ou seja, aquela que implica num sistema educacional que reconhece e atende as diferenças individuais respeitando as necessidades de todos os alunos. Os professores precisam compreender, desenvolver e aprimorar conhecimentos e técnicas que proporcionem a inclusão de alunos com autismo visto que ainda é visível a discriminação e o preconceito praticado em muitos espaços.

As estratégias de atuação do docente numa classe com aluno autista devem basear- se tanto em sua formação, como em sua sensibilidade e experiências, para proporcionar a este aluno o que lhe é garantido por lei, uma inclusão com qualidade. Diante disto, temos a urgente necessidade de incluir no currículo das formações iniciais e continuadas destes profissionais mais cursos voltados para esta especificidade.

O presente trabalho divide-se em seis partes. A primeira parte versa sobre a apresentação. A parte dois aborda a fundamentação teórica onde são discutidos detalhes sobre o transtorno do espectro autista com base nas teorias apresentadas por Kanner (1996), Klin (2006) e Kelmam [et al] 2010, e outros que discorrem sobre a problemática da educação inclusiva, suas aspirações, dificuldades, e mais diretamente sobre as discussões cientificas e pedagógicas a respeito do autismo. Nesta parte trata-se ainda sobre as principais dificuldades enfrentadas pelos professores quanto à inclusão de alunos autistas nas escolas comuns, bem como sobre as estratégias principais que podem ser utilizadas para corroborar na inclusão de alunos autistas nas escolas. Destaca-se ainda a aspiração da escola de maneira geral sobre o acolhimento de alunos especiais.

A terceira parte trata dos objetivos que se pretende alcançar através deste trabalho. A quarta parte discorre sobre a metodologia utilizada na pesquisa e que foram importantes para a análise dos questionamentos utilizados para a construção do trabalho. Nesta parte também são mostrados o contexto espacial da pesquisa, seus participantes e as discussões dos resultados. Na quinta parte são analisados os resultados da pesquisa e apresentados as discussões mediantes a confrontação teórica. Por fim, na sexta parte apresentam-se as considerações finais e alusões para possíveis futuras pesquisas relacionadas ao autismo.

1TEA

A política Nacional de Educação Especial Inclusiva (BRASIL, 2008) e a legislação educacional vigente no País, garantem à pessoa com autismo o direito à educação e a inclusão escolar. Diante disso, surgiu a necessidade de realizar esta pesquisa sobre o autismo e o professor, afim de verificar mais de perto como acontece a inclusão de alunos autistas. Pois é de suma importância enfatizar que há uma grande necessidade dos profissionais da educação em especial os professores em se aprofundarem mais nos estudos sobre autismo e a inclusão de alunos autistas na escola.

1.1.     Conhecendo o Transtorno do Espectro Autista

São muitos os estudiosos que procuram explicações para as causas e consequências do autismo. Porém poucos são os avanços sobre como ou porque as causas desse transtorno. Entender esta síndrome é um desafio enfrentado por muitos pesquisadores que buscam respostas ainda não encontradas. Algumas características são bem gerais e marcantes, como:

Tendência ao isolamento, ausência de movimento antecipatório, dificuldades na comunicação, alterações na linguagem, com ecolalia e inversão pronominal, problemas comportamentais com atividades e movimentos repetitivos, resistência à mudanças e limitação de atividade espontânea. Bom potencial cognitivo, embora não demonstrassem. Capacidade de memorizar grande quantidade de material sem sentido ou efeito prático. Dificuldade motora global e problemas com a alimentação. (KANNER, apud MENEZES, 2012, p. 37).

 

Diante do exposto, percebe-se que o autista precisa ser compreendido em sua essência e ser visto como pessoa capaz de desenvolver habilidades mediantes estratégias adequadas. Ter sensibilidade e acuidade para trabalhar com aluno autista e descobrir suas aptidões e capacidades torna-se extremamente prazeroso e de fundamental importância na vida profissional do educador.

Com o apoio teórico de Kanner (1996), que foi o primeiro a descrever o quadro clínico, dando-lhe o nome de autismo infantil precoce e fez a primeira publicação clínica reconhecida sobre o assunto, datada em 1943. O autismo tem sido um assunto desafiador para os estudiosos de todas as áreas, pela falta de conhecimento mais aprofundado sobre suas características e como trabalhar com esta clientela. Segundo este pesquisador,

[...] o denominador comum desses pacientes é sua impossibilidade de estabelecer desde o começo da vida, interações esperadas com pessoas e situações (...) apreciam ser deixados sozinhos, agindo como s as pessoas em volta não estivessem ali (...) quase todas as mães relatam a perplexidade causada pelo fato dos filhos, diferentes dos demais, não desejarem ser tomados em seus braços (KANNER, 1966, APUD KELMAN et al, 2010, p. 224).

Com o passar do tempo, outros pesquisadores e estudiosos também foram desenvolvendo seus estudos como Klin (2006) que classificou pessoas com autismo conforme suas características; com algumas alterações, como por exemplo, relacionando o autismo a um déficit cognitivo, considerando-o não uma psicose e sim um distúrbio do desenvolvimento. Essa ideia do déficit cognitivo vem sendo reforçada por muitos estudiosos até os dias atuais.

Como vivem em um mundo muito confuso, é compreensível que crianças autistas tentem se apegar às poucas coisas que conseguem entender. Elas gostam de manter as mesmas rotinas, uma leve mudança pode provocar gritos e acessos de raiva. Também se tornam bastante apegadas a objetos, que podem ser brinquedos comuns ou coisas aparentemente sem atrativos (GAUDERER, 1985, p. 119).

 

Devido estas características os alunos autistas são muitas vezes deixados de lado, sem atenção dos professores. O isolamento destes muitas vezes é visto com descaso, ou como algo sem jeito. Até muitas famílias desprezam ou deixam estas crianças apáticas isoladas, no seu mundo, sem buscar meios para leva-las a interagir ou à socialização.

Segundo Klin (2006) os autistas podem ser agrupados conforme as características comportamentais que permitem avaliar seu grau de severidade. No grupo considerado severo temos os indivíduos com comprometimento maior, um intermediário e um terceiro grupo com comprometimento mais discreto. De acordo com o autor:

Há uma variação notável de sintomas no autismo. As crianças com funcionamento mais baixo são alto de funcionamento e são pouco mais velhas, seu estilo de vida social é diferente, no sentido de que elas podem-se interessar pela interação social, mas não podem iniciá-las ou mantê-la de forma típica. O estilo social de tais indivíduos foi denominado ‘ativo, mas estranho, no sentido de que eles geralmente têm dificuldade de regular a interação social após essa ter começado. As características comportamentais do autismo se alternam durante o curso do desenvolvimento (KLIN, 2006, p. 8).

Oferecer a todos os autistas uma única proposta educacional torna-se um desrespeito à individualidade destes. Pois são as características do indivíduo que determinam a intensidade e diversidade de intervenções pedagógicas que necessitam para o desenvolvimento de seu processo educacional. Diante disto, percebe-se a urgente necessidade de inovação e adequação do sistema educacional quanto a adaptação de currículos, formação de professores, a fim de atender peculiaridades dos alunos autistas.

1.2. Inclusão de alunos autistas nas escolas públicas

É considerável o número de alunos autistas nas escolas comuns. Estudos e pesquisas afirmam que a intervenção educacional tem apresentado impactos positivos na aprendizagem, no desenvolvimento e na participação desses alunos.

Kelman (2010) aborda a inclusão numa perspectiva dialógica onde são refletidas e discutidas as situações que envolvem a inclusão, bem como possíveis soluções, corroborando ainda para enriquecer este trabalho.

No entanto, para que esses alunos recebam essa devida atenção é necessário que as escolas se apropriem de fato e de direito de uma política educacional que proporcione formações adequadas aos professores como também, a apropriação de um projeto politico pedagógico que vise garantir um atendimento respeitando as particularidades de cada aluno de modo que lhes traga um desenvolvimento positivo e um ensino de qualidade.

Beyer (2006) aponta que os professores se sentem despreparados. Para o autor, faltam a estes uma melhor compreensão acerca da proposta de inclusão escolar, melhor formação conceitual e condições mais apropriadas de trabalho.

Essas considerações nos levam a refletir sobre a forma como o espectro do autismo desafia a comunidade escolar. Então surge a pergunta: Se há profissionais então qual é o problema? Seria a falta de conhecimentos, de estudos na área?

Serviu-se ainda dos estudos de Gauderer (1993), estudioso que se aprofundou na pesquisa e análise em busca de compreender o comportamento das pessoas autistas; também os trabalhos desenvolvidos por Baptista (2006), que discorre sobre a importância de um currículo flexibilizado para facilitar o trabalho realizado pelos professores no atendimento a alunos autistas. E Correia (2008), que aborda os desafios necessários para a implantação da educação inclusiva nas escolas, mostrando que a educação inclusiva vai além da acessibilidade, é preciso sensibilidade e mudança de concepção, adaptação curricular e formação adequada dos profissionais.

Outro estudioso utilizado foi Beyer (2007), que discorre sobre a evolução do processo inclusivo de alunos especiais nas salas de aula comuns. Ele aborda ainda a grande preocupação que deve existir em relação a falta de preparo ou lentidão na formação de professores para trabalhar com alunos especiais.

Diante disto, percebe-se a necessidade de mais preparo dos profissionais da educação que devem ter formação adequada para receberem estes alunos. Que os mesmos não só sejam matriculados, mas tenha seus direitos garantidos, uma educação de qualidade.

Sabe se que o professor é o principal responsável em tornar possível a socialização da criança com autismo na sala de aula e adequar metodologias que venham atender as necessidades dos mesmos. Pois é ele quem recepciona e estabelece o primeiro contato com a criança, seja ele positivo ou negativo, dessa forma é do professor o desafio de efetivar o processo de inclusão, considerando que é seu dever criar estratégias de desenvolvimento que atenda às necessidades de todos os alunos.

Vale ressaltar a importância de o professor detectar as dificuldades de seus alunos, pois é indispensável que ele conheça todas as características e tenha um pleno conhecimento do que é o autismo para que haja propriedades nas práticas aplicadas que visem na inclusão e no desenvolvimento dos alunos. Conhecer para ajudar vai fazer grande diferença na vida destes alunos que muitas vezes sofrem preconceitos ou discriminação devido suas peculiaridades.

1.2.1   A importância da escola no desenvolvimento do aluno autista

A escola inclusiva deve ser aquela que implica num sistema educacional que reconhece e atende as diferenças individuais, respeitando as necessidades de todos os alunos. O professor como os demais membros da escola compromissados com uma educação com qualidade deve estar requalificando sua atuação como facilitador do processo ensino aprendizagem para identificar as necessidades educacionais e apoiar os alunos em suas dificuldades.

O autista sente dificuldade em se relacionar ou se comunicar com outras pessoas, uma vez que ele não usa a fala como um meio de comunicação. Não se comunicando com outras pessoas acaba passando a impressão de que a pessoa autista vive sempre em um mundo próprio, criado por ele e que não interage fora dele. (MENEZES, 2012, p. 25).

Sendo assim, cabe a escola promover a interação social entre o aluno autista e os demais alunos considerados “normais”, para que assim o desenvolvimento de habilidades relacionadas a linguagem sejam desenvolvidas. O professor deve desafiar o aluno autista a participar de atividades interativas, favorecendo a comunicação entre todos os alunos.

Quando a criança autista frequenta a escola e é atendida por pessoas preparadas, ela recebe grandes benefícios. O simples fato de ter oportunidade de interagir com outros alunos da mesma idade lhe proporciona momentos de descobertas e aprendizado, embora muitas vezes esse avanço se torne imperceptíveis de compararmos com a padronização. Mas segundo a particularidade, ele tem avanços visíveis sim em curto prazo. Para isto, as instituições escolares precisam estar preparadas estruturalmente e profissionalmente para isto.

Compete à escola adaptar-se para atender às capacidades e necessidades do estudante na classe comum, mobilizando ações e práticas diversificadas que, além do acesso, propicie condições de permanência exitosa no contexto escolar. (KELMAN, et al, 2010, p. 226)

Percebe-se que o ambiente escolar, como uma instituição da sociedade tem o dever de adaptar e proporcionar aos alunos autistas a oportunidade de conviver socialmente. E para que isso aconteça é necessário que a comunidade escolar, principalmente os professores tenham conhecimento do que é autismo, mas na maioria dos casos encontramos professores despreparados e alheios ao assunto. Para Correia (2008), com a educação inclusiva surgem maiores exigências e desafios para as escolas e para os professores. É necessário que, os intervenientes educativos programem um currículo que atendam às características dos alunos.

Capacitar os professores e as escolas a trabalhar com um currículo que responda a estas exigências é, pois, o grande desafio que se coloca à própria escola e aos serviços de apoio”. Planificar a aprendizagem e a participação de todos os alunos sem recorrer a respostas estereotipadas e pré-definidas, procurar as melhores formas de adaptar ou modificar o currículo à diversidade das necessidades dos alunos, trabalhar em articulação com outros profissionais ou serviços, promover a colaboração e partilha de informações e experiências entre professores, dinamizar a produção de materiais curriculares, a observação mútua de aulas, a emergência de parcerias pedagógicas, incentivar a experimentação e inovação pedagógica. (CORREIA, 2008, p. 47).

O oferecimento de um trabalho interdisciplinar no espaço escolar pode trazer muitos benefícios para os alunos especiais. A escola deve se adequar para atender todos os alunos independente de suas diferenças. Portanto, deve haver a preocupação principalmente com a capacitação de seus docentes, pois estes é que irão mediar o processo educativo na sala de aula.

2. Estratégias de ensino para o processo educativo de alunos autistas

O papel da escola é de fundamental importância para o desenvolvimento de todos os alunos. Buscar conhecer mais sobre o assunto, ter uma perspectiva inclusiva e preparar o quadro de docentes para trabalhar com alunos autistas é um importante começo. Aliado a isto, a busca de estratégias metodológicas de interação e desenvolvimento de todos os alunos deve ser alvo constante de uma escola inclusiva.

A busca por meios e estratégias para o trabalho com alunos autistas depende muito do empenho, sensibilidade e disponibilidade do professor em manter-se informado sobre as atualidades na área. O docente ao se planejar deve pesquisar estratégias de ensino que poderá adotar para adaptar o conteúdo, eleger os recursos pedagógicos e a didática a ser utilizada de forma que venha favorecer a aprendizagem de todos os alunos. Uma sociedade inclusiva considera a pessoa especial com direitos iguais aos considerados normais. Para isto, devem ser articuladas ações nas diferentes áreas sociais buscando romper com a cultura do preconceito contra as pessoas deficientes.

Conforme Baptista (2006. p. 93) “[...] o compromisso do educador tem como base a apropriação de seus próprios recursos e instrumentos: a observação, o diálogo, a negociação e a avaliação retroalimentam o agir do educador”. Desta forma, o professor deve rever as informações, conhecer e ter sensibilidade para lidar com as limitações e necessidades do aluno. Não basta ter formação, o lado humanístico deve estar presente em cada atividade realizada.

Outro aspecto não menos importante é a estruturação flexibilizada do currículo, que deve atender as peculiaridades regionais e as particularidades de cada turma, não podendo esquecer a qualidade na educação.

Flexibilizar o currículo, para responder a cada caso particular - comunidade, religião, língua, etnia, necessidade específica - não é ficar preso a conteúdos predefinidos e a ritmos e estratégias de aprendizagem rígidas, mas antes adaptar os conteúdos, ritmos e estilos de aprendizagem, às condições concretas de cada grupo, subgrupo ou indivíduo (CORREIA, 2008, apud MORGADO, 2011, p. 8).

A escola deve conhecer bem sua clientela a fim de melhor atendê-la mediante suas reais necessidades, não abrindo mão da qualidade da educação oferecida. Trabalhar com alunos autistas exige o desenvolvimento de práticas e estratégias pedagógicas que acolham a todos e respeite às diferenças.

A incapacidade de desenvolver um relacionamento interpessoal se mostra na falta de resposta ao contato humano e no interesse pelas pessoas, associada a uma falha no desenvolvimento do comportamento normal, de ligação ou contato. Na infância, estas deficiências se manifestam por uma inadequação no modo de se aproximar, falta de contato visual e de resposta facial, indiferença ou aversão a afeto e contato físico (GAUDERER, 2011, p. 14).

Este comportamento muitas vezes pode não ser compreendido pela comunidade escolar. As manifestações decorrentes do autismo podem levar ao sentimento de rejeição por parte de quem não conhece as características deste transtorno. Por isso, o desafio de trabalhar com um aluno autista é grande, necessitando de bastante conhecimento e preparo para seu acompanhamento, além de formação acadêmico, a sensibilidade e acuidade do professor são extremamente importantes para compreender o compreender e trabalhar com o aluno autista.

Educar uma criança, por mais difícil que seja, aumenta o sentimento de amor na maioria das pessoas. Os pais sentem que a criança é parte deles e da família, não querendo que ela vá embora. Além disso, a criança autista pode ser bastante cativante e sua própria impotência e confusão faz brotar emoções profundas nos que lidam com ela. Então, quando começam a fazer progresso, a alegria que cada pequeno passo avante traz, parece muitas vezes maior do que é dado por uma criança normal (GAUDERER, 2011, p. 127).

A educação é importante na vida de qualquer pessoa, por isso, o progresso dos alunos autistas se torna ainda mais significante, dada as circunstancias muitas vezes difíceis enfrentadas por estes e por suas famílias.

3CONSIDERAÇÕES FINAIS  

O objetivo deste trabalho teve como norte alguns pontos principais: Identificar as estratégias e examinar sua aplicabilidade na sala de aula pelos professores que trabalham com alunos autistas, a fim de fazer acontecer uma educação inclusiva de qualidade em uma escola pública de Rio Branco. Como também os principais desafios enfrentados pelos docentes e as estratégias de ensino utilizadas pelos mesmos para o processo de inclusão destes alunos. Abordando também a importância da escola para o desenvolvimento de tais alunos.

Após as análises dos questionários pôde-se constatar a grande realidade vivida hoje na escola analisada e são evidentes o despreparo e a falta de conhecimento dos profissionais quanto as informações e manifestações do autismo. Os professores têm conhecimento superficial das características e interação sobre o espectro do autismo, consequentemente apresentam receio ao receber alunos autistas em sala de aula devido os mesmos terem dificuldades na aprendizagem, na linguagem oral, no contato visual e em alguns casos, apresentam situações de agressividade.

Vale ressaltar que alguns professores se destacam demonstrando interesse em conhecer e se aprofundar nas características do autismo. Porém, sabe-se que a formação e as informações desses educadores não são suficientes para se trabalhar de forma adequada e significativa com tais alunos. Para que o aluno autista desenvolva suas habilidades é necessária uma estrutura escolar eficiente, com preparo profissional de todos os envolvidos no processo educativo. Como o aluno autista tem dificuldades de se adaptar ao mundo externo, a escola deve pensar na adequação do contexto. Não existem apenas salas de aulas inclusivas, mas escolas inclusivas. Por isso, é necessário que a escola crie uma rotina de situação no tempo e no espaço como estratégias de adaptação e desenvolvimento destes alunos.

Vale ressaltar que durante a aplicação do questionário pôde-se notar a necessidade dos professores em terem acesso a cursos de capacitação como também apoio de profissionais como psicólogos e neurologistas, tendo em vista que o estado do Acre não dispõe de um médico especialista na área do autismo. Todo esse descaso faz com que os profissionais da educação, em especial os professores, se sintam mais inseguros em relação a esta deficiência. As formações que são ofertadas aos professores ainda são insignificantes diante da necessidade apresentada.

Por fim, vislumbrou-se a indispensabilidade de expandir os estudos nesta área através de mais pesquisas que foquem na realidade vivida por professores e alunos autistas no espaço escolar e, só assim, a inclusão escolar destes pode sim ocorrer com sucesso.

 

4. REFERÊNCIAS

 

BAPTISTA, C. R. A inclusão e seus sentidos: entre edifícios e tendas. In: BPTISTA, C. R. (org). Inclusão e escolarização: múltiplas perspectivas. Porto Alegre: Mediação, 2006, p. 93).

 

BEYER, H. O. A educação inclusiva: resinificando conceitos e práticas da educação especial: Revista inclusão, v. 2, 8-12. 2007.

 

BRASIL, Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da educação Inclusiva. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf. Acesso em: 07 de jul. 2015.

 

CORREIA, L. de M. (1999), apud MORGADO, José Carlos. Alunos com Necessidades Educativas Especiais nas Classes Regulares. Porto. 2008.

 

GAUDERER, E. C. Apud PRAÇA, E. T. P. O. Uma reflexão acerca da inclusão de aluno autista          no       ensino           regular.         2011.  Disponível     em: file:///C:/Users/Neuton/Downloads/AUTISMO%20REGULAR.pdf. Acesso em 23 de set. de 2015.

 

GIARDINETTO, A. R. S. B. Comparando a interação social das crianças autistas: as contribuições do programa TEACCH e do currículo funcional natural. Universidade Federal de São Carlos, UFSCAR, 2005.

 

KANNER, L. apud. KELMAM, C. A. [et al]. ALBUQUERQUE, D. e BARBATO, S.-Organizadoras. Desenvolvimento Humano, educação e inclusão escolar. Brasília, Editora UnB, 2010.

 

KELMAM, C. A. [et al]. ALBUQUERQUE, D. e BARBATO, S. - Organizadoras. Desenvolvimento Humano, educação e inclusão escolar. Brasília, Editora UnB, 2010.

 

KLIN, A. Autismo e Síndrome de Asperger: uma visão geral. Revista Brasileira de Psiquiatria. V.28 p. 3-11, 2006.

 

LAKATOS, E. M. e MARCONI, M. de A. Fundamentos de Metodologia Cientifica. 5. Ed. São Paulo: Atlas, 2010.

 

MENEZES, A. R. S. Inclusão escolar de alunos com autismo: quem ensina e quem aprende? Dissertação de Mestrado, UERJ, 2012.

 

MORGADO, J. C. Identidade e Profissionalidade docente: sentidos e (im)possibilidades. Ensaio. Avaliação e políticas públicas em educação. Rio de Janeiro, 2011.

 

TRIVIÑOS, A.N.S. Introdução à pesquisa em ciências sociais, a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987. UAB. Disponível em: . Acesso em 10 maio 2014.