Tenente Coronel Fachini no Comando da PM de Joinville:

Dia 15.09.05, por volta das quinze horas, estava em Joinville e resolvi dar uma passada pela Delegacia da Mulher e fazer uma visita para Marilisa. O objetivo era convidá-la para um encontro do pessoal do “grupo”.  Ela deu a impressão que ficou contente com a minha presença e refleti em silêncio se sua satisfação era com a minha chegada ou se era por uma questão de “ego”, de se sentir importante, valorizada com a visita do “Corregedor?” Marilisa inicialmente foi fazendo um desabafo sobre a crise da Polícia em Joinville. Lamentou o fato de ter ido a posse do Tenente Coronel Fachini e que no discurso de posse no comando do Batalhão em momento algum citou o nome da Polícia Civil:

-  “Imagina, citaram o nome até de gerente de banco que se fazia presente, mas o nome da Polícia Civil sequer foi citado...”.

Argumentei:

- “Mas eles sempre foram assim. É por isso, Marilisa, que eu acho que nós temos que ignorá-los também, esse discurso de integração é conversa para boi dormir, enquanto não houver um projeto de cima para baixo que unifique os comandos das Polícias vai ser assim, não podemos esquecer que pulga só dá em cachorro magro...”.

Marilisa insistiu:

- “Ah, mas quando eu era Delegada Regional eu me fazia presente em todas as solenidades. No início eles ignoravam a minha presença, sabe o que eu fiz? Eu comecei a ir a todas as solenidades para qual era convidada e procurava já de começo o responsável pelo cerimonial. Bom, acabei ficando conhecida por todo mundo e em cada solenidade eles já me viam e me colocavam no rol de autoridades a serem citadas. Então é isso, nós temos que ir a todas as solenidades. Lá na troca de comando da PM do ‘Fachini’ quem é que estava da Polícia Civil? Era só eu. É por isso que eu coloco um traje melhor e me faço presente. Olha, eu acho que vou me candidatar nas próximas eleições, sinceramente, estou pensando...”.

Imediatamente fiz um comentário:

- “Que coisa boa! Quero ser teu cabo eleitoral. Tens que ir mesmo, te candidatas a Deputada Estadual que tu tens chances”.

Marilisa argumentou:

- “Vou mesmo, estou pensando seriamente nesse projeto, vou pegar esse discurso da defesa da mulher...”.

Interrompi para argumentar:

- “Eu acho que tu não deves publicamente defender os policiais. Tens que ser candidata do norte, de todos os policiais, da segurança pública. A defesa da instituição deve ser um acessório, não o principal, pois já está implícito, é a tua profissão.  Eu acho que o caminho é este, pois assim tu vais ter liberdade, vais representar um universo muito maior de pessoas”. 

Marilisa ainda brincou:

- “Vou te pegar para ser meu assessor...”.

Dei uma risada e aproveite para provocar:

- “Tens que ser candidata, tens espaço para ocupar como Delegada...”.

Depois, revelei para Marilisa sobre a idéia de reunirmos um ‘grupo’ de policiais, principalmente de Delegados para debater a situação da Polícia, o nosso futuro, a necessidade de resgatarmos valores, princípios. Marilisa se revelou interessada e estimulada, e argumentou:

- “Mas a pessoa certa para liderar isso é você, não tem outro. Tu entendes de leis, tens conhecimento, és humilde e o pessoal gosta de ti. Não tem outro”.

Interrompi:

- “A idéia é que em cada região a gente tenha alguém da nossa confiança. Acho que podemos criar uma entidade”.

Marilisa arriscou um palpite: 

- “Que tipo de entidade é essa, heim? Como é que ela poderia se chamar?”

Continuei brincando:

- “Pode ser um ‘clã’ (brinquei porque assisti recentemente o filme ‘o Clã das Adagas Voadoras’), ou uma ‘rede’”.

Marilisa interrompeu dando sinais de receptividade:

- “Isso, uma rede. Está na moda esse negócio de ‘rede’, é rede...”.

Naquele embalo de gracejos, reforcei:

- “Pois é, tá aí, uma ‘rede’ de defesa dos nossos interesses institucionais, classistas...”.

Fui convidado para tomar um café no andar de baixo da repartição e depois me despedi, ficando de fazer um contato sobre o dia em que nos reuniríamos outra vez.

Delegada Marilisa na política:

Destino - Marilisa Boehm, primeira delegada a ocupar a Delegacia da Mulher de Joinville, pretende se lançar candidata a deputada estadual, provavelmente no PPS de Fernando Coruja. Ela fará dupla com o vereador José Cardozinho” (DC, 29.09.05). 

Um dossiê sob censura:

Dia 27.10.05, por volta de meio dia estava almoçando na Churrascaria Viapiana (Araquari), localizada às marges da BR 280, quando fui surpreendido com a presença do Escrevente Policial  Adelson Westrup, responsável pela Delegacia da Comarca daquela cidade. Perguntei para Adelson como é que estavam as coisas no universo policial do norte do Estado e ele cheio de novidades foi relatando que estava para ser expedido mandado de prisão para mais sete policiais civis de Joinville e que o clima atual era de terror. Fiquei impressionado com as informações e passei a refletir: “Meus Deus, parece que essa história de Joinville não acabará tão cedo”. 

Adelson interrompeu:

- “Dizem que estão para serem presos o Paulo Curvelo, a Noêmia...”.

Antes que ele se esforçasse para declinar os demais nomes interrompi:

- “Mas que clima, heim?”.

Adelson continuou:

- “O senhor não soube da última que estourou aqui? Mandaram um texto apócrifo para várias autoridades, caiu na mão de todo mundo. Olha, o material senta o pau em todo mundo...”.

Interrompi:

- “Sim, mas ninguém sabe quem foi o autor?”

Adelson continuou:

- “Uns dizem que foi o Paulo Curvelo, outros dizem que foi o Samuel, bom, ninguém sabe, mas o pessoal tem quase certeza...”.

Continuei:

- “Sim, mas o que diz o texto?”

Adelson explicou:

- “O primeiro e-mail  começou falando mal de determinadas pessoas, depois veio o segundo sentando ainda mais o pau, depois o senhor passa ali na Delegacia que eu consigo uma cópia para o senhor...”.

Por volta das dezesseis horas passei por Araquari e fui me avistar com Adelson que pegou um documento previamente guardado e começou a lê-lo na minha presença, tecendo comentários sobre vários tópicos:

- “A Ruth é Perita e o irmão dela, o Samuel, é policial e está naquele rolo dos caixeiros... O Hilton Vieira propôs para o Samuel uma delação premiada e parece que ele andou falando alguma coisa, só que não conseguiu nada. O Paulo Curvelo era o responsável pela Ciretran ali de Joinville, a mulher dele também é policial, o nome dela é Eliane e trabalha lá na Delegacia Regional, na época o Marcucci ele andava sempre com ela...”.