Dia 03.10.2007, às 16:30 horas, tinha acabado de realizar uma audiência na DRP de Campos Novos e fui até o gabinete do Delegado Getúlio Scherer para uma conversa. Getúlio estava com aquela velha barriga avantajada que caía  por cima do cinturão, o que fazia quase dobrar a fivela, dando um aspecto bonachão e meio doentio. Logo que viu Marilisa parecia se derreter de felicidade, como pude observar no nosso último encontro. Sim, era a Marilisa sempre muito empática, querida, habilidosa, com aquele seu sorriso cativante e envolvente capaz de encapsular as pessoas próximas. Aproveitei para deixá-la a sós com nosso afável Getúlio e fui iniciar a audiência para que não perdêssemos nosso valioso tempo. No término dos trabalhos de oitiva do policial militar Viatar eis que o  Delegado Regional veio até a sala onde se realizaram as audiências  e começou a relatar a perseguição política que estava sofrendo por parte do Prefeito Nelson Cruz da comarca de Campos Novos. Durante a Narrativa, Getúlio comentou:

- “...Eu tinha uma namorada, namoradinha que era jornalista aqui. Ela escreveu um artigo sobre máquinas caça-níqueis...  e o prefeito não gostou. Quando o governador esteve aqui no ginásio de esportes,  eu estava junto acompanhando a comitiva... Em determinado momento eu cheguei na frente do governador e disse para o Prefeito que se ele tivesse alguma coisa contra mim que dissesse ali, mas ele tentou dizer que era coisa da família, não dele, ficou enrolando... O Luiz Henrique chegou e disse para o Justiniano (Justiniano Pedroso, Secretário da Justiça): ‘Justiniano, administra’ isso. Bom, o governador só disse isso, não quis se envolver, sabe como é o jeito dele. Bom o prefeito aqui é ligado ao Titon (Deputado Romildo Titon/PMDB) e não suporta esse deputado”.

Interrompi:

- “Sim, mas é daí como é que ficou a tua situação aqui na Reginal?”

Getúlio continuou o seu desabafo:

- “Bom, noutro dia o Maurício me ligou e foi dizendo que eu tinha ‘bailado’, é foi esse o termo que ele usou: ‘bailasse’. Ele queria dizer que eu estava exonerado, eu me dou bem com o Maurício e ele disse para que eu fosse ficando. Bom, depois o Justiniano me ligou dizendo para eu ficar tranqüilo, que era para ficar aqui e ir agüentando. Bom, o Maurício disse que eu sairia daqui para ser promovido”.

Fiquei curioso e perguntei:

- “Promovido, como?”

Getúlio explicou com aquele seu ar bonachão e gozador:

- “Vão me promover para uma Delegacia Regional maior, ué!”

Fiquei sabendo que Getúlio Scherer estava na verdade comentando sobre a Delegacia Regional de Joaçaba e lembrei que o Investigador “Zico” havia dito durante nossa viagem que o Delegado  Gross de Joaçaba estava “caindo” por conta das investigações do Delegado Hilton Vieira e que provavelmente seria removido para a DRP de Campos Novos. A partir daí  minhas fichas foram caindo, imaginei que talvez fosse uma permuta já que o Delegado Gross estaria bem apadrinhado politicamente pelo Deputado Herneus de Nadal e Getúlio Scherer estava sob o guarda-chuva de Justiniano Pedroso (filho do ex-Deputado e Desembargador Cid Pedroso) e da família Blasi daquela cidade (leia-se: Deputado João Henrique Blasi). Lamentei  aquele “estado de coisas”, aquelas ingerências políticas e a passividade dos Delegados de permitirem há décadas que essa realidade continuasse tão presente no nosso meio. Contestei  em silêncio o Delegado-Geral Maurício Eskudlark, seus antecessores e as suas artimanhas no plano político, além criticar todos chefes de polícia antecedentes, praticamente todos coniventes com esse tipo de procedimento (com raras exceções...).

De volta ao “Verde Vale”:

Por volta das dezessete horas e trinta minutos, iniciamos a viagem em direção à cidade de Videira para nos hospedarmos no “Hotel Verde Vale”. Às dezoito horas e dez minutos chegamos me dirigi ao  quarto 107, enquanto que Marilisa e Ariane, como sempre, ficaram juntos no mesmo quarto. “Zico” se acomodou no apartamento 106.  Por volta das dezoito e quarenta minutos “Zico” me ligou avisando que estava se dirigindo com Marilisa e Ariane para um café numa panificadora ali perto. Fiquei pensando: “Panificadora ali perto?” Logo imaginei que iriam para o Shopping Center, mas tudo bem, estava cansado e disse para ele que estava tudo bem, que fizesse companhia para as duas.

Às vinte horas resolvi me preparar para uma caminhada e comer alguma coisa. Logo que estava abrindo a porta do meu quarto ouvi as vozes de “Zico”, de Marilisa e Ariane e logo imaginei que estariam retornando do café. Procurei retardar a minha saída para evitar encontro e questionamentos.  Em seguida me senti liberado e fui dar a caminhada básica. Quando retornei, isso já por volta das vinte e uma horas, telefonei para o quarto de Marilisa para dar uma satisfação e dizer que estava indo para o restaurante jantar. Marilisa estava quase dormindo, chegando a confessar que já estava debaixo das cobertas e que já tinham estado no Shopping onde haviam jantado. Fiquei pensando: “Ué, por que o ‘Zico’ saiu com aquela história de que estavam indo para uma ‘panificadora’ tomar um café”. Fui para o restaurante e jantei sozinho e por volta das vinte e duas horas retornei para meu quarto e fiquei digitando até quase uma hora da madrugada.

Colhido do “site” da Adpesc:

“ADPESC realiza audiência com o Governador (03/10/2007) - 03/10/2007 às 18:16:00 Prezado (a)s Delegado(a)s de Polícia, Associado (a)s da ADPESC, Por intervenção do Secretário de Segurança Pública, Deputado Ronaldo Benedet, e do Deputado Estadual, Herneus de Nadal, a diretoria da Associação dos Delegados de Polícia de Santa Catarina – ADPESC, capitaneada por sua presidenta signatária, foi recebida, na manhã de hoje (03.10.2007), no Palácio da Agronômica pelo Excelentíssimo Governador do Estado, Luiz Henrique da Silveira, para tratar de assuntos referentes à categoria e à instituição Policial Civil. A audiência foi de grande importância para que os Delegados presentes pudessem expor as agruras por que passam os membros da carreira no Estado, e postular uma rápida outorga de vantagem financeira para a classe, notadamente devido à estagnação salarial que se arrasta há quase dez anos (desde maio de 1998), e também para pleitear o encaminhamento dos anteprojetos de leis de interesse da Polícia Civil (Lei Orgânica, Plano de Carreira e Lei de Promoções) à Assembléia Legislativa para sua aprovação. Depois de uma longa e profícua audiência, com a defesa firme e veemente dos pleitos da categoria pelo Secretário de Segurança Pública, Deputado Ronaldo Benedet e Deputado Herneus de Nadal, bem como pelo membro do comitê gestor do Governo (e Secretário de Desenvolvimento Regional de Itapiranga), Jorge Welter, o senhor Governador manifestou muita preocupação com a atual situação que envolve os Delegados de Polícia do Estado, salientando que as informações que lhes chegavam (!) era de que a categoria estaria numa situação muito confortável, posto que outras categorias (?!) pleiteavam ‘isonomia’ com os Delegados de Polícia. Diante da emergente e grave situação que foi explanada, de que muitos Delegados estão abandonando a carreira por outras do serviço público, menos complexas e melhor remuneradas, o senhor Governador Luiz Henrique da Silveira manifestou sua admiração e sensibilidade para com a classe, reafirmando seu compromisso de buscar uma breve solução administrativa para o problema da categoria, declinando sua determinação de convocar o colegiado do Governo, e deputados estaduais da base governista, para ouvir os pleitos da classe e colaborarem na solução do problema. Estiveram presentes na audiência, os seguintes Delegados de Polícia: Dr. Paulo Roberto Dias Neves (Diretor-geral da SSP); Dr. Artur Jose Regis Neto (Vice-presidente da ADPESC); Dr. Marcio Colatto (Diretor da DPOL); Dr. Andre Luiz Mendes da Silveira (Diretor da Acadepol); Dr. Mauro Dutra (1º. Vice-presidente da ADPESC); Dr. Maurício de Freitas Noronha (Diretor Executivo da ADPESC); Dr. Ricardo Newton Casagrande (Diretor Executivo da ADPESC); Dr. Jose Airton Stang (Conselheiro Fiscal da ADPESC). Portanto, foi dada a largada para uma promissora e esperançosa recuperação das perdas salariais experimentadas pela categoria nos últimos anos, que somente poderá vingar com a constante participação e mobilização de todos os colegas.   Florianópolis, SC, 03 de outubro, 2007. Del. Sonêa Maria Ventura Neves - Presidenta da ADPESC”