Mais um encontro com o policial Adelson Westrupp:

Dia 06.03.06, por volta das onze horas, cheguei na Delegacia de Polícia da Comarca de Araquari a fim de conversar com o Escrevente Policial Adelson Westrupp. Logo na entrada da repartição encontrei o policial Iunes (Investigador) e sua esposa (Veleda).   Era esquisita aquela sensação, Veleda na condição de Comissária era  hierarquicamente mais graduada que seu marido e ambos trabalhavam na mesma repartição. Pior ainda, Araquari há tempos já havia sido elevada a condição de comarca e deveria ser dirigida por um Delegado de carreira, mas estava nas mãos de um Escrevente Policial, menos graduado que Veleda. Tudo era reflexo da desorganização da Polícia Civil, a começar por não atualizar a “Divisão Territorial de Polícia Judiciária”, mais, ainda, por desrespeitar o princípio básico da hierarquia só invocado quando havia necessidade de punir policiais desapadrinhados, insubordinados... Logo que Adelson me viu já foi me convidando para ir para o interior do seu “gabinete”. Procurei observá-lo discretamente e percebi que cada vez estava mais magro, bem longe daquele corpo que encontrei nos anos passado e retrasado. Em cima da sua mesa um livro de “Jean Claude Monet”, cujo título era a  “Polícia e Sociedades Européias”. Adelson aproveitou enquanto eu dava uma folheada no livro para dizer:

- “A Polícia Militar quer acabar com o inquérito policial...”.

Adelson dando a impressão que estava satisfeito com a minha presença repetiu a frase, deixando claro que queria a minha opinião. Aproveitei para argumentar mais como uma forma de provocação:

- “Bom, se é assim, então vamos propor o fim da ‘Justiça Castrense’. Vamos pedir o fim da justiça militar”.

Adelson investiu novamente:

- “O senhor sabe dizer por que é que as novas viaturas da Polícia Militar estão vindo agora com as pinturas antigas que eles tinham? As novas viaturas que estão chegando aqui estão vindo com as cores antigas da Polícia Militar”.

Achei melhor não aprofundar a questão, porém, argumentei:

- “Bom, os governos passam, mas a Polícia Militar permanece, não é? No início eles se submeteram a nova política num ‘jogo de cena’, queriam passar a idéia de subordinação, de acatamento, mas agora que já passou, eles retornam a situação inicial e com mais força, ganharam viaturas, é assim, a palavra de ordem é se adaptar aos novos tempos, sobrevivier e voltar mais fortes...”.

Os eternos laços entre Paulo Bauer e a Delegada Marilisa:

Adelson deu a impressão que entendeu o meu recado. Em seguida relatou que o Diretório do PSDB de Araquari estava sendo ‘comprado’ pelo Deputado “Dário Berger” que pretendia se candidatar a Deputado Federal. Sobre o assunto Adelson assim se reportou:

- “Doutor, o senhor vê, o Dário é lá de Florianópolis, é dono de uma das maiores empresas de segurança do Estado, a ‘Casvig’ que tem contrato com o governo do Estado. Então o senhor acha que eles vão querer brigar com o Luiz Henrique? Estão levando um dinheirão... Eu conversei com o Paulo Bauer e já disse para ele que aqui nós vamos apoiar o seu nome para Deputado Federal, não o Dário que é lá da Capital. O Paulo Bauer era casado com a irmã do marido da doutora Marilisa. Bom, agora ele se separou, não é mais parente da doutora Marilisa, mas os filhos do Paulo Bauer são primos dos filhos da Marilisa. Então, doutor, a Marilisa vai ficar bem se o Pavan for governador. O senhor sabia que ela vai ser candidata a Deputado Estadual? Parece que é pelo PPS ou PTB, alguma coisa assim...”.

Interrompi:

- “Ah, sim, eu conversei com ela outro dia, parece que é pelo PPS mesmo”.

Adelson continuou:

- “Aqui no diretório do PSDB de Araquari tem dois que foram comprados pelo Dário, mas eu já falei com o Paulo Bauer, ele vai acertar para que eu seja o presidente da câmara de vereadores para que passe a apoiar a sua reeleição”.

O Arcebispo de São Paulo e um nome estadualizado:

Em seguida Adelson comentou que o Delegado Marcucci em Joinville estava aparecendo  direto na mídia, defendendo vários projetos, tomando muitas iniciativas, entretanto, segundo soube estaria respondendo um outro processo criminal, porém, não se sabia se seria  condenado e se poderia recorrer em liberdade. Adelson também fez alguns comentários sobre seu irmão que é Arcebisbo em São Paulo, pois o mesmo teia muito acesso ao governador Geraldo Alkmim. Argumentei que não pretendia me aposentar tão cedo e Adelson, dando sinais de entusiasmo com a nossa conversa, argumentou:

- “Doutor se o senhor não se aposentar eu também fico mais alguns anos. Imagina, o senhor tem um nome estadualizado, quem é que já não ouviu falar no seu nome, em qualquer lugar do Estado todo mundo conhece o senhor, todo mundo já leu o seu Estatuto da Polícia Civil, vamos trabalhar juntos, eu aqui no norte e o senhor lá na Capital. O Senhor pode fazer um projeto para o Pavan, só tem que se tomar certo cuidado com o Maurício Eskudlark por que ele vai ser forte se o Pavan ganhar as eleições. Bom aí o senhor vai ter que ter um pouco de estômago para conversar com ele”.

Interrompi:

- “Ah, sim, não tem problema, apesar do Maurício ter me aprontado uma lá no Conselho Superior na época do Thomé, mas eu converso com ele, pode deixar...”.

Procurei inteirar Adelson sobre o meu requerimento de férias e licença-prêmio indeferido por Thomé e que teve como relator o Delegado Maurício Eskudlark no Conselho Superior da Polícia Civil. Adelson mostrando certa ingenuidade fez uma sugestão:

- “Bom, o senhor tem aquele projeto de colocar um Delegado no segundo grau da carreira do Judiciário, lá no Tribunal de Justiça, lembra? O senhor uma vez me falou...”.

Interrompi:

- “Não, não é assim. Isso é um logo processo, é um sonho. O que eu propus uma vez foi se criar a ‘Procuradoria-Geral’ de Polícia no Estado e os cargos de ‘Procuradores de Polícia’...”.

Depois de ouvir minhas considerações Adelson deu a impressão que passou a entender melhor meu projeto. Deixei a repartição pensando se valeria a pena lutar novamente por idéias que pudessem melhorar a segurança pública, pois achava que seria praticamente impossível e a conversa pareceu não ter sido nada produtiva porque evidentemente ele tinha interesses pessoais, estava escrito no seu semblante e seu cacife político era ainda muito curto. Além disso havia o fator Maurício Eskudlark que já tinha um nome estadualizado, possuía bom trânsito junto ao partido dos tucanos e aos policiais.

Delegado Wanderley Redondo em campanha para o Deputado Ronaldo Benedet:

Dia 22.08.06, por volta das quatorze horas, cheguei na Delegacia da Mulher de Joinville, com o objetivo de conversar com a Delegada Marilisa e saber das novidades. Na verdade queria confirmar a informação de que ela seria candidata à Assembléia Legislativa. Como ela havia retardado a sua chegada na repartição permaneci conversando um pouco com o policial “Neto” que confirmou que Marilisa não sairia mais cândida a Deputada Estadual. “Neto” também revelou que há poucos dias atrás o Delegado Wanderley Redondo esteve visitando a repartição e pediu votos para o ex-Secretário Ronaldo Benedet.

Delegado Wanderley Redondo em campanha para o Deputado Julio Garcia:

Dia 23.08.06, por volta das quatorze horas e quarenta minutos, retornei à Delegacia da Mulher de Joinville, com o objetivo de tentar conversar com a Delegada Marilisa e saber das suas pretensões políticas. Como sempre, Marilisa me recebeu radiante e esbanjando simpatia, chamando a atenção para o fato que desta vez se revelava menos estressada. Perguntei se ela seria mesmo candidata e ela respondeu que havia desistido. Perguntei se estava trabalhando para o Deputado Paulo Bauer e a resposta foi negativa, pois até aquele momento não havia sido procurada. Marilisa contou que o Delegado Wanderley Redondo esteve na sua repartição pedindo votos para o Deputado Julio Garcia. Achei graça e contei que soube que Redondo estava viajando o Estado todo pedindo votos para Ronaldo Benedet, bem aquele Secretário de Segurança que tempos atrás esteve em Joinville e andou de braços dados com ela de um lado para outro... Marilisa argumentou:

- “Bom, o Benedet aqui não leva nada, depois do que ele falou dos policiais aqui de Joinville...”. 

Os Governos Esperidião Amin e Luiz Henrique da Silveira:

No curso da conversa Marilisa deixou claro que estava com o Governador Espiridião Amin e me perguntou com quem eu estava. Argumentei que iria voltar no primeiro turno no candidato do PT José Fritsch, já no segundo turno, provavelmente no Espiridião Amin. Argumentei que Espiridião apesar de ter revogado a nossa aposentadoria e nos ter causado muito prejuízo, não cometeu os desatinos de Luiz Henrique, acabando com a nossa  Corregedoria-Geral, a decretação do fim da Polícia Técnica... Marilisa concordou com o meu raciocínio e perguntou: 

- “Então o Lipinski perto do Thomé é um santo, não é?”

Concordei, dizendo:

- “Meu Deus, na época do Lipinski praticamente nós não perdemos nada, assim ele virou santo perto da turma que apoiou o PMDB neste governo, não tem precedentes na história da Polícia Civil, e agora vem o homem aí pedir votos, era só o que faltava...”.

Os Delegados e a Política na veia:

Marilisa sorriu, dizendo que Lipinski iria pedir aposentadoria. Lembrei que se Esperidião Amin viesse a ganhar o governo nós iríamos ficar numa situação difícil, pois não existia projeto algum na área da Segurança Pública. Argumentei que o Delegado Zulmar Valverde era do PFL e estaria apoiando “Darci de Mattos”, cujo partido apoiava o PMDB, só que se desse Amin rapidamente todo mundo mudaria de lado. Citei o caso do Delegado Mário Martins que devia ainda estar filiado ao PP (partido de Amin), porém, fazendo campanha para o PMDB, ou melhor, coordenando a campanha do Delegado Thomé à Câmara Federal. Já o Delegado Wanderley Redondo (antes vinculado a Amin) agora trabalhava para o ex-Secretário Benedet e Julio Garcia. Marilisa se revelou curiosa e eu arrisquei um palpite:

- “Pudera, Marilisa, quem viabilizou a ida dele para a Presidência da Assembléia foi o Benedet, e agora ele está lá em cargo comissionado junto com o Julio Garcia, entendesse a jogada?”

Marilisa sorriu e comentou:

- “É, mas o Amin está sabendo disso tudo, ele agora está bem informado”.

Argumentei:

- “Dá licença, Marilisa, tu estais me lembrando ‘Voltaire’: ‘De barriga cheia em penso de um jeito, de barriga vazia, penso de outro jeito bem diferente!’ O Amin hoje é humilde, simples, tudo porque está fora do poder, já o Luiz Henrique é o franco favorito..., mas deixa ele voltar ao governo, deixa... Lembra da época que tu eras Delegada Regional aqui em Joinville? Lembra quando tu fosses exonerada? Lembra que tu embarcasse no carro com o Amin e chorasses...? Do que adiantou? O Amin agora é o querido, é simpático, mas deixa ele se eleger, deixa ele chegar ao poder, o pessoal vai enclausurar ele de um tal jeito que ninguém chegará perto, ninguém! Mas que bom que tu estais com um canal com ele...”.

Marilisa restringiu-se a sorrir  novamente e disse:

- “Na semana que vem o Amin deve estar aqui em Joinville e eu estarei com ele...”.

Argumentei:

- “Bom, tem que se avaliar, a gente precisava de um projeto...”.

Marilisa me interrompeu:

- “Pois é, mas precisava de alguém para coordenar a coisa em nível estadual, eu estou aqui só na região”.

Argumentei por derradeiro:

- “Bom, eu vou conversar com alguns Delegados lá na Capital, vamos ver o que eles vão dizer...”. 

Acabamos conversando sobre mais alguns assuntos (bem e o mal, sistema prisional e etc.), mas como a policial Noêmia estava aguardando para tratar de uma sindicância, procurei abreviar a minha estadia, ficando de voltar para nos encontrar futuramente.